<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Nei Duclós &#187; Redação sem Máscara</title>
	<atom:link href="http://www.consciencia.org/neiduclos/categoria/edicao/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.consciencia.org/neiduclos</link>
	<description>Site do Poeta, Jornalista e Escritor</description>
	<lastBuildDate>Sat, 11 Feb 2012 18:53:32 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>O STAND UP É UM PERIGO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-stand-up-e-um-perigo</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-stand-up-e-um-perigo#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 13:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2852</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Stand up é a arte de levantar a platéia com baixarias que você só teria coragem de dizer para você mesmo ou para os amigos mais próximos – talvez até na presença de desconhecidos em alguma festinha, para checar sua popularidade. Grandes lendas se fizeram à sombra do stand up, como Lenny Bruce, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Stand up é a arte de levantar a platéia com baixarias que você só teria coragem de dizer para você mesmo ou para os amigos mais próximos – talvez até na presença de desconhecidos em alguma festinha, para checar sua popularidade. Grandes lendas se fizeram à sombra do stand up, como Lenny Bruce, radical comediante americano interpretado por Dustin Hoffman num filme de 1974 e que morreu ao optar pela radicalização de suas falas, o que o levou ao isolamento e às drogas (ou talvez era o que realmente procurava, como forma terminal de produção artística). Hoje há George Carlin, hilário e devastador nas suas críticas aos ambientalmente corretos. Estrelas como Seinfeld fizeram a fama nos clubs e bares antes de estourar na TV com sua série (que foi mais obra do parceiro Larry David, igualmente brilhante).</p>
<p>No Brasil o stand up chegou com tudo porque é um espetáculo barato de se fazer e porque tinha chegado a hora (tardia, como sempre). Trata-se de um monólogo, uma sucessão de tuits cortantes que impõem um ritmo de falas para estocar o público. Normalmente dá certo, pois as pessoas estão ali para rir e também se vingar, pois esse tipo de comediante diz o que todo mundo está pensando, ou pelo menos, deveria dizer. Como o humor oficial, o que passa na TV ainda está nos anos 30, pois faz piada com homem se vestindo de mulher, o stand up pegou bem na nova geração de comediantes, livres dessa canga maldita do século 20 que assombra uma mídia capitaneada por matusaléns. Só o quadro de Zorra Total de dois travestis que são assediados no metrô já diz tudo sobre o humor que o stand up deveria enterrar.</p>
<p>Deveria, mas as novas estrelas acabam caindo em desgraça rompendo a corda. Porque é uma tentação ter casa cheia para ouvir suas barbaridades. Então imaginamos que tudo pode ser dito. Foi o que aconteceu com o apresentador do Globo de Ouro, o ator Ricky Gervais, que bateu em Tom Cruise e John Travolta declarando que cientologistas gays faziam papel de heterossexuais enquanto heteros como as atrizes Juliane Moore e Annete Benning faziam papel de gays. Hoje vivemos sob liberdade vigiada e Rafinha Bastos entrou pelo cano quando cedeu à tentação de dizer que mulher feia deveria agradecer por ser estuprada. Uma barbaridade inominável dessas dá vergonha de dizer em casa, que dirá para o universo.</p>
<p>A mais recente vítima do stand up foi Lars Von Trier, que ao ver a sala de imprensa lotada em Cannes deitou a querer fazer graça e entrou pelo cano. Talvez porque tenha dito realmente o que sente e pensa mas achou que poderia disfarçar com estocadas de stand up. Se deu mal. Para esculachar com uma cineasta, que é judia, disse agradecer ao saber que não era judeu depois de conhecer a referida colega. Para completar (talvez porque as gargalhadas não explodiram, então ele tentou intensificar para ver dava certo) acabou dizendo que até se achava nazi e entendia Hitler (uma piada horrível que ouvimos a toda hora para encher o saco geral).</p>
<p>Como não há justificativa para semelhante atrocidade, Trier, ex-festejado diretor premiadíssimo por seus filmes radicais de vanguarda, foi banido do festival de Cannes. Ele depois tentou se desculpar, mas era tarde e não foi feliz nos seus argumentos. O stand up exige que você seja preciso. É uma questão de timing, bem mais do que você diz realmente. Você pode dizer as maiores baixarias, mas se respeitar certo ritmo e souber atingir aqueles pontos fracos do clima coletivo receptor, pode passar lotado. Fica tudo na risada. Mas é bom dosar e impedir que coisas profundamente sinceras (ou aparentemente engraçadas, mas brutais) não ajam contra sua verve, obrigando-o a se retratar ou desistir da carreira.</p>
<p>Obviamente que tentar fazer graça com judeu usando o nazismo dá erro, como prova o caso de Danilo Gentili que disse entender os habitantes de Higienópolis que eram contra o metrô, pois o barulho dos vagões lembrava Auschwitz. Há também o perigo de aparelhar o show, como acontece muitas vezes com Marcelo Adnet, que ataca o tucanato de Arnaldo Jabor ou das chamadas elites. Ao mesmo tempo, é prejudicial ao comediante achar que sendo a favor do politicamente correto poderá ser aceito, não ter problemas e continuar provocando risadas. Pois pode fazer sucesso num primeiro instante (e a imitação do ricaço que odeia aeroporto lotado do Adnet é realmente hilário), mas com o tempo acaba cansando, pois o público desconfia.</p>
<p>É um equilíbrio difícil de conseguir. Mas se fosse fácil qualquer chato contador de anedota seria o máximo. O talento para o stand up é raro. Além da vocação, é preciso ser um estrategista das falas, para não acabar na vala comum da desgraça. Há uma tendência em achar que o estrago promovido pelo stand up (sua facilidade é ao mesmo tempo uma ameaça) não mancha a “influência “ (palavra da moda) dos comediantes. No mínimo identifica valores da nova geração com o velho escracho, o que é ruim. A baixaria antiga estava sintonizada com o clima da época. Hoje os tempos são mais bicudos,pois a divisão entre moral e sua transgressão entrou numa fase mais aguda de conflito.</p>
