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O ENTRA-E-SAI DAS REDAÇÕES

A solução é chamar os competentes de volta, resgatar a escola informal das redações – que sempre foram capacitadas para treinar seus quadros – criar novos projetos fora da idolatria publicitária dos segmentos, das linguagens "jovens", e das abordagens "você-é-tão-sacana-que-merece-o-veículo-que-está-lendo". Deve-se atrair leitores com textos e fotos de primeira linha, fazer parcerias com os veículos alternativos e jogar na lavoura o grupinho de jornalistas que fecham ou desestruturam jornais e revistas.

Foot notes: Texto publicado no dia 26 de setembro de 2003 no Diário da Fonte.

Published: Nov 18, 2007 - 11:41 AM
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A DIGNIDADE DO CRÉDITO

"A César o que é de César" deve ser a lei de uma profissão totalmente exposta ao público. Reconhecer e identificar o trabalho alheio é um exercício de inclusão num país que costuma jogar fora o que produz de melhor. Nas redações, sobram exemplos de apropriação indébita, reproduzindo a estrutura social que determina quem é o maior e quem deve ficar limpando o chão.

Foot notes: Texto publicado no Diário da Fonte no dia 22 de setembro de 2003.

Published: Nov 16, 2007 - 11:51 AM
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FRASES QUE FICAM

As boas frases tornam-se incompreensíveis quando mudam por força do excesso de vezes em que são citadas. É o caso da famosa frase de Guiseppe Tomasi di Lampedusa no seu livro "O Leopardo", que virou filme de Luchino Visconti. As citações erradas dizem o seguinte: "Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude". Ou : "É preciso que tudo mude para ficar como está". Mas, pelo que vi e ouvi do filme, o certo é: "É preciso que algumas coisas mudem para tudo continuar na mesma", o que é bem diferente.

Published: Nov 05, 2007 - 08:38 AM
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O TEXTO DA RECEITA

O objetivo não é dar receitas de texto, mas abordar a narrativa num setor da comunicação, a culinária divulgada em jornais, revistas e televisão. A comida não importa e sim o processo de cozinhar. Este deve ser encarado como uma operação de guerra. O tema serve aos objetivos desta coluna, que é falar sobre os fundamentos do jornalismo, em toda a sua diversidade.

Published: Oct 07, 2007 - 07:59 AM
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OS MANDAMENTOS DA PAZ

Pergunte antes de dissertar. Não dê conselhos quando lhe pedem, só quando a sabedoria fizer uma visita. Pense, antes de falar, na repercussão das tuas palavras. E fale sem pensar que um anjo te guiará.

Published: Sep 27, 2007 - 09:27 AM
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A PERGUNTA ENGATILHADA

O jornalista é aquele que nada sabe, por isso vive perguntando – o que não faz dele um ignorante, mas um profissional da busca da informação. E a fonte é aquele que quer dizer o que bem entende e precisa ser capturado no pulo – se for de boa fé, vai gostar de ser estocado em coisas que ele nem tinha pensado antes; mas se for o contrário, pode rosnar.

Published: Sep 18, 2007 - 05:07 PM
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A ARTE DE SER APROVADO

Ser aprovado é agir estrategicamente. Não basta escrever “bem”. Não basta “gostar” de escrever (essas duas coisas brandidas como definitivas para a escolha da profissão). Precisa ser uma espécie de dramaturgo, incorporar linguagens alheias, acertar nos detalhes, encarar cada frase como se fosse a mais importante de todas. Não passe ao largo de uma oração, mesmo de uma palavra. Cada letra conta. Não se concentre no que você tem a dizer, mas no que você está escrevendo de fato.

Published: Jun 21, 2007 - 09:26 AM
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NOVA GRAMÁTICA

O pesadelo da linguagem continua firme. Normalmente é disseminado pelo som da voz de taquara rachada, em ambientes fechados e irreversíveis, como elevador ou ônibus. Ou em situações constrangedoras, como reencontros forçados. Ou em spams ou na midia. Não é possível escapar, por isso merece vingança.

