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SABEDORIA DE ESQUINA
Imagino que as pessoas estocam conhecimento sem esperança de passá-lo adiante. Há bastante má vontade em relação ao pensamento autóctene, o que não segue a cartilha e que se perde na multidão. A sacada empírica, fundada na observação direta, a mesma que fez a glória dos fundadores da ciência, foi deixada de lado. Os sabichões abundam por toda parte, calcados no que já foi comprovado, esquecidos de que existe muita estrada ao nosso redor para ser processada por mentes insaciáveis.
Foot notes: Foot notes: Crônica publicada no dia 17 de junho de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 17, 2008 - 01:03 PM
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ARTES DIÁRIAS
Buscamos a excelência no mundo prosaico. Trabalhar bem é uma arte, que aprendemos todos os dias. Funcionamos diante do espelho, os outros. Enxergamos melhor quando vemos a fonte e as conseqüências de ações e gestos dos contemporâneos. E qual é o espaço mais intenso de relacionamento humano? O namoro, o amor, as relações de sangue ou o comércio? Vendemos e compramos sem parar, por uma questão de sobrevivência. Você pode viver no mundo da Lua, apaixonar-se, passar as férias com os pais, mas a presença gigantesca das trocas de produtos e serviços remunerados se impõe na maior parte da nossa vida.
Foot notes: Crônica publicada dia 10 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 11, 2008 - 12:43 PM
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GALO INVENTA A MANHÃ
O galo torce o quebranto, ensina a sobrevivência. Ele se espicha, cisca o que tem de mais fundo, se supera. E aos poucos vai acostumando o ambiente à batida do seu pulso, que pressiona a vigília. Cria curiosidade entre os vivos, que torcem para ver quem ganha. No duelo desigual, a tampa noturna luta de um lado. No outro, o cantar do galo ganha ritmo, e aos poucos orquestra o ouvido adormecido da multidão, faminta de luz.Foot notes: Crônica publicada no dia 3 de junho de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Jun 03, 2008 - 02:14 PM
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SILÊNCIO DE FOGO
As palavras perderam a força pelo excesso de sentido que transferimos para elas. Mas a solução já foi encontrada. Basta render-se ao que a palavra é de fato, um ovo esquecido no ninho depois do furacão. Lá está ela, perdida de si mesma, a brilhar com a possibilidade da fecundação. O escritor a toca pelas pontas, para não quebrá-la. Coloca-a contra a luz para enxergar o estado em que se encontra. E a deposita de volta, sem fazer ruído.
Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 31, 2008 - 03:53 PM
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A VERDADE SOBRE OS ANOS 60
Tudo o que é relacionado, hoje, aos anos 60 era, nos anos 60,
considerado um horror. Por exemplo: cabelo comprido. Nas capitais
provocava apenas xingamento, má vontade, deboche. Mas no interior a
punição era o apedrejamento. Outra: rock. Ligado à sujeira e à
vagabundagem, rock era coisa de pessoas desviadas do rumo. Dava cadeia.
Mais: ser de esquerda. Ninguém tolerava um esquerdista. As bocas se
inflavam com o xingamento gritado: comunista! O chic, o elegante, era
ser de direita. Ser reaça era o fino. Comunista era morto a paulada.
Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de maio de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: May 25, 2008 - 08:55 PM
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O QUE É MÚSICA?
Música é a capacidade de ouvir. Você pode ser Mozart, mas se não houver quem escute sua obra, ela não existirá. Ninguém compõe para as altas esferas, mas para que o som se propague até um receptor. A música foi assassinada quando descobriram a mina de ouro que é a banalização da batida do tambor. A sofisticação foi reduzida ao pó das baterias, e o tunc tunc se consolidou na indústria imediatista. Mais tarde, “evoluiu” para o baticum eletrônico, que é a entronização surtada da redundância.Foot notes: Crônica publicada no dia 20 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 21, 2008 - 03:55 PM
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O BRASILEIRO ARANHA
Enjeitada pela universidade que a gerou, a obra de Carlos Aranha
(Castaneda) guarda desafios importantes para o futuro. Nela, há espaço
para o nagual, um lugar que a avalanche descartável não atinge.
