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	<title>Nei Duclós &#187; História Militar</title>
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		<title>O PAPEL DA POLÍCIA POLÍTICA NO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DA UNIDADE DAS FORÇAS ARMADAS (1930-1945)</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 18:11:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalhos Acadêmicos]]></category>

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		<description><![CDATA[A divisão das Forças Armadas foi a herança mais preocupante da República Velha e o maior desafio para o novo Governo Provisório encabeçado por Getúlio Vargas. A busca de coesão interna dentro dos quartéis foi um processo que se arrastou pela década de 30 e só se consolidou com a implantação do Estado Novo - que no fundo é o produto dessa vitória. Ao mesmo tempo, ele se desenvolveu concomitantemente à idealização de uma nova nacionalidade, de cunho autoritário, baseada nos princípios da disciplina, obediência, organização, respeito à ordem e às instituições. (Um mergulho nos arquivos do Deops paulista).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Um mergulho nos arquivos do Deops paulista, apresentado como trabalho de graduação na faculdade de História da USP. Uma sugestão de projeto de pesquisa.</p>
<p>I -Introdução</p>
<p>A divisão das Forças Armadas foi a herança mais preocupante da República Velha e o maior desafio para o novo Governo Provisório encabeçado por Getúlio Vargas. A busca de coesão interna dentro dos quartéis foi um processo que se arrastou pela década de 30 e só se consolidou com a implantação do Estado Novo &#8211; que no fundo é o produto dessa vitória. Ao mesmo tempo, ele se desenvolveu concomitantemente à idealização de uma nova nacionalidade, de cunho autoritário, baseada nos princípios da disciplina, obediência, organização, respeito à ordem e às instituições.<br />
O Exército liderou esse trabalho, partindo da extrema fragmentação interna para a unificação do espírito corporativo. Era preciso dar o exemplo à Nação, que deveria despertar para grandes responsabilidades. Como disse o general Góes Monteiro em seu depoimento para Lourival Coutinho: “Nos primeiros meses do novo governo havia, praticamente, como que uma espécie de Exército duplo: o que obedecia diretamente às ordens GQG revolucionário e o que obedecia ao Ministério da Guerra”. Assumir o comando no Ministério da Guerra e neutralizar a ação dos oficiais e soldados revolucionários foi um árduo exercício de poder, que precisou de todos os recursos para se consolidar.<br />
Um deles, naturalmente, foi o papel desempenhado pela polícia política na ação repressiva à multiplicidade ideológica dentro dos quartéis, onde legalismo, comunismo, integralismo e tenentismo mediam forças para controlar a tropa. O Arquivo do Departamento de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo nos fornece um valioso acervo para detectarmos esse aspecto importante do processo de implantação da unidade das Forças Armadas. Nos poucos prontuários consultados para a elaboração deste anteprojeto, um vasto universo oculto revelou-se intensamente, apontando vetores fundamentais para entendermos essa fase riquíssima da história brasileira.<br />
A divisão interna nos quartéis tornou-se tema tabu, especialmente depois do regime militar de 64, de cuja esfera de influência ainda não nos libertamos. Levantar esse assunto, detectando as variadas nuances que ele assumiu com a ajuda da minuciosa documentação do Deops paulista &#8211; e de outros acervos, como o Arquivo do General Góes Monteiro, a vasta memorialística militar, além da extensa bibliografia sobre o período &#8211; nos ajudaria a entender uma instituição que ainda não esgotou totalmente seu potencial intervencionista (como demonstram os projetos da Calha Norte, os enfrentamentos com os sem-terra, a resistência em abolir o serviço militar obrigatório, além do fascínio que a farda exerce no imaginário popular).<br />
O que me levou a escolher esse tema são perguntas antigas, relacionadas com a defasagem entre o pouco que se sabe sobre as Forças Armadas e o enorme espaço que elas ocupam na História do Brasil. Essas perguntam vem de longe, do Brasil profundo ao qual pertenço. Nasci nos anos 40 no extremo oeste do Rio Grande do Sul e fui criado escutando histórias de dois ex-combatentes da Brigada Militar gaúcha: meu pai, que lutou em 1930 e 1932, e meu tio, que participou da guerra &#8211; essa era a palavra usada &#8211; desde 1924 até 1932.<br />
Quando comecei a ler os primeiros livros sobre o tema, em 1980, meu tio já estava velho e doente. Eu não sabia, na época, fazer as perguntas certas. Como sempre, limitava-me a ouvir. Pouco antes de morrer, revelando a imagem que tinha de si mesmo na longa luta de sua vida, ele costumava murmurar:<br />
- Caiu a montanha.<br />
A montanha era ele. Para conhecer melhor essa parcela da humanidade que nos legou a vida e entender este país que “não é para amadores” &#8211; como dizia Tom Jobim &#8211; é que comecei a estudar os militares. Este projeto será um passo importante nesta caminhada.</p>
<p>II -Objetivos: revelações da guerra surda.</p>
<p>Neste trabalho, pretendo provar que a repressão política dentro dos quartéis foi fundamental para consolidar a implantação da unidade das Forças Armadas. Ou seja, não desempenhou um papel marginal nesse processo, mas ocupou uma importância decisiva para erradicar os dissidentes da tropa, torná-la imune às influências externas, compor um espírito corporativo com unidade granítica e preparar os militares para grandes tarefas nacionais &#8211; o que se revelou em 1937, com o Estado Novo; durante a II Guerra, com a campanha da Força Expedicionária Brasileira; em 1945, com o golpe que depôs Getúlio; com o governo Dutra; e com as tentativas, desde os anos 50 (1955, 1961 e, finalmente, 1964) de tomar o poder dos civis.<br />
A divisão das Forças Armadas tinha sido um fator decisivo para a vitória da Revolução de 30. Se elas estivessem coesas, o movimento revoltoso nem sequer teria sido desencadeado. Haviam três focos principais dessa divisão no momento em que Getúlio Vargas assumiu o governo provisório. O primeiro é representado pelos tenentes que na década de 20 levantaram-se em armas contra o governo federal e por isso foram presos, expulsos da corporação, exilados. As figuras principais dessa vertente são Juarez Távora &#8211; que assumiu o poder no Norte e Nordeste &#8211; João Alberto Lins e Barros, que assumiu o governo de São Paulo; e Luís Carlos Prestes, que antes de outubro de 1930 tinha sido posto de lado como comandante das forças revolucionárias.<br />
A figura mítica, depois de Prestes, era Siqueira Campos &#8211; que morreu meses antes da revolução, num acidente aéreo sobre o Mar del Plata.<br />
O outro foco é o dos chamados “jovens turcos”, elite militar cevada pelas reformas de Hermes da Fonseca e que, numa viagem à Europa, tinham se deslumbrado com a organização do exército alemão. Bertoldo Klinger e Góes Monteiro fazem parte dessa vertente, pois mantinham-se fiéis ao governo, mas assumiam uma postura crítica, expressa no jornal Letras em Marcha. Esse foco foi que assumiu o comando das Forças Armadas pegando carona no carisma dos tenentes revolucionários da década de 20 e acabou consolidando a unidade militar. E o terceiro foco era dos militares legalistas que acabaram dando o golpe de 24 de outubro que depôs Washington Luís. Um dos seus representantes era o general Andrade Neves, que assumiu a Casa Militar do governo Provisório.<br />
Os anos 30 foram o embate entre as facções resultantes dessa divisão. Os militares dissidentes custaram a entender que a situação era diferente em relação aos anos 20, quando os dois 5 de julho e a Coluna Prestes formataram uma imagem carismática de heróis militares jovens, idealistas e determinados. Para eliminar a ruptura nas Forças Armadas, Góes Monteiro teve que enfrentar a agitação tenentista, comunista e integralista, e, especialmente, a revolução constitucionalista, a Intentona e o putsch de Plínio Salgado.<br />
A Intentona foi um marco desse processo, pois definiu a importância de um Exército coeso, forte, unificado, sem as dissidências que o atormentavam e ameaçavam o governo. O golpe militar de 1937 definiu a vitória para a facção de Góes Monteiro. As Forças Armadas unidas dariam mais tarde o golpe de 29 de outubro de 1945 e o de 31 de março de 1964. Dois episódios que lembravam a velha ruptura &#8211; 1955, com o Marechal Lott e 1961, com o General Machado, no Rio Grande do Sul &#8211; foram acidentes de percurso. A unidade estava consolidada e só a insatisfação da caserna pós 1985 &#8211; aprofundada nos anos 90 &#8211; poderá lembrar vagamente o clima latente antes da irrupção do primeiro 5 de julho, em 1922.<br />
O fracasso da Intentona revela que a repressão política na primeira metade dos anos 30 foi eficiente, já que o movimento comunista esvaziou&#8211;se e não levantou os quartéis, como esperava Prestes. As perguntas que devemos fazer para desenvolver esta tese devem ser as seguintes:<br />
- como era tratada, nos arquivos do Deops, a infiltração comunista nos quartéis?<br />
- quem eram e o que faziam as pessoas que foram detidas ou presas fazendo agitação a favor da dissidência das Forças Armadas?<br />
- quais eram as tendências da ação desestabilizadora? Onde elas se manifestavam? Quais organizações estavam por trás delas?<br />
- Que importância dava o governo para essa agitação?<br />
Nesse levantamento, vamos detectar o perfil do militar dissidente, a literatura da agitação ideológica, a lista completa dos prontuários que se referem ao tema e servem para desvendá-lo, os motivos aparentes e reais para a repressão, o grau de envolvimento dos militares nas dissidências propostas pela agitação. Vamos levantar os elementos de ligação entre Forças Armadas e a polícia política, verificando o grau de subordinação hierárquica e os problemas resultantes. Pelos prontuários consultados, podemos dizer com segurança que podemos levantar a pregação do Partido Comunista Brasileira nas Forças Armadas, os motivos do fracasso dos dissidentes e do sucesso do governo.<br />
A partir desse levantamento, poderemos escrever sobre as repercussões políticas desse processo &#8211; como a militarização progressiva da polícia, por exemplo, o que aconteceu integralmente com o regime de 64, as relações da repressão política e o tenentismo e o ambiente macropolítico que originou esse processo &#8211; tratado, naturalmente, com a especificidade necessária para atingir nossos objetivos de levantar o véu dos porões da repressão política dos militares. Precisamos escutar os estampidos dessa guerra surda, pouco conhecida e que ainda ecoam no inconsciente e na vida da nação.</p>
<p>III. Balizamento: da fragmentação à unidade</p>
<p>O período escolhido é 1930-1945. Da fragmentação à unidade, as Forças Armadas cruzaram um período extremamente agitado, onde facções em conflito brigavam pelo poder dentro e fora dos quartéis. Essa refrega interna foi decisiva para a implantação definitiva do estado autoritário, a partir de 1937. Mas precisamos detectar as raízes desse conflito e, para efeitos da nossa pesquisa, elas se situam no salvacionismo militar, que é uma idéia explícita no imaginário nacional e se manifestou decisivamente em várias oportunidades como em 1922 ( os 18 do Forte), 1924 ( revolução de Isidoro Dias Lopes em São Paulo e a sublevação dos quartéis no Sul), e a Coluna Miguel Costa-Luís Carlos Prestes.<br />
O salvacionismo está intimamente ligado à idéia de identidade nacional, à fragilidade do País diante da ameaça estrangeira, a necessidade de união em torno da Força e do Ideal para enfrentar os inimigos internos e externos. No século passado, os militares escolheram o positivismo como antídoto ao bacharelismo, à retórica, à herança ibérica do ócio e da contemplação (conforme detectado por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil). Decidiram-se pelo heroísmo suicida &#8211; 1922 &#8211; depois que esse mesmo bacharelismo &#8220;usurpou&#8221; o poder tão arduamente consolidado por Floriano Peixoto na grande guerra civil entre 1893-1895.<br />
O grande desafio do tenentismo foi criar uma mitologia própria, tão forte quanto a mitologia dos militares legalistas, fundada no mito de Caxias, na Proclamação da República e na ação do Marechal de Ferro. A mitologia tenentista explodiu no imaginário do País em 1922, quando a bandeira brasileira foi repartida como pão entre os heróis que saíram de peito aberto para enfrentar as forças legalistas. Esse rito de passagem desabrochou numa mitologia completa a partir da Revolução de 1924 e a conseqüente Coluna Miguel Costa-Prestes. O segundo 5 de julho é uma data fundamental do tenentismo, pois nessa data houve uma estratégia mais bem elaborada em relação ao primeiro 5 de julho e teve desdobramentos muito mais amplos.<br />
É a partir desse mitologia que um advogado e político &#8211; Getúlio Vargas &#8211; toma o poder em 1930 vestindo farda. Getúlio não podia fazer uma revolução vestindo a roupa dos bacharéis, mas encarnando a mitologia tenentista. Incapaz de tomar o poder pelo voto &#8211; a lei da Velha República &#8211; ele tomou o poder à força, vestindo a roupa deixada sob encomenda por Prestes &#8211; que, como escrevemos acima, foi afastado do comando militar da revolução &#8211; e Siqueira Campos &#8211; que tinha morrido um pouco antes. Vargas assume o poder com duas armas &#8211; a roupagem militar dissidente e a eloqüência do discurso em praça pública substituindo a retórica de gabinete. O delírio popular que as imagens sobre 1930 revelam a força do salvacionismo tenentista e o jogo político de Vargas, que transforma-se no demiurgo dessa mitologia.<br />
O tenentismo é a encarnação radical da idéia de salvação da pátria, pois implica agredir o país para defendê-lo. Isso faz com que o heroísmo, mesmo ostentando a pureza moral das intenções, adquira na prática uma sobrecarga de vilania. Essa contradição alimenta a repressão e devolve a violência revolucionária aos seus próprios autores, levando-os ao fracasso, através da aliança entre impulsividade e despreparo técnico. O resultado é o suicídio (1922), a fuga (1924), a renúncia (1930) ou a ilusão (1935).<br />
O salvacionismo militar gira em torno do tenentismo, mas não é através dele que se consolida. Ao contrário, o salvacionismo utiliza o tenentismo, nutre-se da força poderosa do mito, para negá-lo e assumir o poder em seu lugar. É exatamente aí que reside o núcleo da nossa pesquisa. Nos prontuários consultados, verificamos que os agitadores nos quartéis baseavam-se na precedência tenentista para tentar convencer a tropa. Mas cometeram um erro básico. Enquanto o tenentismo agia essencialmente sobre os oficiais &#8211; isso, de quebra, influenciava a tropa &#8211; a agitação do PCB dos quartéis nos anos 30 tentava fazer uma paródia da Agitprop leninista especialmente com o soldados &#8211; que vinham das classes trabalhadoras e portanto, “revolucionárias”.<br />
Essa tática mostrou-se inoperante, já que as Forças Armadas fundam-se na hierarquia, na camaradagem e na confiança mútua. O agitador dos quartéis não pode tentar convencer pessoas isoladamente, mas grupos coesos que existem dentro da fragmentação interna. O problema é que a Revolução de 30 deu vez a um tipo de oficial que se fortaleceu à sombra do tenentismo. Como nota João Quartim de Moraes em “A Esquerda Militar no Brasil”: “À época em que os tenentes despendiam suas energias em rocambolescas rebeliões sem futuro e numa longa caminhada pelo interior do país, um novo tipo de oficial se formava nas escolas da Missão Francesa. Tratava-se de um tipo de militar que não ganhou as manchetes dos jornais nem inspirou a criação de mitos.”<br />
Esse militar assumiu o comando de um Exército fragmentado, apanhou durante anos até conseguir consolidar a coesão interna e nesse processo descobriu que para manter as Forças Armadas unidas era preciso compor um Estado Nacional adequado, igualmente forte e indissolúvel.</p>
<p>IV &#8211; Fontes: na pista do anti-mil.</p>
<p>Os prontuários do Deops são excelente material de pesquisa. Vamos pegar alguns exemplos. O de número 270, por exemplo, que faz o fichamento das atividades do ex-aluno-oficial da Força Pública Aurélio Gomes, baiano nascido em 1912, indiciado em 1937 e preso em 1938. A partir dessa pasta, chegamos a uma outra, bem mais rica, a de Waldemar Schulz, de número 4635, um elemento dissidente chave, pois trabalhava a soldo do PCB, tinha servido no Exército e na Força Pública &#8211; como músico! &#8211; e estava encarregadode formar uma célula dentro de um quartel da Força Pública em São Paulo e tomá-lo à força no dia do golpe planejado.<br />
Com esses dois prontuários, fica clara a atividade do Anti-Mil, a Seção de Agitação e Propaganda das Classes Armadas do PCB encarregada de desestabilizar as Forças Armadas “burguesas”, conforme a literatura apreendida pela polícia. O personagem central do Anti-Mil é João Raimondi, civil do PCB e que contratou Aurélio Gomes e Waldemar Schulz para a agitação. Segundo a polícia, Raimondi fazia agitação nos quartéis desde 1932, tinha fundado o jornal “A Sentinela Vermelha” e era encarregado do trabalho militar do partido, dentro e fora do Exército.<br />
Nos boletins apreendidos na casa onde morava, a intenção do PCB era clara: ação de desorganização do Exército relacionada com a ação política diária, com lançamentos de palavras de ordem. “O Soldado”, diz um dos boletins, “deve conhecer a palavra de ordem e os objetivos do PCB e adotá-los.“ A idéia era combinar trabalhos secretos dentro do Exército com ação revolucionária de massa, pela conquista do próprio Exército. O objetivo era a decomposição absoluta do exército “imperialista” e a passagem de soldados para o lado do proletariado.<br />
Ao mesmo tempo, era preciso “desmascarar os métodos empregados pela militarização imperialista em benefício da burguesia”. A palavra de ordem era o armamento do proletariado. Era preciso fortalecer o soldado de origem proletária ou camponesa. Uma observação manuscrita de João Raimondi, apreendida pela polícia, notava que o movimento militar de novembro de 1935 só funcionou nas unidades que tinham o plano de levante elaborados, estudados e descritos minuciosamente. O trabalho não se limitava ao Exército, mas também à Marinha, à Guarda Civil, à Força Pública e às associações militares.<br />
O objetivo do PCB era formar quadros para a futura Guarda Vermelha. Raimondi chegou a fazer, segundo a polícia, levantamento nos quartéis e seu movimento. O elemento de ligação entre Raimondi e a Força Pública era Waldemar Schulz. Muitos nomes foram levantados nestes prontuários, como por exemplo Davino Francisco dos Santos, Antônio Mendonça, José Aparecido da Fonseca, Fraterno Borba de Araújo, Hermógenes de Oliveira, José de Castro Corrêa, Carlos Rocha, Carlos do Nascimento Rosa, Osvaldo Ribeiro da Silva, Waldemar da Silva Braga, todos condenados em 1938 junto com Aurélio Gomes e João Raimondi e portanto ligados à agitação dentro dos quartéis.<br />
Os civis eram: Raimondi, Starsys Macilevicius, José Constatino Costa, Gumercindo Ferreira Martins. Os militares eram: cabos Maurício Manoel Mendes, Antônio Donoso Vidal, Fraterno Borba de Araújo; tenentes Waldemar da Silva Braga, Davino, Matheus Feliz de Moura; alunos oficiais José Aparecido da Fonseca, Paulo Sannevend; sargentos Antonio Mendonça, Gregorio Norberto de Oliveira, Armando Ferreira de Paula, José de Castro Corrêa, Carlos Rocha, Júlio Geraldo de Mendonça; soldados Celso Nascimento, Antônio Ferreira e Orildo Ribeiro da Silva.<br />
Os militares que deram apoio ao movimento estavam encarregados da divulgação e preparo dos boletins e panfletos, além da propaganda verbal nas reuniões. Cada unidade militar possuía células organizados que aguardavam a palavra de ordem. Diz a polícia: “Tão bem organizada estava a célula comunista da Força Pública e tão intensa era a propaganda desenvolvida nessa milícia que, se não fora a eficiente e oportuna ação policial, dentre em breve teríamos que presenciar novo levante armado, semelhantes aqueles que felizmente foram prontamente sufocados em 1935 na capital e no nordeste do País.” A pesquisa precisa detectar se o movimento abortou pela ação policial ou pela ineficiência interna. O discurso da polícia, naturalmente, se auto-elogia.<br />
O processo dos indiciados, segundo descrição contida no prontuário 270, possui provas documentais e autos de busca e apreensão, termos de declarações das qualificações, provas testemunhal e pericial dactiloscópica.<br />
Para apoiar o levantamento nos prontuários do Deops, vamos utilizar também a memorialística militar, que é uma fonte primária riquíssima em elementos históricos que ainda guarda um excelente potencial de análise. Esses dois elementos, a evidência da idéia salvacionista e a obscuridade a que ainda estão relegados os importantes livros de memórias dos militares, justificaria, no nosso entender, a utilização dos militares autores de livros nesta pesquisa. A sintonia entre os dois elementos &#8211; salvacionismo e memorialística &#8211; está fundada na idéia da permanência. O herói entra na luta para dar seu sangue pela pátria &#8211; e um herói nunca morre. Ao mesmo tempo, escreve um livro de memórias para ser lembrado, ou seja, sobreviver.<br />
Outro motivo é que nas memórias estão os argumentos psicológicos mais profundos de um personagem histórico &#8211; até mesmo as eventuais mentiras sobre os fatos narrados são relevantes. Nesse tipo de texto, poderemos detectar tranqüilamente as idéias que motivaram o autor a entrar numa luta de vida ou morte. Mais um motivo seria a sobrevivência do salvacionismo militar. Hoje os quartéis estão silenciosos, mas a idéia de que eles um dia poderão se manifestar para colocar ordem na bagunça da democracia civil, ainda permanece. A simpatia com que é vista a possível fujimorização do País comprova esse dado.<br />
Para fazer a pesquisa, é preciso primeiro definir as fontes: livros de memórias publicados ou inéditos; depoimentos escritos, gravados, televisionados; reportagens, artigos e textos que contenham depoimentos pessoais de militares que participaram das revoltas . Serve também os depoimentos dados por terceiros sobre os personagens dessa história: parentes, amigos, colegas de farda, subalternos, superiores hierárquicos, inimigos, etc. Os documentos restritos, sigilosos ou não, da área militar, podem também servir como subsídios.</p>
<p>V &#8211; O que diz a historiografia?</p>
<p>No longo período de leitura a que me dediquei em uma década e meia sobre os militares brasileiros revoltosos, e na pesquisa que fiz no sistema Dedalus da USP, não detectei nenhuma obra exclusivamente voltada para esse tema, o do papel da polícia política no processo de coesão interna das Forças Armadas. O principal título referente ao assunto polícia política no período proposto, pelo que vi, é o de Elizabeth Cancelli &#8211; “O mundo da violência &#8211; a Polícia da Era Vargas. Mas, mesmo esse livro nada diz sobre o assassinato de dois militares presos no presídio político paulista durante uma tentativa de fuga e que consta no prontuário de Waldemar Schulz. Ou seja, existe um acervo valioso escondido nos arquivos do Deops que guarda muitas surpresas.<br />
Em geral, a historiografia especifica sobre os militares ainda está muito presa às paixões que a intervenção militar nos destinos do país suscita, ou seja, muito voltada a temas como o espírito anti-popular dos tenentes, muito presa a distorções metodológicas como a questão da luta de classes e seu relacionamento com o movimento militar, entre outras dificuldades. Na minha opinião, deve-se mergulhar no espírito corporativo das Forças Armadas, é lá que reside seus segredos.<br />
O núcleo de pesquisas estratégicas sobre as Forças Armadas, da Unicamp, é que desenvolve o trabalho mais interessante sobre o assunto. Os livros de Alain Rouquié e João Quartim de Moraes, apesar de suas limitações, são muito importantes para esta pesquisa. Mas acho que o assunto militares brasileiros ainda encerra os principais desafios para a historiografia.</p>
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		<title>GUERRA TOTAL</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 21:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[História Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[No início da República, os acordos existentes vieram por água abaixo com a expulsão do Imperador. O resultado foi a guerra total. É comum colocar a chamada Revolução Federalista de 1893 como o embate entre dois campos bem específicos, os pica-paus e os maragatos. Mas a trama é bem mais complexa. Num conflito que tinha como um dos seus slogans "Não damos nem pedimos quartel", a mortandade, até hoje pouco dimensionada, se alastrou pelo país, já que todo o território nacional esteve conflagrado.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nei Duclós</p>
<p>O Brasil sempre esteve em guerra. No início, havia a obrigação de todo senhor de engenho dispor, por lei, de determinado número de armas e munição, devidamente guardadas em depósito definido em suas dimensões exatas. Essa e outras informações, contidas no trabalho da historiadora Nanci Leonzo, da USP, sobre as Forças Armadas da América Colonial portuguesa, são pouco conhecidas, porque o livro jamais foi publicado devidamente, numa editora importante e com tiragem decente. Junto ao conflito permanente, foi construída, a ferro e fogo, a versão do país pacífico.</p>
<p>Um fato como o bombardeio da cidade de São Paulo por duas semanas, que colocou em fuga metade da população de 700 mil habitantes em julho de 1924, coincidiu com a polêmica de que nunca houve bombardeio. Os livros da época reproduzem esse debate, totalmente absurdo diante das evidências do canhoneio e da metralha. Esconder batalhas e mortandades e só se referir a elas como acontecimentos isolados serve a vários interesses inconfessáveis.</p>
<p>Mas o assunto guerra está, aos poucos, saindo do amadorismo e dos limites do memorialismo, para alcançar status de ciência, graças às pesquisas e o fim das resistências em reconhecer que somos um país como os outros. Se você juntar Pernambuco em 1817, Cabanagem e Farrapos em 1835, Paraguai em 1865, Federalista em 1893, Canudos em 1898, Chibata em 1910, Contestado em 1912, Copacabana em 1922, as guerras de 1923, 1924 e a Coluna Prestes na agonia da República Velha, a Revolução de 1930, a Paulista de 32, a Intentona em 35 e somar os atuais índices de violência urbana e rural, chegaremos à assombrosa conclusão que adoramos nos tirotear sem descanso.</p>
<p>No início da República, os acordos existentes vieram por água abaixo com a expulsão do Imperador. O resultado foi a guerra total. É comum colocar a chamada Revolução Federalista de 1893 como o embate entre dois campos bem específicos, os pica-paus e os maragatos. Mas a trama é bem mais complexa. Num conflito que tinha como um dos seus slogans &#8220;Não damos nem pedimos quartel&#8221;, a mortandade, até hoje pouco dimensionada, se alastrou pelo país, já que todo o território nacional esteve conflagrado.</p>
<p>No filme &#8220;A vida secreta das palavras&#8221; (2005), de Isabel Coixet, a refugiada Hanna, interpretada por Sarah Polley, conta como foi torturada pelos soldados sérvios, povo ao qual pertencia. Os Bálcãs, depois do esfacelamento da Iugoslávia, mostraram o que acontece quando um acordo político e social, ao ser rompido, explode em carnificina generalizada. E não era apenas por motivos étnicos ou posições políticas. Uma vez, na televisão, vi um oficial de um país africano denunciando que as pessoas saqueavam sem inspiração alguma de ideologia ou raça, era apenas a barbárie se manifestando.</p>
<p>É importante estudar a guerra no Brasil. Dizer que nos libertamos de Portugal de forma incruenta, por exemplo, é se render à versão do diplomata Oliveira Lima, veiculada no final do século 19. A versão fazia parte dos negócios de estado. Mas a verdade é que de 1821 a 1823 o Brasil lutou para se separar, com batalhas no Nordeste com mais de 400 mortos, segundo o historiador José Honório Rodrigues.</p>
<p>Mergulhar na guerra serve para revelar as feridas ainda abertas, redimensionar o papel do heroísmo, e lançar alguma luz na surrada identidade nacional.</p>
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		<title>GUERRA E MEMÓRIA</title>
		<link>http://www.consciencia.org/neiduclos/guerra-e-memoria</link>
		<comments>http://www.consciencia.org/neiduclos/guerra-e-memoria#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:23:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[Que lugar ocupa a guerra na história do Brasil? General Osorio e seu tempo, de José Antônio Severo é uma resposta a essa pergunta e uma pá de cal no equívoco de que o país seria fruto apenas de artimanhas e escapatórias, de espertezas políticas e diplomáticas e não da vontade expressa no campo de batalha. Trata-se do levantamento minucioso do envolvimento da nação brasileira numa luta de vida ou morte, ao longo de um período em que se definiu primeiro como Reino Unido, depois como Império e finalmente como República. Os protagonistas desse embate deixaram marcas profundas na terra e no imaginário da população em armas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Que lugar ocupa a guerra na história do Brasil? <em><strong>General Osorio e seu tempo</strong></em>, de José Antônio Severo, é uma resposta a essa pergunta e uma pá de cal no equívoco de que o país seria fruto apenas de artimanhas e escapatórias, de espertezas políticas e diplomáticas e não da vontade expressa no campo de batalha. Trata-se do levantamento minucioso do envolvimento da nação brasileira numa luta de vida ou morte, ao longo de um período em que se definiu primeiro como Reino Unido, depois como Império e finalmente como República. Os protagonistas desse embate deixaram marcas profundas na terra e no imaginário da população em armas.</p>
<p>O registro dessa trama complexa está confinado à memória oral, aos raros especialistas e aos curiosos que não se conformam com o cerco de silêncio sobre um tema básico para a formação do país. Nossa história militar, apesar de grandes e importantes trabalhos (muitos deles jogados num canto das estantes) amarga o preconceito, fruto do desconhecimento e muitas vezes da má-fé. O esquecimento que merece ser rompido por uma questão não só de justiça, mas de sobrevivência.</p>
<p><em><strong>General Osorio e seu tempo</strong></em> se desdobra nesse terreno minado, somando narrativas da História e da Literatura. A vida do general Osorio, abordada como um romance épico, pertence a uma linhagem multidisciplinar em que a pesquisa se alia à imaginação para decifrar o que nos precedeu, procurando limpar a névoa que insiste em cobrir as mais significativas ocorrências.</p>
<p>Aqui convivem tanto a saga dos antigos narradores, o acervo de detalhes levantados por inúmeros estudiosos isolados em suas províncias, quanto as contribuições decisivas da moderna historiografia. A voz dos descendentes dos heróis conhecidos e anônimos se mistura à análise de processos beneficiados hoje por revelações inéditas sobre assuntos candentes como escravidão, monopólios, Forças Armadas, vida militar, guerras, colonialismo, Império, maçonaria, revolução, relações internacionais, definição de fronteiras.</p>
<p>Não se trata de um relato frio nem um resgate mecânico da sucessão de eventos que costumam freqüentar os manuais. Mas sim uma reincorporação dos fatos que definiram os contornos do Brasil no Cone Sul, por meio de seus principais personagens, tendo à frente o general Osório e seu séquito de ancestrais, familiares, companheiros, inimigos, protetores e desafetos.</p>
<p>Os detalhes ganham vida para ocupar o lugar devido na história. Como se movimentavam os exércitos, qual a estrutura das forças armadas em desequilíbrio e busca de eficácia, o que definiu derrotas e vitórias, o que se passa na cabeça de um guerreiro antes, durante ou depois da batalha? Qual o papel das minorias nessa luta? O que faziam as mulheres, os índios, os negros, no front? Qual a o armamento usado, as táticas, as estratégias, os cercos, os recuos, os avanços, as cargas?</p>
<p>O livro vai fundo nas questões que realmente importam para se entender o período e seus líderes, a época e seus soldados, o tempo e seus fantasmas. Qual a hierarquia de traições, decisões, barganhas, negociações nas lutas que se desenrolavam em períodos extremos, pontuados por tempos de paz ou de insegurança social, onde se procurava fazer negócios, prosperar, viver de novo? Como se configurava o quadro político em eterna transição, os egoísmos, as vaidades, a bravura, a mortandade, as doenças, as feridas, a febre?</p>
<p><strong><em>General Osorio e seu tempo</em></strong> aproveita o fôlego para insuflar vida em temas pouco compreendidos e tão presentes como a situação dos escravos, as sintonias e brigas com as potências, os motivos de invasões, assaltos, violências e armistícios. Ao mesmo tempo, ousa penetrar no coração exausto dos guerreiros, em suas glórias e desesperanças, suas contribuições e prejuízos. Avalia a sorte dos combatentes, os que se foram no meio da refrega, os que ficaram para contar a história, os que se encantaram como herói ou mito.</p>
<p>Seria coisa demais para um livro só. Mas não para <em><strong>General Osorio e seu tempo</strong></em>, que tem a magnitude de uma saga, escrita com o ardor de um habitante nascido no miolo desse mapa onde se cruzam guerra e memória. José Antonio Severo teve o privilégio de mergulhar muito cedo a grandeza desse acervo que corria de boca em boca e que mais tarde descobriu por inteiro em muitas leituras e também na árdua pesquisa de campo, palmilhada com a força dos pioneiros.</p>
<p>Esta obra que engrandece o país, celebra a coragem e a paz, tira lições valiosas e contribui decisivamente para que todo esse tesouro não seja desperdiçado nem caia na vala comum do desinteresse. “Osorio e seu tempo” tem o ímpeto de uma carga de cavalaria, que começa na prudência do passo, aperta o ritmo no trote e avança sobre o presente a galope.</p>
<p><em>Nei Duclós &#8211; Jornalista e escritor, graduado em &#8211; História pela Universidade de São Paulo</em></p>
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		<title>A GUERRA DA INDEPENDÊNCIA</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 13:32:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[O historiador José Honório Rodrigues sustenta a tese de que a Independência brasileira não foi um desquite, uma separação amigável, como escreveu o historiador Oliveira Lima no livro "O Movimento da Independência", mas uma guerra de caráter nacional, decisiva para a unidade política e territorial do país. Dessa guerra surgem as Forças Armadas nacionais, sob o jugo do improviso e o impacto de uma revolução]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">A GUERRA DA INDEPENDÊNCIA</span></strong></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">FORÇAS ARMADAS NA AMÉRICA PORTUGUESA:</span></strong><span style="font-size: 12pt;"> </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.7pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">FORMAÇÃO DE UM SISTEMA MILITAR NACIONAL</span></strong></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.35pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">NA TRANSIÇÃO DA COLÔNIA PARA O IMPÉRIO &#8211; 1777/1831</span></strong></p>
<p style="margin: 26.65pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">RESUMO DO LIVRO</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 23.4pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">AS FOR</span><span style="font-size: 12pt;">Ç</span><span style="font-size: 12pt;">AS ARMADAS</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.7pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">VOL. III DE</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.1pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">INDEPEND</span><span style="font-size: 12pt;">Ê</span><span style="font-size: 12pt;">NCIA: REVOLU</span><span style="font-size: 12pt;">ÇÃ</span><span style="font-size: 12pt;">O E CONTRA-REVOLU</span><span style="font-size: 12pt;">ÇÃ</span><span style="font-size: 12pt;">O</span></p>
<p style="margin: 24.85pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">De: Jos</span><span style="font-size: 12pt;">é</span><span style="font-size: 12pt;"> Hon</span><span style="font-size: 12pt;">ó</span><span style="font-size: 12pt;">rio Rodrigues (Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora, 1975)</span></p>
<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p style="margin: 49.3pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">PREFÁCIO</span></p>
<p style="margin: 22.3pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">O autor sustenta a tese de que a Independência brasileira não foi um desquite, uma </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.15pt;">separação amigável, como escreveu o historiador Oliveira Lima no livro &#8220;O Movimento da </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Independência&#8221;, mas uma guerra de caráter nacional, decisiva para a unidade política e territorial do país. Dessa guerra surgem as Forças Armadas nacionais, sob o jugo do </span><span style="font-size: 12pt;">improviso e o impacto de uma revolução.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.7pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;"> </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.7pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Obs.: O livro é datado, da época do regime militar que tinha sido instaurado a partir de </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">1964. É dedicado às Forças Armadas e presta homenagem ao discurso oficial dos anos 70, </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">explícita na última frase deste prefácio: &#8220;Unidos, povo e exército se constituíram numa força revolucionária que acabou com o jugo colonial&#8221;. É como se a Independência fosse uma espécie de &#8220;revolução redentora&#8221;, com os mesmos ideais de 1964. Sabemos que não foi nada disso. Mas o livro é importante por aprofundar a crítica ao chamado caráter incruento da História do Brasil e por detectar o momento chave da formação do Exército </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">e da Marinha do Brasil, tema que estou abordando neste trabalho .</span></p>
<p style="margin: 26.65pt 0cm 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">1. <span style="font-variant: small-caps;">Considerações gerais</span></span></p>
<p style="margin: 22.7pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.15pt;">A causa da guerra foi a infidelidade, em relação ao Rio de Janeiro, da minoria dominante </span><span style="font-size: 12pt;">da Bahia, Maranhão, Piauí e Pará.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 20.9pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a sensibilidade histórica era perfeita </span><span style="font-size: 12pt;">- A defecção da Bahia era um mau <span style="letter-spacing: -0.1pt;">exemplo para as outras províncias e causou uma reação, alimentada por três outras fatores </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">que determinaram o desencadeamento da guerra: a ação antibrasileira das Cortes de Portugal, a atuação e ajuda dos negociantes portugueses nas províncias infiéis e o predomínio das tropas portuguesas não dominadas ou expulsas, como aconteceu no Rio </span>de Janeiro.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.35pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Baseado na transcrição dos debates nas Cortes, o autor coloca a defesa da guerra como </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">uma prioridade dos políticos portugueses &#8211; confirmando assim sua antítese ao desquite </span><span style="font-size: 12pt;">amigável entre as duas nações.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.1pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;"> </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.1pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Neste item, surge um personagem importante. O General Caldeira Brant, que com seus </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">despachos, da Inglaterra, para José Bonifácio, ocupará um papel de destaque ao longo de </span><span style="font-size: 12pt;">todo o livro.</span></p>
<p style="margin: 20.5pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">OS <span style="font-variant: small-caps;">planos portugueses contra </span>o <span style="font-variant: small-caps;">brasil </span>- A idéia era separar o Norte do resto do <span style="letter-spacing: -0.05pt;">Brasil, unindo~o a Portugal, a partir da decisão de firmar o pé na Bahia. Para isso, era preciso não apenas a guerra direta, mas também assassinatos pessoais, aliança com a </span>Espanha, levante de negros. Havia ressentimento em Portugal em relação a tudo o que <span style="letter-spacing: -0.05pt;">aqui fizeram Dom João VI e no Brasil havia ódio contra os portugueses. As Cortes liberais queriam a guerra, mas não dispunham de recursos. A Inglaterra era candidata tanto para financiar a agressão de Portugal quanto a defesa do Brasil. A </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">construção da marinha de guerra deve-se a empréstimos britânicos e recursos da poupança </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">nacional e donativos. O autor coloca José Bonifácio como a personagem principal da</span></span></p>
<p style="margin: 107.3pt 0cm 0.0001pt 375.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt;">**</span></strong></p>
</div>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;"> <br style="page-break-before: always;" /> </span></p>
<div>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.1pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt;">3</span></strong></p>
<p style="margin: 17.3pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">criação das forças armadas nacionais: <sup>:;</sup>José Bonifácio, desde o começo, tomou todas as </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.15pt;">medidas militares para que o Exército e a Marinha nacionais fossem criados para a defesa </span><span style="font-size: 12pt;">do Brasil&#8221;, escreve ele, na página 23.</span></p>
<p style="margin: 0cm 5.4pt 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">A guerra, que não teve declaração formal, foi cruel, dura e sangrenta. Durou 1 ano e três </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">dias na Bahia e sete meses e 14 dias no Maranhão &#8211; no período que vai de 28 de junho de </span><span style="font-size: 12pt;">1822 a 31 dejulhodel823.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">o <span style="font-variant: small-caps;">plano de defesa do brasil </span>- O agravamento da situação militar promoveu uma <span style="letter-spacing: -0.05pt;">legislação especial, específica para as duas armas. A contratação dos serviços de Lord Cochrane, a organização da Marinha e do Exército, a reforma do Arsenal do Exército, a </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">legislação especial e sobretudo o estudo do melhor plano de defesa do país revelam que o </span>governo não queria ser surpreendido.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 20.9pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a defesa do rio de janeiro </span><span style="font-size: 12pt;">- A partir de documentos militares, o autor esmiuça as <span style="letter-spacing: -0.05pt;">hipóteses da guerra na capital do Império. Ele utiliza a Memória de 4 de novembro de 1822, apontamentos do marechal de campo João Manuel da Silva, do tenente-general </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">Carlos Napion, do Brigadeiro Joaquim José Ribeiro e do General Joaquim Xavier Curado, </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">Barão e Conde de São João das Duas Barras, o mais considerado servidor militar do </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">Brasil na época, com 79 anos de idade, chefe das forças brasileiras desde os conflitos com </span>as tropas portuguesas em 1822, governador das armas da Corte e da província desde 1822. Segundo o autor, baseado em Bernardo Elis, Curado é de verdade o fundador do Exército Brasileiro.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 0.35pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Outros personagens importantes citados neste item são o General Carlos Frederico Lecor, </span><span style="font-size: 12pt;">Barão e Visconde de Laguna e o General Avilez, português, que tentou reagir no Rio de Janeiro.</span></p>
<p style="margin: 29.15pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">AS<span> </span>PROVIDÊNCIAS<span> </span>E MEDIDAS<span> </span>PORTUGUESAS<span> </span>DE<span> </span>GUERRA &#8211; O jornalista Hipólíto da </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Costa demonstrava, em artigo, as disposições hostis de Portugal contra o Brasil. Mas as </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">movimentações internacionais para Portugal desencadear a guerra encontram inúmeras </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">dificuldades. Ficam evidentes as faltas de condições financeiras e militares de Portugal </span><span style="font-size: 12pt;">arrostar com a guerra. Em 28 de julho de 1821, o governo português ordenava, por decreto, que os exércitos de Portugal e Brasil fossem um só &#8211; sob o nome de Exército <span style="letter-spacing: -0.15pt;">Constitucional -, uma artimanha para melhor subjugar o Brasil, segundo análises feitas por </span>Cipriano Barata e José da Silva Lisboa.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a crueza da guerra </span><span style="font-size: 12pt;">- O Conselho de Estado, em sessão presidida por D. Pedro, define a política da guerra. Uma das decisões é o seqüestro de todas as propriedades dos portugueses no Brasil. Em outubro, o Conselho tinha dado prazo de quatro meses a Portugal para reconhecer a independência do Brasil.</span></p>
