Redação sem Máscara

AS PIORES EXPRESSÕES DA LÍNGUA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Marmanjos horrendos com cara de furúnculo são tratados como donzelas pela imprensa, pois a toda hora entram em“saia justa”. Como se aqueles ternos de alpaca, as gravatonas sedosas, os cabelos lambidos, os gestos estudados, o rosto bexigoso lembrasse alguma coisa do gênero que usa saia. As crises são campanhas de marketing que tem por objetivo veicularem notícias sobre sua“superação”. Na crise estamos há muito tempo, mas quando ela é anunciada, é sinal que vão nos tungar mais.



TATIBITATI MATA IMPRENSA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Título, olho, linha fina, intertítulo, legenda, chamada de capa, lead: todos os recursos de uma notícia sobre o mesmo assunto não podem repetir exaustivamente as mesmas palavras e dados. Estes precisam ser apurados com competência e distribuídos criativamente para que o leitor tenha acesso imediato a algo mais do que disse a manchete.



RÉQUIEM PARA O JORNALISMO IMPRESSO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Prefiro ver State of play por aquilo que seu diretor Kevin McDonald definiu no making of: um réquiem para o jornalismo impresso, representada pela sequência final, quando máquinas pesadas de uma realidade analógica imprimem enfim a edição definitiva que traz toda a trama decifrada. A história gira em torno da privatização da segurança dentro dos Estados Unidos, denunciando o que já temos entre nós: um exército privado movimentando muito dinheiro. Uma corporação desse ramo está sob investigação e começa a ocorrer uma série de assassinatos aparentemente sem relação um com o outro.



O SOPRO IMORTAL

maio 31st, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

O texto é uma criatura que precisa ter fôlego para sobreviver ao criador. O barro das palavras não é suficiente. É preciso soprar nele uma alma imortal. Feito o verbo do Criador, que a partir do mundo concreto, as consoantes, animou pelas vogais o próprio desdobramento, à sua imagem e semelhança. A divindade entrou no perigoso jogo da invenção porque gostou do que tinha feito.



A IMPOSIÇÃO ARTIFICIAL DOS VERBOS

maio 31st, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Costumo enfrentar oposição quando elimino o vício, muito comum hoje nas redações, de se usar quinhentas variações para substituir o verbo dizer. Soube por importante jornalista amigo meu que ele tem aturado renitente defesa por parte dos adeptos dessa bobagem, que afasta leitores e torna intragável qualquer texto.



A PALAVRA BATE UM BOLÃO

maio 31st, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

O futebol tem tudo para dar errado. Colocam 22 marmanjos num espaço limitado para trabalhar uma esfera que escapa dos pés. O objetivo é acertar o núcleo do reduto adversário, mais limitado ainda. Só se deve usar as mãos em casos excepcionais. É lógico que esse jogo tende a ser irregular pela própria concepção e natureza. Só existe algum equilíbrio se houver sintonia total entre os jogadores de cada time, alguns craques que sabem o que fazem em campo, o espírito de luta que não deve diminuir em nenhum segundo, a competência dos técnicos. Ainda deve-se levar em consideração o que rola fora desse esquema, como o gramado, o estádio, as torcidas, os dirigentes, os árbitros. O que resta para o jornalismo, diante desse monstro rebelde? Apenas a palavra usada com maestria e precisão. A paixão, no caso, deve ser pela linguagem, e não pelas camisetas.



O MONSTRO SEM REDAÇÃO

maio 29th, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

O dito jornalista bem informado é o monstro sem redação. Ele é bem informado porque compartilha da mesa do poder, ou seja, divulga um dia antes o que todos deverão divulgar no dia seguinte. E não fica na redação porque redação, por dedução, é para jornalistas mal informados. É monstro porque não tem as costas curvadas de tanto batucar nas pretinhas. Apresenta-se sempre elegante, ereto, com o rosto de retrato em ante-sala de entidade empresarial. Possui um sorriso inteligente e um sobrolho (confirmado por rugas significativas na testa) de extrema perspicácia. Confunde lugar comum com estilo, por isso acha que sabe o que interessa e pensa ser uma das pessoas que contam.



O GATILHO DO TEXTO

maio 27th, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Acumular histórias, informações, falas, não faz de ninguém um escritor. O que faz de nós um escritor é o gatilho do texto, a faísca que bota fogo na montanha de coisas que juntamos, o grude que garante a massa, quando tudo finalmente faz sentido.



O ESQUELETO IMANTADO

maio 23rd, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

Texto, para ficar em pé, precisa de espinha dorsal com poder de atrair naturalmente todas as informações. O núcleo dessa criatura difícil de domar deve possuir força suficiente para encaixar as peças sem susto e assim justificar a atenção do leitor, levando-o pela mão, sem tropeços, da primeira à última linha. Texto é música e o esqueleto imantado é a sua partitura.



VÁ DIRETO AO PONTO

maio 15th, 2005 | Por | Categoria: Redação sem Máscara

O ponto a que se refere o título não é a essência, a substância, o sujeito do teu texto (isso é outra coisa), mas o ponto final da primeira frase. Para ir direto a esse alvo, é preciso que você construa a mais forte, contundente, clara, inesquecível primeira frase da sua vida. Todo o resto do texto é desdobramento desse achado.