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MENSAGEIROS ESPIRITUAIS

Eles não pregam a verdade, não possuem nenhuma vaidade em direção à eterna busca do Absoluto. São puro movimento em forma de gente. Agem na vigília e no sonho. Na imaginação e na evidência. Na vitrine e na escada rolante. No cartório e na escola. Na rua e na torre. Não são capazes, como os anjos, de tomar alguém pelos braços e levá-lo a um hospital. Não possuem carne os mensageiros espirituais.

Foot notes: Crônica publicada no dia 30 de março de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Mar 30, 2008 - 09:45 AM
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A FALA DE PROMETEU

Nada existe, a não ser a linguagem. Tudo finda, com exceção da palavra. O que nos ocupa não tem importância, o que pega é o texto, o verso, a frase, a letra. As falas são os únicos sobreviventes do massacre. O dito é o que ressurge, cria, funda. O amor é seu filho, a dor sua prova. Passam os séculos, mas tua sílaba fica. Como um fígado que renasce diante do abutre. És ladrão do fogo, Prometeu acorrentado, a cuspir no medo. De tua boca sai a metáfora, a sentença, o desafio da pitonisa, a salva de canhões, o grito.



Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de março de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 25, 2008 - 08:40 AM
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CRIME VISTO DO ESPELHO

O espetáculo do seu rosto, imóvel diante do espelho que cobria toda a parede, era apenas o primeiro plano de um vasto painel, formado pelo movimento da rua e da calçada em frente à sua barbearia. Sentado na cadeira gasta em vinte anos pelos fregueses que ele custou a conquistar — e que depois desapareceram - ele via, ao fundo daquela paisagem de vidro, os carros cruzarem, de maneira desigual, o espaço refletido. Pois, bem no meio, havia um a divisão que repartia a realidade em cascas diferentes do mesmo ovo.

Published: Mar 25, 2008 - 08:33 AM
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GREVE DE PALAVRAS

Nos Estados Unidos, existe hoje um tipo de cinema cult que é o dos roteiristas brilhantes. Grandes estrelas abrem mão de seus cachês para fazer uma ponta em obras de cérebros e talentos privilegiados. É o cansaço da padronização dos roteiros e da venda de Hollywood para as políticas imperiais, o que se tornou praxe depois da vitória do macarthismo. As melhores cabeças não são mais convocadas, a não ser para abrir mão dos originais e deixar que escribas fiéis ao regime sapateiem em cima.

Foot notes: Crônica publicada no dia 18 de março de 2008, no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 21, 2008 - 10:07 AM
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HORA DA MESA

Havia solenidade nas refeições. Uma hierarquia definia os papéis à mesa: pais nas cabeceiras, filhos de um lado e filhas do outro. Os menores estavam mais próximos da mãe. Para evitar tumulto, devido à quantidade de comensais, não era permitido conversar mais do que o necessário. “Passe o arroz” nunca poderia ser substituído por “briguei hoje no colégio”. Assim como as palavras, as porções eram rigidamente controladas. Nunca faltou nada porque a disciplina colocava a voragem natural da prole em limites suportáveis.

Foot notes: Crônica publicada dia 11 de março de 2008 no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 14, 2008 - 09:11 PM
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BEIJO ENTRE NUVENS

Tenho estudado o comportamento de certas nuvens e noto que elas formam criaturas disformes e gigantescas, não catalogadas nos compêndios de História Natural. Não se trata de enxergar leões marinhos ou elefantes nos algodões que bordam o azul da estação. Ver com olhos livres é aprender algo inédito gerado por contornos e movimentos. Nada a ver com os documentários da televisão sobre a vida nas savanas, geleiras ou arquipélagos. Ou com as lembranças que temos das visitas ao zoológico.