Enquanto isso, ele é fonte (jamais citada) de inspiração para inúmeros
filmes e livros. Pois quem leu Castaneda sabe de onde George Lucas
tirou a idéia da Força e de todos os ensinamentos dos Jedis.
Foot notes: Crônica publicada no dia 6 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense
Published: May 18, 2008 - 08:37 AM
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CONQUISTA COLETIVA
A repetição exaustiva de eventos chama-se redundância e não informação,
que sempre foi um artigo escasso. A pepita, a luz do entendimento sobre
os fatos, jaz no fundo do rio por falta de bateias, aquele instrumento
solo que sumiu diante da lavagem mecanizada dos detritos. Procurar
saber dá trabalho. Melhor é se entregar à ilusão de que estamos bem
informados, enquanto não conseguimos explicar o grande vazio provocado
pelo consumo de gordura trans do noticiário.
Foot notes: Crônica publicada no dia 13 de maio de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: May 13, 2008 - 06:45 PM
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ACIMA DAS ÁGUAS
Idéias fixas jamais cedem. Uma é a de que o Sul precisa ser um país à
parte, já que o resto do Brasil não teve a “sorte” de ser colonizado
por povos considerados mais nobres. Ou que devemos prestar tributo
apenas aos ascendentes europeus, esquecendo os índios, que ensinaram a
sobrevivência aos invasores, e com eles se confundiram, como notam
Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro.
Foot notes: Crônica publicada no dia 22 de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Apr 30, 2008 - 10:14 AM
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CENAS INESQUECÍVEIS
Atulhadas de imagens, nossas mentes selecionam o básico para a
sobrevivência. Formatamos uma rotina compatível com nossas condições
cardiovasculares. O olho é traiçoeiro e só enxerga o que está
acostumado a ver. É por isso que alguns cineastas, sabedores desse
vício, conseguiram criar imagens de impacto usando uma cena familiar
instalada num entorno diferente.
Foot notes: Crônica publicada no dia 27 de Abril de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Apr 30, 2008 - 10:10 AM
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NEM PENSAR
Produzir pensamento é ofício raro. Ainda reiteramos idéias de
milhares de anos atrás e devemos agradecer por isso, pois as mais
recentes (de alguns séculos) nos deixam de cabelo em pé. Átomo, idéia,
república são conceitos milenares que fazem parte da nossa natureza. Já
capitalismo, fundamentalismo, bigbrother são emergentes, adotados como
definitivos, mas como os terremotos, devem passar, mesmo que persista o
estrago que provocam.Foot notes: Crônica publicada dia 29 de abril de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Apr 30, 2008 - 10:07 AM
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OS CONSULTORES
A indignação é moeda corrente que compra qualquer tipo de solução para
os males do mundo. O bom-mocismo, essa falta de caráter vestida para a
missa, hoje movimenta milhões em reclames e eventos. No fundo, todos
querem a salvação da humanidade, mas tudo fazem para que o planeta se
exploda, desde que o saldo bancário esteja garantido. Foot notes: Crônica publicada no dia 15 de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense
Published: Apr 15, 2008 - 12:02 PM
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VIDA ADULTA
O cinema é a soma de todos os talentos. Precisa interagir com a vida de
verdade, como está voltando a acontecer no mais comercial dos países. A
nós, cabe perguntar por que somos tão pobres em abordagens sérias.
Nossos filmes, com honrosas exceções, estão confinados ao deboche, à
miséria, à eterna mocidade, ao sexo fácil, à violência desmesurada. O
máximo que alcançamos é a brutalidade geral, a memória imóvel, o
relacionamento amoroso pautado pelo egoísmo. Às vezes, alguém acerta,
mas é raro.
Foot notes: Crônica publicada no dia 1º de abril de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Apr 15, 2008 - 11:59 AM
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PALÁCIO INTERIOR
O problema é que o mundo transformado em mercadoria faz de tudo para
que as pessoas esqueçam a fonte da vitalidade: o exercício pleno do
estado de arte, da forma como bem entendemos. Não apenas o consumo
cultural, importante, mas não decisivo. O que vale é a criação, fruto
da transcendência que devemos buscar em vida. Não se trata de pegar um
filminho para o fim-de-semana (e sair comentando “a fo-to-gra-fia!”),
ou se reunir com os amigos para arriscar um banquete sob o fragor de
charutos e vinho (suspirar por lareiras não salva ninguém do tédio).
Foot notes: Crônica publicada no dia 8 de abril de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Apr 15, 2008 - 11:52 AM
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MENSAGEIROS ESPIRITUAIS
Eles não pregam a verdade, não possuem nenhuma vaidade em direção à
eterna busca do Absoluto. São puro movimento em forma de gente. Agem na
vigília e no sonho. Na imaginação e na evidência. Na vitrine e na
escada rolante. No cartório e na escola. Na rua e na torre. Não são
capazes, como os anjos, de tomar alguém pelos braços e levá-lo a um
hospital. Não possuem carne os mensageiros espirituais.
Foot notes: Crônica publicada no dia 30 de março de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Mar 30, 2008 - 09:45 AM
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A FALA DE PROMETEU
Nada existe, a não ser a linguagem. Tudo finda, com exceção da palavra.
O que nos ocupa não tem importância, o que pega é o texto, o verso, a
frase, a letra. As falas são os únicos sobreviventes do massacre. O
dito é o que ressurge, cria, funda. O amor é seu filho, a dor sua
prova. Passam os séculos, mas tua sílaba fica. Como um fígado que
renasce diante do abutre. És ladrão do fogo, Prometeu acorrentado, a
cuspir no medo. De tua boca sai a metáfora, a sentença, o desafio da
pitonisa, a salva de canhões, o grito.Foot notes: Crônica publicada no dia 25 de março de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Mar 25, 2008 - 08:40 AM
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CRIME VISTO DO ESPELHO
O espetáculo do seu rosto, imóvel diante do espelho que cobria toda a
parede, era apenas o primeiro plano de um vasto painel, formado pelo
movimento da rua e da calçada em frente à sua barbearia. Sentado na
cadeira gasta em vinte anos pelos fregueses que ele custou a conquistar
— e que depois desapareceram - ele via, ao fundo daquela paisagem de
vidro, os carros cruzarem, de maneira desigual, o espaço refletido.
Pois, bem no meio, havia um a divisão que repartia a realidade em
cascas diferentes do mesmo ovo.
Published: Mar 25, 2008 - 08:33 AM
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GREVE DE PALAVRAS
Nos Estados Unidos, existe hoje um tipo de cinema cult que é o dos
roteiristas brilhantes. Grandes estrelas abrem mão de seus cachês para
fazer uma ponta em obras de cérebros e talentos privilegiados. É o
cansaço da padronização dos roteiros e da venda de Hollywood para as
políticas imperiais, o que se tornou praxe depois da vitória do
macarthismo. As melhores cabeças não são mais convocadas, a não ser
para abrir mão dos originais e deixar que escribas fiéis ao regime
sapateiem em cima.
Foot notes: Crônica publicada no dia 18 de março de 2008, no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Mar 21, 2008 - 10:07 AM
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HORA DA MESA
Havia solenidade nas refeições. Uma hierarquia definia os papéis à
mesa: pais nas cabeceiras, filhos de um lado e filhas do outro. Os
menores estavam mais próximos da mãe. Para evitar tumulto, devido à
quantidade de comensais, não era permitido conversar mais do que o
necessário. “Passe o arroz” nunca poderia ser substituído por “briguei
hoje no colégio”. Assim como as palavras, as porções eram rigidamente
controladas. Nunca faltou nada porque a disciplina colocava a voragem
natural da prole em limites suportáveis.
