Destaque
Nei Duclós Você disse que viria não veio fiquei no banco traseiro preso ao meu corpo feio Imaginei teu dorso em alto mar barbatana sob a estrela maior Sonhei que perdi o desembarque e lá fiquei até fechar o século Acordei ao teu pé direito Sou forro que a flor sujeita Primeiro pus amor na reta barulho no coração de feltro Depois mergulhei num anel de pedra Não perca a Lua cheia Aguardo o navio perfeito, correio da tua beleza Quero-te inteira mesmo que seja só o poema
Categoria: Poesia
Comentários Recentes
- Saint-Clair Paes Leme: Caro Nei Acresço (não sei se é de seu conhecimento) que os parceiros mais marcantes de Luiz...
- Nei Duclós: Obrigado, coronel Saint-Clair pelo seu depoimento. Eu fico invocado com os “esquecimentos” de...
- Saint-Clair Paes Leme: Caro Nei Sou coronel de reserva e meu pai (tambem falecido) era contemporâneo do “Nêgo...
- Nei Duclós: Sempre tem os adversários do grande cinema, Nelson, mas ele sobrevive e nos emociona como nunca. Abs.
- nelson maciel filho: Parabéns pelo comentário sobre o grande Steven Spilberg, o grande cineasta que revolucionou a...
Apresentação
Este espaço foi criado para resgatar e projetar um trabalho autoral de três décadas, desenvolvido em seis cidades (Uruguaiana, Porto Alegre, Blumenau, Florianópolis, Vitória e São Paulo) e que está ligado intimamente à produção poética, literária e jornalística do nosso tempo.
A idéia é concentrar os poemas, as resenhas, os artigos, as memórias, as reportagens, as crônicas e os textos literários e acadêmicos que estavam dispersos, parcialmente publicados e que até agora ocupavam o inacessível território das pastas, das gavetas e das estantes.
Esta página serve como exercício de difusão e de memória, de reencontro e retomada, num abraço único que envolve toda uma vida dedicada às palavras. Acompanha-me, nesta trajetória, a torcida e a colaboração de parentes e amigos, aos quais devo demais, sabendo que nunca poderei retribuir à altura. Esta é a maneira que encontro de homenagear o País e de compartilhar a minha versão de uma realidade que procuramos, sempre, transformar.
Nei Carvalho Duclós
Crônicas
Cinema
Nei Duclós “Invada o Oriente Médio, mas não coma a estagiária” é a lei eleitoral americana imposta por quem manda, o marketing político. Não se trata de bastidores, é o próprio poder, se entendermos o poder como linguagem. O discurso que manobra a nação é formatado pelos idealizadores da campanha. Esta, é a origem, a [...]
Nei Duclós Algumas conclusões podem ser tiradas do filme de Phyllida Lloyd , A Dama de Ferro (2011), escrito por ela e a premiada dramaturga Abi Morgan, com a Monstra, Meryl Streep, no papel de Margaret Thatcher, coadjuvada pelo excelente veterano Jim Broadbent no papel do marido bobão . Primeira conclusão é que os homens [...]
Livros
Nei Duclós No extraordinário Diário de um louco, de Gogol (1809 – 1852), funcionário público pobre e medíocre faz um esforço para se adaptar à irracionalidade da hierarquia social por meio da lógica das representações. Ter um título de nobreza, casar coma filha do chefe, usar uniforme de general são objetivos que poderão levá-lo à [...]
Política
Nei Duclós Quando te informarem algo, não levante a cabeça em ostensivo silêncio, como se estivesse acima do que é dito Quando te fizeram uma proposta, não diga para o interlocutor que vai decidir o assunto com o chefe dele Numa reunião, não esnobe o interlocutor dizendo alto as horas exibindo seu relógio infinitamente superior [...]
UM ESTRANHO CASO
Nei Duclós Cachorro-Em- Pé era visado pelos maus da vizinhança. Com um tronco desproporcional aos pequenos braços e pernas, que sacudiam no andar desengonçado, o rapaz virou alvo fácil logo que chegou de mudança na rua, junto com a família. Além de bizarro, era de outra cidade. Parece que de Santiago ou Cachoeira, lugares distantes, [...]
O STAND UP É UM PERIGO
Nei Duclós Stand up é a arte de levantar a platéia com baixarias que você só teria coragem de dizer para você mesmo ou para os amigos mais próximos – talvez até na presença de desconhecidos em alguma festinha, para checar sua popularidade. Grandes lendas se fizeram à sombra do stand up, como Lenny Bruce, [...]
CULTURA E FUTEBOL: A LÓGICA DO IMPROVISO
Nei Duclós O futebol brasileiro é fruto da cultura da escassez, conceito usado pelo poeta Mario Chamie quando assumiu a secretaria municipal de Cultura de São Paulo nos anos 70. A cultura da escassez define o perfil dos brasileiros que, ermo de recursos e de incentivo, acabam superando com a criatividade o que lhe falta [...]
COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO
Nei Duclós Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o [...]
TOMZÉ, TORCENDO AS REGRAS DO JOGO
Nei Duclós Eis uma reportagem importante que Miguel Duclós desencavou na sua pesquisa sobre o meu trabalho no acervo da Folha. Um longo texto de 33 anos atrás sobre TomZé e seu “Estudando o Samba”, bem na época em que ele não estava na moda e desenvolvia seu trabalho fundamental, mais tarde descoberto pelos americanos [...]
CRIATURA
Nei Duclós O tempo foi generoso comigo. Escrevo para quando eu partir teres o que ler, minha doçura Meu objetivo é ficar vivo em ti Por isso esse tom compulsivo de quem não descansa nunca mas é aí que encontro a paz nessa delícia em letra de forma As palavras que encontrei são folhas caídas [...]
A HIERARQUIA DOS GESTOS
O gesto favorito dos nossos estadistas de estádio (como diria Ulysses Guimarães) é virar a cabeça junto com o tronco. Sinal que sugere integridade física, ou seja, não se torce o pescoço para olhar ninguém, vira-se inteiramente como a proclamar autoridade e expressar com esse gesto que se está ali para mandar e ensinar, e jamais para escutar. Nisso FHC e Lula também se parecem. A rigidez de ombros que ostentam significa que são rochedos. Em volta deles, pululam como ondas os ombros frenéticos da mídia, a lamber-lhes as ostras.