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300 DE ESPARTA: O SEQUESTRO DA HISTÓRIA
300 de Esparta é um filme fascista porque o traidor dos
espartanos é alguém que deveria, pelas leis da cidade-estado, ter sido
eliminado por ser fisicamente deformado. O recém-nascido que não estava
à altura das exigências espartanas escapou porque a mãe a levou para o
campo e o criou. O rebento sempre quis ser soldado e incorporou-se ao
comando de Leônidas. Mas o traiu para os persas. O recado é simples: a
eugenia, a seleção brutal dos futuros barrigas-tanquinho, está
plenamente justificada.
Published: Aug 10, 2007 - 01:36 PM
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A MITOLOGIA IMPERIAL DO VÍCIO
Toda uma avalanche de mistificações transforma o filme Miami Vice,
de Michael Mann, num modelo clássico de manipulação de consciências. Os
espectadores brasileiros se identificam com os detetives e elogiam o
roteiro bem feito, as interpretações seguras, a aventura e a ação. Mas
o que deve ficar claro é a composição perversa de mitos de alienação e
dominação. Os heróis são modelos de virtude, ou seja, de força física
modelada por corpos cevados na correção aeróbica. Ao contrário dos
vilões, que expõem a força bruta de corpos disformes e tatuados, ou a
nefasta aparência de intelectuais decaídos
Published: Jul 28, 2007 - 09:21 AM
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O LIMBO É REAL
Obra de um país temperado pela dor e pela sofrida reinvenção da alegria, O ano em que meus pais saíram de férias,
de Cao Hamburger, insere-se na grande cinematografia nacional e
internacional contemporânea. É como um goleiro, que não participa do
jogo até ser convocado para o vôo. Quando pula no abismo, levantamos da
arquibancada. Esse é o gol que merecemos, a vitória que nos redime, a
taça que levamos pelo Tempo sem que ninguém tenha a oportunidade de
roubá-la.
Published: Jul 15, 2007 - 10:41 AM
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BABEL, DE IÑÁRRITU E ARRIAGA
Babel é um filme sobre pais e filhos, um mergulho radical no
mundo reunido na mesma torre, a indústria da comunicação, que enfeixa
poderes e exclui povos e gerações. O cineasta Alejandro
Gonzáles-Iñárritu e o roteirista Guillermo Arriaga conseguem ser cada
vez mais contundentes na montagem narrativa. Desta vez, em vez do
cruzamento caótico de situações, há uma composição seqüencial definida
por cenas chaves, que delimitam os trechos, ou capítulos, da história.
A partir desse tipo de cena, se desenrola em flash black, os
acontecimentos que deságuam nela. Isso é feito de maneira segura,
levando o espectador à complexidade das relações entre pessoas,
governos, povos e nações.
Published: Jun 12, 2007 - 04:41 PM
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O PLANETA É FILHO DA AMÉRICA
Published: Jun 11, 2007 - 06:02 AM
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INTELIGÊNCIA É EMOÇÃO
Mais estranho do que a ficção, do roteirista Zach Helm, dirigido
por Marc Forster, com Emma Thompson, Dustin Hoffman, Will Ferrer,
Maggie Gyllenhaal e Queen Latifah, narra a jornada de um imbecil até o
entendimento, para usar o título de uma peça de Plínio Marcos. E revela
a transformação da escritora, prisioneira dos horrores de Dostoiewski,
que se liberta para uma história em que seu personagem se salva não por
se insurgir contra sua própria morte anunciada, mas porque deixou
exposto o truque narrativo ao se conformar com seu fim. É poupado
porque esclarece a autora sobre sua crise criativa e ganha a chance do
amor ao se entender com alguém exatamente oposta a ele.