<p>A permissividade, aparentemente sem freios, bate no paredão da censura, que se manifesta não só oficialmente, mas de modo natural, quando o público mostra-se avesso às apelações mais escandalosas. Van Trier causou espanto até mesmo para quem estava ao seu lado na coletiva. E dividiu a platéia entre o riso e o escândalo. O escândalo venceu.</p>
<p><em>Texto publicado também no Jornal Opção</em>. http://bit.ly/oUig1z</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-stand-up-e-um-perigo/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MÍDIAS SOCIAIS: O DESAFIO TEÓRICO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/midias-sociais-o-desafio-teorico</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/midias-sociais-o-desafio-teorico#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 00:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2757</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Tudo ficou obsoleto ou passível de reavaliação e atualização depois que a cidadania ganhou status de mídia, especialmente os conceitos sobre cultura, as análises sobre superestrutura, o cânone teórico que permeia a produção acadêmica até o início deste século. Qualquer livro que se leia sobre ideologia ou cultura esbarra no grande caos teórico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Tudo ficou obsoleto ou passível de reavaliação e atualização depois que a cidadania ganhou status de mídia, especialmente os conceitos sobre cultura, as análises sobre superestrutura, o cânone teórico que permeia a produção acadêmica até o início deste século. Qualquer livro que se leia sobre ideologia ou cultura esbarra no grande caos teórico sugerido pelas mídias sociais, que é ao mesmo tempo arena de debate, expressão múltipla de individualidades, acervo cultural coletivo, instrumento poderoso de marketing, entre outras coisas. Enterra inclusive a vagareza da sintonia entre a produção intelectual e a velocidade das transformações impostas pelos recursos digitais em rede.</p>
<p>O conceito de cultura popular,por exemplo, já tinha ido para o beleléu com a massificação da TV (basta ver o fenômeno sertanojo). Hoje, com novos agentes se manifestando nas mídias sociais, que ampliam geometricamente sua expansão e seu alcance, não existe mais a pirâmide social das idéias, que se entrecruzam e se modificam no embate das mensagens e nas interações midiáticas emergentes. Seria forçar a barra do que está acontecendo? Acredito que não. Não devemos apenas nos deslumbrar com a capacidade de mobilização em insurgências políticas, como acontece desde o golpe de estado do Irã nas suas ultimas eleições, que provocou reação em massa reportada e estimulada pelas mídias sociais. O buraco é mais em cima.</p>
<p>É preciso ficar atento aos saltos proporcionados pela conversa coletiva, em que não apenas frases curtas estão em pauta, mas principalmente os links, que remetem os milhões de autores à diversidade cultural de todos os tempos, já que o universo digital hoje é a nova biblioteca de Alexandria, que não nos ouçam os duendes do fogo e da destruição. Pego um exemplo. Há um vasto contingente humano fixado em música erudita ou na obra de Michel Foucault, por exemplo (não diga que não, basta consultar a rede). A exposição dessas preferências provoca reações e retornos que acabam modificando a percepção original . Se para melhor ou pior, não importa. O que vale é intensa carga de relativização sobre o que entendemos por cultura e isso é anexado naturalmente no imaginário e na realidade (que se confundem) do mundo de hoje.</p>
<p>Vejo com tristeza as manifestações contra as mídias sociais e mesmo a internet por parte de quem está com a vida ganha, notoriedades que atingiram a celebridade nos limites analógicos e que esperneiam diante da concorrência gerada pela computação integrada. Enquanto as redes tradicionais de televisão e da comunicação em geral se esforçam para definir a vilania da internet – para assim poder, via leis, engessá-la e colocá-la no cabresto – algumas celebridades se entregam a um lúgubre canto de cisne, apontando a desfaçatez e a agressividade como hegemônicas na rede. A internet tem de tudo e não pode se reduzida a um papel tosco, de coadjuvante ou de marginal.</p>
<p>Há também seriedade na abordagem por parte de muitos nichos de estudiosos, tanto da comunicação como de outras áreas. Há sempre a ronda do marketing puro e simples, querendo impor a publicidade em todas as manifestações das mídias sociais, como se a cidadania tivesse como destino o consumismo puro e simples, em que o cliente não é gente, mas faturamento. Mas há resistência, ainda pequena, mas determinante. Há muito valor exposto na vitrina mundial dos bits e é preciso abordá-lo com a isenção contaminada pela paixão, que levaou tantos estudiosos, no passado, a gerar um grande acervo de revelações.</p>
<p>Não se trata de transformar o que foi escrito no passado como se fosse inútil, ao contrário. Muitos autores encontraram seu ambiente natural na rede, como aconteceu com Caio Fernando Abreu, Manuel de Barros, Mario Quintana ou Clarice Lispector, exageros de postagens à parte. Muitos teóricos encontram também na realidade virtual um campo de concretização de profecias, como se tivessem previsto a transformação radical que iríamos experimentar.</p>
<p>A verdade é que nada surpreende a humanidade e tudo convive simultaneamente. Precisamos apenas trabalhar com o que temos e não criar obstáculos à compreensão, se encher de cuidados inúteis e esperar não sei o quê. Há urgência, mas é necessário profundidade. E há também a vontade de anunciar, em plano geral, o que pode pegar firme no que está acontecendo, como tentamos fazer aqui.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/midias-sociais-o-desafio-teorico/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>“O SUPOSTO”, UM JORNAL ISENTO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/%e2%80%9co-suposto%e2%80%9d-um-jornal-isento</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/%e2%80%9co-suposto%e2%80%9d-um-jornal-isento#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 May 2011 16:41:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2700</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Um bom nome para jornal seria O Suposto. Teria apenas verbos no condicional. Sem reportagens, apenas Boletins de Ocorrências. Sem repórteres, apenas escrivães. “Segundo” e “de acordo” seriam obrigatórios em todas as frases. As matérias teriam de confessar alguma incompetência, como a falta de retorno da fonte principal. O noticiário esportivo seria na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Um bom nome para jornal seria O Suposto. Teria apenas verbos no condicional. Sem reportagens, apenas Boletins de Ocorrências. Sem repórteres, apenas escrivães. “Segundo” e “de acordo” seriam obrigatórios em todas as frases. As matérias teriam de confessar alguma incompetência, como a falta de retorno da fonte principal. O noticiário esportivo seria na coluna &#8220;Taí, portanto&#8221; , que começaria sempre com a expressão “como tínhamos previsto”. A seção política seria Saia Justa e o noticiário sobre calamidades, Força Tarefa. O caderno cultural cobriria apenas moda, design, publicidade e mega-shows. Livros seriam um rodapé de auto-ajuda, com lista dos mais vendidos previamente acertadas com as editoras.</p>
<p>O importante seria manter sempre a isenção absoluta em relação aos fatos, de preferência que não houvesse nenhum compromisso com eles, a não ser suposições. Sempre que surgir a palavra portuguesa, insere-se a expressão com certeza. Quanto aos títulos, apenas variações de Crônica de Uma Morte Anunciada. Chacina seria apelidada de Um Dia de Fúria. Os articulistas defenderiam as falcatruas existentes e por fazer, desde que abrissem seus textos com alguma impropriedade cult, uma citação falsa, uma tautologia, ou uma obviedade que nega o que confirma.</p>
<p>Nenhum parágrafo teria mais do que duas linhas, sendo que a metade de cada um deles diria exatamente o que disse a metade do parágrafo anterior. Todos os enigmas seriam repassados para o leitor, já que a apuração seria terminantemente proibida. Se por acaso alguma verdade roçar no texto da redação de O Suposto, imediatamente os alarmas soarão e será convocado um Gestor de Passaralhos para manter o pessoal na linha. Seria permitido chupar tudo da internet, mas sem dar o crédito. E convocar leitores para trabalhar como jornalista de graça. Não admitir jornalistas, só vendedores.</p>
<p>O Suposto seria um jornal isento de jornalismo, que é uma atividade punida por lei. Os colaboradores fixos seriam recrutados na indústria financeira e entre ex-celebridades. Os editoriais teriam patrocínio de algum refrigerante. As manchetes teriam uma tabela de custo. As cartas dos leitores seriam substituídas por releases de no máximo 10 linhas. Fotos, só da Divulgação. Furos, só os permitidos pelo governo. Denúncias, apenas no caso de confirmação por escrita do denunciado, registrada em cartório, em três vias datilografadas em espaço dois e reproduzidas em papel carbono.</p>
<p>O Suposto teria uma versão impressa limitada, mas com tiragem irreal para superfaturar nos anúncios. Tudo seria encalhe. As visitas on line seriam cooptadas por meio de ferramentas digitais automáticas. O Suposto também inventaria ser centenário. Não conta que antes de chamava Correio de Notícias, depois Folha da Madrugada e mais tarde, na crise braba, Opróbrios e Falcatruas. Tudo vira um O Suposto só, desde o início do século passado. Eventos seriam planejados para a grande confraternização. Seriam encomendados jornalistas vetustos para mentir sobre saudades dos bons tempos das redações românticas esfumaçadas e sem micro. Depois sairia o caderno especial sobre o ágape, mas com patrocínio ambiental, com anúncios sobre a sobrevivência dos Ferozes Indios Xerox.</p>
<p>O texto diria o seguinte: &#8220;O Suposto, jornal que teria sido feito desde 1911, teria dado grande festa onde supostamente houve convivas&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/%e2%80%9co-suposto%e2%80%9d-um-jornal-isento/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A LUTA PELA LINGUAGEM</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/a-luta-pela-linguagem</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/a-luta-pela-linguagem#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 May 2011 16:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2696</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós No front do Twitter, reajo contra a destruição da língua, que está sendo implantada pelo governo. Detalhes da mais nova barbaridade do MEC aqui. Por isso coloquei algumas frases que são fruto do amor pela palavra, a paixão pela linguagem, a convivência com a língua culta, com o aprendizado e o ensino inesquecível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p><em>No front do Twitter, reajo contra a destruição da língua, que está sendo implantada pelo governo. Detalhes da mais nova barbaridade do MEC aqui. Por isso coloquei algumas frases que são fruto do amor pela palavra, a paixão pela linguagem, a convivência com a língua culta, com o aprendizado e o ensino inesquecível da infância, mocidade e vida adulta, um sistema educacional que sempre existiu no Brasil e que sofre demolição sistemática atualmente. Vamos às frases:</em></p>
<p>CRIATURAS E DIVINDADES</p>
<p>Tristes teclados estrangeiros, sem o ce cedilha. Ç é civilização: subversão do bloqueio natural do c, clonagem dos dois esses,excesso,supérfluo</p>
<p>A cedilha é a porta do porão, que leva o travado C a uma aventura pelo vento</p>
<p>A crase foi feita para humilhar.Implica função bizarra de preposição para o a, impregnado de sua irmã gêmea.E não admite companhia masculina</p>
<p>O acento diferencial é o sinal de trânsito no caos das palavras. Afasta quem vem para bater de frente nos significados. Preserva princípios</p>
<p>Quando dois oo saem juntos, é bom colocar boné num deles, para não confundi-los, como em vôo. Mas parece que não gostam disso</p>
<p>Gênesis é ênclise: Faça-se a luz! Lei é mesóclise: Fa-lo-á. Povo é próclise: Me vou</p>
<p>O trema é o passaporte de vogal para o u sequestrado de sua função original, prisioneiro do q. Mas é um passaporte jogado na ilegalidade</p>