Published: Jul 19, 2006 - 10:19 AM
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EXCLUSAO SEM CHORO NEM VELA

Meu dignóstico: a fonte da exclusão são os interesses de grupos, encastelados na cultura, que é um fator de ascensão social, como lembrava diariamente o Plínio Marcos na Folha da época do Tarso; a exclusão se manifesta pela ocupação de vastos latifúndios na mídia, deixando de lado a diversidade do talento, que assim fica sufocado e não chega ao público; a exclusão cultural na mídia é uma representação de uma exclusão maior, provocado pela ditadura financeira, focada na superconcentração de renda; a situação está no limite, pois a Internet está fazendo água nesse cerco.(Texto publicado originalmente no Comunique-se, na seção Em Pauta, em 16/02/06)

Published: Feb 18, 2006 - 12:41 PM
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OS ESCRITORES QUE A DITADURA PRODUZ

Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, ou da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade.

Published: Sep 10, 2005 - 03:48 PM
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O JORNALISMO DUBLADO

A fala que deveria imperar na mídia é a do jornalista. Ele é quem precisa tecer o texto, soma e síntese de linguagens alheias, que passam pela seleção dos critérios e fundamentos do ofício. Quando isso não ocorre, outros poderes se intrometem e decidem a hierarquia das falas. O caminho mais curto para esse equívoco é engessar a redação numa camisa de força, quando impede-se a publicação de estilos, mata-se a vocação autoral em nome de regras que estão a serviço do enterro do jornalismo. (Texto publicado originalmente no Diário da Fonte em 30/abril/2004)

Published: Sep 05, 2005 - 03:05 PM
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O ILUMINISTA QUÂNTICO

Mino Carta quer um capitalismo esclarecido para o Brasil, uma elite brilhante e responsável, um povo incluído na economia, na política e na cultura. Mino mesmo é um exemplo de auto-superação. Conseguiu dar a volta por cima com a revista Senhor e, quando ela foi anexada à IstoÉ e depois sumiu como por encanto, teve ainda que passar um tempo sem seu veículo próprio. Voltou com Carta Capital quinzenal, como aconteceu no início da Senhor, e como esta, passou para semanal num salto quântico que também marcou época.

Published: Jun 08, 2005 - 07:58 AM
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O LEITOR NEM IMAGINA

É costume abrir reportagens ou artigos apostando na ignorância de quem lê ou na sua incapacidade de imaginar qualquer coisa. Isso também se estende aos personagens da matéria. O jornalista que comete essa gafe "não imagina" que informação não pode servir de demonstração de força, nem que a articulação do pensamento não pode ser vista como uma exclusividade de quem escreve, ou que o leitor não merece ser tratado como um indigente mental.

Published: Jun 06, 2005 - 09:47 PM
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O JORNALISMO COMO ESCOLA

Se você assumir todas as tarefas do jornalismo, da pauta ao fechamento, da reportagem à edição, da coluna à primeira página, do caderno cultural ao noticiário político, da nota ao caderno especial, você está apto a colocar todo esse conhecimento não apenas nos redutos da notícia, mas em todo o espectro da comunicação. Não há melhor aprendizado, por ser completo, árduo e complicado.

Published: Jun 04, 2005 - 10:50 PM
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O SOPRO IMORTAL

O texto é uma criatura que precisa ter fôlego para sobreviver ao criador. O barro das palavras não é suficiente. É preciso soprar nele uma alma imortal. Feito o verbo do Criador, que a partir do mundo concreto, as consoantes, animou pelas vogais o próprio desdobramento, à sua imagem e semelhança. A divindade entrou no perigoso jogo da invenção porque gostou do que tinha feito.