Published: Jun 11, 2007 - 05:59 AM
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AGONIA CIRCULAR DO BRASIL TERMINAL
Amarelo Manga se contrapõe à estética da maquiagem tão comum em tantos filmes da Retomada. É um passo além da denúncia, pois mostrar não basta, refletir é abster-se, se insurgir é inútil. A câmara colocada no alto empurra a trama para a pequenez das situações e conflitos e privilegia o espectador que se sente acima do que vê. É uma armadilha. Nós é que estamos lá embaixo e basta o close voltar a agir para sentirmos na carne e na pele que estamos presos no mundo aparentemente delirante de Cláudio Assis
Published: Apr 22, 2007 - 04:36 PM
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DUAS REVISTAS NO CINEMA
Dois filmes sobre duas revistas. Uma delas é a Runway, do filme O
Diabo Veste Prada (2006) e a outra é a Sports Illustrated, de Em Boa
Companhia (2004). As duas incorporam o furacão da globalização da
economia e são abordadas no cinema por meio do conflito entre novatos e
veteranos. Em Prada, Anna Hattaway, a novata, enfrenta Merryl Strip, a
tirana. E Em Boa Companhia, o veterano Denis Quaid tem de aturar o
emergente Topher Grace, o marqueteiro que, a mando das grandes
corporações em permanente processo de autofagia e fusões, vêm
atrapalhar um veículo até então lucrativo.
Published: Feb 21, 2007 - 08:28 PM
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EM BUSCA DA GRAÇA
Nei Duclós
O Brasil perdeu a graça. Basta ler alguns
críticos de cinema. A violência com as palavras chega ao nível da
violência física. Perdemos a graça porque perdemos a inocência, não a
inocência útil, ou algum estado de imbecilidade pré-natal. Perdemos a
inocência do espírito desarmado, a que se abre ao Outro sem má-fé ou
disputa. É por isso que lamento chegar tarde aos textos sobre cinema,
já que só vejo dvd, expulso que fui das salas de projeção, muito
distantes aqui de casa ou impossíveis de aturar devido à presença da
multidão de engraçadinhos (os perversos que embarcam nas distorções da
comédia). Gostaria de fazer justiça no bate-pronto, desmascarando a
falta de juízo sobre obras como Onde anda você (2004), do cineasta
maior Sergio Rezende. Teve gente que não viu sentido no filme, tentando
desqualificar o autor e sua equipe para o humor. Mas Rezende acerta no
veio e é dever nosso dizer porquê.
Published: Feb 21, 2007 - 08:22 PM
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O GÊNIO EM PLENA FORMA
A Filha de Ryan é um filme perturbador porque vê poesia onde há
profunda transgressão e denuncia a pressão sobre o indivíduo (o
professor amarrado, o soldado louco, o palhaço demente, homens e
mulheres em fúria). É sobre o indivíduo, mais do que sobre o gênero. No
fundo, todos são vítimas (da opressão, da ignorância, da guerra), mas
só a protagonista assume toda a carga.
Published: Jan 13, 2007 - 04:46 PM
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ONDE ESTÁ A LIBERDADE?
Um filme não vale pelo que compensa, nem pelo que sugere, mas pelo que
cultiva. Um espírito livre precisa de alimento e esse pode vir de uma
grande obra ou de um blockbuster. Pois essa é a prova dos nove da
liberdade: não está amarrada ao que se convencionou chamar de cultura
séria, embora deva muito a ela. O espírito livre pode voar com uma
grande bobagem e isso serve para todo o resto.(Artigo sobre o filme
"Piratas do Caribe - A maldição do Pérola Negra").
Published: Jan 07, 2007 - 01:35 PM
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OS ANJOS RESISTEM
Um filme como Zuzu Angel elimina qualquer possibilidade de o Brasil
repetir seu velho papel de palhaço. Não se enquadra nos adjetivos que
acompanham os lançamentos para ajudar a esquecê-los. Não se trata de
uma obra-prima, de um grande filme ou algo parecido. Mas da ponta mais
evidente de uma descoberta ainda submersa. É uma obra sólida, de
narrativa enxuta, que convoca nossa omissão e nos abraça com seu drama.
Published: Dec 15, 2006 - 01:34 PM
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O CRIME DE CAPOTE
Truman Capote cometeu um crime: invadiu a reportagem com recursos de
ficção, extraiu fatos esgrimindo mentiras, transgrediu o jornalismo
levando-o à literatura e atingiu a celebridade ao mesmo tempo em que se
tornou prisioneiro da própria obra. (Crônica publicada dia 7 de
setembro de 2006 no caderno Variedades, do Diário Catarinense).
