CASULO

ago 1st, 2010 | Por | Categoria: Poesia        

Nei Duclós

A lente não capta
o verdadeiro traço
Do retrato oposto
Ao que és de fato

É preciso olho
Para enxergar-te
Flor que emerge
No fim do verbo

Rompes, rosa,
promessa escassa
contra o espinho
que nos cerca

Improviso o cálice
de remota carga
abrigo vivo
de uma perda

Cubro de pétala
o tempo amargo
Rompo a pele
de um esporo

Coração de pedra
medra no sinal
vermelho, vaso
pronto na véspera

Espero outro sopro
do mesmo inverno
na manhã que pulsa
no corpo mudo

Driblo a dor de ficar
imóvel, enquanto forço
a viagem do amor
no vórtice do casulo

4 comments
Comente! »

  1. Ah, que bom, que bacana!

    Um poeta gaúcho que não negaceia seus poemas, que compartilha e com que categoria!

    rsrsrs

    Obrigada, Nei.

    Considere-me cativa 😉

    Abraço!

  2. Na mesa comum da poesia, somos todos cativos da emoção de sermos contemporâneos. Obrigado!

  3. Já brinquei de navegar por aqui, pelo universo Duclós da reflexão… e foi bom às pampas!

    Desculpe-me pela emoção imprevista, obrigada pela emoção espontânea vertida…

    A emoção me pega pelo verso refletido na retina, pelo inverso.

    Abraço!

  4. Como avisei antes, tentando recuperar um ‘mal-passado’…

    te linkei aqui…

    http://cms.anorkinda.webnode.pt/

    Boa semana!

Deixar comentário