Cinema

AS MIL E UMA NOITES DO MILIONÁRIO INDIANO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Sherazade contava histórias para o rei que queria matá-la depois de fazer sexo. Deixava o conto em suspense para continuar no dia seguinte e assim foi adiando sua execução. Quando chegou ao fim da sucessão de contos, pediu clemência, no que foi atendida. Dizem que as Mil e Uma Noites são os degraus da iniciação do budismo. Assim também no filme “Quem quer ser um milionário”, de Danny Boyle, que ganhou 8 Oscar. O protagonista é um contador de histórias, que desfia os passos de sua vida bruta nas favelas indianas, onde começou órfão, passou a ser mendigo e acabou como servidor de chá numa empresa de telemarketing. Seu objetivo é escapar da tortura e da morte numa delegacia policial.



SEAN PENN EM MILK

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Representar o homossexual é uma tragédia na indústria audiovisual de última categoria, com o Brasil na frente, com suas piadas de viado que tomam conta dos programas de humor. Mas Sean não representa, ele se transforma em Harvey Milk na luta pelos direitos humanos. As expressões do personagem são o resultado da desconstrução facial a que se submeteu o ator. Os braços que se movem nos comícios buscam a espontaneidade contundente, pois era preciso criar um novo estilo de fazer política, que fosse o porta-voz de um movimento de massa emergente.



O PERDÃO EM “A PARTIDA”

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

O tocador de violoncelo que não perdoa o pai por tê-lo abandonado aos seis anos, acaba tendo de encomendar o corpo do velho quando ele morre esquecido numa vila de pescadores. A raiva acumulada por toda a vida é lavada pelo choro na magnífica cena final, quando temos um momento antológico da Sétima Arte. Nesse desenlace, vemos que, apesar da orfandade, da indiferença, dos erros, do ódio, tudo acaba confluindo para a manutenção de uma linhagem: a mensagem repassada de pai para filho, por meio de uma pedra que representa a realidade emocional do emissor.



O HEROISMO EM “OS FALSÁRIOS”

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Herói é aquele que abre mão do heroísmo, mas não da sua humanidade. Uma essência indestrutível apesar do horror e que, no final, contrariando as aparências e as evidências, o devolve à ação solidária e ética que o redime. O herói não aparece e compartilha sua glória em segredo com alguém muito próximo. Vimos isso no clássico Casablanca, em que Ricky é o mercenário sem coração que acaba fazendo o gesto supremo de abrir mão do seu grande amor em favor de alguém que ele não conhecia, mas que merecia escapar. Vemos isso no artista judeu de Os Falsários, do austríaco Stefan Ruzowitzky, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2008.



WOODY ALLEN: FILTRO DE AREIA EM BARCELONA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Woody Allen não filma roteiros, ele escreve filmes. É um novelista de costumes, que usa a câmara como teclado. Conta uma história, baseado na sua paixão: o cinema clássico dos Estados Unidos, feito em sua maioria por europeus emigrados, que abordavam a elite para o encanto das massas sob a depressão econômica dos anos 30. Seu tema são os conflitos pessoais de uma coletividade intelectualizada e rica, um universo que não está disponível facilmente, a não ser que você faça parte dele. Talvez nem exista como é mostrado. Mas é verossímel e isso basta.



DILLINGER, O SURRADO CHARME DO PSICOPATA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Quando o marginal pertence às classes subalternas, não há novidade, faz parte da “natureza” das coisas. Mas se, como John Dillinger, é de classe média e tem o sorriso cool dos galãs de cinema, algo muda. Dillinger foi um dos primeiros ladrões inventados pela mass media. Ele estava no miolo de uma briga de comunicação. O ascendente FBI e seu líder, Edgar Hoover, queriam ganhar a batalha na rádio e nos jornais. Mas os jornais criaram seu avesso, o sujeito que fugia da prisão, não roubava correntistas, apenas banqueiros e se movia rápido como numa seqüência cinematográfica.



FROST/NIXON: A PAUTA IMPROVÁVEL

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Atualidade absoluta: os americanos fazem um filme que resgata os crimes de Nixon, com o objetivo de acusar a gestão Bush, mas está sob medida para o Brasil. Temos casos idênticos, como Collor, que também renunciou à presidência para escapar de ser deposto, ou Lula, que também nada sabia sobre o que faziam seus assessores. Só essas sintonias já justificam tratar como obrigatório o filme Frost/ Nixon (2008), de Ron Howard, baseado em peça do mesmo nome de Peter Morgan e que recebeu cinco indicações para Oscar (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator – Frank Langella, no papel do ex-presidente -, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem).



QUATRO EM CENA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

Um padre progressista acusado de pedófilo (Philip Seymour Hoffman), uma freira fundamentalista que mente para descobrir a verdade (Merryl Streep) estão no filme A Dúvida, de John Patrick Shanley. Um velho lutador de luta livre ainda em atividade (Mickey Rourke) e uma stripper que trabalha para sustentar o filho e se mudar para longe (Marisa Tomei) estão em O Lutador , de Darren Aronofsky. Os dois filmes são de 2008 e os quatro atores e atrizes citados concorreram ao Oscar. Junto com Sean Penn, já abordado aqui, que venceu com Milk, é o que de melhor pode o cinema contemporâneo nos oferecer em matéria de interpretação.



JEAN CHARLES: FILME LIVRA A CARA DOS INGLESES

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema, Política

É preciso que se diga que o filme é uma sacanagem do começo ao fim. Apresenta Jean Charles não como um boa praça, mas como um sujeito falso e aproveitador, que mente para a imigração inglesa e ainda debocha dela; que mente para os empregadores dizendo que a amiga recém chegada de Minas fala inglês; que rouba clientes do seu empregador conterrâneo; que cuida de documentos falsos e ainda não consegue cumprir a palavra dada.



TRANGRESSÃO E MORALIDADE NO CINEMA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Cinema

A vítima tinha sofrido uma injustiça, a orfandade, o abandono dos pais, a prepotência dos adultos, a pobreza, a marginalização, e partia então para a vingança. Era flagrado e ia para uma instituição brutal, injusta, sempre com um algoz lapidar, desses vilões que dirigem os cárceres e se transformaram, na literatura e no cinema, em paradigmas do Mal (em contraposição aos humanos seres dentro das celas). O Bem estão migrava para o encarcerado e sua reação era punida com a morte, o que arrancava lágrimas do público.