Livros

REDUTOS DA LUCIDEZ ESCANCARADA

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Emanuel Medeiros Vieira, com 16 livros publicados, em “Os Hippies Envelhecidos” (UFSC, 100 páginas), de 2002, encontra o lugar sagrado do equilíbrio entre memória e literatura, entre invenção e resgate. Nesse cruzamento das evidências mais nobres da existência humana, ele se coloca no foco crepuscular de uma abordagem irada e poética. Seu cuidado é não cair no vazio, no artificialismo, na tautologia. Por isso mói a narrativa de todas as formas, libertando-a dos vícios por meio de exemplar domínio do seu ofício



HOMERO VIVEU ENTRE NÓS

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Jayme Caetano Braun não é apenas de um trovador gauchesco, ou payador, como ele se definia. Mas de um autor em que todos os seus versos formam um único poema, um épico, uma rapsódia do Brasil profundo. Braun, filho de um professor alemão com mulata, é o rapsodo, que ia de cidade em cidade recitando um grande poema de formação, do povo e seus costumes, da história e suas guerras, do tempo e suas glórias e misérias. Tudo dito e escrito na língua de Camões e não num patuá regional. E com todo o vocabulário do pampa, sem que as palavras típicas desvirtuassem a construção clássica, a melodia épica que vem de Camões e chega até nós pela voz de Castro Alves.



ARQUEOLOGIA NO DESERTO

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Por ser radical, por colocar os gênios como milagres que desafiam uma cultura autodestrutiva, Henry Miller provoca o desconforto habitual da fornalha da sua escrita. O leitor não faz uma viagem agradável pelas paisagens físicas e humanas de uma América deslumbrante e aterradora. Não se trata de um livro para confirmar a hegemonia de algo irreversível ou para entreter quem quer que seja. É obra de arte, no que isso tem de mais provocador e gratificante. (Resenha sobre “Pesadelo Refrigerado”, de Henry Miller, publicada no caderno Cultura, do Diário Catarinense, em 3/03/2007).



ESSE OBSCURO OBJETO DE DESEJO

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Qual o objetivo do desejo? Testar o próprio limite, nos diz Carlos Maria Dominguez em sua impressionante novela, A Casa de Papel (Francis, 100 páginas). Amontoar livros até ser enterrado pela própria biblioteca, por exemplo. Como os outros vícios, os livros também são perigosos, adverte o autor (argentino, que vive no Uruguai, premiadíssimo). Podem participar de um ou mais crimes. Quais as pistas deixadas por Dominguez? (Resenha publicada na edição de março de 2007 da revista Empreendedor, seção Leitura).



DANAÇÃO NO CHILE AUSTRAL

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Francisco Coloane, festejado e importante escritor chileno, que só agora chega traduzido pela primeira vez no Brasil graças à editora Francis, nos revela a paisagem, inédita na literatura, do Chile Austral, ambiente para a danação dos homens com suas ambições, fraquezas e terrores. Seu livro de onze contos, Terra do Fogo, nos leva de roldão por praias assustadoras, penhascos gigantescos, neves eternas, bichos estranhos, guerras de extermínio. E principalmente para o coração das trevas dos aventureiros e vítimas que por lá habitaram no século 19, quando o território foi disputado da maneira tradicional, por meio da cobiça e da violência.



O ENGENHO COMO ARTE

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O escritor espanhol Javier Cercas é como o pintor que expressa sua técnica em cada pincelada e deixa exposta as sucessivas camadas de tinta que usa para compor seu quadro. É como um artista tradicional lancetado pela sem-cerimônia do laser, do raio-x e de todas as artimanhas modernas que expõem a minuciosa arquitetura de uma obra, desde sua concepção até o final. Ele faz isso em todos os seus trabalhos, mas em O ventre da baleia (Francis, 304 páginas) , se supera: o domínio pleno do ofício, aliado a uma auto-consciência (do ato de escrever) impiedosa e reveladora, nos joga fora do aquário (ou do ventre da baleia) complacente dos hábitos de leitura que ainda nos mantém presos a uma ultrapassada imaginação narrativa.



ESSA COISA DE LER

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Livros

A biblioteca, pública ou privada, é o lar do leitor abandonado. Lá ele encontra o que procura. Precisa enfrentar alguns trâmites burocráticos, além de se submeter a prazos de entrega ou mesmo ao espaço físico que convivem com as estantes lotadas. O melhor é a biblioteca na sala ou no quarto, ou, quando há compulsão pelos livros, em todas as peças da casa. Toda vez que um livro importante consegue enfim prender nossa atenção, é comum perguntar-se o que estávamos fazendo que ainda não tínhamos lido aquilo.



UM CONTISTA NO LIMITE

dez 14th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Ricardo Peró Job apresenta seus personagens do livro ainda inédito “A sereia do luminoso” em várias situações limite: o velho que recebe uma indenização ao ser dispensado das suas funções na fazenda onde dedicou toda a vida; o produtor rural arruinado que encontra seu desfecho trágico num quarto sujo de hotel; o travesti apaixonado que se mata por desilusão amorosa; o guerreiro que poupa o inimigo porque este tinha a idade do seu filho, e acaba sendo vítima de sua própria decisão; entre outras situações, todas voltadas para o momento terminal de vidas endurecidas por uma lei oculta, que o autor não tenta decifrar, pois prefere reportá-la com a segurança dos escritores maduros.



LIVROS DE MEMÓRIAS

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Livros

Tenho predileção pelos livros de memórias, sejam quais forem. Meu Érico Verissimo favorito é Solo de Clarineta, apesar de O Continente ocupar o pódio das minhas leituras mais importantes. Mas meu favoritismo se inclina menos para os grandes memorialistas. Gosto mesmo é de memórias de pessoas que sumiram do mapa da memória coletiva, principalmente os que enfrentaram alguma guerra. Sinto grande sensação de vitória quando consigo um exemplar de um lutador muito oculto, tenha alcançado a fama um dia ou não.



ROLAND BARTHES, ESSE É O CARA

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

No momento em que Roland Barthes escreveu, no seu livro Mitologias (1957) que as “franjas obstinadas” nas testas dos personagens do filme Julio César, de Joseph Mankiewicks, eram a “ostentação da romanidade” inventada por Hollywood, abriu-se um clarão e uma estrada infinita de insights sobre filmes, livros, reportagens, imagens etc. Se Barthes, o gênio que foi convidado para ser professor da Escola dos Altos Estudos da França pela sua obra radical e profunda, tem a ousadia de enxergar uma evidência dessas, é porque toda a manipulação a que estamos submetidos pode ser lida de uma outra maneira.



Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes