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O ELEVADOR NO ABISMO
Sobre Daguerreótipos (Escrituras, 222 páginas), de Marcus Accioly: O poeta é o anjo que ganha a parada, pois enxerga a violência de estar
vivo e encara a brutalidade de ser eterno. Sua poesia está em nenhum
lugar, a não ser nessa “sobra”, quando se desbastam todos os disfarces
e ressurge, crua, a loucura do talento pousado nas costuras
aparentemente efêmeras. Como no poema para Tchaikovsky: “O inferno
atrai e queima a mariposa/ e uma asa de seda – um véu de esposa –
/cobriria o teu rosto, além do pranto”.
Foot notes: Ensaio publicado no dia 3 de janeiro de 2009, na capa do caderno Cultura, do Diário Catarinense.
Published: Jan 03, 2009 - 10:06 AM
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A VOLTA DA PALAVRA
O poema manifesto, tornado tradicional pelo tempo transcorrido e
resgatado agora na memória impressa, é apenas um aspecto do
trabalho de Rubens Jardim, que lança seu primeiro livro em 30 anos, “Cantares da Paixão”. O mais importante não é sua “pertença”, sua biografia
poética, mesmo que o núcleo de onde surgiu seja de citação obrigatória.
O fundamental, nele, é o deslocamento do poema para fora
da linguagem, o que é feito com maestria, no uso da palavra conhecida e
na eventual quebra silábica do discurso.
Foot notes: Resenha publicada no dia 6 de dezembro de 2008, no Caderno Cultura, do Diário Catarinense.
Published: Dec 06, 2008 - 08:07 AM
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A ESSÊNCIA DO TRABALHISMO DE OPOSIÇÃO
Depois de Leonel Brizola (Caros Amigos Editora, 76 pgs., R$ 12,90), o
novo livro de Gilberto Felisberto Vasconcellos, está sintonizado, de
maneira ainda mais ampla e fecunda, com o que, durante anos, publiquei
aqui na militância trabalhista não partidária do Diário da Fonte.
Trata-se de alta produção de pensamento. Vasconcellos é um teórico
sério, contundente, certeiro, que se dá o luxo, proporcionado pela
criatividade do trabalhismo, de usar todas as nuances da linguagem, sem
se engessar no paga-pau colonizado dos jargões acadêmicos. De maneira
clara, coloca os fundamentos do trabalhismo, sua importância histórica,
sua função libertária e, portanto, sua atualidade depois da morte do
líder.
Published: Oct 11, 2008 - 08:07 AM
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CENAS DE UMA TRILOGIA
Quem lê Máximo Gorki, não precisa ler mais nada. Algumas cenas nos
deslumbram pela contundência, pela precisão dos detalhes, pelo fragor
da narrativa, pela atualidade. Fellini deve ter lido, pois a literatura
de Gorki revela que estamos cercados pelo surrealismo, que a realidade
é hiper-real, que os seres humanos são um mural de exceções, o que
chamariam hoje de diversidade.
Foot notes: Resenha publicada no dia 9 de agosto de 2008, nas páginas centrais do caderno Cultura, do Diário Catarinense.
Published: Aug 10, 2008 - 04:17 PM
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O FINO DA PROSA
Não temos, no Brasil, ventos favoráveis constantes para que os talentos
possam cumprir destinos e vocações. Vivemos em espasmos, em premiados
que caem no esquecimento, em aplausos que o tempo cobre. Depende do
autor seguir adiante e é o que Tony Monti consegue fazer, mesmo agora,
desarmado do apoio inicial, quando chega ao seu segundo livro, O menino
da rosa (Hedra, 46 páginas).
Foot notes: Esta resenha teve a valiosa contribuição da escritora Beth Fleury. Com sua leitura atenta, Beth apontou e solucionou uma série de detalhes que atrapalhavam o texto.
Published: May 31, 2008 - 03:50 PM
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MÁXIMO GORKI: CENAS DE "INFÂNCIA"
Todos os personagens são impressionantes. A avó gorda e com imensa
cabeleira, ágil como uma gata e que sabia todas as lendas da Rússia de
cór. O avô ruivo e horrível, que o açoitava todas as semanas e que o
ensinou a ler. A mãe ausente, que o deixou para trás, viúva que casou
com um agiota e morreu de fome e desgosto. Os irmãos recém nascidos
mortos. O mestre tintureiro cego, que era perseguido pelos tios e
primos de Gorki, que deixavam os dedais em brasa para ele se queimar. O
químico que foi seu primeiro amigo e que acabou expulso pelo avô. A mãe
do padrasto, que se vestia toda de verde e tinha também a cara e os
dentes da mesma cor. E assim por diante.
