Cinema

A LENTIDÃO EM BEN-HUR

mai 28th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

O filme Ben-Hur, de William Wyler, ficou famoso pela corrida de bigas, mas essa seqüência memorável só pode ser entendida como o momento intensificado de uma obra lenta, densa, dramática. Há uma série de acusações a esse clássico, todas execráveis.



HATARI, A NARRATIVA DE CRISTAL

mai 26th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

A captura de animais selvagens na África é uma frase que nada diz sobre Hatari!, de Howard Hawks. É algo diverso. É a composição musical de uma saga, em que o alvo (o animal que precisa ser agarrado para o zoológico) impõe o ritmo e o perfil da narrativa.



CAPRA, AS REVELAÇÕES DO REMORSO

mai 26th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

Não há, no cinema americano, seqüência mais sinistra do que a visita que Stewart faz à sua não-vida, às conseqüências da sua vontade de jamais ter nascido. É muito semelhante à história de Dickens, em que o velho avarento é levado por um espírito para visitar momentos importantes da sua vida, em que ele vê o Mal que encarnou em sucessivas manifestações de egoísmo e crueldade (roteiro filmado mil vezes).



QUANDO A COMÉDIA CEDE AO DRAMA

mai 26th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

Comédia é uma situação em que o excluído tenta fazer parte dela e, como não consegue, acaba destruindo o cenário. O que era para ser uma celebração, uma festa de aniversário ou casamento, vira guerra de bolos e tortas, graças à intervenção de um desastrado, de um outsider. No fundo é drama: quem está por fora sofre para ser visto como um membro do clube, mas sempre será o estranho, o freak, o bobo.



OS ESPAÇOS FATIADOS

mai 25th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

O ator move a cabeça lateralmente em ângulos bem determinados. Assim ele pode fatiar o espaço em vários pedaços de percepção. O que pretensamente enxerga em cada movimento é um compartimento à parte, que pode sugerir espanto, dúvida, entendimento.



O SUFOCO DO OLHAR

mai 25th, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

Sofia Coppola, em Encontros e desencontros (Lost in translation), mostra como o loteamento do olhar (em Tóquio, onde ela filmou, todos os espaços da percepção estão tomados) pode significar o momento de impasse na vida dos personagens envolvidos. A maldição do olhar viciado nas imagens comercializadas é reproduzir eternamente o imaginário do Mesmo. O truque é carregar nas cores, nos movimentos de luz, nas trucagens, para dar a falsa impressão de diversidade.



PAULO JOSÉ DIANTE DO ALVO

mai 23rd, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

Paulo José está desesperado na obra-prima Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira. É solteiro e entra em parafuso com o excesso de oferta de uma civilização que optou pelo lazer, o Rio de Janeiro dos anos 60. O­nde é a festa sábado? grita, bêbado, no bar cheio de mulheres e falsos amigos. Até que de repente…



O FILME PERFEITO

mai 23rd, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

“Chuvas de Verão” (1977), de Cacá Diegues, continua sendo uma obra-prima do cinema nacional. Em cada cena de clássico acabamento, numa trama de grande complexidade e transparência, vemos neste filme maravilhoso quem realmente somos e aprendemos a admirar nossa capacidade de alcançar o mais alto nível da criação cultural. Com essa revelação, resgatamos o país mergulhado dentro de nós.



A DESPEDIDA EM CASABLANCA

mai 22nd, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

A última cena de Casablanca não é um desfile de chapéus de um melodrama barato, como querem as imitações, as clonagens e as homenagens feitas depois que o filme tornou-se um clássico.



BUÑUEL, A CULPA SOB TORTURA

mai 22nd, 2005 | Por nei | Categoria: Cinema

Buñuel é o presídio da culpa, onde o prisioneiro cumpre pena perpétua. Como não há esperança de libertação, o encarcerado decide virar torturador. Quem sabe ocupando o lugar do algoz haverá uma chance de escapar? O truque é fazer com que a culpa sob tortura enfim revele sua insignificância, e negue sua justificativa de existir.



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