Cinema

SHALAKO: SEM TRADIÇÃO NÃO HÁ RUPTURA

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Vi Shalako, o filme de 1968 do canadense Edward Dmytryk, baseado em livro de aventuras de Louis L´Amour, com Sean Connery e Brigitte Basrdot, além de Jack Hawkins e Stephen Boyd. É o que chamávamos de filmaço. Um take: os invasores da reserva têm até o amanhecer para deixar o forte, mas eles não obedecem; pois pinta o primeiro raio de sol que incide diretamente no punhal do indígena que inaugura o ataque.



GODARD: O PENSAMENTO ENFRENTA A VORAGEM

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

A complicação, em Godard, é fruto da ética. O assunto amor foi amarrotado pela indústria que aprisiona as almas e para encontrá-lo de verdade é preciso mais do que um travelling sobre o bosque que guarda os vestígios de uma antiga batalha, mais do que um passeio noturno na chuva, na noite e no inverno. É preciso tomar nota à margem da produção em massa, para que o tema se revele na sua essência, fora dos limites impostos pelo desfecho das guerras. É onde o humano sobrevive, de costas para o comércio dos gestos, que o protagonista busca o pássaro arisco de sua aventura mental.(Ensaio sobre o filme “O Elogio do amor”).



GREVE DE PALAVRAS

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema, Crônicas

Nos Estados Unidos, existe hoje um tipo de cinema cult que é o dos roteiristas brilhantes. Grandes estrelas abrem mão de seus cachês para fazer uma ponta em obras de cérebros e talentos privilegiados. É o cansaço da padronização dos roteiros e da venda de Hollywood para as políticas imperiais, o que se tornou praxe depois da vitória do macarthismo. As melhores cabeças não são mais convocadas, a não ser para abrir mão dos originais e deixar que escribas fiéis ao regime sapateiem em cima.



O CHEIRO DO BRASIL JOGADO FORA

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

O filme nacional “O cheiro do ralo”, dirigido por Heitor Dhalia, que divide com Marçal Aquino o roteiro baseado em livro de Lourenço Mutarell, é sobre o Brasil jogado no lixo. O cenário reproduz uma realidade econômica e social que já passou, fundada na indústria agora obsoleta, nas fábricas que foram para o espaço, no escritório composto de móveis, pisos, paredes e tetos que pertenceram a uma época de costas para o humano. O concreto que cobre todo vestígio de natureza concede apenas um escoadouro de matéria orgânica, de onde sai o fedor de uma civilização perdida.



BOM E VELHO OESTE

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Quem não chegou de longe para conquistar o coração da moça desperdiçada no meio da pradaria? Ou que veio para enfrentar os bandidos que destroem fazendas para vender o coração dos cidadãos para a malvada ferrovia? Certamente você libertou seu amigo da forca atirando de longe, com sua winchester, na corda fatídica, permitindo que ele esporeasse o cavalo onde foi colocado e assim se salvasse para que vocês pudessem ir atrás dos malfeitores.



ALEMANHA, A EXTRAORDINÁRIA

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Por que a Alemanha é assim? Certamente não é pelo sangue, pela eugenia racial, pois isso seria nos rendermos ao idealismo. Precisamos da dialética marxista para entender. Uma pista é dada pelo filme “O milagre de Berna” (Das Wunder von Bern), de Sönke Wortmann (2003). Perdemos de oito a três, urravam todos, contra o técnico da seleção, que permanecia firme. Fizemos três gols nos deuses, replicava ele. São vulneráveis, têm fraquezas, vamos aproveitá-las. O grande estrategista puxou de dentro de cada jogador a vontade de vencer, demoliu brigas internas e concentrou o jogo nas possibilidades de vitória. Deu certo.



O SUSTO DA ESTRADA

dez 13th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Sobre Into the Wild (Na Natureza Selvagem), o road movie de Sean Penn, de 2007: O protagonista está destruindo a própria família, a vida que o embalou e desprezando o papel fundamental das pessoas que recolhe pelo caminho. Não enxerga que elas são sua única riqueza. Não é nem a trajetória, mas as relações humanas que o enriquecem, que o chamam para a sobrevivência. Mas ele está disposto a morrer. Não perdoa os pais por terem escondido o fato de que ele era filho bastardo, ou coisa assim. Funde a cuca e se atira no meio da neve como um tarado qualquer. Mas Sean Penn tirou leite de pedra, a partir do best-seller de mesmo nome, de Jon Krakauer, publicado em 1996. Traça umperfil isento do aventureiro, colocando sua grandeza e sua precariedade.



O DESTINO NÃO É HUMANO

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

Há uma seqüência capital de No country for old men, dos Irmãos Cohen, que no Brasil ganhou o improvável título de “Onde os fracos não têm vez” . É quando o facínora persegue o texano, interpretado por Josh Brolin, na fronteira com o México. O assassino não mostra a cara o tempo todo. Os espectadores já estão impregnados de sua presença. Não há mais o que mostrar, a não ser suas ações, seus impactos na vítima em fuga. As balas se sucedem por todo o lado, arrancando pânico e sangue. O rosto animal não aparece, mas somos tomados pelo terror.



DUELO EM CAMPO ABERTO

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

A síndrome do atraso empurrou o Brasil para a destruição sistemática dos próprios vestígios. Memória é considerada perda de tempo. É exatamente o contrário: é o tempo gasto, mas com vocação de eternidade. Não significa apenas lembrar, mas reconstituir, resgatar, recompor, revisitar. Jamais reproduzir, já que toda memória obedece à época em que é gerada.



FALSO PACIFISMO

dez 12th, 2009 | Por nei | Categoria: Cinema

A ascensão do candidato democrata Barak Obama na campanha eleitoral americana coincide, no cinema, com uma série de filmes que pretendem enterrar a era Bush, a tirania gerada a partir do atentado de 11 de setembro de 2001. Existem filmes que se dedicam aos bastidores da mídia e da política, como “Leões e Cordeiros”, do militante Robert Redford, uma denúncia do oportunismo alimentando os conflitos fora das fronteiras. Ou “War, Inc.”, de Joshua Seftel e roteiro de John Cusack, baseado no livro sobre economia de choque da jornalista canadense Naomi Klein, um escracho contra a manipulação corporativa da guerra do Iraque. Mas o tema mais recorrente é a volta dos bravos rapazes de um front duvidoso para a América arrasada economicamente.



Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes