{"id":1042,"date":"2009-12-15T12:46:59","date_gmt":"2009-12-15T14:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1042"},"modified":"2009-12-21T21:51:48","modified_gmt":"2009-12-21T23:51:48","slug":"o-secular-aspira-ao-sagrado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-secular-aspira-ao-sagrado","title":{"rendered":"O SECULAR ASPIRA AO SAGRADO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p>O que falta \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o dos mitos, \u00e0 den\u00fancia das institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es? Falta exatamente o que eles mais querem atingir, a sacraliza\u00e7\u00e3o. Substituir a est\u00e1tua de L\u00eanin pelo s\u00edmbolo do McDonald significa transferir a f\u00e9 na revolu\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 no mercado. O filme O C\u00f3digo Da Vinci, de Ron Howard, toca nessa necessidade de a transgress\u00e3o aspirar ao mesmo carisma da Igreja que combate. E \u00e9 por isso que Tom Hanks se ajoelha no final do filme numa nova catedral, o Louvre, que assume o posto do Vaticano.<\/p>\n<p>A chave para colocar Maria Madalena no lugar do Papa \u00e9 uma linhagem de segredos manipulados pela metodologia de um autor que teve seu insigh lendo um best-seller de Sidney Sheldon. Ei, eu posso fazer isso, disse Dan Brown quando n\u00e3o conseguiu mais desgrudar daquele livro em suas f\u00e9rias no Tahiti em 1994. Com sua vers\u00e3o sobre o imp\u00e9rio cat\u00f3lico (do qual o imp\u00e9rio americano sente a maior inveja, tanto \u00e9 que vive combatendo) ele conseguiu sensibilizar as massas. Estas, precisam sentir que podem ter acesso \u00e0 erudi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possuem para vingar-se das trevas do conhecimento para onde foram atiradas.<\/p>\n<p>TOM &#8211; O filme traz uma armadilha: Tom Hanks. \u00c9 o seguinte: se Tom Hanks faz um filme (antes de sabermos sobre a exist\u00eancia dos diretores, ach\u00e1vamos que eram os atores que faziam os filmes; estar\u00edamos certos?), voc\u00ea vai l\u00e1 e assiste. Tom Hanks \u00e9 o ator do nosso tempo. N\u00e3o que seja o melhor, mas para ele conflui, milagrosamente, como aconteceu com outros em \u00e9pocas passadas (Errol Flyn, John Wayne) tudo o que somos ou queremos ser. \u00c9 impressionante. Tom Hanks leva nosso olhar por uma trama inveross\u00edmel emprestando-lhe a pr\u00f3pria credibilidade. Se Tom \u00e9 o especialista, ent\u00e3o algo tem a\u00ed. Se ele escuta, e como escuta, o velho aleijado que tudo sabe sobre o Santo Graal, ent\u00e3o devemos tamb\u00e9m escutar essa hist\u00f3ria. Se Tom olha para um quadro de Da Vinci e descobre o segredo, ent\u00e3o para n\u00f3s o segredo \u00e9 revelado. Tudo funciona com o maravilhoso ator, n\u00e3o me perguntem porqu\u00ea. Talvez nem se trate de talento ou t\u00e9cnica, mas simplesmente de mist\u00e9rio. No fundo, podemos saber tudo sobre Da Vinci, mas nada sobre os milagres que Tom opera na tela.<\/p>\n<p>SANTAS &#8211; Vendo o filme, descobri a for\u00e7a da hist\u00f3ria e o magnetismo que exerce sobre os leitores do mundo todo, especialmente no Brasil, onde Dan Brown fatura mais do que todos os outros escritores brasileiros juntos (menos, talvez, do que o Paulo Coelho). Primeiro, prop\u00f5e uma leitura diferente de obras consagradas, o que toca na vaidade do consumidor, que assim pode usufruir de algo que escapava \u00e0 sabedoria que o exclui. Segundo, massageia o ego do feminismo, ao tapar o sol com a peneira, ou seja, ao entronizar Maria Madalena em detrimento de Maria, M\u00e3e de Jesus. Como se o feminino tivesse sido erradicado da Igreja e agora, gra\u00e7as aos movimentos das mulheres, ele volta para ocupar seu verdadeiro lugar na cadeira de Pedro (o que sintoniza essa falsa revela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova moda de que Deus, em vez de homem, \u00e9 mulher; bem&#8230;). Para isso, usa-se o de sempre: a ca\u00e7a \u00e0s bruxas. Nenhum outro poder cometeu atrocidades, s\u00f3 o da Igreja Cat\u00f3lica, claro. E perseguiu bruxas porque odiava o feminino, o que \u00e9 uma asneira. Se fosse assim, n\u00e3o haveriam santas no catolicismo. Terceiro, convence que Jesus era um cara qualquer, que at\u00e9 fazia filho em sua amada e n\u00e3o o que \u00e9 mesmo, a encarna\u00e7\u00e3o do Sagrado, que a seculariza\u00e7\u00e3o inveja.<\/p>\n<p>OBSCURANTISMO &#8211; A Opus Dei foi escolhida pelo seu curr\u00edculo. Sintetiza as seitas secretas que dominam a literatura de suspense. Est\u00e1 na berlinda pela prefer\u00eancia dada pelo novo Papa, Bento XVI, que foi escolhido exatamente para dar um chega para l\u00e1 no avan\u00e7o da seculariza\u00e7\u00e3o sobre o sagrado. Est\u00e1 ligada ao reacionarismo, tanto \u00e9 que basta mencionar Opus Dei para os \u00edndices de Alckmin ca\u00edrem nas pesquisas. Vi um brilhante professor, Carlos Alberto di Franco, ser perseguido por pertencer \u00e0 Opus Dei. \u00c9 o novo an\u00e1tema, o novo anti-Cristo. \u00c9 preciso obscurecer os temas para que as falsas revela\u00e7\u00f5es soem como definitivas. Para isso existem espertalh\u00f5es como Dan Brown. Mas se a Opus Dei est\u00e1 levando as den\u00fancias de Brown a s\u00e9rio, ent\u00e3o a\u00ed tem.<\/p>\n<p>BOBAGEM &#8211; O filme \u00e9 uma esp\u00e9cie de anti-B\u00edblia, exatamente o oposto dos filmes b\u00edblicos do passado. Estes, eram um porre, mas alguns se salvavam. Ver Ben Hur valia a pena, tanto pela hist\u00f3ria quanto por Charlton Heston. O C\u00f3digo Da Vinci, relevando as asneiras, \u00e9 um filme que gruda, \u00e9 bom de ver. Uma boa bobagem sempre \u00e9 bem-vinda em qualquer \u00e9poca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que falta \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o dos mitos, \u00e0 den\u00fancia das institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es? Falta exatamente o que eles mais querem atingir, a sacraliza\u00e7\u00e3o. Substituir a est\u00e1tua de L\u00eanin pelo s\u00edmbolo do McDonald significa transferir a f\u00e9 na revolu\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 no mercado. O filme O C\u00f3digo Da Vinci, de Ron Howard, toca nessa necessidade de a transgress\u00e3o aspirar ao mesmo carisma da Igreja que combate. 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