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O JURAMENTO
Published: May 30, 2005 - 09:16 PM
Nei Duclós
O título do terceiro filme de Sean Penn foi
traduzido para A Promessa, mas o mais adequado é O Juramento. O
detetive interpretado por Jack Nicholson jura pela salvação da sua alma
que vai encontrar o assassino de uma menina. A mãe o obriga a isso
colocando nos seus olhos a cruz feita pela vítima. O juramento é a
garantia de que uma possibilidade, a justa punição, seja concretizada.
O jogo perigoso entre ficção e realidade costura o filme e surpreende o
espectador, pois esta narrativa clássica da investigação de um crime,
apesar de manter intactos todos os detalhes tradicionais, fustra todas
as expectativas com um happy end pelo avesso.O que é considerado
realidade, a versão policial do crime, revela-se ficção . E o que é
considerado fantasia, as pistas deixadas pela menina e a lógica do
detetive é a realidade que jamais emerge para a credibilidade. Enquanto
a verdade é desviada do seu caminho, atropelada, incendiada e
esfaqueada, a ficção goza de boa saúde. A fantasia é a verdade sobre o
assassinato e as histórias infantis – estão confinadas no mundo dos
velhos e das crianças. A exclusão pela faixa etária permite o acesso à
impunidade. A verdadeira punição só é feita pelo Acaso, mas esse
detalhe ofusca para sempre a verdade. O resultado é a insanidade de
quem apostou sua vida na investigação correta. Por isso o filme não faz
brincadeira com ninguém. Baseado em Fury, filme de 1936 de Fritz Lang
sobre linchamento, Penn recria a cena das galinhas que no filme de Lang
remete à grave reprodução em massa da versão errada; colocando no lugar
uma criação de perus, que é um resgate visual da homenagem, revela a
disponibilidae das criaturas para o abate.
O detetive jura reverter esse quadro, impor a verdade como antídoto à
injustiça já que o suspeito é praticamente linchado na delegacia. Mas a
ficção enraizada na certeza incômoda das instituições exclui
investigador e vítimas para o limbo da falta de juízo.