Foot notes: Crônica publicada dia 4 de março de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Mar 04, 2008 - 09:41 AM
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FICHAS DO CINE SAGU

As toneladas de sagu que se fazia em casa costumavam sobrar em panelas enormes. Gelado, era servido, de graça, aos potes, a ávidos cinéfilos. Idéia, claro, do meu irmão nascido empresário, a de agregar valor à gasta programação. A entrada era um custo, mas o sagu compensava. Garantia quórum para o porteiro de olhos brilhantes diante dos lucros.

Foot notes: Crônica publicada dia 2 de março de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Mar 04, 2008 - 09:39 AM
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OS FRASISTAS

A frase inesquecível é o narcisismo da linguagem. É quando a obra se olha no espelho e diz: bela estampa, você tem futuro. Alguns autores se aprofundaram nessa arte, que é a garantia da permanência. Você pode esquecer romances e peças de Oscar Wilde, mas ele sempre será lembrado como alguém que levava seu diário para viagem, pois assim teria algo para ler. Raymond Chandler sabia que seus romances policiais não dispunham de prestígio (o que foi contrariado pelo tempo) e vingava-se com tiradas primorosas.

Foot notes: Crônica publicada dia 26 de fevereiro de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Feb 29, 2008 - 06:27 PM
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DISCUTIR A RELAÇÃO

É fácil insurgir-se contra o Estado, patrões, colegas. É mole emocionar-se com músicas, livros, quadros. É tranqüilo manter amizades. É duro, mas gratificante, criar filhos e obedecer aos pais. O que não parece humano é ter argumentos adequados para chegar perto do entendimento numa relação amorosa.

Foot notes: Crônica publicada no dia 19 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades do Diário Catarinense.

Published: Feb 19, 2008 - 12:38 PM
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CITAÇÕES CENTENÁRIAS

As citações são como pragas em efemérides que se reportam às celebridades das nossas letras. Machado de Assis e Guimarães Rosa compartilham 2008 com seus centenários de morte e nascimento, respectivamente. Que sejamos poupados do excesso de batatas aos vencedores e de vivências muito perigosas.

Foot notes: Crônica publicada no dia 12 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Feb 13, 2008 - 09:45 PM
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LINHO NO ENTRUDO

Havia peso no ar, e não era apenas o calor e o mormaço. Havia a proibição de ser normal. A criminalidade do comportamento tinha carta branca para se manifestar, sem o favor de nenhuma lei, a não ser a do calendário. Era uma fenda que se abria no regime fechado das virtudes e por ela despencavam as personalidades mais notórias. E não emergia apenas o jogo bruto do banho forçado, mas cenas mais sutis de deboche, inspiradas por grossa malvadeza.

Foot notes: Crônica publicada no dia 5 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Feb 09, 2008 - 08:48 PM
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TRÊS ANINHOS

Três anos é a adolescência da primeira infância. Chinelos voam para o quintal, portas de quartos são devassadas por mãozinhas firmes, programas favoritos ficam inacessíveis graças à postura desafiante da espelhinho sem aço, bracinhos atacam barrigas em repouso, tapas estalam no meio das conversas, águas de origem obscura inundam a sala, visitas são recepcionadas com comportamentos bizarros, e gritos agudos povoam a casa por motivos desconhecidos.

Foot notes: Crônica publicada no dia 3 de fevereiro de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Feb 03, 2008 - 10:19 AM
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VIRTUAIS SEM VIRTUDE

Fazer desaparecer as perguntas é o truque dos ilusionistas, que confiam na capacidade mimética dos consensos e da vergonha que temos de exibir ignorância. Não que eu vá estudar mecânica quântica para saber porque uma rede imobiliária inexistente, ou podre, consegue derrubar empregos e finanças de verdade. A economia é o reino dos sabichões e qualquer dúvida é tratada com indiferença olímpica, pois a situação está posta e não vá perguntar por que existem os juros.

Foot notes: Crônica publicada no dia 29 de janeiro de 2008, no caderno Variedades do Diário Catarinense.

