Redação sem Máscara

O FIO DO VERBO NO TWITTER

abr 6th, 2010 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Nei Duclós O que tenho feito além de postar sobre cinema ? Tenho afiado o verbo no Twitter, onde as frases não podem ultrapassar 140 toques. Escrevo sobre tudo, dialogando com muitos seguidores, das mais variadas profissões, principalmente jornalistas, poetas, assessores de imprensa, gente do Brasil e de outros países. Uma viagem e tanto. A […]



QUEM SABE, ENSINA

fev 10th, 2010 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Nei Duclós É chato falar dessas coisas, pois já tem muito assunto mala exigindo nossa atenção. Mas pensar sobre nossa profissão deve fazer parte da atividade, sob pena de deixarmos um vazio que logo é preenchido pelos oportunistas, que acabam ganhando os tubos para pontificar obviedades. Quem faz, sabe, e deve dizer. E quem sabe […]



O JORNALISMO COMO ESCOLA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Se você assumir todas as tarefas do jornalismo, da pauta ao fechamento, da reportagem à edição, da coluna à primeira página, do caderno cultural ao noticiário político, da nota ao caderno especial, você está apto a colocar todo esse conhecimento não apenas nos redutos da notícia, mas em todo o espectro da comunicação. Não há melhor aprendizado, por ser completo, árduo e complicado.



O LEITOR NEM IMAGINA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

É costume abrir reportagens ou artigos apostando na ignorância de quem lê ou na sua incapacidade de imaginar qualquer coisa. Isso também se estende aos personagens da matéria. O jornalista que comete essa gafe “não imagina” que informação não pode servir de demonstração de força, nem que a articulação do pensamento não pode ser vista como uma exclusividade de quem escreve, ou que o leitor não merece ser tratado como um indigente mental.



O ILUMINISTA QUÂNTICO

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Livros, Redação sem Máscara

Mino Carta quer um capitalismo esclarecido para o Brasil, uma elite brilhante e responsável, um povo incluído na economia, na política e na cultura. Mino mesmo é um exemplo de auto-superação. Conseguiu dar a volta por cima com a revista Senhor e, quando ela foi anexada à IstoÉ e depois sumiu como por encanto, teve ainda que passar um tempo sem seu veículo próprio. Voltou com Carta Capital quinzenal, como aconteceu no início da Senhor, e como esta, passou para semanal num salto quântico que também marcou época.



O JORNALISMO DUBLADO

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

A fala que deveria imperar na mídia é a do jornalista. Ele é quem precisa tecer o texto, soma e síntese de linguagens alheias, que passam pela seleção dos critérios e fundamentos do ofício. Quando isso não ocorre, outros poderes se intrometem e decidem a hierarquia das falas. O caminho mais curto para esse equívoco é engessar a redação numa camisa de força, quando impede-se a publicação de estilos, mata-se a vocação autoral em nome de regras que estão a serviço do enterro do jornalismo. (Texto publicado originalmente no Diário da Fonte em 30/abril/2004)



OS ESCRITORES QUE A DITADURA PRODUZ

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Política, Redação sem Máscara

Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, ou da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade.Nei Duclós

Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, ou da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade. Esse pesadelo é justificado pela crítica comprometida com o círculo vicioso da linguagem artificial, que se alimenta também do artificialismo acadêmico, que reproduz indefinidamente as mesmas teorias pretensamente radicais e que no fundo não passam de álibis para manter os escritores de verdade no ostracismo.

SOBERANIA – O que são escritores de verdade? Os que não se deixam levar pelos modismos e escrevem com o espírito livre. Os mais radicais inovadores da linguagem, os que não fazem parte dessa curriola que se retroalimenta sem parar, compartilham desse ostracismo. Por que não incensam Campos de Carvalho, o genial autor de A Lua vem da Ásia? E J.J. Veiga, de A Hora dos Ruminantes? E Renato Pompeu, de Quatro Olhos? E J.A. Pio de Almeida, da obra-prima As Brasinas? Porque isso não dá dinheiro. O que dá dinheiro é cortejar a falta de escrúpulos dos pseudo-escritores, que fizeram do joguinho de palavras um saco aparentemente sem fundos. Mas o problema é que as invencionices lingüísticas têm um limite e eles não se tocam. Ficam ainda experimentando sem parar. A pseudo-vanguarda hoje vitoriosa em todas as mídias nada tem a ver com a intensificação e o aprofundamento experimental e teórico que gerou, na música, a bossa nova, e na literatura a poesia praxis e o concretismo. Mas o que foi intenso e realmente transformador serve de insumo dessas vanguardinhas de araque que tomam conta dos cadernos culturais e, forças!, ainda se dão o luxo de se acharem marginalizados e perseguidos. É tudo mentira, claro. A falsidade é tamanha que, além de tomar conta da cultura oficial (a bem remunerada pelo dinheiro público) ainda conservam as paranóias das perseguições de gerações anteriores. Luto aqui pela democratização cultural. Hoje não há interesse em encarar a diversidade cultural brasileira, o país que teve sua nacionalidade transformada em pó e que acredita em Patrimônio da Humanidade (eles é que são a humanidade, dá para entender?) e entrega o seu subsolo amazônico a grandes corporações. Levaram o ouro e os minérios e depois as estatais. Agora é o território mesmo. Soberania para quê?

LUTA – A falsa literatura (que sobra em exemplos por toda parte) é essa que te tira tempo e em nada te retribui. Que te deixa vazio, irritado. E que não passa de um conjunto de poesias pífias e romancezinhos de araque, tudo fruto do desespero individualista que tomou conta da ex-nação, hoje um amontoado de indivíduos. Esse ambiente não aborda mais os princípios éticos, tornados vilões ou meras excrescências obsoletas; não cuidam da família, extinta em favor da celebração do Mesmo e sua tempestade lúdica desconectada do destino, da eternidade ou da alegria. É um ambiente sinistro e soturno, o dessas palavras que invadem todos os espaços, deixando de lado os valores que não possuem incentivo para proliferar. Quantas gavetas amarelam e vão para o lixo, quantos escritores assassinam a própria vocação, desencantados com tanto horror, com tantas luzes e holofotes sobre nulidades tornadas célebres. Vai ler esse cara tão incensado, vai ver o que ele escreveu! É o reino da baixaria, das palavras sem poder, de âncoras que pegam teu pescoço de leitor e te jogam para o fundo. E quanto mais escatológicos, mais fôfos nos seus olhares apertados, a sugerir reflexão, suas carinhas de anjo, a sugerir juventude, a sua falta de escrúpulos, a sugerir inovação. Cada um no seu espaço, funcionam como vasos comunicantes da linguagem que serve à ditadura civil, formada pelo arrocho financeiro, a exclusão social e o voto de cartas marcadas. Esses pseudo- escritores não serão apeados do poder que hoje usufruem (rumo à Academia de Letras) a não ser pela luta política. É preciso acabar com o insumo financeiro que os sustenta, para que caiam como um castelo de cartas.

SAÍDA – O que vale é o resgate clássico do acervo cultural da nação e o trabalho transformador a partir dessa herança. A língua levou séculos para se consolidar. Possui todas as chaves e não vai ser demitida assim por qualquer merrequinha cerebral e suas tiradas metidas a besta. Respeite os oito baixos do teu pai.



EXCLUSÃO SEM CHORO NEM VELA

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Meu dignóstico: a fonte da exclusão são os interesses de grupos, encastelados na cultura, que é um fator de ascensão social, como lembrava diariamente o Plínio Marcos na Folha da época do Tarso; a exclusão se manifesta pela ocupação de vastos latifúndios na mídia, deixando de lado a diversidade do talento, que assim fica sufocado e não chega ao público; a exclusão cultural na mídia é uma representação de uma exclusão maior, provocado pela ditadura financeira, focada na superconcentração de renda; a situação está no limite, pois a Internet está fazendo água nesse cerco.(Texto publicado originalmente no Comunique-se, na seção Em Pauta, em 16/02/06)



NOVA GRAMÁTICA

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

O pesadelo da linguagem continua firme. Normalmente é disseminado pelo som da voz de taquara rachada, em ambientes fechados e irreversíveis, como elevador ou ônibus. Ou em situações constrangedoras, como reencontros forçados. Ou em spams ou na midia. Não é possível escapar, por isso merece vingança.



A ARTE DE SER APROVADO

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Ser aprovado é agir estrategicamente. Não basta escrever “bem”. Não basta “gostar” de escrever (essas duas coisas brandidas como definitivas para a escolha da profissão). Precisa ser uma espécie de dramaturgo, incorporar linguagens alheias, acertar nos detalhes, encarar cada frase como se fosse a mais importante de todas. Não passe ao largo de uma oração, mesmo de uma palavra. Cada letra conta. Não se concentre no que você tem a dizer, mas no que você está escrevendo de fato.