Livros

A ESSÊNCIA DO TRABALHISMO DE OPOSIÇÃO

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros, Política

Depois de Leonel Brizola (Caros Amigos Editora, 76 pgs., R$ 12,90), o novo livro de Gilberto Felisberto Vasconcellos, está sintonizado, de maneira ainda mais ampla e fecunda, com o que, durante anos, publiquei aqui na militância trabalhista não partidária do Diário da Fonte. Trata-se de alta produção de pensamento. Vasconcellos é um teórico sério, contundente, certeiro, que se dá o luxo, proporcionado pela criatividade do trabalhismo, de usar todas as nuances da linguagem, sem se engessar no paga-pau colonizado dos jargões acadêmicos. De maneira clara, coloca os fundamentos do trabalhismo, sua importância histórica, sua função libertária e, portanto, sua atualidade depois da morte do líder.



A VOLTA DA PALAVRA

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros

O poema manifesto, tornado tradicional pelo tempo transcorrido e resgatado agora na memória impressa, é apenas um aspecto do trabalho de Rubens Jardim, que lança seu primeiro livro em 30 anos, “Cantares da Paixão”. O mais importante não é sua “pertença”, sua biografia poética, mesmo que o núcleo de onde surgiu seja de citação obrigatória. O fundamental, nele, é o deslocamento do poema para fora da linguagem, o que é feito com maestria, no uso da palavra conhecida e na eventual quebra silábica do discurso.



O ELEVADOR NO ABISMO

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Sobre Daguerreótipos (Escrituras, 222 páginas), de Marcus Accioly: O poeta é o anjo que ganha a parada, pois enxerga a violência de estar vivo e encara a brutalidade de ser eterno. Sua poesia está em nenhum lugar, a não ser nessa “sobra”, quando se desbastam todos os disfarces e ressurge, crua, a loucura do talento pousado nas costuras aparentemente efêmeras. Como no poema para Tchaikovsky: “O inferno atrai e queima a mariposa/ e uma asa de seda – um véu de esposa – /cobriria o teu rosto, além do pranto”.



AMOR PÓS-ROMÂNTICO

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Amor é abandono: os pais andam na ponta dos pés para evitar que a admiração pelo filho pródigo, enfim de volta à casa, vire desprezo; o estudante pobre e radical oprime a aristocrata, repentinamente dona do seu árido coração; o amigo suporta todas as humilhações do companheiro de quarto para manter acesa sua devoção por alguém que julga seu superior. Todos sofrem em silêncio esse amor fora de hora, pois em 1859, época em que se desenrola a obra-prima de Turgueniev, Pais e Filhos (Cosac Naify, 1994, tradução de Rubens Figueiredo), o realismo dava as cartas e havia um esforço para que o romantismo fosse coisa do passado.



SEREIAS DE DOIS MUNDOS

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Dois ficcionistas de gênio abordam o mito da sereia de maneira oposta. Ambos compartilham ambientes parecidos: o sufoco da Sicília, no caso de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896–1957), ou do Chaco, região noroeste da Argentina, no caso de Mempo Giardinelli (1947). A lua, o deserto, o calor envolvem o protagonista siciliano de O Senador e a Sereia e o argentino de Luna Caliente, no embate dessa busca de si mesmo, encarnada no encontro libertador (em Lampedusa) e fatal (em Giardinelli) com as sereias. São narrativas sobre a relação com o mito. Em Lampedusa, há o heroísmo da entrega e da redenção. Em Giardinelli, há voragem, em que o anti-herói quer devorar o que pretende evitar, sem reconhecer que está sendo engolido.



O POETA NO EITO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Em todas as 478 páginas deste segundo volume das Crônicas Inéditas lançado pela CosacNaify, com organização, posfácio e notas de Júlio Castañon Guimarães, existe a postura exemplar do poeta Manuel Bandeira. Como, por exemplo, a “crueldade” expressa na sua atuação como jurado de concursos literários, em que colocava a meritocracia acima de todas as injunções. Assim se livrava dos que exigiam os prêmios explicitamente ou por vias indiretas. Tinha gente que não respeitava a assinatura por pseudônimo, por exemplo, e entregava o nome verdadeiro, para tentar influenciar, em vão, o resultado.



RAYMUNDO FAORO E O ANACRONISMO: TRÊS ENSAIOS EXEMPLARES

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Anacronismo é a palavra chave dos três ensaios de Raymundo Faoro, enfeixados num só volume publicado pela Atica em 1994 e que leva o título de um deles Existe um pensamento político brasileiro? Neste texto principal, o Mestre analisa a osmose entre Portugal e Brasil nas ações do poder, consolidadas num acervo pragmático de princípios que se adaptam às circunstâncias. O segundo é A Modernização Nacional, onde aborda as diferenças entre modernidade, a evolução social equilibrada e dentro de um cronograma “natural”, e a modernização, que são as intervenções feitas aos arranques, na base do fórceps e que deixam um rastro de ruinas. E o terceiro é A Ponte Suspensa, sobre a a natureza e a influência na vida brasileira da biografia que Joaquim Nabuco fez sobre seu pai, “Um estadista no Império”, lançado no final do século 19.



POUCAS PALAVRAS EM MANUEL BANDEIRA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Basta uma frase, um parágrafo, uma citação para Manuel Bandeira chegar ao núcleo do poeta abordado em sua Apresentação da poesia brasileira. O livro, relançado pela CosacNaify dentro das comemorações do ano dedicado a Bandeira, contem, em sua cara-metade, uma antologia primorosa dos principais poetas brasileiros desde a proto-História da América Portuguesa até os movimentos de vanguarda como Modernismo, Concretismo e Praxis. Nascido clássico, por ter sido criado por um Mestre que teve a paciência de militar no grande varejo da cultura literária do país, a obra abrange muito sem utilizar páginas em demasia.



MAR DE CECÍLIA, ESPELHO SONORO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Livros

Foi na poesia, espelho da vida inteira, que Cecília Meireles deixou perdida a sua face. Como achá-la na leitura, se na sua criação é posta como enigma, pergunta, busca? Talvez de ouvido possamos resgatá-la, já que antes de tudo ela é sinfonia, cantata, quarteto de cordas, coral. Mas é impossível aprisioná-la nos olhos sem treino, identificá-la com o faro cego, enxergá-la com o tato morto. Mesmo que estivéssemos a pleno com os cinco sentidos, seria inútil tocá-la, já que aprendeu cedo a inventar ou descobrir mundos por meio da solidão e da proximidade com a morte.



ALEJO CARPENTIER E A ORIGEM DO ROMANCE

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Livros

A busca, em Alejo Carpentier, na sua absoluta obra-prima Os passos Perdidos (um livro que te joga para sempre no exílio, já que depois dele nada mais precisa ser escrito), de 1953, implica em algo maior do que apenas abrir mão da superficialidade ou da alienação. Chegar ao coração do romance é notar que lá também a arapuca funciona e pode matar: “A selva era o mundo da mentira, da cilada e do falso semblante. Ali tudo era disfarce, estratagema, jogo de aparências, metamorfose”.



Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes