Música

FONTES DA BOSSA

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Música

Não é que Caetano queira imitar João, Caetano é João, sem deixar de ser Caetano. É emocionante compartilhar a grandeza desse artista que nos brinda com a madura longevidade do seu talento inimitável. A seriedade, a competência e a inteligência como canta é uma questão cultural. Caetano é a ruptura que resgatou muita coisa da tradição, sem abrir mão da ruptura. É vanguarda o tempo todo, até mesmo quando escande as sílabas para homenagear a banda, os músicos, tornando sua voz um instrumento significativo, mas coadjuvante. Em Caetano, é o arranjo, a harmonia, a melodia que contam.



MITCH MITCHELL: O SOM DO SONHADOR

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Música

O sonho não brotou, como querem os textos da memória fake da mídia, repetidos até a extrema exaustão, para manter no ar a intenção de assassiná-lo. O sonho foi sonhado (com perdão da necessária tautologia) por grandes artistas como Mitch Mitchell, baterista da Jimi Hendrix Experience (banda conhecida por todas as pessoas que permaneceram alertas numa época de sombras). Ele foi encontrado morto no dia 13 de novembro de 2008, aos 62 anos, vítima de causas naturais, ou seja, desconhecidas. Tinha acabado de fazer uma turnê por 18 cidades americanas.



FOSTE A SONORIDADE QUE ACABOU

dez 12th, 2009 | Por | Categoria: Música

Vivemos na época das egüinhas pocotós, do rebolar incessante de quadris frenéticos, da falta completa de talento, dos suspiros de auditórios carentes de tudo. Perplexos, perguntamos o que aconteceu. O que houve foi que perdemos o rumo e precisamos nos opor frontalmente ao Mal, disfarçado de Falso Bem. Não pode haver trégua na luta contra essa canalha. Baden Powell neles. Tom, Vinicius, João Gilberto e tudo o que existe de bom no Brasil e está oculto, por culpa de uma campanha sinistra contra o país que já foi maior e hoje tem sua sonoridade em ruínas.



A FALA OCULTA: CANÇÃO, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

dez 11th, 2009 | Por | Categoria: Música

Música e letra da canção Conversando no bar (Saudades dos aviões da Panair), de Milton Nascimento e Fernando Brandt, tem me perseguido nos últimos dias. Carreguei a magistral interpretação de Elis Regina em 1974 no you tube. De que trata a letra? Da ditadura. Foi feita dez anos depois do golpe de 64, naquele ponto de inflexão do tempo em que a tragédia ainda estava próxima mas já decolava para seu segundo decanato, ou seja, o que viera antes dela tonava-se, irremediavelmente, memória.



MICHAEL JACKSON E A INFÂNCIA REINVENTADA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Música

Com sua arte refinada, MJ é a representação de uma sociedade que se desvencilhou de suas raízes. Idolatrado por libertar as massas para uma série de gestos inéditos, apropriados para o uso em ambientes virtuais, MJ inventou a chance de refazer a própria vida, recomeçando da infância, que, com o apoio de seu faturamento extraordinário, deveria ser oposta à que ele sofreu. No fundo, não teve infância, ou ela estava ligada à dor e às algemas seculares do povo a qual pertencia. Livrar-se da canga por meio da plástica, de uma nova pele e de uma voz que se transformou apenas num falsete, cabia perfeitamente no mesmo diapasão da obra que impressionou o mundo.



WOODSTOCK: A UTOPIA REVISITADA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Música

Utopia significa não-lugar, portanto não adianta cercar Woodstock ou a fazenda onde foi realizado o megaevento de 1969 e que hoje é comemorado como um quarentão famoso. Já foi provado que repeti-lo também não significa nada. Você pode ir até o local, colher um punhado de terra para guardá-lo num gaveta, pagar um guia para dizer onde foi que os caras rolaram na lama, chamar um monte de estrelas da música, tudo será inútil. Woodstock existe em outro plano, tão real quanto um por-de-sol: ele dura alguns segundos, mas você o guarda para sempre no coração, na memória, na imaginação e no sonho. Veja e escute Joe Cocker cantando os Beatles, Jimi Hendrix arrasando o hino americano ou Santana despertando o cosmo escuro: lá brilha solitária a estrela da revolução assassinada.



ESCUTE BELCHIOR, O QUE ANDA SUMIDO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Música, TV

Em todas as suas letras, Belchior dá seu principal recado, sintetizado nestes versos: “Eu não estou interessado/ Em nenhuma teoria/ Nem nessas coisas do oriente/ Romances astrais/ A minha alucinação/ É suportar o dia-a-dia/ E meu delírio/ É a experiência/ Com coisas reais…” O incrível é que agora querem saber apenas onde anda, para solucionar o mistério e não para decifrar seu enigma. Continuam não querendo saber como ele anda, como é ou foi seu caminho, o que percorreu com sua arte.



O PERIGOSO MAR DE CAYMMI

maio 29th, 2005 | Por | Categoria: Música

Dorival Caymmi não canta a praia ou o mar, canta a pesca, atividade do trabalhador que arrisca a vida todos os dias no desempenho do ofício. Sua obra é um épico sobre a morte dos que lutam para sobreviver num ambiente hostil, o oceano, que atrai pela necessidade e seduz para uma armadilha mortal quando acena para o lazer em pleno expediente



O PEREGRINO ENCONTRA O ABISMO

maio 23rd, 2005 | Por | Categoria: Música

O que diz Romaria, a obra-prima de Renato Teixeira, imortalizada por Elis Regina? Numa leitura livre, narra pela voz de um peregrino o encontro com a possibilidade de um milagre, que seria a paz nos desaventos, a tranqüilidade de espírito no país insuportável. Ele não se conforma com o Mesmo, a repetição da tragédia que é sua vida e vai em busca do Milagre, que significa interrupção, quando o chão falta e tudo pode acontecer.



Pátria Yamandú

maio 13th, 2005 | Por | Categoria: Música

Fronteira é o limite que permite o acesso ao infinito. Não há pátria sem fronteira, como não há cultura sem pátria. O alimento do gênio de Yamandu Costa é a percepção dessa verdade. Ele tem de onde tirar: seu violão carrega os frutos que os mestres da música brasileira arduamente cultivaram ao longo dos séculos. Filho do Sul, ele sabe o quanto vale uma bandeira fincada na linha divisória da nação. E a usa não como cobertor, mas como viagem.