<p>O acento grave é um tio esnobe que só vem visitar quando lhe pedem. Raramente interfere e retira-se para que o esqueçam</p>
<p>As vogais são o sopro divino no barro das consoantes</p>
<p>Cada letra é a invocação de uma divindade. Por isso a linguagem é sagrada. No seu território, descalçamos os sapatos e abraçamos o sonho</p>
<p>PALAVRA AO NOSSO LADO</p>
<p>Quando tentam demolir a língua e o ensino, querem arrancar o melhor de nós. Não permitiremos. Tudo é linguagem e é nessa arena que lutamos</p>
<p>Temos nossa porção bolo. Quanto mais batem em que acreditamos, mais crescemos</p>
<p>Ninguém deve tirar o deslumbramento da criança diante da descoberta da linguagem. Crianças e palavras, colocamos no colo</p>
<p>Quando as palavras brotaram nos meus olhos, fruto de letras que germinaram primeiro em sílabas e se agruparam, estava fisgado para sempre</p>
<p>Se pisarem na língua achando que ficarão impunes, terão seu troco, pois afundarão no esquecimento enquanto a palavra continuará sua viagem</p>
<p>A poesia é a arte de celebrar esse coração grudado na língua culta, que arduamente aprendemos. Somos a palavra que fica. E por isso vencerá</p>
<p>Não há tirano que nos afaste da aventura que é navegar com a língua materna, que nos ensinou tudo e nos leva para a eternidade com sabedoria</p>
<p>Linguagem é paixão de toda uma vida. Feliz na infância, impetuosa na mocidade, grave e e soberba na maturidade. Ninguém matará esse amor</p>
<p>A gramática impede que os brutos tenham razão. Quando ela vigora como lei, quem diz &#8220;nóis vai&#8221; acaba desmoralizado</p>
<p>Você está me matando, disse a vítima. Ora, isso é preconceito seu, disse o criminoso</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/a-luta-pela-linguagem/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/copy-desk-o-anonimo-editor-de-texto</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/copy-desk-o-anonimo-editor-de-texto#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 May 2011 16:29:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2689</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o número exato de toques de um título sem cair no ramerrão muito comum hoje, de usar &#8220;diz que&#8221; ou verbos esdrúxulos como mirar (mira é curto, aparentemente resolve, mas fica estranho). Um bom copy é obrigatoriamente criativo, além de competente, e o primeiro a ler a matéria, o amigo dos leitores do jornal ou revista.</p>
<p>Os copys eram anônimos para o grande público, só conhecidos e valorizados no meio jornalístico. Chamavam um bom copy de “puta texto”, que extraía maravilhas de uma maçaroca de dados. Grandes copys ficam na História, como o legendário Miltainho, Mylton Severiano da Silva, que fazia dupla com repórteres antológicos como Hamilton Almeida Filho. Outros se revelaram escritores famosos, como o Fernando de Morais ou Humberto Werneck. E muitos ficaram naquele circulo compenetrado dos grandes fechadores, exímios artífices da língua, como Antenor Nascimento ou Genilson César. A relação com os editores costumava ser amigável, pois resolvíamos um monte de pepinos, mas com a reportagem havia tumulto.</p>
<p>“Foi você que mexeu no meu texto?” perguntou a repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo, furiosa, com o jornal na mão, no meu segundo dia de copy no caderno. Fui, respondi. “Então da próxima vez não assine meu nome, porque eu não escrevi isso”. Ok, tornei a falar. Vou fazer isso. Não vou assinar seu nome e continuar copidescando. O texto da moça era muito ruim e em um mês ela ficou minha amiga. Descobriu que eu trabalhava a favor dela. Fazia questão de assinar tudo. O copy assumia uma espécie de missão cívica, com o mesmo espírito do trabalho solidário.</p>
<p>É preciso gostar de escrever, gostar do que os outros escrevem, admirar a reportagem, não causar problemas ao editor, não guardar ressentimentos, não querer brilhar com o trabalho alheio, nem colocar as patas nele. Um copy é um especialista em extirpar lugares comuns, descobrir furos na estrutura do texto, buscar informação para resolver impasses, entrevistar o repórter, checar as fontes, entregar tudo no prazo e retirar-se todos os dias para sua caverna nas montanhas. Lá no alto, ele medita esperando o sol nascer de novo para iluminar o vale das palavras.</p>
<p>A TV Guia, revista da Abril que durou sete meses em 1977, baseada na TV Guide americana, foi meu momento xis do copy. Trabalhava junto com dois craques: Macedo Miranda, Filho, que citei várias vezes em meus textos de memórias, e Ricardo Vespucci, o Bi, figura maravilhosa que já partiu pra o Outro Lado. Com eles aprendi a técnica do texto redondinho de revista, aquele que tem o desfecho sintonizado com o início e costura parágrafos sem dor, para que a leitura flua como veleiro em tarde tépida de outono. Não se trata de facilitar a vida de ninguém, mas de seduzi-la pela qualidade do trabalho, torná-la prazerosa, aventureira, com revelações. Tínhamos material para isso. Os textos vinham de gente pesada como Caco Barcelos ou Audálio Dantas, que nos entregavam grandes reportagens de uma dez laudas, o que era um despropósito para o formato da revista (do tamanho de uma meia Veja).</p>
<p>A TV Guia pagava muito bem, mas sofreu concorrência acirrada do grupo Manchete (que emplacou algo parecido nos seus veículos e que era dado de brinde). Era sofisticada, pois além da programação completa das TVs tinha belas reportagens. E havia chance de os copys assinarem artigos sobre temas variados, o que fiz algumas vezes. A revista tinha como editor o Woile Guimarães, que mais tarde foi para a Rede Globo. Macedo Miranda viera de lá e para lá voltou. Depois montou uma empresa própria e continua sendo um profissional respeitado e talentoso.</p>
<p>Na Ilustrada, um descanso para o copy chamava-se Paulo Moreira Leite, que depois ficou muitos anos na Veja, foi correspondente em Paris e hoje está na Época. Paulo tinha o texto perfeito e eu colocava a caneta de lado quando recebia uma reportagem dele. E na Ilustrada havia espaço para publicar tudo, diferente da TV Guia em que havia necessidade de inventar outro texto para caber as informações. O maior desafio situava-se no lead. Meu melhor lead, não canso de lembrar, foi sobre o Cyborg, o sujeito que era metade gente, metade máquina: “Todo mundo tem seu lado humano. O de Cyborg, é o esquerdo” .</p>
<p>Sinto falta, como leitor de jornais diários, principalmente nas versões on line, da função do copy. Noto erros grosseiros que seriam eliminados na primeira leitura. Passam lotado para a edição, que, parece, não lê mais nada. Se der erro, demita-se o repórter. Não deve ser assim. Jornalismo é como cinema, trabalho de equipe, com responsabilidade compartilhada. Tudo se soma para evitar transtornos aos leitores. Depois não se queixem da morte dos jornais. Não é a concorrência da internet que os leva à falência. É a falta de coisas básicas, como um bom copy-desk. Noto agora que meu afastamento das redações coincidiu com o fim da função que eu exercia. Fiz muita reportagem e fui editor várias vezes. Mas o que gostava mesmo era navegar nas matérias que vinham de todos os lados.</p>
<p>Não cuido mais de texto alheio. Quando me pedem, distribuo positivos, pois crítica hoje ofende e pode fechar o tempo. Tenho mais o que fazer. Mas posso ensinar o ofício, se é que existe gente que queira aprender uma função extinta. Copy é como o latim, que não é mais falado, mas é a base da língua. No mínimo, forma escritores. Ou pelo menos pessoas focadas na claridade e força das palavras.</p>
<p>RETORNO &#8211; 1. Dei uma copidescada no texto acima, ficou melhor, sem vários ruídos. Todo copy precisa também de um copy. 2. Acho que foram os preconceitos (além da eliminação de funções para aumentar os lucros) que derrubaram o copy. Achavam que o redator &#8220;dourava a pílula&#8221;, colocava cerejinha em cima do bolo da reportagem. Um soldado da Legião Estrangeira não doura pílula, afia adagas e azeita rifles. Outra iéia de jerico era confundir copy com revisor. Revisão é outro departamento, também importante, e que dá grande apoio ao copy. Mas as funções são diversas. O revisor não tem a autonomia do copy, não muda, apenas checa e corrige. Já o copy não pede licença. Deadline não espera.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/copy-desk-o-anonimo-editor-de-texto/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O ESTADO EM 1972: JORNALISMO DO MUNDO PERDIDO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-estado-em-1972-jornalismo-do-mundo-perdido</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-estado-em-1972-jornalismo-do-mundo-perdido#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 May 2011 16:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memórias]]></category>
		<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2687</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Fiquei alguns meses em São Paulo morando de favor e fazendo uma matéria por mês no Jornal de Investimentos, editado pelo Celso Ming, e que era um dos veículos do grupo da Gazeta Mercantil. Meu tema eram empresas que tinham acabado de entrar nas Bolsa de Valores. Ming esmigalhava meu texto sem dó [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Fiquei alguns meses em São Paulo morando de favor e fazendo uma matéria por mês no Jornal de Investimentos, editado pelo Celso Ming, e que era um dos veículos do grupo da Gazeta Mercantil. Meu tema eram empresas que tinham acabado de entrar nas Bolsa de Valores. Ming esmigalhava meu texto sem dó e me obrigava a reescrever um monte de vezes. Cansado daquela vida, resolvi viajar para Florianópolis, onde amigos meus tinham alugado uma casa. No primeiro churrasco, fui avisado por Ayrton Kanitz que Jorge Escosteguy trabalhava em O Estado e precisava de um redator. Era minha especialidade: o copy.</p>
<p>Sempre admirei repórteres mas não estava talhado para a função. Nas primeiras matérias me colocavam no copy. Aproveitavam meu texto para corrigir o dos outros. E nisso fiquei,praticamente a vida toda, com algumas incursões nas reportagens e na edição. Quando cheguei na redação, Scotch brincou escondendo-se atrás da Olivetti. Nos conhecíamos do tempo da Folha da Tarde, dois anos antes, da Caldas Junior de Porto Alegre. Acabamos morando perto e remando sem parar no jornal, fechando os noticiários de Nacional e Internacional. Lá estava o Aluisio Amorim, também copy do Scotch.</p>
<p>Lembro que choveu demais aquele ano de 1972 e nos perguntávamos quando teríamos a ilha da magia. Scotch era um dínamo e vivia em conflito com a chefia da redação, a cargo do gentil Marcilio Medeiros, filho. Havia pessoas pacatas como Laudelino Sardá, que jamais se metia em brigas, jovens talentos como Cesar Valente e outros mais animados, que gostavam de implicar com nossa biografia e se perguntavam o que fazíamos ali na terra deles. Na época da repressão braba, todos nós estávamos sob suspeita. O problema era a política, mas meu cabelos compridos denunciavam alienação. Eu, pelo menos, não aparentava perigo. Não iria pegar em armas, já que tinha ainda o agravante de fazer poesia. Já o Scotch, sempre disseram que ele era do partidão, mas nunca vi isso confirmado. Para mim, era um espírito livre, anti-ditadura, como todos nós.</p>
<p>Um belo dia o Matusalém Comelli, que era dono de O Estado, convidou o Kanitz para trabalhar lá. Mario Medaglia, bamba do noticiário esportivo e &#8220;jornalista desde que nasceu&#8221; também viera do JSC a convite de O Estado, assim como eu e Virson Holderbaum, amigo certo desde os anos 60. Ayrton Kanitz dava show na sucursal do Jornal de Santa Catarina na capital e fazia concorrência pesada. Foi convidado para determinada função, não lembro qual, mas depois de ter pedido demissão, foi informado que seu cargo era outro. Faria coisa diferente do combinado. Foi o que fiquei sabendo, não tenho detalhes de quem partiu a decisão. Isso causou estranheza entre a gauchada, que resolveu pressionar a direção para cumprir a palavra. Em vão. Resultado: a maioria saltou fora e foi assim que se deu o quiprocó de O Estado. Acabei indo mais tarde para São Paulo, onde pousei na redação da Folha de São Paulo e depois em outras, como canso de repetir nas minhas memórias precoces (já esgotei todos os assuntos, nada mais me resta a fazer na terceira idade; posso ir sestear).</p>
<p>Os fatos assim se deram e acabamos saindo da cidade que tínhamos escolhido para viver (acabei voltando,primeiro em 1981 e depois em 2003; aí, fiquei). Ainda rodei algum tempo desempregado, mas a barra pesou. Migrei primeiro para Vitória do Espírito Santo, onde trabalhei no novo jornal A Tribuna, voltei a Porto Alegre para a Folha da Manhã da Caldas Junior em 1974 e finalmente São Paulo novamente, onde passei por vários lugares. Para que servem essas lembranças, tão prosaicas? Só para dizer que faço parte da proto-história do jornalismo brasileiro, aquele que nem é mais lembrado, já que saudade hoje se sente dos anos 80 para cá. Para trás, já é o mundo perdido.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/o-estado-em-1972-jornalismo-do-mundo-perdido/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SOMOS APENAS PALAVRA</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/somos-apenas-palavra</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/somos-apenas-palavra#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 May 2011 00:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2649</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Além do que fazemos para viver, agimos para ficar vivos. Como postar no Twitter e no Facebook: é o que faço para conversar com os contemporâneos. Neste Diário da Fonte, costumo colocar algumas seletas. Hoje, destaco frases que tuitei durante a Páscoa. O resultado – poesia, política, mídia, comportamento – está aqui. Vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p><em>Além do que fazemos para viver, agimos para ficar vivos. Como postar no Twitter e no Facebook: é o que faço para conversar com os contemporâneos. Neste Diário da Fonte, costumo colocar algumas seletas. Hoje, destaco frases que tuitei durante a Páscoa. O resultado – poesia, política, mídia, comportamento – está aqui.</em></p>
<p>Vamos por terra, disse o marinheiro. Vamos pegá-los de surpresa</p>
<p>Ok, vou bater o ponto, disse o aventureiro do deserto. Mas depois não se queixem se as tempestades de areia não tiverem com quem conversar</p>
<p>O que diz o amor quando declaram guerra? &#8220;Não de novo! Adiar para mais uma geração o pote de mel que se derrama&#8221;</p>
<p>Poesia não serve como identidade, mas é a única que tenho</p>
<p>Já estivemos aqui, mas não lembramos. Só quando o vento chama a nova estação, zunindo na nuvem</p>
<p>Somos circo. Em primeiro lugar, trapezistas. E por último, palhaços. Para sairmos rindo do espetáculo</p>
<p>Somos um só, mas imaginados por muitas personas, que se revezam na nossa mente para nos divertir, consolar ou alertar</p>
<p>Todos os personagens pedem para sair. Às vezes, no minuto seguinte ao que seu oposto se manifestou</p>
<p>Jack o Marujo foi convidado para dar uma palestra de auto-ajuda numa fábrica de parafusos. &#8220;E eu com isso?&#8221; disse ele, e encerrou o evento</p>
<p>Deus nos conjuga, mas não leva o crédito. Só a fé descobre a autoria do verbo</p>
<p>Somos apenas palavra. Alguém nos escreve. Algo nos apaga.</p>
<p>Quando o poema começa muito ruim, peço desculpa à palavra e recomeço. É preciso que ela me receba</p>
<p>Gerenciei minha carreira fazendo tudo errado. No fim, deu certo, porque tomei o rumo que os outros evitavam</p>
<p>A esperança é poder impactar quem nunca soube da citação,o que é raro, já que o ramerrão atinge a mais tenra idade.Melhor seria voltar a ler .</p>
<p>Você gosta de citar autores famosos? perguntei para Jack o Marujo. Gosto de citar a véia, respondeu o capitão</p>
<p>Essas citações recorrentes de obras e autores, sempre os mesmos, com pretensão de ainda dizer algo, não são apenas patéticas, são patetas</p>
<p>Há uma impaciência animal no fast-food, em que as pessoas atropelam para se servir primeiro e ocupam as mesas com ruídos de guerra</p>
<p>Quando é preciso roubar muito, mas roubar mesmo, usa-se a palavra estratégico</p>
<p>&#8220;Primeiro, estranha-se. Depois, entranha-se&#8221;. Slogan para a Coca-cola de autoria de Fernando Pessoa</p>
<p>Povão é a fantasia favorita do pavão</p>
<p>Celebridades internacionais descobrem o Brasil. Precisamos aumentar o número de favelas e de capoeiristas</p>
<p>Casamento do príncipe influencia a tábua das marés</p>
<p>Você diz ou &#8220;com certeza&#8221; quando é sim ou &#8220;fala sério&#8221; quando é não, diz Angelica no seu show, implementando o lugar comum como referência</p>
<p>Essas pessoas sem nada a dizer que ficam sussurrando durante horas em entrevistas fake na TV são apenas álibis de campanhas publicitárias</p>
<p>Comemorar gol pondo a mão em concha no ouvido, o dedo indicador na boca ou fazendo coraçãozinho com ajuda dos polegares é o cânone babaca</p>
<p>Sou um zero à esquerda, disse o garoto. Permaneça assim, aconselhou Jack o Marujo. Si se mexer, vão dizer que foste para a direita</p>
<p>Jornal Opção “Socialismo”, de Godard: O Desafio de Entender (texto do jornalista @neiduclos)</p>
<p>Inventar cartas de leitores fazia parte do processo de implantação de um novo veículo. &#8220;Elogia minha matéria aí&#8221;, diziam os repórteres</p>
<p>Ninguém escrevia cartas para as redações, a não ser os compulsivos ou alguém com interesse explícito em algo. Com o email, ficou mais fácil</p>
<p>Truque de marketing: jornal inventava cartas espinafrando a edição para gerar cartas verdadeiras contradizendo as críticas</p>
<p>O verdadeiro ombudsman de um jornal ou revista é a seção de cartas dos leitores</p>
<p>&#8220;Certo? Errado&#8221; significa: você está iludido e eu não, você não sabe, eu sei. O uso do lugar comum desmoraliza a soberba</p>
<p>&#8220;Certo? Errado&#8221; é de matar. Ultrapassou o status do lugar comum. É o cânone da muleta da argumentação</p>