<p style="margin: 21.25pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps; letter-spacing: -0.1pt;">a guerra </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">- O autor sustenta que a independência foi declarada incruenta para valorizar a </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Casa de Bragança, para obscurecer o papel dos brasileiros e favorecer o congraçamento entre os dois povos. Escreve também que a guerra não teve caráter municipal &#8211; baiano -</span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">mas nacional, tendo sido especialmente sangrenta no Piauí e no Maranhão. Analisa a </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">situação nas principais províncias onde ocorreu luta &#8211; Bahia, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro , Ceará, Rio Grande do Sul e até no Uruguai, onde o General Carlos Frederico Lecor, com 1500 homens, impôs ao Brigadeiro D. Álvaro da Costa, chefe da resistência </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.15pt;">lusitana, a independência brasileira. O autor analisa também as relações entre as províncias </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">no desenrolar da luta, onde destaca a ajuda paulista ao Rio de Janeiro e o apoio cearense </span><span style="font-size: 12pt;">ao Piauí e ao Maranhão.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">o <span style="font-variant: small-caps;">mito da independência incruenta </span>- O autor identifica a fonte do mito, o tenente coronel José Maria Pinto Peixoto no seu depoimento &#8220;Duas palavras sobre Pedro I na <span style="letter-spacing: -0.05pt;">época da Independência&#8221;. Peixoto sustenta que as dissidências praticamente sumiram </span>depois do Fico, o que contraria a tese do autor, que aponta o Fico como o marco da <span style="letter-spacing: -0.1pt;">sangueira. Escreve José Honório: O país oficial repelia a independência, mas a </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">independência como revolução repelia o país oficial e D. Pedro, ajudado por José </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">Bonifácio, conseguiu conciliar o país oficial com o real o tempo necessário para atingir a </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">vitória formal contra os portugueses. Perdendo a revolução seu arranco radical, o país oficial voltou a predominar transformando-a em contra-revolução.&#8221; Neste item, José Honório analisa autores como Varhagen, Tobias Monteiro e Oliveira Lima. <em>Obs.: o grande problema deste livro é o estilo. E aterrorizante como é mal escrito. Cheio de repetições, o texto está sempre se remetendo às páginas seguintes ou anteriores, o que </em></span><em>considero uma traição permanente ao <span style="text-decoration: underline;">timing</span> da leitura. Acho que as expressões <span style="letter-spacing: -0.05pt;">&#8220;veremos mais adiante &#8221; ou &#8220;como vimos anteriormente &#8221; são o suplício maior de um </span>pobre leitor.</em></span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.8pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.8pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">Neste item, o autor faz o balanço do derramamento de sangue e destaca que só no <span style="letter-spacing: -0.1pt;">combate de Genipapo, no Piauí, de Primeiro de Abril de 1823, teve mais de 400 mortos. </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">Sustenta que &#8220;foi a revolução brasileira que decidiu a unidade nacional&#8221; e que a </span><span style="letter-spacing: -0.15pt;">independência foi conquistada pela guerra, numa vitória nacional preparada pelo grande </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">Ministério de José Bonifácio e alcançada pelo Exército e Marinha nacionais.</span></span></p>
<p style="margin: 26.65pt 0cm 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">2. O EXÉRCITO PORTUGUÊS NO BRASIL</span></p>
<p style="margin: 22.3pt 0cm 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">o <span style="font-variant: small-caps;">soldado português </span>- Falta disciplina e porte militar ao bravo soldado português, que </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">por esses motivos sempre esteve às voltas com lideranças estrangeiras, contratadas por </span><span style="font-size: 12pt;">reis e rainhas de Portugal.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 23.05pt 0.0001pt 1.45pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">os <span style="font-variant: small-caps;">ingleses e </span>o <span style="font-variant: small-caps;">exército português </span>- Influência das invasões napoleônicas no Exército português.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 2.15pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps; letter-spacing: -0.1pt;">a organização </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">- Influências da organização e reorganização do Exército português sobre </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">as tropas de Portugal no Brasil. José Honório cita o livro de José Mirales (incluído na nossa bibliografia) que descreve minuciosamente a estrutura transplantada da Metrópole </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">para a Colônia. Cita a reforma do exército português em 1796, quando as forças auxiliares passaram a chamar-se regimento de milícias e foi criada a Legião das Tropas Ligeiras, </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">antepassada remota da atual Infantaria. As reformas de 1808 e 1816 criaram batalhões de </span><span style="font-size: 12pt;">caçadores e modificaram os efetivos.</span></p>
</div>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;"> <br style="page-break-before: always;" /> </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 1.1pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">6</span></p>
<p style="margin: 16.9pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">as forças portuguesas no brasil </span><span style="font-size: 12pt;">- As tropas portuguesas no Brasil eram avaliadas em oito mil homens.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 21.25pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a reorganização por dom joão </span><span style="font-size: 12pt;">vi &#8211; Criação do Conselho Supremo Militar em 1808 e <span style="letter-spacing: -0.05pt;">introdução de várias modificações nos corpos de exército, sendo que no ano seguinte a </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">força armada no Brasil se apresentava em condições institucionais iguais à portuguesa.. </span>Em 1815, chega a Divisão de Voluntários D&#8217;ei Rei -10 mil homens comandados pelo <span style="letter-spacing: -0.05pt;">General Lecor. Junto <span style="font-variant: small-caps;">coli </span>os 5000 homens estacionados no Rio Grande do Sul, estas </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">forças viabilizaram a incorporação da Cisplatina ao Reino Unido. Neste item, primeira </span>citação da relação entre a colonização e as tropas &#8211; o soldado colono, um capítulo importante da História do Brasil.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">os <span style="font-variant: small-caps;">efeitos da rebelião de </span>1820 &#8211; A Bahia preferia estar sujeita a Lisboa que ao Rio <span style="letter-spacing: -0.05pt;">de Janeiro, província que tinha roubado a supremacia baiana. O sentimento nacional </span>despertado nas tropas nacionais e o aceno de terras para os soldados portugueses são aspectos analisados neste item.</span></p>
<p style="margin: 20.5pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a cortes e a reorganização militar </span><span style="font-size: 12pt;">- O decreto de 9 de dezembro de 1821 <span style="letter-spacing: -0.1pt;">nomeava os novos governadores de armas no Brasil, tornados independentes do governo civil e diretamente ligados ao governo de Lisboa. Aos 8 de janeiro de 1822 decidia-se nas </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">Cortes mandar imprimir o relatório da Comissão Especial encarregada de apresentar um </span>plano de reforma do Exército.</span></p>
<p style="margin: 21.25pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">as expedições militares no brasil </span><span style="font-size: 12pt;">- Um dos motivos das expedições militares que <span style="letter-spacing: -0.05pt;">seriam enviadas para o Brasil seriam o aceno de terras para os soldados. Destaca-se, de novo (é um livro de redundâncias) a falta de condições financeiras de Portugal para </span>sustentar a guerra. </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 17.3pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">oficiais portugueses e brasileiros </span><span style="font-size: 12pt;">- Reproduz o quadro de oficiais superiores de <span style="letter-spacing: -0.05pt;">Dom João VI e D. Pedro I e analisa as divergências entre oficiais portugueses e </span>brasileiros.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">o <span style="font-variant: small-caps;">exército português,<span> </span>instrumento de opressão </span>- Tropas portuguesas tinham três objetivos: conter os independentes, proteger as pessoas e os bens portugueses e <span style="letter-spacing: -0.15pt;">guardar os brancos da gente servil. Não conseguiram impedir a independência, mas isso </span>foi o germe da cçntra-revolução.</span></p>
<p style="margin: 26.65pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">3. A MARINHA PORTUGUESA</span></p>
<p style="margin: 28.8pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Analisa o declínio da marinha portuguesa.</span></p>
<p style="margin: 22.3pt 19.8pt 0.0001pt 1.45pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps; letter-spacing: -0.1pt;">a reorganização </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">- D. Rodrigo de Souza Coutinho, Ministro da Marinha e Negócios Ultramarinos de 1796 a 1801, promove em 1797 a reforma que disciplinava a Marinha quando esta teve que enfrentar a questão da independência. Alvará de 9 de outubro de </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.15pt;">1796 organizou a oficialidade da Marinha.</span></p>
<p style="margin: 0.7pt 0cm 0.0001pt 277.9pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">■</span></p>
<p style="margin: 15.85pt 0cm 0.0001pt 1.45pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a composição das forças navai</span><span style="font-size: 12pt;">s &#8211; Descreve a composição da Armada portuguesa e a esquadra que trouxe D. João.</span></p>
<p style="margin: 19.8pt 23.4pt 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a proteção da esquadra britânica e sua influência </span><span style="font-size: 12pt;">- Neste item, reproduz <span style="letter-spacing: -0.15pt;">algumas declarações de almirantes ingleses sobre os domínios marítimos portugueses.</span></span></p>
<p style="margin: 20.9pt 9.7pt 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps; letter-spacing: -0.1pt;">as forças navais portuguesas em </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">1821-22 &#8211; Regresso da família real a Portugal. </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Presença de forças navais portuguesas e os nascentes sentimentos nativistas. Obs.: <em>esta divisão em itens é artificial e inoperante. E uma exaustão seguir a estrutura deste livro.</em></span></p>
<p style="margin: 24.85pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.6pt;">AS CORTES E A MARINHA PORTUGUESA E A SITUA</span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.6pt;">ÇÃ</span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.6pt;">O DA MARINHA PORTUGUESA EM</span></p>
<p style="margin: 6.1pt 0cm 0.0001pt 2.5pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">1822 &#8211; Mais reproduções da forças navais e as tropas a bordo, alguns debates nas Cortes</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 2.9pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><!--[if gte vml 1]><v:line  id="_x0000_s1026" style='position:absolute;left:0;text-align:left;z-index:1;  mso-position-horizontal-relative:margin' from="-12.95pt,282.6pt" to="-12.95pt,303.85pt"  o:allowincell="f" strokeweight=".35pt"> <w:wrap anchorx="margin" /> </v:line><![endif]--><!--[if !vml]--><span style="position: absolute; z-index: 1; left: 0px; margin-left: -18px; margin-top: 376px; width: 2px; height: 30px;"><img src="file:///C:/DOCUME%7E1/usuario/CONFIG%7E1/Temp/msohtml1/01/clip_image001.gif" alt="" width="2" height="30" /></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">sobre o papel da Marinha. </span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-left: 2.9pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Obs.: <em>A partir do próximo capítulo, não vou mais me submeter </em></span><em><span style="font-size: 12pt;">a esta estrutura do livro.</span></em></p>