Foot notes: Crônica publicada dia 11 de março de 2008 no Caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Mar 14, 2008 - 09:11 PM
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BEIJO ENTRE NUVENS
Tenho estudado o comportamento de certas nuvens e noto que elas formam
criaturas disformes e gigantescas, não catalogadas nos compêndios de
História Natural. Não se trata de enxergar leões marinhos ou elefantes
nos algodões que bordam o azul da estação. Ver com olhos livres é
aprender algo inédito gerado por contornos e movimentos. Nada a ver com
os documentários da televisão sobre a vida nas savanas, geleiras ou
arquipélagos. Ou com as lembranças que temos das visitas ao zoológico.
Foot notes: Crônica publicada dia 4 de março de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Mar 04, 2008 - 09:41 AM
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FICHAS DO CINE SAGU
As toneladas de sagu que se fazia em casa costumavam sobrar em panelas
enormes. Gelado, era servido, de graça, aos potes, a ávidos cinéfilos.
Idéia, claro, do meu irmão nascido empresário, a de agregar valor à
gasta programação. A entrada era um custo, mas o sagu compensava.
Garantia quórum para o porteiro de olhos brilhantes diante dos lucros.Foot notes: Crônica publicada dia 2 de março de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Mar 04, 2008 - 09:39 AM
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OS FRASISTAS
A frase inesquecível é o narcisismo da linguagem. É quando a obra se olha no espelho e diz: bela estampa, você tem futuro. Alguns autores se aprofundaram nessa arte, que é a garantia da permanência. Você pode esquecer romances e peças de Oscar Wilde, mas ele sempre será lembrado como alguém que levava seu diário para viagem, pois assim teria algo para ler. Raymond Chandler sabia que seus romances policiais não dispunham de prestígio (o que foi contrariado pelo tempo) e vingava-se com tiradas primorosas. Foot notes: Crônica publicada dia 26 de fevereiro de 2008 no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Feb 29, 2008 - 06:27 PM
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DISCUTIR A RELAÇÃO
É fácil insurgir-se contra o Estado, patrões, colegas. É mole
emocionar-se com músicas, livros, quadros. É tranqüilo manter amizades.
É duro, mas gratificante, criar filhos e obedecer aos pais. O que não
parece humano é ter argumentos adequados para chegar perto do
entendimento numa relação amorosa.
Foot notes: Crônica publicada no dia 19 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades do Diário Catarinense.
Published: Feb 19, 2008 - 12:38 PM
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LINHO NO ENTRUDO
Havia peso no ar, e não era apenas o calor e o mormaço. Havia a
proibição de ser normal. A criminalidade do comportamento tinha carta
branca para se manifestar, sem o favor de nenhuma lei, a não ser a do
calendário. Era uma fenda que se abria no regime fechado das virtudes e
por ela despencavam as personalidades mais notórias. E não emergia
apenas o jogo bruto do banho forçado, mas cenas mais sutis de deboche,
inspiradas por grossa malvadeza.
Foot notes: Crônica publicada no dia 5 de fevereiro de 2008, no caderno Variedades, do Diário Catarinense.
Published: Feb 09, 2008 - 08:48 PM
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TRÊS ANINHOS
Três anos é a adolescência da primeira infância. Chinelos voam para o
quintal, portas de quartos são devassadas por mãozinhas firmes,
programas favoritos ficam inacessíveis graças à postura desafiante da
espelhinho sem aço, bracinhos atacam barrigas em repouso, tapas estalam
no meio das conversas, águas de origem obscura inundam a sala, visitas
são recepcionadas com comportamentos bizarros, e gritos agudos povoam a
casa por motivos desconhecidos.
Foot notes: Crônica publicada no dia 3 de fevereiro de 2008 na revista Donna DC, do Diário Catarinense.
Published: Feb 03, 2008 - 10:19 AM
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