Redação sem Máscara

NOVO CHAT COM ALUNOS DE JORNALISMO DA UFSC

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Graças ao jornalista e professor Fábio Mayer, com quem tive o privilégio de trabalhar por três anos na revista Empreendedor, aqui de Florianópolis, todo semestre tenho o prazer de conversar via chat com seus alunos de jornalismo da UFSC. O bom é que o exercício está me dando cancha, como se diz em Uruguaiana,e cada chat fica melhor, principalmente porque fico mais atento ao que me perguntam e estou mais preparado para responder (o hábito ensina). É uma conversa de mais de uma hora, que está integralmente reproduzida aqui. Fica como registro do evento e documento para quem se interessar pelo assunto.



“A REDAÇÃO ERA O MEU DESTINO”

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Memórias, Redação sem Máscara

A morte de José Onofre nos leva para sempre do convívio o talento, a experiência, o testemunho e a grandeza de um jornalista que percorreu as redações com sua cultura incomparável, capaz de nos assombrar em alguns minutos de conversa. Leva para sempre o humor que é fruto desse preparo, dessa formação, que é a marca registrada do Brasil soberano pré-1964. José Onofre tinha lido tudo e visto todos os filmes importantes. Ficar próximo dele era um privilégio.



O MERGULHO DO VÔO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Num acidente, tragédia, catástrofe, a primeira vítima é a linguagem. Vamos pegar uma nota da Folha de S. Paulo que tem como titulo “Governo francês minimiza mas não descarta possibilidade de atentado contra Airbus”. Você alguma vez minimizou sem descartar? A série de verbos usados diz tudo sobre a capacidade claudicante de dar uma notícia simples, direta, limpa. Além do já clássico “minimiza mas não descarta” temos aos potes “considerou, não se pode dizer, se deva, insistiu, não se pode excluir, precisou, corrobore, não seja possível, comentou, destacou, antes de acrescentar, reiterou, assegurou”.



O SOM DO TECLADO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

É preciso dizer essas coisas, pois irão se perder e ninguém vai mais atinar como tudo funcionava. Os teclados faziam o som das profissões em plena atividade. Os locais de trabalho era os escritórios, lugares onde se escrevia. Trabalhar, durante toda minha vida, sempre foi escrever. Se você está escrevendo no escritório, está trabalhando. Havia pose nos veteranos, que teclavam com a espinha reta, quase olhando para o infinito. Era um jeito cool de se mostrar, exclusivo para quem era observado, estrelas do ofício.



DIPLOMA DE JORNALISTA SERÁ VALORIZADO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Há uma explosão indignada contra o STF, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Gente dizendo que vai pedir indenização, que se sente ludibriada, acusando os ministros togados de irresponsabilidade, que vai jogar o diploma no fundo do armário, doar para museu etc. São reações naturais, mas é uma pena que a fúria substitua a razão. Acho que vai acontecer exatamente o contrário: o diploma será enfim valorizado. Vou dizer porquê.



PORQUE MORREM OS JORNAIS

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Jornal é uma criatura. Nasce, vive e pode morrer. Não é a galinha dos ovos de ouro. Vejam o que aconteceu com a grande cadeia dos Diários Associados. Era poderosa e parecia eterna. Bastou morrer o fundador, Assis Chateaubriand, para que os herdeiros, um grupo de mais de 20 funcionários que viraram donos, jogassem tudo por água abaixo. Cada novo proprietário era um Assis em miniatura. Ou melhor, a miniatura da imagem que faziam de Chateau, que era considerado porra louco metido a besta, mas era um empreendedor ousado e competente, tanto é que conseguiu montar um império. Imitar os defeitos e não as qualidades do fundador é a receita mortal para o fracasso.



COMUNICAÇÃO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Jornalismo era considerado um gênero literário. O que fazia parte do entorno do jornalismo – notícias, reclames, editais, avisos etc. – acabou em primeiro plano, deixando de lado a cobertura policial com suspense, o drama das grandes tragédias, as aventuras dos insubmissos, as memórias dos combatentes e a polêmica dos esgrimistas do verbo. O que era um nicho da literatura virou ciência humana e até mudou de nome: foi batizado de “comunicação”.



O QUE É UM INTELECTUAL?

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Redação sem Máscara

Intelectual é quem produz pensamento. O intelectual orgânico, para aproveitar uma definição de Gramsci, é quem coloca a produção do pensamento a favor de um projeto de poder. Digo com minhas palavras, pois a verdadeira citação é de memória, para evitar que qualquer texto se transforme num amontoado de tijolinhos conceituais devassados pelo uso e sem nenhum sinal de elaboração, nem mesmo a reprodução de uma idéia com palavras próprias.



O QUE É JORNALISMO LITERÁRIO?

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Jornalismo literário é a abordagem pessoal de um acervo coletivo. Por ser coletivo o acervo, essa abordagem pessoal tem um compromisso. Tudo o que aparece num enfoque tradicional da notícia está contido num texto de jornalismo literário. Portanto, jornalismo literário não é superficialidade, literatice, romantismo ou alienação. Trata-se da confecção de uma notícia com alta voltagem de criação de linguagem, como acontece na literatura. Não é, como se costuma dizer, “poesia”. É jornalismo para seduzir o leitor, informando-o sem aborrecê-lo e atraindo-o para a essência dos fatos. E qual é a essência dos fatos? É a versão compatível com a lógica, pautada pela ética, que contribui para o conhecimento de quem lê. Não se trata, portanto, de perda de tempo.



PECADOS MORTAIS DO JORNALISMO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Apesar dos bons serviços prestados pela imprensa, às vezes fica impossível aturar o que alguns apresentadores e repórteres dizem ou escrevem. O pior é que os lugares comuns não dão sinais de desistência e fica cada vez mais explícito que eles jamais mudarão os jargões, pois estão certo de que é assim desde que “o mundo é mundo”.