Livros

QUAL O LIVRO DA SUA VIDA?

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O romance é o inventário de uma guerra, qualquer guerra. O único compromisso é com a literatura, que veste o que chamam verdade, ou memória, ou mesmo poesia. O que faz o romance é decidir o que existe de épico do fato reconstituído pela soma de linguagens atiradas no chão do tempo. Minha cena favorita de Lord Jim, de Joseph Conrad, traduzido de uma versão francesa pela música de Mário Quintana, é quando o anti-herói joga a tocha acesa no rio e, ao apagar-se, revela todas as estrelas. Ou a cena de O coração das trevas em que Marlowe cruza com seu barco o meio do nada chamado Tamisa e começa a narrar para quem o cerca, prendendo-os numa rede irresistível a que chamam história, mas que é pura magia.



O TEMPO É A PÁTRIA DO MIGRANTE

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Julio Monteiro Martins, o mais importante escritor brasileiro em atividade no Exterior, abre o verbo: Tudo está por ser escrito. Temos poucos escritores diante da velocidade e profundidade das mudanças. O escritor contemporâneo está em busca desesperada de uma nova forma de romance. A literatura é o único discurso com força suficiente para enfrentar a manipulação feita pela publicidade e pelos governos.O motivo da entrevista é o lançamento do seu terceiro livro escrito em italiano, Madrelingua, que é um trabalho de experimentação literária, escrito em pleno estado patrimonialista (segundo sua definição) do governo Berlusconi. Toda a conversa de Julio está no endereço http://www.arcoiris.tv/



A HISTÓRIA NO ACOSTAMENTO

dez 18th, 2009 | Por | Categoria: Livros

No seu obrigatório “Golpe Mata Jornal” (Já Editores) Jefferson Barros trabalha as contradições, os conflitos que regeram o nascimento e o crescimento da cadeia de jornais Ultima Hora, criada por Samuel Wainer. Mergulha fundo nas origens da imprensa gaúcha e a situação em que se encontrava quando a UH do Rio Grande do Sul veio à luz. O espírito livre do autor não abre mão do rigor metodológico. Esse aparente paradoxo – a liberdade da abordagem vestindo a luva do racionalismo dialético – faz do texto de Jefferson uma aula de História. Pior para todos nós: é um roteiro de como a História foi jogada no acostamento.



O SOL OCULTO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Ficção é o álibi perfeito para contar a verdade. Isenta o autor de crime de calúnia e ainda enriquece a biografia artística. É o que Carlos Henrique Schroeder faz no seu oitavo romance, Ensaio do vazio (Coleção Rocinante, Editora 7Letras, 114 pgs.). O romance é colocado como um trabalho de vanguarda numa bienal de sucesso, nesse tipo de evento comparado a um shopping center de mercadorias descartáveis por Ferreira Gullar em Sobre Arte (Coleção Sabor Literário da José Olympio, republicado junto com o ensaio Sobre poesia – uma luz no chão, 170 pgs.). Numa conexão explícita, o personagem de Schroeder, pelo menos nas intenções (viver do mercado, em conúbio com os neomarchands) e nas convicções, é idêntico ao de Ferreira Gullar. (Resenha publicada no caderno Cultura, do Diário Catarinense, de 17 de junho de 2006).



PAMPA EM 23: UM ROMANCE FUNDADOR

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Romance fundador pode ser comparado a um marco de pedra na fronteira seca. É linha divisória e parâmetro num ambiente que foi riscado pela guerra. Quem passa por ele aprende a se situar, reconhecendo assim a identidade de algo que está oculto num lugar onde tudo parece ser idêntico em qualquer quadrante ao seu redor. O marco faz parte da região, no caso, a literatura, mas dela se destaca porque define algo profundo. Esse contorno não se esvai na chuva, não é colhido pelo tempo. Fica de pé, a exemplo de um acordo entre povos que se respeitam por gerações. E serve de guia para os viajantes, os leitores, que sabem, a partir dele, o lugar onde estão pisando. Assim é o romance Pampa em 23, de Ubirajara Raffo Constant, lançado em 2004 e até hoje cercado pelo silêncio e a solidão, apesar da sua presença definitiva como obra de referência na cultura brasileira.



O POETA ABSOLUTO

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Como um só poema sinfônico em três movimentos, A Imitação do Amanhecer, de Bruno Tolentino (Globo, 328 páginas, 2006) parte do encontro de um par de amantes em Alexandria, ponto nodal da cruz Oriente-Ocidente, e se derrama sobre o mistério que a memória apascenta como pastora de um caos temporal. Seria injusto, pela perfeição da obra, que não admite tropeços, destacar versos, partilhá-los como se estivéssemos numa vitrine a expor uma caixa de ressonâncias ocultas. Tudo é claro, equilibrado e profundo no desdobramento dessa perseguição que o autor comete diante da sua presa. (Resenha publicada no Caderno Cultura, do Diário Catarinense, de 12 de agosto de 2006).



DOIS POETAS

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

“Horizonte de esgrimas”, de Mario Chamie e “O Mundo como Idéia”, de Bruno Tolentino são livros dos dois mais importantes poetas do Brasil. Há outros poetas, também fundamentais, o que seria desnecessário citar, mas a confusão crítica é tanta que deve-se colocar tudo preto no branco: Ferreira Gullar, Hilda Hilst. Prefiro Chamie e Tolentino pelo que conseguem construir, pela proposta das suas intervenções.



CANÇÕES DE UM POETA DE RUA

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O poeta maldito não é um maledicente nem um amaldiçoado. E sim um poeta sem o teto das palavras, para usar o verso de um deles (e possivelmente o único), Marco Celso Huffel Viola, que está novamente na praça com seu livro Viver a paixão de cada passo (Editora Alegoria, 80 pgs., R$19,50). Celso lembra, nesta época em que continuam fazendo carreiras literárias empilhando poemas, que a poesia não serve para nada e sua importância e força vem desse mistério. Por não pertencer, na essência, ao mundo utilitário, a poesia está fora da sua identidade considerada normal.



DOIS TEXTOS SOBRE URUPÊS

dez 17th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Urupês, de Monteiro Lobato, com 14 contos e um artigo, é analisado sob dois enfoques. O primeiro é a partir da denúncia e do humor . A formatação do Jeca Tatu, excluído gerado pelo mau uso e pela posse injusta da terra, medra na nação que perdeu o rumo. O segundo é a partir da natureza e da sociedade. A devastação anti-ecológica como reflexo da estrutura de classes ainda impera no país continente, passados quase cem anos da primeira edição do livro, que fundou a literatura lobatiana.



O QUE MOLHA E NÃO É ÁGUA

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Vida doida, de Adélia Prado (Alegoria, 78 pgs.), com ilustrações de Ana Viola, que faz parte da coleção Palavra e Arte, é sobre a alegria convivendo com a dor: doida, doída. É uma antologia que nos resgata o melhor da poeta e abre as portas para uma visita aos seus supremos redutos.