POESIA NO CLIMA
set 5th, 2011 | Por Nei Duclós | Categoria: PoesiaNei Duclós
Ando no quintal gramado, com jasmin, limão e laranjeira. O vento viaja nos fios e surra as folhas, de brincadeira
Respirei fundo. Veio junto uma parte do céu azul, que nem deu por isso porque nesta manhã ele resolveu de novo ser infinito
A poesia me levou para o canto e pediu para ficar atento. Deixe passar o monstro, disse ela, depois plante a palavra novamente
Só amor faz sentido. Mas não diga para ninguém. Finja que está passando
O amor brinca de esconde-esconde. Quando desistimos de procurar, ele salta na tua frente fazendo algazarra
Vespas rondam os botões do limoeiro carregado. Por enquanto,sobrevivem fazendo segurança para o ninho da pomba rola em ritmo de acasalamento
Pés gelados, cabeça a pleno, pouco para dizer a não ser o espanto, quero compartilhar o nada que tenho: palavras que me sonham
Se você me abandonar, me conformo, pois estou acostumado ao deserto. Mas se ficar comigo eu viro uma floresta, e todos os pássaros
Olhamos acima dos morros da praia, e vemos as nuvens do setembro que chega. O país ainda respira, terra adorada. É só o que temos, e é tudo
Antes de entrar, Setembro varreu a casa para o brilho do céu receber a Lua nova. E colocou Agosto de castigo nos fundos
Submeter-se é o atalho para acontecer aquilo que você busca se insurgindo à toa
O amor que fica, e não é correspondido, fecha todas as portas para a visita mais esperada, a de alguém que saiba desmontar o segredo da cela
Inspiração é quando respiramos a liberdade, mesmo confinados numa cela. Nascemos para o voo, pássaros impertinentes no céu de promessas
Menos, diz o Mesmo em pânico diante da mina que brota com força e misteriosamente nos redutos do Outro