Livros

ROLAND BARTHES, ESSE É O CARA

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

No momento em que Roland Barthes escreveu, no seu livro Mitologias (1957) que as “franjas obstinadas” nas testas dos personagens do filme Julio César, de Joseph Mankiewicks, eram a “ostentação da romanidade” inventada por Hollywood, abriu-se um clarão e uma estrada infinita de insights sobre filmes, livros, reportagens, imagens etc. Se Barthes, o gênio que foi convidado para ser professor da Escola dos Altos Estudos da França pela sua obra radical e profunda, tem a ousadia de enxergar uma evidência dessas, é porque toda a manipulação a que estamos submetidos pode ser lida de uma outra maneira.



TOLSTOI NO BRASILZÃO CZARISTA

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

A sociedade radiografada pelo gênio de Tolstoi em A morte de Ivan Ilitch e Senhores e servos (do livro As obras primas de Leon Tolstoi, Ediouro, tradução Marques Rabelo e Boris Schnaiderman) é a que mais se parece com a do Brasil velho de guerra. O primeiro conto, ou novela, considerado obra-prima absoluta da literatura universal, aborda a classe média ascendendo por meio da carreira nos órgãos públicos. Esse alpinismo em direção ao Estamento se faz com ambição e mediocridade, com falsidade e tenacidade, com a reprodução, por gerações, dos mesmos papéis sociais passados de pai para filho, pela sociedade de classes onde se insere a casta privilegiada de juízes e promotores. A disputa pelo butim, o arrivismo na troca de governos, a prepotência do mando e das assinaturas diante de uma população desarmada e pobre, tudo está lá, de maneira límpida e absolutamente cruel.



SOBRE O BEST-SELLER D. PEDRO II

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O livro “D. Pedro II – Ser ou não ser” (Companhia das Letras), de José Murilo de Carvalho, foi talhado ao gosto da nossa época. O autor construiu o perfil ideal de um homem público, o que falta desesperadamente nos dias de hoje. Quem era o Imperador? Tudo o que não temos: um estadista erudito, amante das artes e ciências, que permitiu e promoveu a educação e a liberdade de imprensa, democrático ao trabalhar o rodízio das tendências políticas no poder, entre outras qualidades.



O SOBRINHO DE OSWALDO ARANHA

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Tudo indica que Carlos Castaneda, o autor best-seller de livros sobre a saga do xamã indígena Juan Matus, é brasileiro, nasceu em Juqueri (atual Franco da Rocha), interior de São Paulo, em 1935, e é filho não reconhecido de um dos irmãos de Oswaldo Aranha, provavelmente Luis Aranha. Sua mãe era conhecida da poderosa família e é possível que trabalhasse numa das suas fazendas ou tinha propriedade na vizinhança.



MADAME BOVARY, O ROMANCE MAIOR

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Madame Bovary, de Gustave Flaubert, foi lançado há 150 anos e é considerado “o romance dos romances” pela acurada carpintaria da linguagem, a estrutura impecável da narrativa, a complexidade social e psicológica dos personagens e a grande influência que exerceu em todo mundo, com os russos à frente, como confessaram Tchecov e Tolstoi, entre muitos outros.



O ESCRITOR VAI À GUERRA

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O novo romance do mexicano David Toscana, O Exército Iluminado, o terceiro lançado no Brasil pela Casa da Palavra, é um drama enjaulado na comédia. Personagens infantis que fazem o papel de adultos, o avesso da série Chavez, revelam que o fracasso do México está sintonizado com a maturidade decepada pela violência.



CITAÇÕES CENTENÁRIAS

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Crônicas, Livros

As citações são como pragas em efemérides que se reportam às celebridades das nossas letras. Machado de Assis e Guimarães Rosa compartilham 2008 com seus centenários de morte e nascimento, respectivamente. Que sejamos poupados do excesso de batatas aos vencedores e de vivências muito perigosas.



MÁXIMO GORKI: CENAS DE “INFÂNCIA”

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Todos os personagens são impressionantes. A avó gorda e com imensa cabeleira, ágil como uma gata e que sabia todas as lendas da Rússia de cór. O avô ruivo e horrível, que o açoitava todas as semanas e que o ensinou a ler. A mãe ausente, que o deixou para trás, viúva que casou com um agiota e morreu de fome e desgosto. Os irmãos recém nascidos mortos. O mestre tintureiro cego, que era perseguido pelos tios e primos de Gorki, que deixavam os dedais em brasa para ele se queimar. O químico que foi seu primeiro amigo e que acabou expulso pelo avô. A mãe do padrasto, que se vestia toda de verde e tinha também a cara e os dentes da mesma cor. E assim por diante.



O FINO DA PROSA

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Não temos, no Brasil, ventos favoráveis constantes para que os talentos possam cumprir destinos e vocações. Vivemos em espasmos, em premiados que caem no esquecimento, em aplausos que o tempo cobre. Depende do autor seguir adiante e é o que Tony Monti consegue fazer, mesmo agora, desarmado do apoio inicial, quando chega ao seu segundo livro, O menino da rosa (Hedra, 46 páginas).



CENAS DE UMA TRILOGIA

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Quem lê Máximo Gorki, não precisa ler mais nada. Algumas cenas nos deslumbram pela contundência, pela precisão dos detalhes, pelo fragor da narrativa, pela atualidade. Fellini deve ter lido, pois a literatura de Gorki revela que estamos cercados pelo surrealismo, que a realidade é hiper-real, que os seres humanos são um mural de exceções, o que chamariam hoje de diversidade.