Cinema

JORNALISMO NO CINEMA, ONTEM E HOJE

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Jerome Cady tinha 45 anos quando tomou uma dose excessiva de pílulas para dormir e morreu no seu iate em 1948, um pouco depois do lançamento de Call Nightside 777. Ele foi o roteirista deste e de outros filmes, naquela época gloriosa em que os créditos apareciam apenas por alguns segundos e não, como é costume hoje, por quase um terço do tempo destacando um a um, desde o segurador do pau de luz até o penteador de cachorro. Jerry Cady, como era conhecido, era um escritor de sucesso e este filme, dirigido por Henry Hathaway, conta a história de uma reportagem investigativa que livra um prisioneiro de ficar a vida toda na cadeia.



O AMOR NO CINEMA, EM ERNST LUBITSCH

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A Loja da Esquina (Shop around the corner, 1940), do alemão que migrou para a América, Ernst Lubistch, é a mãe de todas as comédias românticas, gênero que substitui o romantismo literário do século 19 pelo realismo amoroso possível em tempos de guerra, de capitalismo ascendente, e também em crise, na ciência, no comércio e na indústria. É um filme que nos civiliza, nos encanta, nos seduz, nos faz chorar com coisas que parecem quase nada. Podemos ver como o ódio se transforma em amor, como a brutalidade das relações vira um grande abraço, como uma festa vazia se enche de comunhão, como o desespero encontra consolo, como a solidão inventa uma saída, como a desesperança pode ser colocada de lado e no seu lugar brilhar a faísca de um coração que pulsa.



UMBERTO D.: ADEUS AO TEMPO

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Na obra-prima de Vitorio de Sica, é revelador o momento em que Umberto coloca o relógio despertador embaixo das cobertas para lhe fazer companhia. Ele estava com gripe, se encontrava numa situação complicada, mas quem sofria de doença terminal era o Tempo. O mundo jogava fora os velhos que lutaram por ele e no seu lugar colocava o Eterno Presente, a juventude irresponsável e superficial, a indiferença olímpica dos antigos companheiros, o desprezo coletivo no lugar da solidariedade e do amor. Não há lugar para o velho e seu afeto representado pelo cão. E não há mais tempo para sobreviver.



ATUALIDADE DO JOÃO E MARIA DE CHARLES LAUGHTON

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

The Night of the Hunter, o celebrado filme de Charles Laughton de 1955, que ultimamente tem sido considerado melhor e mais importante do que Cidadão Kane, é um conto de fadas bizarro e assustador, levemente inspirado no clássico João e Maria, uma lenda de tradição oral alemã recolhida e reescrita pelo irmãos Grimm. Trata-se de um filme de extrema atualidade, pelo que vemos no noticiário, em que as crianças são vítimas de todas as espécies de crimes, desde o leite contaminado com melanina vindo da China, o cartel da máfia que manipulava merenda estragada nos colégios públicos de São Paulo e a morte em massa de crianças na Nigéria em função do consumo de um remédio dental.



PAIXÃO, NECESSIDADE E FÉ NOS TEATROS DE “LINHA DE PASSE”

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Vamos fazer o gol? Ou somos parte das arquibancadas, com as mãos para cima, tentando alcançar o que nos parece remoto demais? A necessidade devora a fé? A paixão se extingue? Ou poderemos cruzar a linha do horizonte com as mãos no volante, o lance final decidido com firmeza, o nascimento de mais uma vida, o caminhar longe das obsessões? São perguntas, a bola, que chegam pelo alto, a arte suprema da Sétima Arte e que nos convocam para entrar em campo e evitar o rebaixamento.



CLINT EM “GRAN TORINO”: INCLUSÃO NA AMÉRICA

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Contra a divisão étnica, a vizinhança; contra a violência, o sacrifício; contra a diáspora, a nação; contra o esquecimento, a memória; contra a vingança, a justiça; contra a falsidade, a identidade; contra o ressentimento, a confissão; contra o isolamento, o convívio; contra o ócio, o ofício. Gran Torino, produzido e dirigido por Clint Eastwood, trabalha o antídoto sobre o veneno e dá uma chance à paz: é sobre a inclusão na América conflagrada entre as gangues e os veteranos de guerra, entre a migração e a xenofobia, entre o consumo e a religião.



PODER, CORAGEM E PERDÃO EM CLINT EASTWOOD

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Clint Eastwood vem sempre em dose dupla, às vezes batendo uma no cravo, o cinema de autor – como em Gran Torino – e outra na ferradura, a megaprodução de estúdio, como Changeling (A Troca), de 2008 e lançado no Brasil no início de 2009. O bem sucedido Ron Howard quase filmou este drama sobre o desaparecimento do filho de nove anos de uma mãe solteira, que trabalha na companhia telefônica, interpretada por Angelina Jolie. Nas duas faces da mesma moeda, Clint não abre mão de seus temas recorrentes: poder, coragem e perdão.



CHE, PARTE II: A LUTA DEPOIS DA MORTE

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

“Para vencer nessa selva, é preciso lutar como se já estivesse morto”, diz Ernesto Guevara para o companheiro que sonha em deixar a guerrilha. Ou seja, é preciso entregar-se não porque exista o sentimento de perdição e derrota, mas porque a esperança de manter a vida que se pretende soterrar atrapalha o foco da ação revolucionária. Se você quer mudar o mundo, precisa mudar sua vida, morrer para o que está acostumado e se reinventar.



CHE, PARTE I: REVOLUÇÃO É LINGUAGEM

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Che, o Argentino, primeira parte do filme de quatro horas do cineasta Steven Soderbergh, com Benicio Del Toro no papel principal, pode ser comparada a Queimada, de Gillo Pontecorvo: é uma obra didática sobre a revolução. Queimada é marxismo clássico – a tomada do poder pela burguesia, que vence a aristocracia intensificando as lutas populares e delas tirando o melhor proveito. Che é guerrilha: o núcleo rebelde define uma ação que aglutina as oposições e convence o povo a derrubar o regime, no caso a ditadura de Fulgencio Batista. Ambas são linguagem: as armas obedecem à ordenação e difusão das palavras, o texto que se impõe por todos os meios.



A CIA COMO SOMA DE TRAGÉDIAS PESSOAIS

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A indiferença e o despreparo dos agentes diante de um evento bizarro – a interferência de um casal comum, de amadores, nos negócios da espionagem – ousam segurar o filme Queime depois de ler. Os irmãos Cohen intensificaram a caricatura para arrancar gargalhadas e lágrimas – já que tudo é apenas show-bizz – e o resultado é confuso. A falta de sentido de vidas não solidárias, casadas com suas carreiras, nas mãos de advogados facínoras , às portas da bancarrota financeira pessoal, sem recursos ou capacidade para realizar seus sonhos (um livro, uma cirurgia plástica, um divórcio) permeiam as ações da CIA, que no filme acaba sendo a representação dessa tragédia coletiva.