Poesia

AVESSO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Agora que a face do sol sem
brilho acorda a face oculta
de deus virado pelo avesso



TRAPÉZIO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Tempo não ocupa espaço
Desanda quando acontece

Rastro de sombra, penhasco
Com os minutos em queda



FLAGRANTE

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Não peço desculpas pelo atraso
Nem pelo caldo, folia de Reis
na serra do Espinhaço, turismo
de sal na areia depois das seis



FICO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Nenhuma palavra brota do silêncio
Voltado para o canto escuto o vento

Nenhuma conversa opera no silêncio
Dobrado no quarto enxergo o tempo



REVANCHE

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Sou avô, mas jamais fui neto
Por destino desenhei uma linhagem
Da nação sem lei sou a estiagem
E reponho a bandeira no meu teto



VOLTA, RIO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Esportes, Poesia

Na origem, o Rio é uma paisagem-monumento
na essência, um urbanismo clássico
na História, uma soma nacional
na música, uma tarde de sol.



EVOCAÇÃO DO CANTO

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Descerra essa violação, afasta essa solidão
Venha me encontrar na última carruagem
Pegue o trem, pilote o avião, pouse em Marte
Retorne com as palavras perdidas no porão
Venha, rouxinol, cante que é tarde



O HERÓI DA LENDA

dez 10th, 2009 | Por | Categoria: Poesia

Permaneci muito tempo calado
Antes desta época eu não tinha voz
Agora posso professar o indizível
Costurar o incosturável
Abraçar o espanto, celebrar o sol



NA CASA DO POETA MAIOR

maio 29th, 2005 | Por | Categoria: Contos, Livros, Poesia

Quem é J. A. Pio de Almeida, esse poeta estupendo que hoje está recolhido, quieto, “oculto entre as colunas altas do Silêncio”, como diz, no bairro do Espírito Santo, em Porto Alegre? Sua poesia pertence ao mais alto patamar da literatura brasileira. Leiam esses versos: “”Há um tapa de jaguar vencido em meu silêncio/ um taciturno fim de época rebelde/ um não-sei-quê de sombra e glória no que eu penso…”



Mário Quintana: O Flagelo do senhor

maio 13th, 2005 | Por | Categoria: Livros, Poesia

A longevidade de Mario Quintana é a sua melhor vingança. Ele sobreviveu aos passadistas escandalizados com o verso livre, aos modernistas que vaiavam o soneto, aos concretistas alérgicos ao discurso, aos épicos que odiavam o lirismo, aos românticos chocados com a crueza.