<p style="margin: 27.35pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.4pt;">4.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">OFICIAIS E SOLDADOS PORTUGUESES NAS FORÇCAS BRASILEIRAS.</span></span></p>
<p style="margin: 22.7pt 17.3pt 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Este capítulo analisa a tensa relação entre portugueses e brasileiros nas forças armadas nacionais. Destaca a indignação provocada pela incorporação, às forças nacionais, dos </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">soldados e oficiais portugueses que lutaram contra a independência.</span></p>
<p style="margin: 12.95pt 0cm 0.0001pt 29.15pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><strong><span style="font-size: 12pt;">&gt;</span></strong><span style="font-size: 12pt;"> </span></p>
<p style="margin: 3.95pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.7pt;">5.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">O EXÉRCITO BRASILEIRO.</span></span></p>
<p style="margin: 22.7pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Analisa a formação do exército brasileiro e define uma data para a separação do exército </span><span style="font-size: 12pt;">português: 11/12 de janeiro de 1822, quando aconteceu o confronto do Rio de Janeiro -<span style="letter-spacing: -0.05pt;">tropas brasileiras lideradas pelo General Curado &#8211; contra o General Avilez. Revela a composição das tropas nacionais no seu nascedouro: patriotas desinteressados, escravos libertos, mercenários estrangeiros e elementos portugueses que optaram pela </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">nacionalidade brasileira.. Analisa as forças em 1799, 1817 e 1824, em itens específicos </span>para cada um desses anos. Aborda a legislação do governo a estruturação das tropas, a <span style="letter-spacing: -0.05pt;">reforma de 1824 e a política militar do governo. Destaca os generais mais importantes </span>desse período de transição, a maioria já citadas anteriormente ( obs.: já <em>estou pegando o <span style="letter-spacing: -0.05pt;">vício do José Honórioí). </span></em><span style="letter-spacing: -0.05pt;">Aborda as ordenanças e as milícias, citando as três espécies de </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">solados: os voluntários, os recrutados e os mercenários estrangeiros. Descreve as milícias </span>de cor &#8211; prato feito para historiadores da negritude brasileira.</span></p>
<p style="margin: 27.35pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.55pt;">6.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">MARINHA DE GUERRA.</span></span></p>
<p style="margin: 21.95pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">Outro capítulo sobre a marinha, desta vez a nacional &#8211; por que não abordou o tema no <span style="letter-spacing: -0.1pt;">capítulo dedicado às forças navais? Analisa a organização luso-brasileira em 1817, a </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">criação da marinha brasileira, a chegada de Lord Cochrane &#8211; e sua luta para receber </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">pagamento à altura da sua missão. Aborda a formação da Esquadra e cita exaustivamente oficiais, vasos de guerra, tropas, numa intensa mistura de dados sem o charme necessário </span>de uma narrativa histórica.</span></p>
<p style="margin: 27.35pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.6pt;">7.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">OFICIAIS E SOLDADOS ESTRANGEIROS.</span></span></p>
<p style="margin: 22.7pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Os temas voltam, repetitivos, numa prova de paciência ao leitor. Começa com a expressão </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">&#8220;já descrevi&#8221;, o que é sintomático. Mas tem um interessante item sobre o recrutamento. De novo, fala dos ingleses, citando vários oficiais, e especialmente de Cochrane. Destaca </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">John Taylor, tenente da marinha inglesa que incorporou-se à marinha brasileira, </span><span style="font-size: 12pt;">descrevendo seus feitos militares. Tudo muito descosturado, atirado, forçado. Destaca <span style="letter-spacing: -0.1pt;">também alemães, americanos e franceses. Especial referência a Pierre Labatut e a Jacinto </span>Hipólito Guion, franceses de destaque no período.</span></p>
<p style="margin: 27pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.7pt;">8.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.1pt;">CAMPANHA MILITAR</span></span></p>
<p style="margin: 22.3pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">considerações gerais </span><span style="font-size: 12pt;">- Analisa a abordagem, para José Honório equivocada, de <span style="letter-spacing: -0.15pt;">Oliveira Lima e Oliveira Viana sobre a Independência. Aponta a contradição entre uma </span>guerra de liberdade nacional e o absolutismo.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">as várias ações </span><span style="font-size: 12pt;">- Narra o desdobramento da guerra no Ceará, Minas, São Paulo, Rio <span style="letter-spacing: -0.05pt;">de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauí, Maranhão, Pernambuco, Mato Grosso, Bahia e </span>Montevidéu.</span></p>
<p style="margin: 21.25pt 8.65pt 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a exibição de força: rio de janeiro </span><span style="font-size: 12pt;">- O livro, recorrente, volta agora ao Rio de <span style="letter-spacing: -0.1pt;">Janeiro, na resistência às tropas portuguesas acantonadas ali (que o autor chama sempre </span>de &#8220;aqui&#8221;, para não haver dúvidas sobre o centro das suas atenções.)</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 6.85pt 0.0001pt 0cm; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps; letter-spacing: -0.05pt;">exibição de força:<span> </span>Pernambuco </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">- Pressão das tropas portuguesas, socorro baiano, a junta governativa da província e suas contradições são abordadas neste item. </span></p>
<p style="margin: 24.1pt 0cm 0.0001pt 0.35pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;">RIO GRANDE DO SUL: A DESER</span><span style="font-size: 12pt;">ÇÃ</span><span style="font-size: 12pt;">O DO PRESIDENTE DA PROV</span><span style="font-size: 12pt;">Í</span><span style="font-size: 12pt;">NCIA &#8211; O governador </span><span style="font-size: 12pt;">é </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">o general João Carlos de Saldanha, que chegara ao Brasil em 1816 para combater na </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Cisplantina. Por ser militar, sua deserção causou impacto político, ainda mais que viajou </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">para Montevidéu, para se juntar às tropas portuguesas. A tropa no Rio Grande do Sul se </span><span style="font-size: 12pt;">levantou, contra o general e a favor do veto de D. Pedro, motivo da deserção do governador.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 20.9pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">cisplantina: </span><span style="font-size: 12pt;">o <span style="font-variant: small-caps;">perigo das tropas portuguesas </span>- Novamente os feitos do General <span style="letter-spacing: -0.05pt;">Lecor, mas desta vez com mais detalhes, nas guerras do Prata e suas ações anti-</span>portuguesas na guerra da Independência.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 0cm 0.0001pt 0.7pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a guerra na bahia </span><span style="font-size: 12pt;">- O sentimento patriótico baiano e suas conseqüências neste <span style="letter-spacing: -0.1pt;">período sensível da história. Os movimentos que antecederam a guerra, o relacionamento do poder local com as Cortes, a reação portuguesa à Independência, as brigas políticas e </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">finalmente a guerra. As três fases da guerra e seus principais personagens são </span>minuciosamente investigados.</span></p>
<p style="margin: 20.5pt 0cm 0.0001pt 1.1pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; font-variant: small-caps;">a guerra no piauí, no maranhão, no ceará e no pará </span><span style="font-size: 12pt;">- Detalhes sobre as ações <span style="letter-spacing: -0.05pt;">nesses estados, onde sabe-se pouco sobre a guerra da independência.</span></span></p>
<p style="margin: 27.35pt 0cm 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.75pt;">9.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span>OS EFEITOS DA GUERRA DA INDEPENDÊNCIA</span></p>
<p style="margin: 22.3pt 23.05pt 0.0001pt 1.45pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Conseqüências econômicas e políticas da guerra. Por exemplo: maior presença da </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">Inglaterra, independência e união das 19 províncias do Brasil, uma nova base à vida </span><span style="font-size: 12pt;">política etc.</span></p>
<p style="margin: 20.9pt 23.05pt 0.0001pt 1.8pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.55pt;">10.</span><span style="font-size: 12pt;"><span> </span><span style="letter-spacing: -0.05pt;">AS FORÇAS COMBATENTES DA INDEPENDÊNCIA NO BRASIL E NA<br />
</span>AMÉRICA.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 16.2pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">Uma análise, pobre, sobre o significado da Independência do Brasil e sua relação com </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.1pt;">outros movimentos latino-americanos. Uma conclusão vergonhosa: a de que só o Brasil </span><span style="font-size: 12pt; letter-spacing: -0.05pt;">pagou aos seus antigos senhores, pois indenizou Portugal pela guerra que, segundo </span><span style="font-size: 12pt;">antigos historiadores, nem chegou a existir.</span></p>
<p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; margin-top: 16.2pt; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></p>
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		</item>
		<item>
		<title>A idéia de salvação da pátria na memorialística militar</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2005 16:39:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[As memórias dos militares que participaram dos movimentos armados na década de 20 são relatórios secos, objetivos, minuciosos, bem apropriados à cultura da caserna.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><br id="__mce" /> <img src="http://consciencia.org/neiduclos/imagens/fotos/1922.jpg" alt="" /><br />
<strong>Nei Duclós</strong></p>
<div><em>Vogamos incessantemente entre objeto</em><br />
<em>e a sua desmistificação, incapazes </em><br />
<em>de lhe conferir uma totalidade: pois,</em><br />
<em>se penetramos o objeto, nós o libertamos,</em><br />
<em>mas também o destruimos; e, se lhe </em><br />
<em>deixamos o seu peso, nós o respeitamos,</em><br />
<em>mas também o devolvemos ainda mais mistificado.</em><br />
( Roland Barthes, Mitologias)</div>
<p>MITOLOGIA TENENTISTA.</p>
<p>As memórias dos militares que participaram dos movimentos armados na década de 20 são relatórios secos, objetivos, minuciosos, bem apropriados à cultura da caserna. Dificilmente escorregam para o anedotário e a bravata. Em geral, a decisão de escrever um livro serve para reparar uma injustiça histórica, impor uma versão pessoal ao consenso e evitar o esquecimento. Exemplos: Juarez Távora, João Alberto, Cordeiro de Farias e, do outro lado do balcão, Goes Monteiro e Abilio de Noronha.</p>
<p>Paradoxalmente, muitos autores que analisam esse período são apaixonados, em parte tendenciosos. Ou partem para o ataque frontal aos tenentes &#8211; como Paulo Sérgio Pinheiro em &#8220;Estratégias da Ilusão&#8221; &#8211; ou para sua defesa &#8211; como João Quartim de Moraes em &#8220;A Esquerda Militar no Brasil&#8221;.</p>
