RIQUEZA
dez 10th, 2009 | Por Nei Duclós | Categoria: PolíticaNei Duclós
Onde está a riqueza atualmente? Em quem possui, e pode repassar, um trilhão de dólares, como o atual governo americano. Nenhuma empresa, corporação, magnata tem esse dinheiro disponível. O Estado dispõe de todos os recursos, e numa canetada, pode concentrar ou distribuir renda. Suas infinitas ramificações, do presidente ao ministro, do governador ao prefeito, do senador ao vereador, do administrador ao secretário, têm acesso ao cofre, a soma da nação expropriada.
Há um paradoxo nas grandes derrotas políticas. Quando o nazismo perdeu a guerra, seus paradigmas espalharam-se pelo mundo, como o aparelhamento estatal a cargo de uma corrente política, a propaganda enganosa, a imposição de verdades virtuais por meio da mídia e da indústria cultural, a idéia de raça (ou “sanguebom”) se impondo sobre a identidade formatada pela cultura e o comportamento. Aconteceu algo idêntico quando a URSS implodiu. O capitalismo de Estado ganhou o mundo e acaba de derrubar o último bastião, situado em Washington, depois da crise financeira que abalou os mercados regados a especulação.
Para que o poder ilimitado do Estado funcione, é preciso corrupção pura e simples, alimentada pelo ilusionismo disseminado em massa, a cargo dos intelectuais orgânicos, os que usam a cátedra ou a notoriedade para expor projetos adotados pela rede estatal. É preciso também consenso na propaganda das vantagens do regime, no caso, a chamada democracia, um sistema híbrido entre o voto eletrônico e o rodízio café-com-leite de algumas personalidades, guindadas ao patamar de alternativa única.
Esse sistema se perpetua por meio do dinheiro arrecadado do suor da sociedade, que no Brasil atinge índices alarmantes, como a recente conclusão de que cada brasileiro trabalha cinco meses ao ano para sustentar o governo. Quando alguma coisa se opõe ao massacre, há pânico e imediata solidariedade contra a ameaça. Não se pode abrir mão da bufunfa tão arduamente conquistada depois de décadas de “luta”, quando todos os argumentos da exaustão popular foram colocadas na cesta da boa vida dos espertalhões.
Hoje, a riqueza das nações é o Estado de mão única. Indústria, comércio, serviços, cidadania? Isso não é poder. São apenas fontes arrecadadoras.