É TEMPO DE PERDÃO

dez 13th, 2009 | Por | Categoria: Poesia    1.193 visitas    Print This Post  

Nei Duclós

É tempo de perdão pelo tempo perdido

É a perda de tempo que nos mantém cativos

Não o tempo sem valor ou a chance fria

Mas o tempo do coração em queda livre

É tempo de perdão pela vida no exílio

Tempo sem razão do obscurantismo

Tempo escoado pela falta de um grito

A fala enterrada do tempo partido

É tempo de perdão pelo que poderia ter sido

Por jogarmos o tempo pela janela de vidro

Onde não vemos o tempo que o vento sibila

E perdemos a canção sem tempo nem brilho

É tempo de perdão pelo poema sem sentido

A palavra que o tempo repassa sem ruído

Pelo tempo que arranjamos longe do espírito

Esse tempo não redime o estranho convívio

É tempo de perdão para dizer meu amigo

De construir uma fogueira do tempo antigo

Que se aviste de longe, no tempo redivivo

E que nos faça curar o tempo e sua ferida

É tempo de perdão no ano que se fina

Tempo de comunhão mesmo que termine

Quando temos tempo no instante tísico

É só um aperto de mão no tempo assassino

É tempo de perdão, venha ter comigo

Algum tempo que desperte a pedra insensível

E que tenha tempo composto no capricho

mesmo que o tempo devore seus filhos

É tempo de perdão e não de arrependidos

É tempo de oração, do pão que é repartido

Lugar comum do tempo, feito de granito

Onde pousamos o rosto do tempo infinito

4 comments
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  1. Só hoje, tomei conhecimento dos seus versos, destes intensos poemas que li, como se bebesse.
    Nem posso dizer deles ainda, perdão, mas voltarei para reler e reler.
    Creio que é tempo de aprender.

  2. Que maravilha de poema! Todo esse tempo cantado e contado por você implica o respeito ao Senhor da Razão. Ele é o Tempo.
    Nei Duclós, você e o Luiz de Miranda são nomes que honram a poesia nacional.
    Admiro o trabalho seu, que começo a conhecer. Do Luiz me aproximei, quando repórter da “Folha de Londrina” em Foz do Iguaçu e ele circulou pela Tríplice Fronteira. Saúde, paz e prosperidade.

  3. Obrigado pelas palavras generosas, Montezuma. Você me estimula e fico gratificado. Abs.

  4. Saramar: a poesia é em qualquer tempo. Obrigado. Abs

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