<p>Há, naturalmente, excelentes trabalhos sobre o ambiente militar do período, como é o caso de &#8220;Influência Estrangeira e Luta Interna do Exército&#8221;, de Manuel Domingos Neto (in &#8220;Os Partidos Militares no Brasil&#8221;), mas deve-se destacar a utilização ideológica do tenentismo como um lugar comum da historiografia brasileira. Em 1933, por exemplo, Virgínio Santa Rosa, em &#8220;O que é Tenentismo&#8221;, tenta encontrar na classe média o papel revolucionário que caberia ao operariado.</p>
<p>Além disso, há uma tendência em romancear o tenentismo, como atesta uma linhagem literária que nasce com Jorge Amado (&#8220;O Cavaleiro da Esperança&#8221;) e chega até hoje com João Meirelles Passos (&#8220;A Noite das Grandes Fogueiras&#8221;).</p>
<p>Ou seja, de todas as abordagens sobre o tenentismo, as memórias são as mais enxutas em termos de linguagem e, portanto, as que possuem maior credibilidade, pelo menos para os limites da nossa pesquisa. Pois se o mito, como quer Barthes, é lido como um sistema factual, quando é apenas um sistema semiológico, o caminho mais apropriado para rastrearmos a idéia de salvação da pátria nesse período importante da História do Brasil &#8211; 1922/1930 &#8211; são as fontes primárias, os relatórios públicos de profissionais do sigilo, e não o filtro ideológico dos historiadores. Isso não quer dizer que não devemos utilizar os livros escritos sobre o assunto, pois eles ajudam a esclarecer as complexas relações entre mito e História.</p>
<p>O salvacionismo militar gira em torno do tenentismo, mas não é através dele que se consolida. Ao contrário, o salvacionismo utiliza o tenentismo, nutre-se da força poderosa do mito, para negá-lo e assumir o poder em seu lugar.</p>
<p>O salvacionismo militar é uma idéia explícita no imaginário nacional e se manifestou decisivamente em várias oportunidades. Basta citar 1922 ( os 18 do Forte, ou a &#8220;raça de leões&#8221; de que falava Coelho Neto), 1930 (a revolução contra os &#8220;carcomidos&#8221;) e 1964 (a &#8220;Redentora&#8221;). Ao mesmo tempo, a memorialística militar é uma fonte primária riquíssima em elementos históricos que ainda guarda um excelente potencial de análise.</p>
<p>Esses dois elementos, a evidência da idéia salvacionista e a obscuridade a que ainda estão relegados os importantes livros de memórias dos militares, justificaria, no nosso entender, uma pesquisa. A sintonia entre os dois elementos &#8211; salvacionismo e memorialística &#8211; está fundada na idéia da permanência. O herói entra na luta para dar seu sangue pela pátria &#8211; e um herói nunca morre. Ao mesmo tempo, escreve um livro de memórias para ser lembrado, ou seja, sobreviver.</p>
<p>Nas memórias estão os argumentos psicológicos mais profundos de um personagem histórico &#8211; até mesmo as eventuais mentiras sobre os fatos narrados são relevantes. Nesse tipo de texto, poderemos detectar tranqüilamente as idéias que motivaram o autor a entrar numa luta de vida ou morte.</p>
<p>Ainda hoje existe a sobrevivência do salvacionismo militar. Os quartéis não estão mais silenciosos, e a idéia de que eles um dia poderão se manifestar para colocar ordem na bagunça da democracia civil, ainda permanece.</p>
<p>Escolhemos o período 1923-1930 como a época a ser pesquisada, não obrigatoriamente a data em que os livros foram escritos.</p>
<p>2. MITOLOGIA: A FARDA E A ORATÓRIA.</p>
<p>Os militares escolheram o positivismo como antídoto ao bacharelismo, à retórica, à herança ibérica do ócio e da contemplação (conforme detectado por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil). Decidiram-se pelo heroísmo suicida &#8211; 1922 &#8211; quando esse mesmo bacharelismo &#8220;usurpou&#8221; o poder tão arduamente consolidado por Floriano Peixoto na grande guerra civil entre 1893-1895 ( os motivos que desencadearam essa guerra estão esplendidamente narrados nas memórias do Almirante Custódio de Mello).</p>
<p>O grande desafio do tenentismo foi criar uma mitologia própria, tão forte quanto a mitologia dos militares legalistas, fundada no mito de Caxias, na Proclamação da República e na ação do Marechal de Ferro.</p>
<p>A mitologia tenentista explodiu no imaginário do País em 1922, quando a bandeira brasileira foi repartida como pão entre os heróis que saíram de peito aberto para enfrentar as forças legalistas. Esse rito de passagem desabrochou numa mitologia completa a partir da Revolução de 1924 e a conseqüente Coluna Miguel Costa-Prestes. O segundo 5 de julho é uma data fundamental do tenentismo, porque houve uma estratégia mais bem elaborada em relação ao primeiro 5 de julho e teve desdobramentos muito mais amplos.</p>
<p><img src="http://consciencia.org/neiduclos/imagens/fotos/getulio.jpg" alt="" align="left" />É a partir desse mitologia que um advogado &#8211; Getúlio Vargas &#8211; toma o poder em 1930 vestindo farda. Getúlio não podia fazer uma revolução vestindo a roupa dos bacharéis, mas encarnando a mitologia tenentista. Incapaz de tomar o poder pelo voto &#8211; a lei da Velha República &#8211; ele tomou o poder à força, vestindo a roupa deixada sob encomenda por Prestes &#8211; que não quis assumir o comando militar da revolução &#8211; e Siqueira Campos &#8211; que tinha morrido num acidente em Mar del Plata.<br />
Vargas assume o poder com duas armas &#8211; a roupagem militar dissidente e a eloqüência do discurso em praça pública substituindo a retórica de gabinete. O delírio popular que as imagens sobre 1930 revelam significa a força do salvacionismo tenentista e a competência política de Vargas, que transforma-se no demiurgo dessa mitologia.</p>
<p>A pesquisa deve, portanto, dissecar as duas mitologias em confronto &#8211; a tenentista e a legalista -, suas manifestações, signos, iconografia, discurso e oratória. Deve detectar assim os motivos da sua permanência no imaginário nacional, levantando os momentos posteriores à época enfocada em que o salvacionismo militar se manifestou quando estava no poder ou na oposição. É preciso lembrar de episódios que enriquecem a diversidade do tema, como a quartelada de 1935 &#8211; também manifestação do salvacionismo militar &#8211; e o contragolpe de Lott &#8211; salvacionismo armado que garantiu a posse de um presidente civil.</p>
<p>3. A PÉ, A CAVALO E DE TREM.</p>
<p>O tenentismo travou sua primeira batalha a pé, pelas areias de Copacabana em 1922. Foi uma derrota e uma lição. Mas também serviu como referencial mitológico clássico, já que os 18 do Forte, empunhando pistolas e fuzis, caminhando em direção à morte, lembram heróis da Antiguidade. A pesquisa poderia investigar como esse mito espalhou-se pelo país através da tradição oral, dos jornais, dos discursos.</p>
<p>No segundo round, o trem entra como elemento de ataque, mas de maneira episódica &#8211; quando, por exemplo, Juarez Távora sai de Uruguaiana, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, e investe contra a cidade vizinha de Alegrete, onde conta com o apoio de João Alberto; ou quando a Coluna da Morte, de João Cabanas, se desloca para o Interior. Mas nessa fase o trem é mais um elemento de fuga, como demonstra a saída de São Paulo dos revolucionários comandados por Isidoro Dias Lopes.</p>
<p>É cavalo que dá o perfil do período 1924-1926. Luís Carlos Prestes rompe o cerco dos dez mil numa manobra diversionista, de guerrilha, montado junto com sua tropa e se dirige ao Paraná a cavalo. A coluna Miguel Costa-Prestes, que percorre o Brasil, remete aos heróis cavaleiros da Idade Média e o relato dos seus feitos &#8211; O Cavaleiro da Esperança, de Jorge Amado -, bem que poderia fazer parte do acervo literário que acabou enlouquecendo Dom Quixote.</p>
<p>A força mitológica da Coluna sobrevive até hoje, como demonstra a série de reportagens de Luís Carlos Prestes Filho para a revista Manchete, o livro de Anita Leocádia Prestes, A Coluna Prestes, o livro de Domingos Meirelles, A Noite das Grandes Fogueiras, entre outras manifestações.</p>
<p>Se a pé os tenentes perderam, a cavalo deu empate. A vitória só viria em 1930, com o trem determinando as operações. O trem da vitória que carregava Getúlio Vargas e foi recebido festivamente no Paraná é um dos símbolos da revolução de 30. Só que no momento da vitória, o tenentismo não fica com o núcleo do poder, que cai nas mãos dos bacharéis &#8211; Vargas e Oswaldo Aranha. Os tenentes ficam praticamente na periferia do poder &#8211; Juarez Távora como Vice-Rei do Norte e João Alberto como interventor em São Paulo, sendo utilizado como escudo varguista contra as pretensões do Partido Democrático e a popularidade de Miguel Costa.</p>
<p>É importante, num trabalho de História das Idéias, definir o perfil dessas manifestações e como elas influíram na formação das mitologias e repercutiram na vida do País. Esse imaginário, que vem do Brasil profundo, foi soterrado pela mídia nesta segunda metade do século, mas permanece vivo. Uma rápida conversa com algumas pessoas que eram crianças em 1924, no bairro da Mooca, serviu para comprovar isso. Um dos entrevistados começou a fazer uma longa justificativa de que sua família não tinha colaborado com os revolucionários e por isso não merecera o tratamento dado pelos policias mineiros, que invadiram o bairro para pegar pretensos &#8220;traidores&#8221;. Ao mesmo tempo, quando se fala em fujimorização no Brasil, invoca-se involuntariamente o salvacionismo militar que a pé, a cavalo ou de trem chega com as tropas para &#8220;tirar o País do abismo.&#8221;</p>
<p>BIBLIOGRAFIA</p>
<p>;Esta é uma pesquisa feita desde 1980. Os livros relacionados abaixo, com exceção do livro do Marechal Setembrino de Carvalho e os dois &#8220;À Guisa&#8221;, de Juarez Távora, fazem parte da minha biblioteca particular.</p>
<ul type="square">
<li style="width: 100%;">Amado, Gilberto &#8211; <em>Depois da Política</em>, Livraria José Olympio Editora, RJ, 1960.</li>
<li style="width: 100%;">Barata, Agildo &#8211; <em>Vida de Um Revolucionário</em> &#8211; Ed. Melso Soc. Anônima, RJ, 1962.</li>
<li style="width: 100%;">Barros, João Alberto Lins de &#8211; <em>Memórias de Um Revolucionário</em> &#8211; Civilização Brasileira, RJ, 1954 &#8211; I Volume &#8211; A Marcha da Coluna.</li>
<li style="width: 100%;">Barthes, Roland &#8211; <em>Mitologias</em>, Difel, SP, 1982.</li>
<li style="width: 100%;">Camargo, Aspásia e de Goes, Walder -<em> Meio Século de Combate &#8211; Diálogo com Cordeiro de Farias</em> &#8211; Nova Fronteira, RJ, 1981.</li>
<li style="width: 100%;">Carneiro, Glauco &#8211; <em>Lusardo, o último caudilho</em>, Volume I &#8211; Nova Fronteira, RJ, 1977.</li>
<li style="width: 100%;">Carvalho, Mal. Setembrino de &#8211; <em>Memórias: Apontamentos para uma História do Brasil</em>, Ed. do Autor, 1951.</li>
<li style="width: 100%;">Coutinho, Lourival -<em> O General Goes Depõe</em>, Livraria Editora Coelho Branco, RJ, 1955</li>
<li style="width: 100%;">Duarte, Paulo &#8211; Agora, nós &#8211; <em>Chronica da Revolução Paulista, com Alguns Heróis da Retagurda,</em> SP, 1927.</li>
<li style="width: 100%;">Fausto, Boris &#8211; <em>A Revolução de 30 &#8211; Historiografia e História</em>, Brasiliense, SP, 1983.</li>
<li style="width: 100%;">Fontoura, João Neves da &#8211; <em>Borges de Medeiros e seu Tempo</em> &#8211; Ed. Globo, RJ, PA, BH, 1958.</li>
<li style="width: 100%;">Franco, Virgilio A. de Mello Franco &#8211; <em>Outubro, 1930</em> , Schimidt Editor, 1931.</li>
<li style="width: 100%;">Leite, Mauro Renault e Junior, Novelli (orgs.) &#8211; <em>Marechal Eurico Gaspar Dutra, O Dever da Verdade</em>.</li>
<li style="width: 100%;">Lima Sobrinho &#8211; <em>A verdade sobre a Revolução de Outubro</em> &#8211; Gráfica Editora Unitas Ltda., SP, 1933.Mello, Almirante Custódio José de &#8211; O Governo Provisório e a Revolução de 1893</li>