Published: Sep 08, 2006 - 10:26 PM
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EIS REDENTOR, UM FILME E TANTO
Redentor é um filme crespuscular. É sobre a morte de uma civilização, a
do Brasil, que se transformou num porão mal assombrado. Disseca o
passaporte para a violência, a esperança, pois é a boa fé sem cidadania
que alimenta os tubarões da construção civil, da polícia e da política.
É um filme que não brinca de fazer cinema. Faz de maneira convincente,
com suas cenas fortíssimas, como a final, quando uma pessoa pode ser
jogada no abismo.
Published: Aug 11, 2006 - 03:37 PM
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VER, EM STEVE SPIELBERG
A verdadeira guerra é entre o mundo visível e o invisível. Ou entre o
mundo oculto que de repente mostra a cara e o mundo aparente e
explícito (para os olhos) da vida diária. A guerra inverte a percepção:
o que estava fora do olhar torna-se hegemônico, e a civilização que nos
conforta com suas coisas visíveis praticamente desaparece.
Published: Aug 06, 2006 - 01:52 PM
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GUARNIERI: A VERDADE PROFUNDA
Gianfrancesco Guarnieri era didático sem ser piegas, moderno sem ser
superficial, de vanguarda sem ser espalhafatoso. Tinha uma contenção
clássica que projetava escassez humana. Sua voz parecia trêmula,
desfocada, sem empostação, mas não havia presença mais marcante no
palco ou na tela. Era o criador que estava ali, apascentando suas
criaturas e nos mostrando o caminho das pedras para nos desvencilhar da
alienação.
Published: Jul 24, 2006 - 04:49 PM
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O RESGATE DO SOLDADO INDALÉCIO
A palavra de ordem é resgatar o soldado Indalécio. Era soldado, mas
foragido; era valente, mas se borrava; era o fundador, mas não deixou
como legado a paz ou o progresso. Mas era um dos nossos. Seja quem for
Indalécio, tenha ou não saído correndo da luta, deixara ou não
descendência, ele nos representa, a nós, povo de Javé. Precisamos
resgatá-lo e é isso que a cineasta Eliane Caffé faz nesta preciosa
obra-prima do cinema brasileiro da retomada, Narradores de Javé. É ver
e assumir a cidadania perdida do Brasil soberano.
Published: Jul 06, 2006 - 10:15 PM
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QUATRO PERSONAS EM CENA ABERTA
Uma indústria cinematográfica sólida, num país imperial que domina o
mercado no mundo todo, e que tem longa tradição em teatro, não se
destaca apenas pelos atores incontestáveis, como Al Pacino ou Merryl
Streep. Há um time que se impõe pela continuidade de suas performances
e aos poucos vai se firmando com artistas de primeiro time, num caminho
mais árduo do que as estrelas maiores. São eles: Jodie Foster, Nicholas
Cage, Ed Harris e Sean Penn.
Published: Jun 27, 2006 - 08:29 AM
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GEORGE CLOONEY DECIFRA SEU CLÁSSICO
O diálogo do diretor de "Boa noite e boa sorte", George Clooney, com
seu co-roteirista Grant Heslov, nos esclarece sobre várias decisões que
fazem deste filme uma lição de cinema, uma denúncia definitiva sobre a
mídia comprada e um exemplo de realização pessoal possível em plena
manipulação imperial da sétima arte. É no making off que Clooney
explica, num sussurro cheio de gags hilárias, como o preto-e-branco
usado se refere a documentários dos anos 50 ; como é certo escolher um
ator não famoso para interpretar alguém famoso (no caso, David
Strathairn, que interpreta o apresentador anti-machartista da CBS,
Edward R. Murrow), pois isso cria um impulso na atuação tornando-a
antológica; a importância do silêncio no clima de tensão de um filme
que é, segundo as palavras do diretor, "de cabeças falantes"; e como
esse silêncio foi aprendido de filmes de grandes cineastas.
Published: Jun 27, 2006 - 08:27 AM
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CLOSER: O AMOR NO AQUÁRIO
O conteúdo de um aquário está exposto (aberto) e ao mesmo tempo fechado
no seu próprio mundo. É a metáfora perfeita usada pelo filme Closer, de
Mike Nichols (2004). Relacionamento amoroso é uma antiga especialidade
do diretor, como podemos ver desde Carnal Knowledge (1971). Se no seu
filme antigo (e tão terrivelmente moderno na época), o tédio e o vazio
eram os motores da trama da troca de casais, neste é o desespero gerado
pela situação limite: tudo está próximo demais, transparente, e ao
mesmo tempo fechado, inacessível - fazendo jus assim ao título em
inglês, que tem esse duplo sentido (closer é o que está perto e é
aquele que fecha).
