O SOMBRA

set 5th, 2011 | Por | Categoria: Poesia        

Nei Duclós

Sempre que chega perto da meia noite,
os relógios sentem um calafrio.
Não é por nada. É que nesse horário
costuma passar o temível Sombra

Sombra gosta de entortar relógios,
fazendo-os andar para trás. Quando
conseguir reverter todos os que há
no mundo, amanheceremos de uma vez

Os relógios sabem que Sombra se dedica
a uma missão impossível. Poderiam apenas
achar que é um chato, mas existe
algo nele que mete medo

Talvez seja o jeito meio curvado.
Ou seu passo pesado, como betume.
Ele deixa marcas por onde pisa.
Os panos morrem tentando apagar os rastros

Sorte que ele aparece só à meia noite.
Seria impossível aturá-lo a cada badalada
Sorte, não. Agora é a sua hora.
Há pânico no Tempo

Agora! Relógios com ponteiros
são os que mais sofrem nas mãos do Sombra.
Os digitais também não escapam,
mas por qualquer coisa, apagam-se

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