{"id":1024,"date":"2009-12-14T23:16:24","date_gmt":"2009-12-15T01:16:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1024"},"modified":"2009-12-21T00:57:31","modified_gmt":"2009-12-21T02:57:31","slug":"la-nos-eucaliptos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/la-nos-eucaliptos","title":{"rendered":"L\u00c1 NOS EUCALIPTOS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Confesso que senti falta da barreira de velhos eucaliptos que existiam atr\u00e1s da goleira do campo de futebol do Col\u00e9gio Santana, em Uruguaiana. Hoje o campo est\u00e1 muito melhor, mais cuidado, mas falta alguma coisa, precisamente essa fila de \u00e1rvores que definiram o cheiro da minha inf\u00e2ncia. Costum\u00e1vamos juntar folhas secas para queim\u00e1-las, s\u00f3 para sentir o ar perfumado. Acho tamb\u00e9m que eram usadas para afastar mosquitos. Serviam de quebra-vento, evitando assim que os jogos fossem assolados pelo minuano importado do pampa hisp\u00e2nico. Costum\u00e1vamos dizer, quando a bola extrapolava os limites do bom senso e se chocava muito al\u00e9m do travess\u00e3o, que ela batia l\u00e1 nos eucaliptos. Isso servia quando a \u00e1rvore nem estava por perto. Chutar forte, longe do gol, s\u00f3 para buchinchear, era atingir os eucaliptos, estivessem eles l\u00e1 ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo isso me ocorre depois da <a href=\"http:\/\/www.jornalja.com.br\/livros.php\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><span style=\"color: #0000ff;\">leitura<\/span><\/span><\/a> de Eucalipto, Hist\u00f3rias de um Imigrante Vegetal (J\u00e1 Editores, 128 pgs., 25 reais), de Geraldo Hasse, que aprofunda o tema e d\u00e1 um banho de informa\u00e7\u00e3o sobre silvicultura no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>TALENTO &#8211; Escrito com clareza e talento, o livro dedica uma boa parte do estudo \u00e0 pol\u00eamica gerada pelo interesse de grandes empresas de papel e celulose de se instalar no pampa. Lan\u00e7a luz sobre essa briga candente, privilegiando os aspectos t\u00e9cnicos, fundamentado em seleta e providencial bibliografia e manejando a sustentabilidade de um esp\u00edrito desarmado, a servi\u00e7o da informa\u00e7\u00e3o bem apurada. Hasse \u00e9 craque no seu of\u00edcio. D\u00e1 voz a engenheiros, empres\u00e1rios, ambientalistas e aposta num acordo em favor do desenvolvimento sem agress\u00e3o ao meio ambiente. Minha d\u00favida \u00e9 se as leis de regulamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o desvirtuadas em favor da desertifica\u00e7\u00e3o da paisagem, mas isso o autor tamb\u00e9m discorre com propriedade. Hoje, com a press\u00e3o internacional a favor do planeta, \u00e9 imposs\u00edvel para empresas multinacionais, diz Hasse,deixarem de lado as necessidades de um pa\u00eds escaldado na agress\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>HIST\u00d3RIA &#8211; Mas a pol\u00eamica \u00e9 uma parte do livro. O que mais gostei foi a hist\u00f3ria do eucalipto em terras brasileiras e os estudos que o colocam entre as op\u00e7\u00f5es mais preciosas do insumo para uma s\u00e9rie de atividades industriais. O argumento mais poderoso apontado por Hasse \u00e9 que o Rio Grande do Sul original n\u00e3o existe mais, transformado que foi pela pecu\u00e1ria e as planta\u00e7\u00f5es de arroz. H\u00e1 vasta devasta\u00e7\u00e3o e estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Nas entrelinhas, se \u00e9 que eu entendi direito, Hasse sugere que a luta ambientalista est\u00e1 voltando a maior parte das suas baterias para uma empresa nacional, a Aracruz Celulose, e que a press\u00e3o poder\u00e1 muito bem ajudar a concorr\u00eancia de empresas estrangeiras, de olho na paisagem superfavor\u00e1vel \u00e0 silvicultura (que n\u00e3o se restringe ao eucalipto, mas tamb\u00e9m ao pinheiro, este muito mais mal\u00e9fico quando transformado em monocultura).<\/p>\n<p>CONFIAN\u00c7A &#8211; O que importa \u00e9 que o jornalismo est\u00e1 a servi\u00e7o do esclarecimento neste livro. Por mais que exista convencimento de ambas as partes, \u00e9 importante que os esp\u00edritos se desarmem e encontrem solu\u00e7\u00f5es a favor do pa\u00eds e da popula\u00e7\u00e3o. Pessoalmente, implico demais com essa ind\u00fastria e s\u00f3 mesmo Geraldo Hasse para prender minha aten\u00e7\u00e3o num texto que levanta todas as possibilidades existentes sobre o tema. Sou contra a desertifica\u00e7\u00e3o, mas o livro sustenta que a conviv\u00eancia pac\u00edfica entre o eucalipto e a paisagem \u00e9 favor\u00e1vel e proveitosa para ambos os lados. Confio no trabalho de Geraldo, que tive o prazer de encontrar na Feira do Livro de Porto Alegre em 2006, quando ele me trouxe um exemplar de presente.<\/p>\n<p>PERFIL &#8211; Mas o que eu gostaria mesmo de ler do Geraldo \u00e9 o seu livro sobre os lanceiros negros. Pode ser ou est\u00e1 dif\u00edcil, mestre? Vamos agora \u00e0 mini-biografia da fera, fornecida pela assessoria de imprensa da editora: &#8220;Geraldo Hasse, ga\u00facho de Cachoeira do Sul, formou-se jornalista na Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas (RS), em 1968. Aos 22 anos foi para S\u00e3o Paulo e empregou-se na Folha da Tarde com uma mat\u00e9ria apurada no caminho. Fez carreira em S\u00e3o Paulo como editor e rep\u00f3rter-especial em Veja, Exame, Guia Rural e Gazeta Mercantil. Al\u00e9m de A laranja no Brasil e O Brasil da soja, Hasse publicou Filhos do fogo &#8211; hist\u00f3ria industrial de Sert\u00e3ozinho e Mar de \u00e2ncoras. Fez duas biografias: Semeador do Sert\u00e3o, do paulista Maur\u00edlio Biaggi e a do ga\u00facho Darcy Azambuja.Em parceria com Elmar Bones, lan\u00e7ou Pioneiros da Ecologia, em 2002. E ainda neste ano coloca na Feira a segunda edi\u00e7\u00e3o de Lanceiros negros, que escreveu em parceria com Guilherme Kolling em 2005. Entre outras premia\u00e7\u00f5es ao longo de uma carreira de 37 anos no jornalismo, destaca-se o pr\u00eamio Esso de Reportagem Econ\u00f4mica, em 1979 e o Pr\u00eamio Interamericano de Jornalismo, em 1992.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito com clareza e talento, o livro Eucalipto, Hist\u00f3rias de um Imigrante Vegetal (J\u00e1 Editores, 128 pgs., 25 reais), de Geraldo Hasse, dedica uma boa parte do estudo \u00e0 pol\u00eamica gerada pelo interesse de grandes empresas de papel e celulose de se instalar no pampa. 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