{"id":1030,"date":"2009-12-14T23:47:15","date_gmt":"2009-12-15T01:47:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1030"},"modified":"2009-12-21T22:09:42","modified_gmt":"2009-12-22T00:09:42","slug":"em-torno-de-vesper","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/em-torno-de-vesper","title":{"rendered":"EM TORNO DE V\u00c9SPER"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small;\"><br \/>\n<strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><br \/>\nConverso com V\u00e9sper, toda vez que assoma no c\u00e9u do pa\u00eds que eu amo. Fa\u00e7o sempre um pedido, \u00e0s vezes dois, que s\u00e3o atendidos. Porque V\u00e9sper \u00e9 anunciadora de estrelas, farol de um anoitecer extremo. Tantas vezes n\u00e1ufrago, dela me sirvo para orientar o rumo. Navego o olhar em sua dire\u00e7\u00e3o, bal\u00e3o de promessas, e acato suas decis\u00f5es, inspiradas por vis\u00f5es noturnas.<br \/>\nAinda \u00e9 branco o c\u00e9u, p\u00e1lido diante do dia exangue, quando ela vem tomar seu posto, acima do horizonte do ver\u00e3o. \u00c9 talvez um gesto seu que faz desencadear as constela\u00e7\u00f5es, rastro luminoso de duendes ocultos, os que se fazem representar pelas nuvens roxas do \u00e2ngelus. Passaporte para o veludo salpicado de brilhos, ela forra o teto do mundo antes de diminuir de tamanho e se confundir com tudo.<br \/>\nOnde est\u00e1 V\u00e9sper depois que anoitece? Na corte da lua cheia, sem d\u00favida, onde divide posi\u00e7\u00f5es de semeaduras. De l\u00e1 ela providencia mar\u00e9s e chuvas, e talvez, gl\u00f3ria suprema, mais um dia perfeito desenhado na prancha gr\u00e1vida de futuros. Ela fecha o ciclo do dia onde encontramos paz e promete a manh\u00e3 seguinte com seu carimbo de sonhos.<br \/>\nBalan\u00e7o na varanda tomado pela vis\u00e3o de V\u00e9sper, deusa soberana que encerra o diamante do amanhecer. \u00c9 sempre a mesma, a primeira que surge, quando o tempo duela consigo mesmo e reparte os momentos como Deus em pleno g\u00eanesis. Mas ela n\u00e3o quer poder e sim o manso rio de sua pr\u00f3pria aventura. Li\u00e7\u00e3o de coisas, torre de abismos, sutil princesa sem sustos. Vejo-te quieta como um sinal de vidas eternas, almas que n\u00e3o somem, carnes que ressuscitam.<br \/>\nSomos palavras engatilhadas como solu\u00e7os, que contigo cruzam o mar de enigmas. Nosso discurso precisa de ti, vagalume ao redor de c\u00edclopes. \u00c9s o olho aberto para quem precisa viver mais uma vez para que os acertos definam o destino. Reestudamos teu curso como os antigos s\u00e1bios abriam mapas de pergaminho. Adaptamos nosso fruto, como \u00e1rvore que aprende segredos. Sabemos pouco e isso nos serve de alimento, desde que possamos v\u00ea-la, presente com suas algemas de prata, a prender a aten\u00e7\u00e3o como um redemoinho.<br \/>\nConverso com V\u00e9sper, luz de uma eternidade em suspenso. S\u00f3 por um instante, pois n\u00e3o h\u00e1 catedrais que te religuem. Flutuas na imensid\u00e3o de nossas d\u00favidas e recolhes as folhas que deixamos no ch\u00e3o de tanta espera. Aguardamos a m\u00fasica que descreves em curvas acima da montanha encantada pelo calor da esta\u00e7\u00e3o. E ela vem, como um v\u00e9u de fa\u00edscas imaginadas, envolvendo a paisagem com um novo estribilho. Canto contigo, estrela nua. Escuto a mocidade do amor, vit\u00f3ria r\u00e9gia. Pouso em ti como um p\u00e1ssaro na gruta. E fa\u00e7o uma ora\u00e7\u00e3o para continuar aqui, no pa\u00eds que construo, longe do ru\u00eddo que tenta nos enganar.<br \/>\nV\u00e9sper, cupido que usa flor e lan\u00e7a perfumes. Atenda minha ora\u00e7\u00e3o, soberana que chega at\u00e9 n\u00f3s com seu s\u00e9quito de trunfos. Fique ao meu lado, estrela que adormece entre sussurros.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde est\u00e1 V\u00e9sper depois que anoitece? Na corte da lua cheia, sem d\u00favida, onde divide posi\u00e7\u00f5es de semeaduras. De l\u00e1 ela providencia mar\u00e9s e chuvas, e talvez, gl\u00f3ria suprema, mais um dia perfeito desenhado na prancha gr\u00e1vida de futuros. 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