Cinema

MARIENBAD, O FANTASMA DA MEMÓRIA

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

O ano passado em Marienbad, filme de 1961 de Alain Resnais, com roteiro de Allan Robbe-Grillet, é sobre a ruptura da memória provocada pela morte. Precisamos resgatar a memória para que lembremos aquele instante em que fomos assassinados. Só a partir dessa revelação é que poderemos romper com a armadilha. O filme acena com essa possibilidade. Chamam esse recurso de obra aberta. Prefiro dizer que houve o desenlace, o crime, e a mulher vaga, morta, pelos corredores e quartos. A chance de fugir daquilo é nossa, dos espectadores que depois do final terão apenas a lembrança do filme como companhia. A memória é um fantasma que precisa saber o que aconteceu conosco.



HIROSHIMA, O AMOR DA MEMÓRIA

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

O amor pode perdoar sem esquecer, nos diz o diretor Alain Resnais e a roteirista Marguerite Duras no filme fundamental de 1959, Hiroshima, mon amour. É, como todos, um filme sobre cinema: a mulher francesa participa de um documentário sobre a necessidade da paz depois da hecatombe nuclear, mas ela mesma é a protagonista do filme que estamos vendo, e que vai mais fundo do que os falsos apelos pacifistas, já que joga pesado com a necessidade real de convívio depois do massacre e a única saída para isso é resgatar o amor perdido e abrir-se para uma nova relação.



JORNALISMO NO CINEMA, ONTEM E HOJE

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Jerome Cady tinha 45 anos quando tomou uma dose excessiva de pílulas para dormir e morreu no seu iate em 1948, um pouco depois do lançamento de Call Nightside 777. Ele foi o roteirista deste e de outros filmes, naquela época gloriosa em que os créditos apareciam apenas por alguns segundos e não, como é costume hoje, por quase um terço do tempo destacando um a um, desde o segurador do pau de luz até o penteador de cachorro. Jerry Cady, como era conhecido, era um escritor de sucesso e este filme, dirigido por Henry Hathaway, conta a história de uma reportagem investigativa que livra um prisioneiro de ficar a vida toda na cadeia.



O AMOR NO CINEMA, EM ERNST LUBISTCH

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

A Loja da Esquina (Shop around the corner, 1940), do alemão que migrou para a América, Ernst Lubistch, é a mãe de todas as comédias românticas, gênero que substitui o romantismo literário do século 19 pelo realismo amoroso possível em tempos de guerra, de capitalismo ascendente, e também em crise, na ciência, no comércio e na indústria. É um filme que nos civiliza, nos encanta, nos seduz, nos faz chorar com coisas que parecem quase nada. Podemos ver como o ódio se transforma em amor, como a brutalidade das relações vira um grande abraço, como uma festa vazia se enche de comunhão, como o desespero encontra consolo, como a solidão inventa uma saída, como a desesperança pode ser colocada de lado e no seu lugar brilhar a faísca de um coração que pulsa.



UMBERTO D.: ADEUS AO TEMPO

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Na obra-prima de Vitorio de Sica, é revelador o momento em que Umberto coloca o relógio despertador embaixo das cobertas para lhe fazer companhia. Ele estava com gripe, se encontrava numa situação complicada, mas quem sofria de doença terminal era o Tempo. O mundo jogava fora os velhos que lutaram por ele e no seu lugar colocava o Eterno Presente, a juventude irresponsável e superficial, a indiferença olímpica dos antigos companheiros, o desprezo coletivo no lugar da solidariedade e do amor. Não há lugar para o velho e seu afeto representado pelo cão. E não há mais tempo para sobreviver.



ATUALIDADE DO JOÃO E MARIA DE CHARLES LAUGHTON

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

The Night of the Hunter, o celebrado filme de Charles Laughton de 1955, que ultimamente tem sido considerado melhor e mais importante do que Cidadão Kane, é um conto de fadas bizarro e assustador, levemente inspirado no clássico João e Maria, uma lenda de tradição oral alemã recolhida e reescrita pelo irmãos Grimm. Trata-se de um filme de extrema atualidade, pelo que vemos no noticiário, em que as crianças são vítimas de todas as espécies de crimes, desde o leite contaminado com melanina vindo da China, o cartel da máfia que manipulava merenda estragada nos colégios públicos de São Paulo e a morte em massa de crianças na Nigéria em função do consumo de um remédio dental.



PAIXÃO, NECESSIDADE E FÉ NOS TEATROS DE “LINHA DE PASSE”

dez 11th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Vamos fazer o gol? Ou somos parte das arquibancadas, com as mãos para cima, tentando alcançar o que nos parece remoto demais? A necessidade devora a fé? A paixão se extingue? Ou poderemos cruzar a linha do horizonte com as mãos no volante, o lance final decidido com firmeza, o nascimento de mais uma vida, o caminhar longe das obsessões? São perguntas, a bola, que chegam pelo alto, a arte suprema da Sétima Arte e que nos convocam para entrar em campo e evitar o rebaixamento.



CLINT EM “GRAN TORINO”: INCLUSÃO NA AMÉRICA

dez 11th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Contra a divisão étnica, a vizinhança; contra a violência, o sacrifício; contra a diáspora, a nação; contra o esquecimento, a memória; contra a vingança, a justiça; contra a falsidade, a identidade; contra o ressentimento, a confissão; contra o isolamento, o convívio; contra o ócio, o ofício. Gran Torino, produzido e dirigido por Clint Eastwood, trabalha o antídoto sobre o veneno e dá uma chance à paz: é sobre a inclusão na América conflagrada entre as gangues e os veteranos de guerra, entre a migração e a xenofobia, entre o consumo e a religião.



PODER, CORAGEM E PERDÃO EM CLINT EASTWOOD

dez 11th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Clint Eastwood vem sempre em dose dupla, às vezes batendo uma no cravo, o cinema de autor – como em Gran Torino – e outra na ferradura, a megaprodução de estúdio, como Changeling (A Troca), de 2008 e lançado no Brasil no início de 2009. O bem sucedido Ron Howard quase filmou este drama sobre o desaparecimento do filho de nove anos de uma mãe solteira, que trabalha na companhia telefônica, interpretada por Angelina Jolie. Nas duas faces da mesma moeda, Clint não abre mão de seus temas recorrentes: poder, coragem e perdão.



CHE, PARTE II: A LUTA DEPOIS DA MORTE

dez 11th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

“Para vencer nessa selva, é preciso lutar como se já estivesse morto”, diz Ernesto Guevara para o companheiro que sonha em deixar a guerrilha. Ou seja, é preciso entregar-se não porque exista o sentimento de perdição e derrota, mas porque a esperança de manter a vida que se pretende soterrar atrapalha o foco da ação revolucionária. Se você quer mudar o mundo, precisa mudar sua vida, morrer para o que está acostumado e se reinventar.



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