Published: Jun 22, 2006 - 09:08 AM
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AS CIDADES LIMPAS DE WOODY ALLEN
Woody Allen decidiu ser um clássico especialmente a partir de
Manhattan, a porção novaiorquina em preto e branco que resgatou a magia
perdida do cinema. O cenário limpo de suas cidades inexistentes (como
acontecia nos filmes tradicionais) ambienta sua obra, que é pura
reverência. Não bastou clonar Bergman, foi preciso ir atrás de Geroge
Stevens de "Um lugar ao sol" ( a ascensão social por meio do crime) ou
de Hitchcock de "Pacto Sinistro" (o cadáver oculto num evento social),
como prova "Match Point" (2005), o thriller que nos traz a Londres
vista pela elite (sem miseráveis à vista), numa trama que é mais um
subproduto de "Crime e Castigo" de Dostoiewski (a lógica driblando a
culpa) .
Published: Jun 15, 2006 - 03:30 PM
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DICKENS E NASSAR NO CINEMA: TRANSGRESSÃO E PERMANÊNCIA
A literatura, e seu aliado, o cinema, é o caminho mais contundente para
denunciar, descrever, criar vida a partir dessas situações limite.
Roman Polanski, aos 72 anos e com filhos para criar ( um com sete e
outro com 13), deixa de lado a transgressão pura e simples (como em
"Repulsa ao sexo") e volta-se para o lado dark de Dickens, colocando
cruamente crueldade e assassinato na tela. E Luiz Fernando Carvalho
mantém-se fiel ao seu estilo rigoroso e denso, que adotou na televisão
e não abre mão nos seus filmes.
Published: Jun 12, 2006 - 02:32 PM
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BRASIL DESPEDAÇADO
A liberdade, esse vôo rumo às estrelas, virou uma roda-pião de
frustrações e vingança. Tal qual nesse filme soberbo (mais um) de
Walter Salles, Abril Despedaçado, que reporta o sol como pesadelo, a
luz como redenção, o ódio como intensidade do impasse e o sair porta
afora como único caminho possível para a existência real. Na terra nua,
no povoado em ruínas, no velório em chamas, nos rostos crispados, nasce
o riso, fruto da fraternidade, e o amor desencadeia a chuva.
Published: May 31, 2006 - 01:53 PM
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A ORIGEM DAS GRANDES QUADRILHAS
Que o Comando Vermelho surgiu no presídio de Ilha Grande nos anos 70
devido ao contato entre prisioneiros comuns e políticos é um fato
conhecido, mas o filme Quase dois irmãos, de 2004, leva essa revelação
às portas de uma epifania. Os presentes que os reis magos da diretora
Lucia Murat nos trazem são o ouro (ou a grana que define papéis sociais
insolúveis e incomensuráveis), o incenso (a fumaça do fogo generalizado
que queima as gerações desde o golpe de 64) e a mirra, o antisséptico
que pela lucidez lava a ferida aberta que jamais cicatriza.
Published: May 31, 2006 - 01:47 PM
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CINEMA DE EXTERMÍNIO
A reflexão se atropela junto com as imagens de O pianista, de Roman
Polanki, com Adrien Brody, que é sobre invasão e resistência na
Polônia, mais do que sobre judeus (não há Bar Mitzvah, nem sabat, nem
rabinos nesta obra-prima que faz chorar as pedras); de Dogville, o
celebrado cult com Nicole Kidman, de Lars von Triers, que descobre a
crueldade na pacata cidade imaginária de portas invisíveis do interior
dos Estados Unidos; e 21 gramas, do mexicano Alejandro
González-Iñárritu, com Sean Penn, Benicio Del Toro e Naomi Watts, que
acompanha o destino de pessoas terminais na mais radical edição de uma
obra cinematográfica, que procura enterrar para sempre a narrativa
linear e bem comportada.
Published: May 31, 2006 - 01:42 PM
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