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DUELO EM CAMPO ABERTO
A síndrome do atraso empurrou o Brasil para a destruição sistemática
dos próprios vestígios. Memória é considerada perda de tempo. É
exatamente o contrário: é o tempo gasto, mas com vocação de eternidade.
Não significa apenas lembrar, mas reconstituir, resgatar, recompor,
revisitar. Jamais reproduzir, já que toda memória obedece à época em
que é gerada.
Foot notes: Crônica publicada no dia 2 de setembro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense
Published: Sep 05, 2008 - 03:49 PM
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O DESTINO NÃO É HUMANO
Há uma seqüência capital de No country for old men, dos Irmãos Cohen, que no Brasil ganhou o improvável título de “Onde os fracos não têm vez” . É quando o facínora persegue o texano, interpretado por Josh Brolin, na fronteira com o México. O assassino não mostra a cara o tempo todo. Os espectadores já estão impregnados de sua presença. Não há mais o que mostrar, a não ser suas ações, seus impactos na vítima em fuga. As balas se sucedem por todo o lado, arrancando pânico e sangue. O rosto animal não aparece, mas somos tomados pelo terror.
Published: Jun 22, 2008 - 10:37 AM
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O SUSTO DA ESTRADA
Sobre Into the Wild (Na Natureza Selvagem), o road movie de Sean Penn, de 2007: O protagonista está destruindo a própria família, a vida que o embalou e desprezando o papel fundamental das pessoas que recolhe pelo caminho. Não enxerga que elas são sua única riqueza. Não é nem a trajetória, mas as relações humanas que o enriquecem, que o chamam para a sobrevivência. Mas ele está disposto a morrer. Não perdoa os pais por terem escondido o fato de que ele era filho bastardo, ou coisa assim. Funde a cuca e se atira no meio da neve como um tarado qualquer. Mas Sean Penn tirou leite de pedra, a partir do best-seller de mesmo nome, de Jon Krakauer, publicado em 1996. Traça umperfil isento do aventureiro, colocando sua grandeza e sua precariedade.
Published: May 21, 2008 - 03:44 PM
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ALEMANHA, A EXTRAORDINÁRIA
Por que a Alemanha é assim? Certamente não é pelo sangue, pela eugenia
racial, pois isso seria nos rendermos ao idealismo. Precisamos da
dialética marxista para entender. Uma pista é dada pelo filme “O
milagre de Berna” (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann (2003).
Perdemos de oito a três, urravam todos, contra o técnico da seleção,
que permanecia firme. Fizemos três gols nos deuses, replicava ele. São
vulneráveis, têm fraquezas, vamos aproveitá-las. O grande estrategista
puxou de dentro de cada jogador a vontade de vencer, demoliu brigas
internas e concentrou o jogo nas possibilidades de vitória. Deu certo.
Published: May 18, 2008 - 08:33 AM
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BOM E VELHO OESTE
Quem não chegou de longe para conquistar o coração da moça desperdiçada no meio da pradaria? Ou que veio para enfrentar os bandidos que destroem fazendas para vender o coração dos cidadãos para a malvada ferrovia? Certamente você libertou seu amigo da forca atirando de longe, com sua winchester, na corda fatídica, permitindo que ele esporeasse o cavalo onde foi colocado e assim se salvasse para que vocês pudessem ir atrás dos malfeitores.
Published: May 05, 2008 - 04:14 PM
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O CHEIRO DO BRASIL JOGADO FORA
O filme nacional “O cheiro do ralo”, dirigido por Heitor Dhalia, que
divide com Marçal Aquino o roteiro baseado em livro de Lourenço
Mutarell, é sobre o Brasil jogado no lixo. O cenário reproduz uma
realidade econômica e social que já passou, fundada na indústria agora
obsoleta, nas fábricas que foram para o espaço, no escritório composto
de móveis, pisos, paredes e tetos que pertenceram a uma época de costas
para o humano. O concreto que cobre todo vestígio de natureza concede
apenas um escoadouro de matéria orgânica, de onde sai o fedor de uma
civilização perdida.
Published: Apr 30, 2008 - 10:16 AM
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GODARD: O PENSAMENTO ENFRENTA A VORAGEM
A complicação, em Godard, é fruto da ética. O assunto amor foi
amarrotado pela indústria que aprisiona as almas e para encontrá-lo de
verdade é preciso mais do que um travelling sobre o bosque que guarda
os vestígios de uma antiga batalha, mais do que um passeio noturno na
chuva, na noite e no inverno. É preciso tomar nota à margem da produção
em massa, para que o tema se revele na sua essência, fora dos limites
impostos pelo desfecho das guerras. É onde o humano sobrevive, de
costas para o comércio dos gestos, que o protagonista busca o pássaro
arisco de sua aventura mental.(Ensaio sobre o filme "O Elogio do
amor").