Published: May 31, 2005 - 09:26 PM
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A IMPOSIÇÃO ARTIFICIAL DOS VERBOS

Costumo enfrentar oposição quando elimino o vício, muito comum hoje nas redações, de se usar quinhentas variações para substituir o verbo dizer. Soube por importante jornalista amigo meu que ele tem aturado renitente defesa por parte dos adeptos dessa bobagem, que afasta leitores e torna intragável qualquer texto.

Published: May 31, 2005 - 09:18 PM
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A PALAVRA BATE UM BOLÃO

O futebol tem tudo para dar errado. Colocam 22 marmanjos num espaço limitado para trabalhar uma esfera que escapa dos pés. O objetivo é acertar o núcleo do reduto adversário, mais limitado ainda. Só se deve usar as mãos em casos excepcionais. É lógico que esse jogo tende a ser irregular pela própria concepção e natureza. Só existe algum equilíbrio se houver sintonia total entre os jogadores de cada time, alguns craques que sabem o que fazem em campo, o espírito de luta que não deve diminuir em nenhum segundo, a competência dos técnicos. Ainda deve-se levar em consideração o que rola fora desse esquema, como o gramado, o estádio, as torcidas, os dirigentes, os árbitros. O que resta para o jornalismo, diante desse monstro rebelde? Apenas a palavra usada com maestria e precisão. A paixão, no caso, deve ser pela linguagem, e não pelas camisetas.

Published: May 31, 2005 - 10:36 AM
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O MONSTRO SEM REDAÇÃO

O dito jornalista bem informado é o monstro sem redação. Ele é bem informado porque compartilha da mesa do poder, ou seja, divulga um dia antes o que todos deverão divulgar no dia seguinte. E não fica na redação porque redação, por dedução, é para jornalistas mal informados. É monstro porque não tem as costas curvadas de tanto batucar nas pretinhas. Apresenta-se sempre elegante, ereto, com o rosto de retrato em ante-sala de entidade empresarial. Possui um sorriso inteligente e um sobrolho (confirmado por rugas significativas na testa) de extrema perspicácia. Confunde lugar comum com estilo, por isso acha que sabe o que interessa e pensa ser uma das pessoas que contam.

Published: May 29, 2005 - 09:08 AM
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O GATILHO DO TEXTO

Acumular histórias, informações, falas, não faz de ninguém um escritor. O que faz de nós um escritor é o gatilho do texto, a faísca que bota fogo na montanha de coisas que juntamos, o grude que garante a massa, quando tudo finalmente faz sentido.

Published: May 27, 2005 - 10:01 PM
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O ESQUELETO IMANTADO

Texto, para ficar em pé, precisa de espinha dorsal com poder de atrair naturalmente todas as informações. O núcleo dessa criatura difícil de domar deve possuir força suficiente para encaixar as peças sem susto e assim justificar a atenção do leitor, levando-o pela mão, sem tropeços, da primeira à última linha. Texto é música e o esqueleto imantado é a sua partitura.

Published: May 24, 2005 - 10:42 AM
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VÁ DIRETO AO PONTO

O ponto a que se refere o título não é a essência, a substância, o sujeito do teu texto (isso é outra coisa), mas o ponto final da primeira frase. Para ir direto a esse alvo, é preciso que você construa a mais forte, contundente, clara, inesquecível primeira frase da sua vida. Todo o resto do texto é desdobramento desse achado.

Published: May 19, 2005 - 10:42 PM
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Focas

Sempre tive queda para professor e cheguei a orientar alguns estreantes. Um deles recebeu os seguintes toques:

Published: May 13, 2005 - 11:01 AM
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Quem tem área é futebol

O jornalista que cobre economia tem pinta de Ministro da Fazenda; quem cuida da política parece um senador; o repórter de polícia tem a cara de quem dá plantão na delegacia - com exceção do Caco Barcelos, que tem aparência de filho de milionário fazendo inventário de terremoto; os jornalistas culturais - ou de variedades - são todos artistas. Assim fica difícil encontrar alguém que assuma ser apenas jornalista.

Published: May 13, 2005 - 11:00 AM
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