Cinema

DICKENS E NASSAR NO CINEMA: TRANSGRESSÃO E PERMANÊNCIA

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A literatura, e seu aliado, o cinema, é o caminho mais contundente para denunciar, descrever, criar vida a partir dessas situações limite. Roman Polanski, aos 72 anos e com filhos para criar ( um com sete e outro com 13), deixa de lado a transgressão pura e simples (como em “Repulsa ao sexo”) e volta-se para o lado dark de Dickens, colocando cruamente crueldade e assassinato na tela. E Luiz Fernando Carvalho mantém-se fiel ao seu estilo rigoroso e denso, que adotou na televisão e não abre mão nos seus filmes.



AS CIDADES LIMPAS DE WOODY ALLEN

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Woody Allen decidiu ser um clássico especialmente a partir de Manhattan, a porção novaiorquina em preto e branco que resgatou a magia perdida do cinema. O cenário limpo de suas cidades inexistentes (como acontecia nos filmes tradicionais) ambienta sua obra, que é pura reverência. Não bastou clonar Bergman, foi preciso ir atrás de Geroge Stevens de “Um lugar ao sol” ( a ascensão social por meio do crime) ou de Hitchcock de “Pacto Sinistro” (o cadáver oculto num evento social), como prova “Match Point” (2005), o thriller que nos traz a Londres vista pela elite (sem miseráveis à vista), numa trama que é mais um subproduto de “Crime e Castigo” de Dostoiewski (a lógica driblando a culpa) .



CLOSER: O AMOR NO AQUÁRIO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

O conteúdo de um aquário está exposto (aberto) e ao mesmo tempo fechado no seu próprio mundo. É a metáfora perfeita usada pelo filme Closer, de Mike Nichols (2004). Relacionamento amoroso é uma antiga especialidade do diretor, como podemos ver desde Carnal Knowledge (1971). Se no seu filme antigo (e tão terrivelmente moderno na época), o tédio e o vazio eram os motores da trama da troca de casais, neste é o desespero gerado pela situação limite: tudo está próximo demais, transparente, e ao mesmo tempo fechado, inacessível – fazendo jus assim ao título em inglês, que tem esse duplo sentido (closer é o que está perto e é aquele que fecha).



GEORGE CLOONEY DECIFRA SEU CLÁSSICO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

O diálogo do diretor de “Boa noite e boa sorte”, George Clooney, com seu co-roteirista Grant Heslov, nos esclarece sobre várias decisões que fazem deste filme uma lição de cinema, uma denúncia definitiva sobre a mídia comprada e um exemplo de realização pessoal possível em plena manipulação imperial da sétima arte. É no making off que Clooney explica, num sussurro cheio de gags hilárias, como o preto-e-branco usado se refere a documentários dos anos 50 ; como é certo escolher um ator não famoso para interpretar alguém famoso (no caso, David Strathairn, que interpreta o apresentador anti-machartista da CBS, Edward R. Murrow), pois isso cria um impulso na atuação tornando-a antológica; a importância do silêncio no clima de tensão de um filme que é, segundo as palavras do diretor, “de cabeças falantes”; e como esse silêncio foi aprendido de filmes de grandes cineastas.



QUATRO PERSONAS EM CENA ABERTA

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Uma indústria cinematográfica sólida, num país imperial que domina o mercado no mundo todo, e que tem longa tradição em teatro, não se destaca apenas pelos atores incontestáveis, como Al Pacino ou Merryl Streep. Há um time que se impõe pela continuidade de suas performances e aos poucos vai se firmando com artistas de primeiro time, num caminho mais árduo do que as estrelas maiores. São eles: Jodie Foster, Nicholas Cage, Ed Harris e Sean Penn.



O RESGATE DO SOLDADO INDALÉCIO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A palavra de ordem é resgatar o soldado Indalécio. Era soldado, mas foragido; era valente, mas se borrava; era o fundador, mas não deixou como legado a paz ou o progresso. Mas era um dos nossos. Seja quem for Indalécio, tenha ou não saído correndo da luta, deixara ou não descendência, ele nos representa, a nós, povo de Javé. Precisamos resgatá-lo e é isso que a cineasta Eliane Caffé faz nesta preciosa obra-prima do cinema brasileiro da retomada, Narradores de Javé. É ver e assumir a cidadania perdida do Brasil soberano.



GUARNIERI: A VERDADE PROFUNDA

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Gianfrancesco Guarnieri era didático sem ser piegas, moderno sem ser superficial, de vanguarda sem ser espalhafatoso. Tinha uma contenção clássica que projetava escassez humana. Sua voz parecia trêmula, desfocada, sem empostação, mas não havia presença mais marcante no palco ou na tela. Era o criador que estava ali, apascentando suas criaturas e nos mostrando o caminho das pedras para nos desvencilhar da alienação.



VER, EM STEVE SPIELBERG

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A verdadeira guerra é entre o mundo visível e o invisível. Ou entre o mundo oculto que de repente mostra a cara e o mundo aparente e explícito (para os olhos) da vida diária. A guerra inverte a percepção: o que estava fora do olhar torna-se hegemônico, e a civilização que nos conforta com suas coisas visíveis praticamente desaparece.



EIS REDENTOR, UM FILME E TANTO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Redentor é um filme crespuscular. É sobre a morte de uma civilização, a do Brasil, que se transformou num porão mal assombrado. Disseca o passaporte para a violência, a esperança, pois é a boa fé sem cidadania que alimenta os tubarões da construção civil, da polícia e da política. É um filme que não brinca de fazer cinema. Faz de maneira convincente, com suas cenas fortíssimas, como a final, quando uma pessoa pode ser jogada no abismo.



O CRIME DE CAPOTE

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Truman Capote cometeu um crime: invadiu a reportagem com recursos de ficção, extraiu fatos esgrimindo mentiras, transgrediu o jornalismo levando-o à literatura e atingiu a celebridade ao mesmo tempo em que se tornou prisioneiro da própria obra. (Crônica publicada dia 7 de setembro de 2006 no caderno Variedades, do Diário Catarinense).



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