Published: Jan 23, 2008 - 04:44 PM
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SHALAKO: SEM TRADIÇÃO NÃO HÁ RUPTURA
Vi Shalako, o filme de 1968 do canadense Edward Dmytryk, baseado em
livro de aventuras de Louis L´Amour, com Sean Connery e Brigitte
Basrdot, além de Jack Hawkins e Stephen Boyd. É o que chamávamos de
filmaço. Um take: os invasores da reserva têm até o amanhecer para
deixar o forte, mas eles não obedecem; pois pinta o primeiro raio de
sol que incide diretamente no punhal do indígena que inaugura o ataque.
Published: Jan 15, 2008 - 10:46 PM
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O TRABALHO COMO ARTE, EM ROBERT ALTMAN
Lembro o impacto quando vimos Mash, de Robert Altman, nos anos 70. E
qual seria esse assombro? A possibilidade de alguém exercer a
profissão, seja qual for (no caso, o exemplo limite de dois médicos de
guerra, interpretados por Donald Shuterland e Elliot Gould) como um
exercício responsável de arte. Ou seja, era possível criar no mundo do
trabalho, transformá-lo por meio da transgressão. Manter a alma
intacta, sem emporcalhá-la na submissão e na redundância. E transcender
o arrocho da sobrevivência, fazendo o que se gosta sem que isso
signifique lirismo ou utopia.
Published: Dec 19, 2007 - 05:41 PM
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SOLDADOS DE SALAMINA
Soldados de Salamina (2001) , a premiada e bem sucedida novela de Javier Cercas, é sobre a reconciliação nacional na Espanha depois da queda do franquismo, quando era necessário revisitar as feridas abertas da Guerra Civil de 1936 a 1939. Foi sucesso por vários motivos. Primeiro, pela súbita notoriedade que adquiriu quando foi descoberta por Mario Vargas Llosa, o que colocou o livro no circuito da leitura obrigatória. Segundo, porque aborda a relação contemporânea da Espanha com o passado, como notou o cineasta David Trueba ao levar a história para o cinema em 2002, filme que vi ontem e que é absolutamente magnífico. E terceiro, exatamente porque tocou no ponto principal do país dividido: a necessidade de reconquistar a união nacional, por meio não do perdão puro e simples, mas do entendimento de que a vida precisa ser hegemônica sobre a celebração da morte.
Published: Nov 05, 2007 - 03:09 PM
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OLHAR OS CONTEMPORÂNEOS
No convívio com tantas pessoas ao nosso redor, melhor é enxergar o que
melhor nos agrada, relevar as partes fracas, ser generoso nos detalhes,
apostar no sucesso alheio e esperar reciprocidade. Se ela não vier,
paciência. Você está no lugar exato: na amurada de um navio, tentando
ver quem se aproxima na neblina. São as pessoas, com seus defeitos e
qualidades. Bem-vindos todos a bordo. Mas não usem o que nos aproxima
para aprofundar o que nos afasta.
Published: Oct 08, 2007 - 08:57 AM
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A REVOLUÇÃO DOS ROTEIRISTAS
Há uma reação cada vez mais intensa contra a babaquice da chamada
indústria do entretenimento, braço ideológico da era Bush. A idiotia
reinante é a retaliação ao que de melhor se fez nas décadas anteriores.
Veio em forma de roteiros robôs, clonados e multiplicados ao infinito.
E da destruição do trabalho autoral dos cineastas, que hoje são apenas
funcionários de megaproduções. Todos hoje podem adivinhar o
desdobramento de um filme a partir dos seus momentos iniciais, mas isso
não goza mais da mesma impunidade de anos atrás.
Published: Oct 07, 2007 - 08:07 AM
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ACASO, COINCIDÊNCIA E NARRATIVA
Por pura coincidência (ou seriam os deuses do Acaso?) vi dois filmes
seguidos sobre o mesmíssimo tema, apesar de, nos créditos e no Google,
não existir ninguém que tenha falado que haja ligação entre eles. Um é A Ponte de São Luís del Rey e outro Eterno Amor.
Cada um é baseado num autor diferente. O primeiro, no ganhador do
Pulitzer Thornton Wilder, que lançou seu livro em 1927. E o outro no
livro de Sébastien Japrisot. O argumento é idêntico: cinco pessoas
condenadas se encontram juntos no mesmo lugar para morrer. Quem são
elas e por que estão lá? pergunta o narrador/investigador da Ponte de
São Luis Rey, um padre que está sendo julgado pela Inquisição. Quem são
essas pessoas e será que uma delas sobreviveu? pergunta a
narradora/investigadora de Eterno Amor. Destino é a chave para decifrar
a charada. A trama é a busca de respostas, que surgem a partir do
resgate de cada uma das cinco vidas.
Published: Sep 16, 2007 - 12:20 PM
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SARTRE INFLUENCIA WOODY ALLEN
É totalmente baseado num trecho das memórias de Sartre, “As palavras”
(Les Mots), o filme de Woody Allen “Dirigindo no escuro”, de 2002.
Nessa biografia da sua infância, Sartre imagina a mãe reclamando que
ele lia no escuro, ao que replica que “mesmo na escuridão poderia
escrever”. É antológica a autoflagelação de Sartre neste livro ao
mergulhar nas imposturas do menino órfão criado pelo avô. Numa de suas
maquinações, o garoto imaginava escrever, “mais cego do que Beethoven
foi surdo”, seu derradeiro livro. Os contemporâneos achariam um lixo,
mas os póstumos, uma obra-prima.
Published: Sep 11, 2007 - 02:09 PM
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O ADMIRÁVEL CINEMA ARGENTINO
O cinema argentino é a expressão de um país que amadureceu quando foi destruído pelas perdas internacionais, gerenciadas cruelmente por uma elite interna traidora. Os argentinos colocam os torturadores da ditadura na cadeia, expulsam presidentes a panelaços e não perdoam o que fizeram com eles. Por isso seu cinema é tão notável, disparado um dos melhores do mundo na atualidade. Existem inúmeros exemplos, mas prefiro ficar com os três de Juan José Campanella, estrelado por esse fantástico talento que é o Ricardo Darin: O mesmo amor, a mesma chuva (1999), O filho da noiva (2001) e O Clube da Lua (2004).
Published: Sep 08, 2007 - 03:00 PM
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NA PISTA DE RASTROS DE ÓDIO
O casamento perdido, esse descompasso entre o grande amor do renegado e
a mulher protegida pela casa civilizada e o matrimônio, seria a espinha
dorsal de The Searchers,
a obra-prima absoluta de John Ford. Ethan, no fundo, se culpa por ter
perdido o seu amor e também se culpa por ter se afastado da casa, o que
deu margem ao massacre promovido pela tribo de Scar (Cicatriz), o
comanche que acaba seqüestrando Debbie por mais de cinco anos. Ethan
quer impedir o casamento, a união renegada, entre Scar e sua vítima,
entre o índio e a mulher branca
Published: Aug 14, 2007 - 01:36 PM
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300 DE ESPARTA: O SEQUESTRO DA HISTÓRIA
300 de Esparta é um filme fascista porque o traidor dos
espartanos é alguém que deveria, pelas leis da cidade-estado, ter sido
eliminado por ser fisicamente deformado. O recém-nascido que não estava
à altura das exigências espartanas escapou porque a mãe a levou para o
campo e o criou. O rebento sempre quis ser soldado e incorporou-se ao
comando de Leônidas. Mas o traiu para os persas. O recado é simples: a
eugenia, a seleção brutal dos futuros barrigas-tanquinho, está
plenamente justificada.
Published: Aug 10, 2007 - 01:36 PM
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A MITOLOGIA IMPERIAL DO VÍCIO
Toda uma avalanche de mistificações transforma o filme Miami Vice,
de Michael Mann, num modelo clássico de manipulação de consciências. Os
espectadores brasileiros se identificam com os detetives e elogiam o
roteiro bem feito, as interpretações seguras, a aventura e a ação. Mas
o que deve ficar claro é a composição perversa de mitos de alienação e
dominação. Os heróis são modelos de virtude, ou seja, de força física
modelada por corpos cevados na correção aeróbica. Ao contrário dos
vilões, que expõem a força bruta de corpos disformes e tatuados, ou a
nefasta aparência de intelectuais decaídos
Published: Jul 28, 2007 - 09:21 AM
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O LIMBO É REAL
Obra de um país temperado pela dor e pela sofrida reinvenção da alegria, O ano em que meus pais saíram de férias,
de Cao Hamburger, insere-se na grande cinematografia nacional e
internacional contemporânea. É como um goleiro, que não participa do
jogo até ser convocado para o vôo. Quando pula no abismo, levantamos da
arquibancada. Esse é o gol que merecemos, a vitória que nos redime, a
taça que levamos pelo Tempo sem que ninguém tenha a oportunidade de
roubá-la.