Published: Feb 01, 2008 - 10:52 PM
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DEVE SER O VERÃO

Vamos para a praia, nos dizia o pai na hora mais forte do calor, aí pelas três da tarde. Descíamos em disparada os dois quarteirões que nos afastavam o rio e caíamos na água. Era difícil entrar, porque as pedras do fundo, barrento, nos impunham cautela em cada passo. Água pelo peito os mais velhos, pela cintura a meninada. As mulheres mais velhas, água pela canela. As mais moças, dificilmente iam. Era programa de criança.

Foot notes: Texto publicado dia 4 de dezembro de 2004 no Diário da Fonte.

Published: Feb 01, 2008 - 10:49 PM
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SOPRO DO PARAÍSO

Somos prisioneiros da poesia, que nos carrega como um ramo de flor sobre o oceano interminável, sabendo que não haverá barca que nos salve, nem mesmo quanto entoarmos o cântico libertário. Nossa sorte será enxergar a melodia nas pequenas coisas, as que renovam nossas chances. Até acumularmos forças para nos aproximar de Deus, que nos recolhe. Náufragos da solidão, seremos soprados ao paraíso pálido, mas ainda intacto.

Foot notes: Crônica publicada dia 17 de janeiro de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.

Published: Jan 23, 2008 - 04:48 PM
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GODARD: O PENSAMENTO ENFRENTA A VORAGEM

A complicação, em Godard, é fruto da ética. O assunto amor foi amarrotado pela indústria que aprisiona as almas e para encontrá-lo de verdade é preciso mais do que um travelling sobre o bosque que guarda os vestígios de uma antiga batalha, mais do que um passeio noturno na chuva, na noite e no inverno. É preciso tomar nota à margem da produção em massa, para que o tema se revele na sua essência, fora dos limites impostos pelo desfecho das guerras. É onde o humano sobrevive, de costas para o comércio dos gestos, que o protagonista busca o pássaro arisco de sua aventura mental.(Ensaio sobre o filme "O Elogio do amor").

Published: Jan 23, 2008 - 04:44 PM
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MAGRELA NOS TRILHOS

As bicicletas surgem do nada e se atravessam na frente dos carros. Ninguém usa capacete e costuma-se atirar os veículos em frente aos estabelecimentos comerciais. Deve ser um hábito de direito adquirido, pois muita gente faz isso e não há uma só voz que se levante contra. Também andam na contramão, já que não dispõem de antigo e eficiente apêndice, o espelho retrovisor, obrigatório até os anos 60. Sem saber quem vem atrás e com quais intenções, o ciclista se previne e anda na parte da rua em que pode enxergar o perigo de frente.

Foot notes: Crônica publicada dia 22 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades do Diário Catarinense.

Published: Jan 23, 2008 - 04:40 PM
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LER IMAGENS


Na leitura, não há diferença entre texto e imagem. A palavra é lida a partir de sua representação visual e qualquer rabisco é passível de leitura. A crítica de arte costuma exagerar e tece uma complicada teia de argumentação e análise quando elabora algo sobre artes plásticas. Prefiro Roland Barthes, autodidata capturado pela universidade francesa, que entendeu ser a franja dos personagens do filme Julio César, de Joseph Mankiewicz, como "a expressão da romanidade". Uma romanidade inventada por Hollywood, claro.

Foot notes: Crônica publicada dia 15 de janeiro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jan 15, 2008 - 10:58 PM
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QUAL SEU BICHO NO HORÓSCOPO CHINÊS?

Nenhum, você não é chinês. Quem ganhou o carnaval de São Paulo? Ninguém, não há carnaval em São Paulo. Morei 30 anos lá e nunca vi carnaval. O que há é dinheiro público aplicado em gangs rivais, que colocam na rua um arremedo de escola de samba ao som de uma bateria com cadência quase militar. As gangs disputam o butim a socos, berros e ameaças. Possuem a linguagem e a estampa dos bandidos.

Foot notes: Texto publicado no Diário da Fonte a 9 de fevereiro de 2005.

Published: Jan 15, 2008 - 10:51 PM
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SHALAKO: SEM TRADIÇÃO NÃO HÁ RUPTURA

Vi Shalako, o filme de 1968 do canadense Edward Dmytryk, baseado em livro de aventuras de Louis L´Amour, com Sean Connery e Brigitte Basrdot, além de Jack Hawkins e Stephen Boyd. É o que chamávamos de filmaço. Um take: os invasores da reserva têm até o amanhecer para deixar o forte, mas eles não obedecem; pois pinta o primeiro raio de sol que incide diretamente no punhal do indígena que inaugura o ataque.

Published: Jan 15, 2008 - 10:46 PM
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VIDA NOVA

O passado se presta a inúmeros equívocos. Um deles é que podemos nos livrar de nós mesmos, como borboleta que abandona a lagarta seca. Vemos como, nas mudanças, as pessoas resolvem se livrar da tralha acumulada. Vida nova, dizem, convictas. Colocam a maior parte das traquitandas na frente da casa que será abandonada. Aos poucos, aquele joio será recolhido, mas ainda resta muita coisa. Tenta-se negociar, mas os comerciantes do ramo sabem que o acúmulo de coisas inúteis é uma armadilha que não vale um tostão furado.

Foot notes: Crônica publicada na edição de 31 de dezembro de 2007 e 1º de janeiro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.

Published: Jan 02, 2008 - 09:15 PM
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O PRESENTE SECRETO

Quem inventou dentro de nós essa atração, esse fisgar, essa comunhão? Dizem que foi a família, a educação, a quadra do país que experimentava uma época mais equilibrada. Mas talvez a origem não se situe nesses redutos conhecidos da razão. Ou não esteja nos confins dos sentimentos. É o Mistério, que aperfeiçoamos enquanto nos é dado a glória suprema de viver.

Foot notes: Cr�nica publicada na edi��o de 24 e 25 de dezembro de 2007, no caderno Variedades, do Di�rio Catarinense.

Published: Dec 24, 2007 - 11:22 PM
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DESCOBRI AS MÃOS

Somos anteriores a essas formas que definem partes do corpo. Somos de outra espécie, que dispensa as esferas soltas no cosmo. Não há universo na fonte de onde viemos. Somos mais do que a mente ou o sentimento ou as vontades. Somos imortais a dispensar o rolo que geramos quando decidimos povoar o vazio com invenções sem termo.

Foot notes: Crônica publicada no dia 18 de dezembro de 2007 no caderno Varieedades do Diário Catarinense.

Published: Dec 19, 2007 - 05:49 PM
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GUERRA TOTAL

No início da República, os acordos existentes vieram por água abaixo com a expulsão do Imperador. O resultado foi a guerra total. É comum colocar a chamada Revolução Federalista de 1893 como o embate entre dois campos bem específicos, os pica-paus e os maragatos. Mas a trama é bem mais complexa. Num conflito que tinha como um dos seus slogans "Não damos nem pedimos quartel", a mortandade, até hoje pouco dimensionada, se alastrou pelo país, já que todo o território nacional esteve conflagrado.

Foot notes: Crônica publicada dia 11 de dezembro de 2007, no caderno Variedades do Diário Catarinense.

Published: Dec 19, 2007 - 05:45 PM
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O TRABALHO COMO ARTE, EM ROBERT ALTMAN

Lembro o impacto quando vimos Mash, de Robert Altman, nos anos 70. E qual seria esse assombro? A possibilidade de alguém exercer a profissão, seja qual for (no caso, o exemplo limite de dois médicos de guerra, interpretados por Donald Shuterland e Elliot Gould) como um exercício responsável de arte. Ou seja, era possível criar no mundo do trabalho, transformá-lo por meio da transgressão. Manter a alma intacta, sem emporcalhá-la na submissão e na redundância. E transcender o arrocho da sobrevivência, fazendo o que se gosta sem que isso signifique lirismo ou utopia.

Published: Dec 19, 2007 - 05:41 PM
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