Published: Apr 30, 2008 - 10:12 AM
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O ESCRITOR VAI À GUERRA
O novo romance do mexicano David Toscana, O Exército Iluminado, o
terceiro lançado no Brasil pela Casa da Palavra, é um drama enjaulado
na comédia. Personagens infantis que fazem o papel de adultos, o avesso
da série Chavez, revelam que o fracasso do México está sintonizado com
a maturidade decepada pela violência.
Foot notes: Resenha publicada no dia 24 de novembro de 2007 no caderno Cultura do Diário Catarinense.
Published: Nov 24, 2007 - 03:12 PM
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MADAME BOVARY, O ROMANCE MAIOR
Madame Bovary, de Gustave Flaubert, foi lançado há 150 anos e
é considerado "o romance dos romances" pela acurada carpintaria da
linguagem, a estrutura impecável da narrativa, a complexidade social e
psicológica dos personagens e a grande influência que exerceu em todo
mundo, com os russos à frente, como confessaram Tchecov e Tolstoi,
entre muitos outros.
Foot notes: Texto publicado com o título de "Dona Bovary e seus três maridos" no Diário da Fonte em 24 de setembro de 2007.
Published: Nov 13, 2007 - 07:58 PM
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O SOBRINHO DE OSWALDO ARANHA
Tudo indica que Carlos Castaneda, o autor best-seller de livros sobre a
saga do xamã indígena Juan Matus, é brasileiro, nasceu em Juqueri
(atual Franco da Rocha), interior de São Paulo, em 1935, e é filho não
reconhecido de um dos irmãos de Oswaldo Aranha, provavelmente Luis
Aranha. Sua mãe era conhecida da poderosa família e é possível que
trabalhasse numa das suas fazendas ou tinha propriedade na vizinhança.
Foot notes: Texto publicado no Diário da Fonte em 20 de junho de 2006.
Published: Nov 11, 2007 - 08:14 PM
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SOBRE O BEST-SELLER D. PEDRO II
O livro "D. Pedro II - Ser ou não ser" (Companhia das Letras), de José
Murilo de Carvalho, foi talhado ao gosto da nossa época. O autor
construiu o perfil ideal de um homem público, o que falta
desesperadamente nos dias de hoje. Quem era o Imperador? Tudo o que não
temos: um estadista erudito, amante das artes e ciências, que permitiu
e promoveu a educação e a liberdade de imprensa, democrático ao
trabalhar o rodízio das tendências políticas no poder, entre outras
qualidades.
Published: Sep 02, 2007 - 05:32 PM
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TOLSTOI NO BRASILZÃO CZARISTA
A sociedade radiografada pelo gênio de Tolstoi em A morte de Ivan Ilitch e Senhores e servos (do livro As obras primas de Leon Tolstoi,
Ediouro, tradução Marques Rabelo e Boris Schnaiderman) é a que mais se
parece com a do Brasil velho de guerra. O primeiro conto, ou novela,
considerado obra-prima absoluta da literatura universal, aborda a
classe média ascendendo por meio da carreira nos órgãos públicos. Esse
alpinismo em direção ao Estamento se faz com ambição e mediocridade,
com falsidade e tenacidade, com a reprodução, por gerações, dos mesmos
papéis sociais passados de pai para filho, pela sociedade de classes
onde se insere a casta privilegiada de juízes e promotores. A disputa
pelo butim, o arrivismo na troca de governos, a prepotência do mando e
das assinaturas diante de uma população desarmada e pobre, tudo está
lá, de maneira límpida e absolutamente cruel.
Published: Aug 14, 2007 - 01:40 PM
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ROLAND BARTHES, ESSE É O CARA
No momento em que Roland Barthes escreveu, no seu livro Mitologias
(1957) que as “franjas obstinadas” nas testas dos personagens do filme
Julio César, de Joseph Mankiewicks, eram a “ostentação da romanidade”
inventada por Hollywood, abriu-se um clarão e uma estrada infinita de
insights sobre filmes, livros, reportagens, imagens etc. Se Barthes, o
gênio que foi convidado para ser professor da Escola dos Altos Estudos
da França pela sua obra radical e profunda, tem a ousadia de enxergar
uma evidência dessas, é porque toda a manipulação a que estamos
submetidos pode ser lida de uma outra maneira.
Published: Jul 28, 2007 - 09:27 AM
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UM CONTISTA NO LIMITE
Ricardo Peró Job
apresenta seus personagens do livro ainda inédito "A sereia do
luminoso" em várias situações limite: o velho que recebe uma
indenização ao ser dispensado das suas funções na fazenda onde dedicou
toda a vida; o produtor rural arruinado que encontra seu desfecho
trágico num quarto sujo de hotel; o travesti apaixonado que se mata por
desilusão amorosa; o guerreiro que poupa o inimigo porque este tinha a
idade do seu filho, e acaba sendo vítima de sua própria decisão; entre
outras situações, todas voltadas para o momento terminal de vidas
endurecidas por uma lei oculta, que o autor não tenta decifrar, pois
prefere reportá-la com a segurança dos escritores maduros.
Published: May 19, 2007 - 10:16 AM
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O ENGENHO COMO ARTE
O escritor espanhol Javier Cercas é como o pintor que expressa sua
técnica em cada pincelada e deixa exposta as sucessivas camadas de
tinta que usa para compor seu quadro. É como um artista tradicional
lancetado pela sem-cerimônia do laser, do raio-x e de todas as
artimanhas modernas que expõem a minuciosa arquitetura de uma obra,
desde sua concepção até o final. Ele faz isso em todos os seus
trabalhos, mas em O ventre da baleia
(Francis, 304 páginas) , se supera: o domínio pleno do ofício, aliado a
uma auto-consciência (do ato de escrever) impiedosa e reveladora, nos
joga fora do aquário (ou do ventre da baleia) complacente dos hábitos
de leitura que ainda nos mantém presos a uma ultrapassada imaginação
narrativa.
Published: Mar 31, 2007 - 08:23 AM
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DANAÇÃO NO CHILE AUSTRAL
Francisco Coloane, festejado e importante escritor chileno, que só
agora chega traduzido pela primeira vez no Brasil graças à editora
Francis, nos revela a paisagem, inédita na literatura, do Chile
Austral, ambiente para a danação dos homens com suas ambições,
fraquezas e terrores. Seu livro de onze contos, Terra do Fogo, nos leva
de roldão por praias assustadoras, penhascos gigantescos, neves
eternas, bichos estranhos, guerras de extermínio. E principalmente para
o coração das trevas dos aventureiros e vítimas que por lá habitaram no
século 19, quando o território foi disputado da maneira tradicional,
por meio da cobiça e da violência.
Published: Mar 17, 2007 - 08:51 PM
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ESSE OBSCURO OBJETO DE DESEJO
Qual o objetivo do desejo? Testar o próprio limite, nos diz Carlos
Maria Dominguez em sua impressionante novela, A Casa de Papel (Francis,
100 páginas). Amontoar livros até ser enterrado pela própria
biblioteca, por exemplo. Como os outros vícios, os livros também são
perigosos, adverte o autor (argentino, que vive no Uruguai,
premiadíssimo). Podem participar de um ou mais crimes. Quais as pistas
deixadas por Dominguez? (Resenha publicada na edição de março de 2007 da revista Empreendedor, seção Leitura).
Foot notes: (Resenha publicada na edi��o de mar�o de 2007 da revista Empreendedor, se��o Leitura).
Published: Mar 10, 2007 - 10:00 PM
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ARQUELOGIA NO DESERTO
Por ser radical, por colocar os gênios como milagres que desafiam
uma cultura autodestrutiva, Henry Miller provoca o desconforto habitual
da fornalha da sua escrita. O leitor não faz uma viagem agradável pelas
paisagens físicas e humanas de uma América deslumbrante e aterradora.
Não se trata de um livro para confirmar a hegemonia de algo
irreversível ou para entreter quem quer que seja. É obra de arte, no
que isso tem de mais provocador e gratificante. (Resenha sobre "Pesadelo Refrigerado", de Henry Miller, publicada no caderno Cultura, do Diário Catarinense, em 3/03/2007).
Published: Mar 03, 2007 - 09:59 AM
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HOMERO VIVEU ENTRE NÓS
Jayme Caetano Braun não é apenas de um trovador gauchesco, ou payador,
como ele se definia. Mas de um autor em que todos os seus versos formam
um único poema, um épico, uma rapsódia do Brasil profundo. Braun, filho
de um professor alemão com mulata, é o rapsodo, que ia de cidade em
cidade recitando um grande poema de formação, do povo e seus costumes,
da história e suas guerras, do tempo e suas glórias e misérias. Tudo
dito e escrito na língua de Camões e não num patuá regional. E com todo
o vocabulário do pampa, sem que as palavras típicas desvirtuassem a
construção clássica, a melodia épica que vem de Camões e chega até nós
pela voz de Castro Alves.
Published: Mar 03, 2007 - 09:56 AM
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REDUTOS DA LUCIDEZ ESCANCARADA
Emanuel Medeiros Vieira, com
16 livros publicados, em "Os Hippies Envelhecidos" (UFSC, 100 páginas),
de 2002, encontra o lugar sagrado do equilíbrio entre memória e
literatura, entre invenção e resgate. Nesse cruzamento das evidências
mais nobres da existência humana, ele se coloca no foco crepuscular de
uma abordagem irada e poética. Seu cuidado é não cair no vazio, no
artificialismo, na tautologia. Por isso mói a narrativa de todas as
formas, libertando-a dos vícios por meio de exemplar domínio do seu
ofício
Published: Feb 21, 2007 - 08:33 PM
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LA NOS EUCALIPTOS
Escrito com clareza e talento, o livro Eucalipto, Histórias de um Imigrante Vegetal (Já Editores, 128 pgs., 25 reais), de Geraldo Hasse,
dedica uma boa parte do estudo à polêmica gerada pelo interesse de
grandes empresas de papel e celulose de se instalar no pampa. Lança luz
sobre essa briga candente, privilegiando os aspectos técnicos,
fundamentado em seleta e providencial bibliografia e manejando a
sustentabilidade de um espírito desarmado, a serviço da informação bem
apurada.
Published: Feb 07, 2007 - 02:36 PM
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O QUE MOLHA E NÃO É ÁGUA
Vida doida, de Adélia Prado (Alegoria, 78 pgs.), com
ilustrações de Ana Viola, que faz parte da coleção Palavra e Arte, é
sobre a alegria convivendo com a dor: doida, doída. É uma antologia que
nos resgata o melhor da poeta e abre as portas para uma visita aos seus
supremos redutos.
Published: Feb 07, 2007 - 02:25 PM
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DOIS TEXTOS SOBRE URUPÊS
Urupês, de Monteiro Lobato, com 14 contos e um artigo, é
analisado sob dois enfoques. O primeiro é a partir da denúncia e do
humor . A formatação do Jeca Tatu, excluído gerado pelo mau uso e pela
posse injusta da terra, medra na nação que perdeu o rumo. O segundo é a
partir da natureza e da sociedade. A devastação anti-ecológica como
reflexo da estrutura de classes ainda impera no país continente,
passados quase cem anos da primeira edição do livro, que fundou a
literatura lobatiana.
Published: Nov 24, 2006 - 09:19 AM
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CANÇÕES DE UM POETA DE RUA
O poeta maldito não é um maledicente nem um amaldiçoado. E sim um poeta sem o teto das palavras, para usar o verso de um deles (e possivelmente o único), Marco Celso Huffel Viola, que está novamente na praça com seu livro Viver a paixão de cada passo
(Editora Alegoria, 80 pgs., R$19,50). Celso lembra, nesta época em que
continuam fazendo carreiras literárias empilhando poemas, que a poesia
não serve para nada e sua importância e força vem desse mistério. Por
não pertencer, na essência, ao mundo utilitário, a poesia está fora da
sua identidade considerada normal.
Published: Nov 08, 2006 - 05:05 PM
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DOIS POETAS
“Horizonte de esgrimas”, de Mario Chamie e “O Mundo como Idéia”, de
Bruno Tolentino são livros dos dois mais importantes poetas do Brasil.
Há outros poetas, também fundamentais, o que seria desnecessário citar,
mas a confusão crítica é tanta que deve-se colocar tudo preto no
branco: Ferreira Gullar, Hilda Hilst. Prefiro Chamie e Tolentino pelo
que conseguem construir, pela proposta das suas intervenções.
Published: Sep 02, 2006 - 11:45 AM
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O POETA ABSOLUTO
Como um só poema sinfônico em três movimentos, A Imitação do Amanhecer,
de Bruno Tolentino (Globo, 328 páginas, 2006) parte do encontro de um
par de amantes em Alexandria, ponto nodal da cruz Oriente-Ocidente, e
se derrama sobre o mistério que a memória apascenta como pastora de um
caos temporal. Seria injusto, pela perfeição da obra, que não admite
tropeços, destacar versos, partilhá-los como se estivéssemos numa
vitrine a expor uma caixa de ressonâncias ocultas. Tudo é claro,
equilibrado e profundo no desdobramento dessa perseguição que o autor
comete diante da sua presa. (Resenha publicada no Caderno Cultura, do
Diário Catarinense, de 12 de agosto de 2006).
Published: Aug 12, 2006 - 07:56 AM
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