Published: Jul 15, 2007 - 10:41 AM
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BABEL, DE IÑÁRRITU E ARRIAGA
Babel é um filme sobre pais e filhos, um mergulho radical no
mundo reunido na mesma torre, a indústria da comunicação, que enfeixa
poderes e exclui povos e gerações. O cineasta Alejandro
Gonzáles-Iñárritu e o roteirista Guillermo Arriaga conseguem ser cada
vez mais contundentes na montagem narrativa. Desta vez, em vez do
cruzamento caótico de situações, há uma composição seqüencial definida
por cenas chaves, que delimitam os trechos, ou capítulos, da história.
A partir desse tipo de cena, se desenrola em flash black, os
acontecimentos que deságuam nela. Isso é feito de maneira segura,
levando o espectador à complexidade das relações entre pessoas,
governos, povos e nações.
Published: Jun 12, 2007 - 04:41 PM
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O PLANETA É FILHO DA AMÉRICA
Published: Jun 11, 2007 - 06:02 AM
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INTELIGÊNCIA É EMOÇÃO
Mais estranho do que a ficção, do roteirista Zach Helm, dirigido
por Marc Forster, com Emma Thompson, Dustin Hoffman, Will Ferrer,
Maggie Gyllenhaal e Queen Latifah, narra a jornada de um imbecil até o
entendimento, para usar o título de uma peça de Plínio Marcos. E revela
a transformação da escritora, prisioneira dos horrores de Dostoiewski,
que se liberta para uma história em que seu personagem se salva não por
se insurgir contra sua própria morte anunciada, mas porque deixou
exposto o truque narrativo ao se conformar com seu fim. É poupado
porque esclarece a autora sobre sua crise criativa e ganha a chance do
amor ao se entender com alguém exatamente oposta a ele.
Published: Jun 11, 2007 - 05:59 AM
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AGONIA CIRCULAR DO BRASIL TERMINAL
Amarelo Manga se contrapõe à estética da maquiagem tão comum em tantos filmes da Retomada. É um passo além da denúncia, pois mostrar não basta, refletir é abster-se, se insurgir é inútil. A câmara colocada no alto empurra a trama para a pequenez das situações e conflitos e privilegia o espectador que se sente acima do que vê. É uma armadilha. Nós é que estamos lá embaixo e basta o close voltar a agir para sentirmos na carne e na pele que estamos presos no mundo aparentemente delirante de Cláudio Assis
Published: Apr 22, 2007 - 04:36 PM
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DUAS REVISTAS NO CINEMA
Dois filmes sobre duas revistas. Uma delas é a Runway, do filme O
Diabo Veste Prada (2006) e a outra é a Sports Illustrated, de Em Boa
Companhia (2004). As duas incorporam o furacão da globalização da
economia e são abordadas no cinema por meio do conflito entre novatos e
veteranos. Em Prada, Anna Hattaway, a novata, enfrenta Merryl Strip, a
tirana. E Em Boa Companhia, o veterano Denis Quaid tem de aturar o
emergente Topher Grace, o marqueteiro que, a mando das grandes
corporações em permanente processo de autofagia e fusões, vêm
atrapalhar um veículo até então lucrativo.
Published: Feb 21, 2007 - 08:28 PM
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EM BUSCA DA GRAÇA
Nei Duclós
O Brasil perdeu a graça. Basta ler alguns
críticos de cinema. A violência com as palavras chega ao nível da
violência física. Perdemos a graça porque perdemos a inocência, não a
inocência útil, ou algum estado de imbecilidade pré-natal. Perdemos a
inocência do espírito desarmado, a que se abre ao Outro sem má-fé ou
disputa. É por isso que lamento chegar tarde aos textos sobre cinema,
já que só vejo dvd, expulso que fui das salas de projeção, muito
distantes aqui de casa ou impossíveis de aturar devido à presença da
multidão de engraçadinhos (os perversos que embarcam nas distorções da
comédia). Gostaria de fazer justiça no bate-pronto, desmascarando a
falta de juízo sobre obras como Onde anda você (2004), do cineasta
maior Sergio Rezende. Teve gente que não viu sentido no filme, tentando
desqualificar o autor e sua equipe para o humor. Mas Rezende acerta no
veio e é dever nosso dizer porquê.
Published: Feb 21, 2007 - 08:22 PM
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