<p>Cortava a caixa de sapatos com a tesoura, encaixava as duas metades, fazia a cesta. Enfeitava com papel colorido recortado. Punha a palha</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/somos-apenas-palavra/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>QUATRO LINHAS NA ARGILA</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/quatro-linhas-na-argila</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/quatro-linhas-na-argila#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 14:40:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2613</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós A leitura de toda a vida depende da relação afetiva que adquirimos na hora da alfabetização, normalmente feita na primeira infância. O amor ao ensino, fruto do carinho de quem alfabetiza, se transfere para a linguagem. Lemos porque gostamos, mas isso não significa que procuramos apenas divertimento. É gratificante a conquista do conhecimento, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>A leitura de toda a vida depende da relação afetiva que adquirimos na hora da alfabetização, normalmente feita na primeira infância. O amor ao ensino, fruto do carinho de quem alfabetiza, se transfere para a linguagem. Lemos porque gostamos, mas isso não significa que procuramos apenas divertimento. É gratificante a conquista do conhecimento, especialmente se ele for árduo. Não queremos passar lotados pelo que nossos olhos e mentes aprendem com tanta disposição e tempo. Algo fica e isso acaba fazendo parte da nossa identidade.</p>
<p>Por mais que existam apelos para a leitura fácil, ou diversidade oferecida por todas as mídias disponíveis hoje, é ainda certo que a âncora dessa formação é o livro. É ele que consolida a cultura e não precisam ser muitos, basta que sejam bem lidos e significativos. O bom é reler, já nos diziam Drummond e Borges, que acabavam sempre voltando para seus autores favoritos. Não faço parte dessa tribo que refaz o caminho percorrido por grandes escritores. Leio pouco e espaçadamente e por isso não posso me deter num volume mais do que uma vez.</p>
<p>Aprendi na faculdade de História que um documento &#8211; no caso aqui, o livro – precisa ser visto pelo que ele é. Parece uma obviedade. Talvez seja, mas exige atenção. Já resenhei vários lançamentos sem ter lido nada antes do mesmo escritor. Peguei apenas o que vi naquele momento e dali parti para a análise. Não me reportei a resenhas feitas por outros, nem quis saber o que disseram os pares do resenhado. Simplesmente me ative ao que estava escrito e com essa técnica consegui contribuir com alguma coisa para o que acabara de ler.</p>
<p>Aconteceu várias vezes. A primeira resenha que fiz para a Veja era sobre um autor então desconhecido, Darcy Ribeiro. Ele acabara de voltar de longo exílio e era conhecido como educador, sociólogo e político, mas não como romancista. Sua estréia na literatura deu-se com Maira, grande romance que tive o prazer de analisar para a mais prestigiada revista semanal dos anos 70. Escrevi sobre o livro e só depois descobri quem Darcy era. Ao meu redor, ninguém sabia. Não havia a facilidade de hoje, em que a wikipédia e inúmeros sites e jornais on line te dão o serviço completo sobre autores e obras. Era tudo feito no acervo pessoal, visita a bibliotecas, compras raras de livros etc.</p>
<p>Outro autor do qual nunca tinha lido nada foi o poeta Rainier Maria Rilke. Fui convidado pela Editora Globo para fazer a apresentação do seu clássico Cartas a um jovem poeta. O resultado foi gratificante: o texto é citado em vários trabalhos acadêmicos e foi saudado pela grande imprensa como uma análise certeira. Apliquei a técnica que aprendi na História: um tablete de argila é tudo o que temos sobre uma civilização e é nele que devemos nos concentrar para entendê-la. Se o documento tem apenas quatro linhas, é isso que devemos analisar.</p>
<p>Mas quando nos deparamos com escritores maravilhosos, o acervo oferecido em algumas páginas é mais do que suficiente para viajarmos no espaço que ele nos abre. Assim, podemos contribuir com algo original sobre aquelas obras, graças a essa relação afetiva que adquirimos lá na mais profunda infância, quando somos despertados para o universo da leitura.</p>
<p><em>Crônica publicada no jornal Momento de Uruguaiana.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/quatro-linhas-na-argila/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ESCREVER É PRECISO</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/escrever-e-preciso</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/escrever-e-preciso#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 14:16:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2519</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Navegar obedece à técnica. Viver é diferente, é algo vago, confuso. Astrolábio, sextante, sonar, bússola: navegar é uma atividade de alta precisão. Navegar é preciso. Amar, sofrer, sonhar, decidir, arrepender-se: viver é uma atividade cheia de imprecisões. Viver não é preciso Escrever não é viver, é navegar: existem instrumentos precisos para seu uso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós<br />
</strong></p>
<p>Navegar obedece à técnica. Viver é diferente, é algo vago, confuso.</p>
<p>Astrolábio, sextante, sonar, bússola: navegar é uma atividade de alta precisão. Navegar é preciso.</p>
<p>Amar, sofrer, sonhar, decidir, arrepender-se: viver é uma atividade cheia de imprecisões. Viver não é preciso</p>
<p>Escrever não é viver, é navegar: existem instrumentos precisos para seu uso e orientação. Isso não significa que seja uma ação fechada em si mesma</p>
<p>O que falamos é preciso. O que os outros falam é impreciso</p>
<p>A frase pelo avesso, a provocação, não pode ser perseguida a paulada pela ilusão corretiva. Deve haver margem para o espírito livre</p>
<p>A palavra busca as próprias raízes para subverter as manipulações. Navega na precisão, mas não no engessamento do seu significado</p>
<p>Assim como os cálculos levam o navio para terras ignotas, escrever também palmilha o desconhecido.</p>
<p>Você não se atira no mar sem saber o mínimo de como agir entre as ondas e o oceano profundo.</p>
<p>Também não deve se aventurar na escrita sem que haja o mínimo de conhecimento</p>
<p>Navegar, como escrever, se aprende. Não é uma atividade que brote, como respirar, comer, suar.</p>
<p>Não que haja necessidade de escritores, assim como não há necessidade de navegadores.</p>
