Arquivo para outubro 2011

OUVI A VOZ DA SEREIA

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós ouvi a voz da sereia me joguei da amurada fui levado para o fundo morri de morte matada era só uma, a perfeita mulher de quatro costados valia por mil, a serpente múltipla dose de fada fui negociado no mármore da ninfa de azul cobalto pesado em marfim de prata filhote em ninho […]



DESACATO

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Então vamos dar um tempo fim do amor, cura do vício Passa uma vida, e em Paris de cara surges na esquina Finges olho branco, o treino do desencontro imposto Desacato no passo em falso Impacto surdo, mar grosso Sabes que é o fim da tortura e o sentimento cobra a fatura Não […]



GARÇA

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Recebo o recado no mar: Sou vendaval, mas isso passa Aguarde meu sinal no topo da serra geral Recebo o aviso do sol: palavra na sombra, cobra coral Abismo cruzando a garça mergulho que não ameaça Recebo a carta de amor: aguardo no cais, perto da praça sou estátua de sal traga o […]



A MUSA JÁ EXISTIA

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós A musa já existia enquanto quebrava louça Era pedaço de lua abraço antes da posse Era estrela sozinha no crepúsculo de pólen era o barulho de espuma na praia que se devora e hoje quando flutua meu coração de mordaça por entre as pedras acesas e na solidão das garças te vejo presa […]



AINDA É CEDO

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Crônicas

Nei Duclós Ainda é cedo, amor, para retribuir teu beijo, porque devo esperar a hora certa. Um sinal será dado pelo navio que cruza o rio e fica em frente a nós como um aviso de que tudo poderá acontecer de novo, nossa cama coberta de sonho, a janela aberta para os pássaros. Não devemos […]



RESGATE

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Ilha de coral partida ao meio meu coração é resto de naufrágio pedágio imposto em submerso reino mulher que mata e só depois afaga Isso não presta me disseram há tempos mas quem comanda o braço machucado? tem vida própria o bruto ferimento desperdiçando o sangue posto em guarda Adivinho o porto do […]



AGENDA

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Dormes o dia até o crepúsculo e acordas farta de luz e sombra olho ainda tonto de tanto sono rosto riscado na sobra de cama Espero impaciente teu abandono morro alarmado o fim do namoro Inútil cantar numa gaiola de ouro onde me puseste com teu logro E levantas como se eu nada […]



FUGITIVA

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Nada mais trato contigo vício de carta em ladrilho manhã de corpo dormido pomba em teto mourisco noite alta no caminho Não quero amor sem brilho dividir papo encardido olho atirado no rio domínio de mais conflitos companhia de ruídos Não sei mais lidar com isso café na mesa do hospício aflição quando […]



LIVRO

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós És o livro que me tenta e passo a tarde tecendo nos parques de sujo feno flor de plástico suspeito Não atento ao realejo só na forma do desejo abraçado à tua ausência faço de conta que escrevo Dói demais essa doença sem futuro nem sujeito sigo a pé o teu cortejo Com […]



DUELOS ENTRE O AMOR E A SOLIDÃO

out 3rd, 2011 | Por | Categoria: Livros

Nei Duclós Resenha publicada na revista ISTOÉ 11/05/1988 sobre o livro Os Dragões Não Conhecem O Paraiso, de Caio Fernando Abreu. Companhia das Letras, 157 páginas. A lucidez fecha as portas do paraíso. No campo minado da linguagem de Caio Fernando Abreu, o paraíso significa a “eterna monotonia de pacífica falsidade”. Enxergar é não ter […]