<li style="width: 100%;">Malta, Octavio &#8211; <em>Os tenentes na Revolução Brasileira</em> &#8211; Civilização Brasileira, 1969.</li>
<li style="width: 100%;">Moraes, Denis de e Vianna, Francisco  &#8211; <em>Prestes, Lutas e Autocríticas</em> &#8211; Vozes, Petrópolis, RJ, 1982.</li>
<li style="width: 100%;">Monteiro, Norma de Goes (org.) &#8211; <em>Idéias Políticas de Arthur Bernardes</em>, Volume I, Senado Feral, Brasília, 1984.</li>
<li style="width: 100%;">Moraes, João Quartim de &#8211; <em>A Esquerda Militar no Brasil, Volume I: Da Conspiração Republicana à Guerrilha dos Tenentes</em>, Editora Siciliano, SP, 1991.</li>
<li style="width: 100%;">Noronha, Abilio de  &#8211; <em>Narrando a Verdade &#8211; Contribuição para a História das Revolta em São Paulo</em> &#8211; SP, 1924.</li>
<li style="width: 100%;">Oliveira, Eliezer Rizzo de/ Cavagnani Filho, Geraldo L., Moraes, João<br />
Quartim de/ Dreifuss, René Armand -<em> As Forças Armadas no Brasil</em>, Espaço e Tempo, RJ, 1987.</li>
<li style="width: 100%;">Peixoto, Alzira Vargas do Amaral &#8211; <em> Getúlio Vargas, Meu Pai</em>, Editora Globo, Porto Alegre, 1960.</li>
<li style="width: 100%;">Pessoa, Epitácio -<em> Pela Verda</em>de, Livraria Francisco Alves, RJ, SP, BH, 1925.</li>
<li style="width: 100%;"><em>Sob a Metralha &#8211; História da Revolta em São Paulo</em> &#8211; Cia. Graphica Editora, Monteiro Lobato, SP, 1924.</li>
<li style="width: 100%;">Rouquié, Alain (coord.) &#8211; <em>Os Partidos Militares no Brasil</em> &#8211; Record, 1980.</li>
<li style="width: 100%;">Rosa, Virgínio Santa &#8211; <em>Que foi o Tenentismo </em>- Civilização Brasileira, RJ, 1963.</li>
<li style="width: 100%;">Silva, Hélio &#8211; 1926, <em>A Grande Marcha e 1922 &#8211; Sangue na Areia de Copacabana,</em> , Civilização Brasileira, RJ, 1964.</li>
<li style="width: 100%;">Soares, Gerson de Macedo &#8211; <em>A Acção da Marinha na Revolução Paulista de 1924</em> &#8211; Ed. Guanabara, RJ, 1932.</li>
<li style="width: 100%;">Sodré, Nelson Werneck &#8211; <em>Do Tenentismo ao Estado Novo &#8211; Memórias de um Soldado</em>, Vozes, RJ, 1986.</li>
<li style="width: 100%;">Távora, Juarez &#8211; <em>Uma Vida e Muitas Lutas</em> &#8211; Volume I: Da Planície à borda do Altiplano (Biblioteca do Exército Editora e Livraria José Olympio Editora, RJ, 1974)- Volume II: a Caminho do Altiplano (Livraria José Olympio Editora, RJ, 1974) &#8211; Volume III: Voltando à Planície (Biblioteca do Exército Editora, RJ, 1977) / À Guisa de Depoimento Sobre a Revolução Brasileira de 1924 &#8211; Volumes I e III, Mendonça, Machado &amp; Cia, RJ, 1927 e 1928, respectivamente.</li>
<li style="width: 100%;">Vergara, Luis &#8211; <em>Fui Secretário de Getúlio Vargas </em>- Ed. Globo, RJ, 1960</li>
</ul>
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		<title>O baile de 3 de outubro</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2005 16:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nei Duclós</dc:creator>
				<category><![CDATA[História Militar]]></category>

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		<description><![CDATA[Na manhã de 3 de outubro de 1930, o tenente-coronel Pedro Aurélio de Gois Monteiro foi passear em trajes civis na rua da Praia e ficou chocado: todo mundo citava seu nome como chefe militar da revolução que iria rebentar em poucas horas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nei Duclós</strong></p>
<p>Na manhã de 3 de outubro de 1930, o tenente-coronel Pedro Aurélio de Gois Monteiro foi passear em trajes civis na rua da Praia e ficou chocado: todo mundo citava seu nome como chefe militar da revolução que iria rebentar em poucas horas. Abatido com a indiscrição dos gaúchos, que faziam os comentários abertamente nos cafés e rodinhas na calçada, foi sentar-se, desolado, num dos bancos da praça da Alfândega.</p>
<p>Aproximou-se então um amigo, oficial do Estado-Maior da Região e ofereceu-se para participar do movimento. O paraibano Gois Monteiro, que confessava não ter vocação militar, disfarçou: &#8220;Minha presença aqui na praça já é um desmentido. Mas se isso que estão falando realmente acontecer, o senhor deve ficar ao lado do seu general&#8221;.</p>
<p>A tensa volta para casa aumentou seu nervosismo: já estavam assaltando as lojas de armas, os colégios encerravam as aulas e o comércio fechava as portas. Almoçou com a família e despediu-se da mulher e dos filhos: não sabia se tornaria a vê-los. Quando chegou na residência da irmã de Oswaldo Aranha para os últimos preparativos, fez um desabafo contra a &#8220;indiscrição da gente gaúcha&#8221;. Mas não tinha jeito: o &#8220;baile&#8221; tinha hora marcada e ele dirigiu-se ao Palácio do Governo para a cartada final.</p>
<p>Oswaldo Aranha também deu eu passeio na rua da Praia naquele dia, junto com o mineiro Virgílio de Mello Franco, um dos principais articuladores da revolução, que conta como foi: &#8220;Nosso propósito era despistar, pela nossa aparente despreocupação, o espiões do comandante da Região Militar, que andavam em grande atividade&#8221;.</p>
<p>Aranha estava preocupado: já passava do meio dia e o general Gil de Almeida, que tinha saído muito cedo, ainda não estava no Quartel General. Alguém o teria avisado e a pessoa mais importante do inimigo já estaria recolhido a algum outro quartel, esperando os acontecimentos? De repente, um &#8220;secreta&#8221; a serviço da causa passou por perto e sussurrou: &#8220;O home já está em casa&#8221;.</p>
<p>Quem não gostou daquela movimentação foi a filha do presidente do Estado, Alzira Vargas. Quando voltou do colégio, às quatro da tarde, a mãe, Darcy, avisou que não dormiriam no palácio pois a revolução iria rebentar depois das cinco horas. &#8220;Você precisa ir para tomar conta dos irmãos&#8221;, disse para a filho, que tentou reclamar, oferecendo-se para lutar. O irmão, Lutero, estava furioso: &#8220;Uns caras entraram no meu quarto e estão trocando de roupa sem pedir licença&#8221;. Era Gois e seu Estado Maior, que colocava a farda para assumir a luta. &#8220;Desde 25 de setembro a revolução ficara marcada para 3 de outubro&#8221;, conta Barbosa Lima Sobrinho. &#8220;A necessidade de comunicar a hora certa para um número enorme de pessoas, em todos os cantos do país, fez com que se divulgasse a combinação. Mas quem e atreveria a comunicar a informação ao Sr. Washington Luiz, no receio de pilhérias desdenhosas que acolheriam a notícia inacreditada? Assim, ninguém se preveniu para a Revolução, que foi uma surpresa para o governo, muito embora andasse há muito entre os segredos de Polichinelo&#8221;.</p>
<p>Uma das pessoas que ignoravam tudo era João Simplício, Secretário da Fazenda do presidente do Estado, Getúlio Vargas. Os dois despachavam calmamente no Palácio, quanto às 17h30min ouviu-se o primeiro silvo vindo dos lados do Quartel General, seguido de mais um. Segundos depois, era um tiroteio cerrado, que em pouco tem se estendeu à cidade inteira.</p>
<p>Diante do susto do seu auxiliar, Getúlio foi muito objetivo: &#8220;Calma, João Simplício. É a revolução&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Foi uma coisa brutal&#8221;, lembrou Flores da Cunha num depoimento sobre o assalto ao Quartel General. &#8220;Aquilo foi um ato que não se reproduz muitas vezes no mundo. Eu e o Oswaldo Aranha no comando de trinta guardas-civis, que saíram, numa marcha de rotina de policiamento. Quando fronteamos aquele ângulo morto do quartel, um dos guardas gritou: À carga! Eles se atiraram dentro do quartel e arrancaram as armas dos soldados, praticamente com as mãos limpas. Que coisa, que gesto! Morreram três ali mesmo. O que gritou à carga levou um tiro na cara.&#8221;</p>
<p>O QG estava situado, naquela época, numa esquina da rua dos Andradas, o quartel do II Exército ficava quase defronte e o da Brigada Militar na mesma rua. Vinte dias antes, Oswaldo Aranha selecionou duzentos homens e determinou que diariamente, entre cinco e seis da tarde, marchassem em volta do quarteirão, passando sempre mais próximo das calçadas dos quartéis, recomendando que não aceitassem provocações de ninguém,, por mais pesadas que fossem. Várias vezes os soldados do Exército provocaram os brigadianos, chamando-os de soldados de brinquedo, bonecos, etc. Assim, no dia 3, o desfile já tinha se transformado em rotina e isso foi fatal.</p>
<p>A filha do General Gil, que morava num dos apartamento que existia no QG, veio direto a Flores da Cunha e advertiu: &#8220;Não deixe ninguém entrar no quarto do meu pai, que ele vai se matar&#8221;. Flores tranqüilizou: &#8220;Ninguém vai entrar lá. Tira o revolver da mão dele, que ninguém vai invadir&#8221;. A oficialidade da Brigada Militar, segundo Flores, ficou só olhando o tiroteio, da calçada em frente. &#8220;Tive que saltar por cima dos miolos de um guarda morto e cheguei a gritar para os oficiais da Brigada: Tragam uma padiola para levar este homem e eles me responderam: não existe nenhuma padiola aqui!&#8221;</p>
<p>&#8220;Exatamente na porta de entrada do Quartel jazia morto, com a cabeça estourada por uma granada de mão, de braços abertos em cruz, um pobre guarda civil&#8221;, conta Virgílio de Melo Franco. No meio da rua, no saguão e nas escadas, outros mortos. Seis tinham morrido imediatamente e cinco morreram mais tarde. Ao todo, entre mortos e feridos, 25 tinham sido postos fora de combate. Às onze da noite, já estavam dominados o QG, o Arsenal de Guerra, o 8ºe 9ºBatalhão de Caçadores, o Esquadrão da Região, o Curso de Preparação Militar, o Contingente de Carta Geral e mais a Companhia de Estabelecimentos, situado no Parque da Redenção. Só o 7ºB.C. resistia.</p>
<p>&#8220;A obstinada resistência durava já mais de quatro horas&#8221;, conta Gois, &#8220;sem qualquer sinal de esmorecimento, sem atender a nenhuma intimidação para capitular. Não tive outro recurso naquela emergência: mandei bombardear o quartel com lança-chamas&#8221;. Logo aos primeiros disparos, foi incendiado um pavilhão que alojava uma companhia do Batalhão. A pedido de Flores, Gois fez uma trégua de uma hora para negociar a rendição. Enquanto conversava com o emissário, restabeleceu-se o tiroteio, já que o prazo da trégua tinha esgotado. Foi uma longa negociação, que terminou na rendição do 7ºB.C e a vitória da revolução em Porto Alegre.</p>
<p>O gaúcho Cordeiro de Farias, que estava em Minas naquela época, fez pouco da fuzilaria do sul: &#8220;O papel do Rio Grande do Sul não foi preponderante nem na fase conspiratória nem no levante revolucionário. Examinando com cuidado o aspecto militar do movimento, veremos que os gaúchos tiveram uma participação pequena. Para eles foi um dolce far niente. Em Minas foi diferente. As unidades estacionadas no interior não ofereceram grande resistências, mas o fato é quer em Belo Horizonte a luta foi dramática e prolongada&#8221;.</p>
<p>Minas, como se sabe, é sempre outra história.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="10" align="center" bgcolor="#feefcb">
<tbody>
<tr>
<td bgcolor="#feefcb">
<p align="left"><strong>FONTES:<br />
</strong><strong>O general Góis depõe&#8230; &#8211; Lourival Coutinho. Livraria Editora Coelho Branco, RJ, 1955<br />
A verdade sobre a Revolução de Outubro &#8211; Barbosa Lima Sobrinho. Edições Unitas, SP, 1933.<br />
<strong>Outubro, 1930</strong> &#8211; Virgílio A. de Melo Franco. Schimidt, Editor, RJ, 1933.<br />
<strong>Getúlio Vargas, meu pai</strong> &#8211; Alzira Vargas do Amaral Peixoto. Editora Globo, Porto Alegre, 1976.<br />
<strong>Meio século de combate</strong> &#8211; Diálogo com Cordeiro de Farias &#8211; Aspásia Camargo e Walder de Goes &#8211; Nova Fronteira, RJ, 1981.<br />
<strong>Depoimento a Nilo Ruschel</strong> &#8211; Flores da Cunha, fita do acervo de Carlos Alberto Martins Bastos. </strong></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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