<p>As duas ações inventam suas próprias necessidades e desdobramentos.</p>
<p>A humanidade poderia ter ficado em terra e qualquer pessoa pode se dar ao luxo de jamais rabiscar uma frase.</p>
<p>Escrever, portanto, é preciso, mas não necessário. Como navegar. E viver é absolutamente impreciso, mas fundamental. Sem vida não há prosa ou verso.</p>
<p>Mas tanto escrever quanto navegar estão sob a guarda de uma imprecisão: a vocação.</p>
<p>O chamamento (vocare) se manifesta cedo, mas nem sempre significa destino. É mais uma indicação.</p>
<p>A não ser que Deus em pessoa tenha interferido na invenção da criatura.</p>
<p>Repassar o encargo é comum nas longas férias do Sétimo Dia</p>
<p>O gênio nasce quando Deus não terceiriza a Criação.</p>
<p>O poema se manifesta de todas as formas. Não use pedras da lógica ferrada para contestar o que o poesia afirma, inspirada pela lucidez em forma de devoção</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/escrever-e-preciso/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>CRIAÇÃO NO JORNALISMO: UM OBJETO SELVAGEM</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/criacao-no-jornalismo-um-objeto-selvagem</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/criacao-no-jornalismo-um-objeto-selvagem#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 10:27:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Redação sem Máscara]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.consciencia.org/neiduclos/?p=2474</guid>
		<description><![CDATA[Nei Duclós Jornalismo é produzir (e não reproduzir) uma leitura dos fatos. E os fatos são versões das fontes. Produzir leitura é identificar uma lógica, um encadeamento nas evidências dos acontecimentos. Estes, são criaturas que nascem sob domínio de quem as emite, mas ao atingirem o status de jornalismo (a abordagem livre da manifestação adventícia) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Jornalismo é produzir (e não reproduzir) uma leitura dos fatos. E os fatos são versões das fontes. Produzir leitura é identificar uma lógica, um encadeamento nas evidências dos acontecimentos. Estes, são criaturas que nascem sob domínio de quem as emite, mas ao atingirem o status de jornalismo (a abordagem livre da manifestação adventícia) se libertam de suas origem, adquirem vida própria, já que assumem a natureza de uma outra linguagem. O relatório selecionado vira parte da reportagem, a conversa prolixa alcança a síntese da frase esclarecedora.</p>
<p>Por mais “concreto” que seja o acontecimento narrado pela fonte, será sempre uma versão à mercê do narrador. A testemunha ocular não faz história, é insumo para um nível acima, elaborado. O documento não é o fato, é uma representação dele. O depoimento , por mais sincero, sempre é fruto do filtro do depoente. Essas versões das fontes são os fatos. É também uma leitura, mas não é jornalismo, muito mais radical. O repórter/editor/redator/fotógrafo mergulha, filtra, organiza e divulga. Gosto de citar o exemplo de Rota 66, o livro-bomba de Caco Barcelos. Ele descobriu uma montanha de papéis num porão sujo da Polícia Militar, documentos abandonados ao longo de décadas de assassinatos de inocentes. Mentiu que queria organizar a bagunça, mas seu objetivo era fazer a denúncia.</p>
<p>Hoje a fotografia exibe muito mais poder nas mídias em geral, não porque haja mais espaço ou se manifestem muitos olhares absolutos de grande profissionais. Mas por te se intensificado a noção de que ler o gesto, o design do evento real, é decisivo para entender o mundo expresso na reportagem. E isso a foto se presta aparentemente sem intermediação. Faz ligação direta com a percepção, mas é também um jogo de gato e rato entre o que o fotógrafo vê, o que consegue mostrar e o que é visto e entendido pelo leitor. Há também a interferência de vários intertextos, que apoiam ou contrariam o que está sendo visto.</p>
<p>Esse jogo é mais complicado na palavra, que é cem por cento sugestão. Você não enxerga nada olhando uma letra. Só cria algo perceptível se usar a sintaxe, a língua consolidada, o verbo aparelhado. No impresso isso é um lugar comum, pois nesse ambiente fazemos distinção entre texto e imagem. Mas o texto digitalizado subverteu um pouco esse conceito, ou antes, revelou que a escrita também é imagem. Fica mais diluída a alienação do verbo (o significado pairando sobre a física dos signos) pois a palavra digitalizada transmutou-se na imagem de significados, também à mercê da leitura rápida e definitiva. Todos escrevem e fotografam. Brinca, e todos editam, diagramam e difundem.</p>
<p>É tocante a defasagem de articulistas que “preparam” o leitor para algo que virá depois, quando se sabe que podemos ler tudo ao mesmo tempo agora e não dependemos de arautos, exclusivistas ou bam bam bams. Costumo começar qualquer coisa, de notícia a romance policial, pelo último parágrafo. Não suporto a ansiedade de saber o que está escrito e explícito, e ser obrigado a, analogicamente, percorrer o fio de Ariadne do labirinto autoral. Com o desfecho sabido, a marcha das palavras fica livre do suspense.</p>
<p>Desvelar camadas de conceitos que soterram o ato de reportar desmascara o poder tanto das fontes, identificados com as próprias informações, quanto dos jornalistas, que acabam lavando as mãos em relação ao que conseguem acessar. Há uma terceirização geral, como se fazer jornalismo queimasse as mãos. Vai ver, queima mesmo. Tínhamos, e temos ainda, repórteres calejados e corajosos. A diferença é que hoje se mata mais jornalista. Estamos, como disse Greg Palast no seu célebre livro-denúncia, na “melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, onde reina a pata possante dos poderes sobre a virtualidade das informações. Do nosso lado, tudo se dissolve no ar. Do lado de lá, só vem chumbo grosso.</p>
<p>Mas temos uma vantagem: o talento, graça de quem cria, que lida com um objeto selvagem no mundo domesticado, onde a linguagem virou um balcão de negócios.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.consciencia.org/neiduclos/criacao-no-jornalismo-um-objeto-selvagem/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

