Arquivo para novembro 2011

CONDIÇÃO

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Disfarças, para ter voz no concerto mulher é ser antes de verbo solo e coral, selo e instrumento mas a última da platéia, contingente enquanto segue o som e o badulaque dessa vida que finge não ter seios sobrevive a mulher no tudo e o nada destino da Criação e o seu segredo […]



SURRA

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Por maior a surra, a das mulheres será sempre cascata e paraíso algo de flor no gesto compulsivo dor que é doçura no balir do espinho Não me refiro à explosão lasciva que de propósito alimenta o vício mas a vingança sem cair no crime raiva de querer mais e estar vazia Mulher […]



PILHA

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós É difícil entender o meu ofício essa pilha de coisas que fabrico enfurnado na lúgubre oficina martelando horizonte noite e dia é estranho porque faço no vazio e não há ferro, estanho ou alumínio só fagulhas que crestam o ar úmido seja inverno ou verão ou plenilúnio Uma pista é a presença de […]



ACERVO

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Volumes remotos nas estantes borgianos exemplares da poeira inacessíveis brotos de roseira que decidem vingar fora da Terra são como tu, minha gentil pastora que guarda a sete chaves a beleza e não mostra nem ao seu espelho para escapar da cobiça e da inveja Leio a origem misteriosa do universo nesses clássicos […]



RITUAL

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Estavas com saudade do poema? Eu também, flor da minha terra a maldade dura, mas a guerra cede quando a musa toma o leme Eu fico à espera, junto com as sereias que em grupos atiçam as correntes todas dependem do que diz o verbo inspirado pela mão da Lua cheia O poeta […]



HABITE-SE

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Crônicas

Nei Duclós Habitar o espírito depende de uma sucessão de eventos. Como vivemos à mercê da indústria do espetáculo, que suga emoções esvaziando espíritos, que são preenchidos desde que se pague por isso, o vazio, e seu irmão gêmeo, o desespero, tomam conta das vidas. É impossível segurar a carga de problemas de uma trajetória […]



ESTOQUE

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Do amor não damos vencimento é inútil a queima de estoque expedição ao templo de Vênus água de cheiro levada a reboque O depósito parece obsoleto estantes consagradas ao recesso imaginação sem nenhum incêndio e de repente na dobra da vértebra o corpo pula em desassossego busca o beijo de batom vermelho veias […]



LAÇO

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Você é perigoso, disse a dama mexe com amor depois se manda navio que aporta cedo não retorna antes que a tempestade feche a barra Permaneça e escute os argumentos de quem morre no êxtase da fanfarra prazer não se despede quando é hora fica todo o tempo e então acorda Fazer um […]



MIOSÓTIS

nov 26th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Logo agora que tinha por decreto o encontro cultivado no sereno resolves deixar-me como traste embarcando em inóspito cruzeiro Vais em busca de espécies de miosótis que medram em castiçais de um reino e eu fico entre as flores pantaneiras que não duram sequer até a enchente Sabes mais, és doutora em azulejos […]



EPIFANIA

nov 7th, 2011 | Por | Categoria: Poesia

Nei Duclós Queres que eu pare com essa arte que roubei de Atenas e outras eras quando havia musas e quimeras e rimas pobres lambendo sonetos Pergunto se é possível ser pequeno se deuses convocam para a arena mesmo que exerça apenas uma pena riscando o corpo que me tem cativo Porque és pastora e […]