Cinema

PODER, CORAGEM E PERDÃO EM CLINT EASTWOOD

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Clint Eastwood vem sempre em dose dupla, às vezes batendo uma no cravo, o cinema de autor – como em Gran Torino – e outra na ferradura, a megaprodução de estúdio, como Changeling (A Troca), de 2008 e lançado no Brasil no início de 2009. O bem sucedido Ron Howard quase filmou este drama sobre o desaparecimento do filho de nove anos de uma mãe solteira, que trabalha na companhia telefônica, interpretada por Angelina Jolie. Nas duas faces da mesma moeda, Clint não abre mão de seus temas recorrentes: poder, coragem e perdão.



CHE, PARTE II: A LUTA DEPOIS DA MORTE

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

“Para vencer nessa selva, é preciso lutar como se já estivesse morto”, diz Ernesto Guevara para o companheiro que sonha em deixar a guerrilha. Ou seja, é preciso entregar-se não porque exista o sentimento de perdição e derrota, mas porque a esperança de manter a vida que se pretende soterrar atrapalha o foco da ação revolucionária. Se você quer mudar o mundo, precisa mudar sua vida, morrer para o que está acostumado e se reinventar.



CHE, PARTE I: REVOLUÇÃO É LINGUAGEM

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Che, o Argentino, primeira parte do filme de quatro horas do cineasta Steven Soderbergh, com Benicio Del Toro no papel principal, pode ser comparada a Queimada, de Gillo Pontecorvo: é uma obra didática sobre a revolução. Queimada é marxismo clássico – a tomada do poder pela burguesia, que vence a aristocracia intensificando as lutas populares e delas tirando o melhor proveito. Che é guerrilha: o núcleo rebelde define uma ação que aglutina as oposições e convence o povo a derrubar o regime, no caso a ditadura de Fulgencio Batista. Ambas são linguagem: as armas obedecem à ordenação e difusão das palavras, o texto que se impõe por todos os meios.



A CIA COMO SOMA DE TRAGÉDIAS PESSOAIS

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A indiferença e o despreparo dos agentes diante de um evento bizarro – a interferência de um casal comum, de amadores, nos negócios da espionagem – ousam segurar o filme Queime depois de ler. Os irmãos Cohen intensificaram a caricatura para arrancar gargalhadas e lágrimas – já que tudo é apenas show-bizz – e o resultado é confuso. A falta de sentido de vidas não solidárias, casadas com suas carreiras, nas mãos de advogados facínoras , às portas da bancarrota financeira pessoal, sem recursos ou capacidade para realizar seus sonhos (um livro, uma cirurgia plástica, um divórcio) permeiam as ações da CIA, que no filme acaba sendo a representação dessa tragédia coletiva.



ILUMINAÇÕES DE “O LEITOR”

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

História, no filme O Leitor, de Stephen Daldry, um trabalho iluminado como se fosse um quadro da Renascença, é compromisso coletivo e culpa. O perdão, que é a proposta do filme, é um outsider do evento histórico, foi marginalizado pelos tribunais, os sobreviventes e os realmente culpados. A tragédia agora, depois da carnificina, é que não há remorso, mas sim o milésimo estágio da vingança. Quando uma sociedade procura se vingar não só dos estadistas que inventaram o horror, mas dos seus mais humildes subalternos, é preciso continuar procurando o bode expiatório, a pessoa indicada pelas evidências da lei, que vai carregar o peso do mundo. Essa é a chance de o resto (que compartilha da responsabilidade) poder se safar, ou pelo menos sair com menos arranhões.



MESTRE OZU, O MOVIMENTO NA IMOBILIDADE

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Costuma-se chamar Yasujiro Ozu (1903-1963), o clássico cineasta japonês, de pintor, pelo apuro da composição visual, que faria de cada filme uma exposição de arte. Ozu deve ser enquadrado pelo que é e não pelo que a inteligência da crítica sugere ser. É cineasta, e como tal vive do movimento. Seus filmes mantêm a postura rígida imposta pela cultura, a tradição e a educação. Mas desfolham, como os cataventos, que ficam fixos no horizonte enquanto giram suas hélices para provar que tudo sopra ao redor.



SOMBRA E NEVE, O CLARO-ESCURO DE NICHOLAS RAY

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Alguns arriscam que Casa das Sombras (On Dangerous Ground, ou “Cinzas que queimam”), de 1952, com Robert Ryan, Ida Lupino e Ward Bond, é a grande obra-prima de Nicholas Ray, melhor e mais importante do que seu famoso Rebel Without a Cause (“Juventude Transviada”, péssimo título em português que deveria ser substituído pela tradução literal, “Rebelde Sem Causa”), de 1955. Talvez mais do que, pecado dos pecados, Johnny Guitar, de 1954. Impressionado com este filme, que descubro tardiamente, agora entendi a famosa frase de Jean-Luc Godard, “Nicholas Ray é o cinema”.



FALLEN IDOL: O MOSAICO GENIAL DE CAROL REED

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

No filme Fallen Idol, de Carol Reed, de 1948, ninguém fez nada parecido com o que vemos na tela. A grande embaixada como ambiente de uma orfandade, o do menino que sente saudades da mãe e vê o pai ausentar-se mais uma vez; de uma traição, a do marido que namora a funcionária; de um amor, o da mulher que tenta fugir do homem que a atrai e com ele mantém encontros furtivos em cafés escondidos em becos; de indiferença, das empregadas que falam mal de todos. A grande casa é o território estrangeiro dentro de Londres que se vê envolvida por um escândalo e a política tenta driblar a todo custo.



CUIDADO, JOHNNY MCQUEEN ESTÁ MORRENDO

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Acompanhe Johnny McQueen, o rebelde irlandês ferido num assalto. Acompanhe James Mason, no papel de Johnny, em mais uma obra-prima de Sir Carol Reed, Odd man out (O Condenado), de 1947. Ele sangra pelo braço esquerdo, imobilizado por uma bala disparada pela sua vítima, que morreu ao tentar prendê-lo. Johnny, condenado à morte, fugitivo da cadeia e chefe da organização política que assumiu a vanguarda do movimento pela libertação, é um pássaro ferido, que passa de mão em mão pela cidade apavorada, onde todos os conhecem e ninguém lhe dá guarida.



KUROSAWA E O ASSOBIO DO VINGADOR

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Em 1960 Akira Kurosawa enfim conseguiu fazer um filme independente, onde era responsável pela produção e a direção, sem interferência de ninguém. O resultado é The Bad Sleep Well (que eu traduzo para O Sono Tranqüilo da Maldade), uma obra didática sobre o funcionamento da corrupção num caso clássico: a relação incestuosa e criminosa entre um departamento estatal e uma grande construtora – ou seja, uma história que é puro Brasil.



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