{"id":1117,"date":"2009-12-17T17:00:06","date_gmt":"2009-12-17T19:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1117"},"modified":"2009-12-20T22:53:11","modified_gmt":"2009-12-21T00:53:11","slug":"george-clooney-decifra-seu-classico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/george-clooney-decifra-seu-classico","title":{"rendered":"GEORGE CLOONEY DECIFRA SEU CL\u00c1SSICO"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>O di\u00e1logo do diretor de Boa noite e boa sorte, George Clooney, com seu co-roteirista Grant Heslov, nos esclarece sobre v\u00e1rias decis\u00f5es que fazem deste filme uma li\u00e7\u00e3o de cinema, uma den\u00fancia definitiva sobre a m\u00eddia comprada e um exemplo de realiza\u00e7\u00e3o pessoal poss\u00edvel em plena manipula\u00e7\u00e3o imperial da s\u00e9tima arte. \u00c9 no making off que Clooney explica, num sussurro cheio de gags hil\u00e1rias, como o preto-e-branco usado se refere a document\u00e1rios dos anos 50 ; como \u00e9 certo escolher um ator n\u00e3o famoso para interpretar algu\u00e9m famoso (no caso, David Strathairn, que interpreta o apresentador anti-machartista da CBS, Edward R. Murrow), pois isso cria um impulso na atua\u00e7\u00e3o tornando-a antol\u00f3gica; a import\u00e2ncia do sil\u00eancio no clima de tens\u00e3o de um filme que \u00e9, segundo as palavras do diretor, &#8220;de cabe\u00e7as falantes&#8221;; e como esse sil\u00eancio foi aprendido de filmes de grandes cineastas.<\/p>\n<p>DEN\u00daNCIA &#8211; O diretor explica que a sala de espera do chef\u00e3o da CBS Bill Paley (interpretado por Frank Langella, de presen\u00e7a shakespeareana, segundo Clooney) foi filmada de modo a ficar muito maior do que o poderoso Ed. Ao longo do seu relato, v\u00ea-se o carinho e a admira\u00e7\u00e3o pela equipe envolvida no projeto e como, ao se referir a ele pr\u00f3prio, foi duro na cr\u00edtica \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de super astro, com muito menos talento do que os atores convidados. Como isso o engrandece, neste filme obrigat\u00f3rio, em que todos os jornalistas do mundo devem assistir, para aprender onde est\u00e3o metidos, j\u00e1 que a den\u00fancia tremenda sobre a televis\u00e3o de entretenimento, uma arma\u00e7\u00e3o da direita, j\u00e1 estava pronta e funcionando a partir dos anos 50. Ou seja, a ditadura \u00e9 quarentona e essa evid\u00eancia n\u00e3o admite contra-argumentos.<\/p>\n<p>CL\u00c1SSICO &#8211; Concentro esta edi\u00e7\u00e3o nessa decis\u00e3o pessoal de George Clooney, um gal\u00e3 de s\u00e9ries televisivas, de radicalizar, fazer um cl\u00e1ssico preto-e-branco sem tiros nem correrias ou explos\u00f5es. Ficamos sabendo assim que basta querer para romper a barreira, basta ter coragem para cortar o fluxo da mediocridade imperante, basta dizer n\u00e3o ao que querem te impor. Pelo menos dizer n\u00e3o em algum momento da vida. No caso de Clooney, depois de anos obedecendo aos ditames de Hollywood, ele resolveu voltar-se ao que Hollywood produziu de melhor. Pois n\u00e3o basta ser admirador dos g\u00eanios do cinema, \u00e9 preciso decidir firmemente a favor deles, usar as li\u00e7\u00f5es mais importantes e ir nesse caminho. Vemos, por exemplo, na televis\u00e3o brasileira, como os autores das maiores bobagens e barbaridades s\u00e3o f\u00e3s de filmes cl\u00e1ssicos (tanto \u00e9 que chupam simplesmente, e de maneira tosca) ou de melodias famosas, mas acabam participando do emburrecimento geral da televis\u00e3o e, em conseq\u00fc\u00eancia, da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>BASTA &#8211; Costuma ficar assim: os bons mo\u00e7os bem formados fazem a pior televis\u00e3o do mundo porque acreditam que o povo gosta mesmo \u00e9 de porcaria. Contra isso o filme de Clooney \u00e9 contundente. Uma das magn\u00edficas falas de Ed Murrow diz exatamente que esse \u00e1libi para reduzir a TV a um caixote de fios e luzes \u00e9 de autoria bem conhecida, de pessoas que precisam destruir a intelig\u00eancia da m\u00eddia e do p\u00fablico, invocando a mediocridade popular para fazerem o servi\u00e7o sujo. Pois basta. \u00c9 hora de reagir. De dizer n\u00e3o, ou vamos todos ao matadouro sem sequer dar um berro? Um berro que seja, daqueles que fazem tremer paredes.<\/p>\n<p>OPORTUNIDADE &#8211; Quando havia civiliza\u00e7\u00e3o, Ed Murrow proferia seus textos demolidores escudado na cultura (citava Shakespeare), na lei (a Constitui\u00e7\u00e3o tem a palavra final) e na liberdade de express\u00e3o (seu programa emprestava credibilidade \u00e0 CBS). Para quem desconhecia esse epis\u00f3dio da hist\u00f3ria da imprensa, \u00e9 um banho de informa\u00e7\u00e3o. Para quem estava ermo de filmes antol\u00f3gicos, \u00e9 um banho de cinema. Para quem espera uma oportunidade futura para se manifestar plenamente, este \u00e9 o momento. Um gal\u00e3 de TV fez sua parte. O que resta para n\u00f3s, t\u00e3o grudados na nossa auto-import\u00e2ncia de corre\u00e7\u00e3o e vanguarda?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O di\u00e1logo do diretor de &#8220;Boa noite e boa sorte&#8221;, George Clooney, com seu co-roteirista Grant Heslov, nos esclarece sobre v\u00e1rias decis\u00f5es que fazem deste filme uma li\u00e7\u00e3o de cinema, uma den\u00fancia definitiva sobre a m\u00eddia comprada e um exemplo de realiza\u00e7\u00e3o pessoal poss\u00edvel em plena manipula\u00e7\u00e3o imperial da s\u00e9tima arte. \u00c9 no making off que Clooney explica, num sussurro cheio de gags hil\u00e1rias, como o preto-e-branco usado se refere a document\u00e1rios dos anos 50 ; como \u00e9 certo escolher um ator n\u00e3o famoso para interpretar algu\u00e9m famoso (no caso, David Strathairn, que interpreta o apresentador anti-machartista da CBS, Edward R. 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