{"id":1119,"date":"2009-12-17T17:01:34","date_gmt":"2009-12-17T19:01:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1119"},"modified":"2009-12-20T19:41:34","modified_gmt":"2009-12-20T21:41:34","slug":"closer-o-amor-no-aquario","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/closer-o-amor-no-aquario","title":{"rendered":"CLOSER: O AMOR NO AQU\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>O conte\u00fado de um aqu\u00e1rio est\u00e1 exposto (aberto) e ao mesmo tempo fechado no seu pr\u00f3prio mundo. \u00c9 a met\u00e1fora perfeita usada pelo filme Closer, de Mike Nichols (2004). Relacionamento amoroso \u00e9 uma antiga especialidade do diretor, como podemos ver desde Carnal Knowledge (1971). Se no seu filme antigo (e t\u00e3o terrivelmente moderno na \u00e9poca), o t\u00e9dio e o vazio eram os motores da trama da troca de casais, neste \u00e9 o desespero gerado pela situa\u00e7\u00e3o limite: tudo est\u00e1 pr\u00f3ximo demais, transparente, e ao mesmo tempo fechado, inacess\u00edvel &#8211; fazendo jus assim ao t\u00edtulo em ingl\u00eas, que tem esse duplo sentido (closer \u00e9 o que est\u00e1 perto e \u00e9 aquele que fecha).<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o aqu\u00e1rio, que tem exatamente essas caracter\u00edsticas, \u00e9 a met\u00e1fora maior do filme: tema do romance de Dan (Jude Law ), local de encontro entre Anna (Julia Roberts) e Larry (Clive Owen), o amor no aqu\u00e1rio exp\u00f5e a stripper Alice ( Natalie Portman), monitorada o tempo todo no clube onde trabalha. N\u00e3o se pode toc\u00e1-la. A \u00fanica ponte \u00e9 o olhar e a fala, o roteiro de Patrick Marber, baseado em sua pe\u00e7a teatral.<\/p>\n<p>CARGA &#8211; Os di\u00e1logos assim formam uma criatura \u00e0 parte, que usam os protagonistas para manter o ritmo da agonia de vidas que se aproximam e se afastam, se expondo o tempo todo. A sa\u00edda para o impasse, pensam eles, \u00e9 arrancar a verdade dos que amam ou pensam amar. Saber de tudo \u00e9 uma esp\u00e9cie de compensa\u00e7\u00e3o pela impossibilidade da conviv\u00eancia verdadeira. Mas eles cercam a verdade sem import\u00e2ncia, como saber se foram tra\u00eddos ou n\u00e3o, enquanto esquecem o principal: qual o verdadeiro nome da pessoa que \u00e9 amada, por exemplo. O nome conta, pois significa a identidade perdida, a casca abandonada junto com o sofrimento.<\/p>\n<p>Saber o nome verdadeiro significa carregar o ethos perdido, mas qual relacionamento hoje resistiria a essa carga. O ideal \u00e9 escolher uma nova denomina\u00e7\u00e3o, para que haja uma chance. O nome adotado \u00e9 escolhido a esmo, no local onde se revela o amor, mas ele traz um estigma: o passado, que assombra o mundo prisioneiro no eterno presente.<\/p>\n<p>VIDRO &#8211; O sinal est\u00e1 fechado para que as pessoas cumpram seus rituais viciados e burocr\u00e1tioas, de indiv\u00edduos anulados no ritmo da massa. Romper o sinal, cruzar a rua sem rede de seguran\u00e7a, \u00e9 confiar que algu\u00e9m vir\u00e1 em seu socorro, ao seu encontro. S\u00f3 assim, arriscando, \u00e9 poss\u00edvel cruzar a parede do aqu\u00e1rio e tocar na pessoa amada. \u00c9 o que faz Jane\/Alice: segue em frente, mesmo que haja impedimento para a busca de um novo amor. Ela sabe que n\u00e3o poder\u00e1 encontrar nada se obedecer ao que est\u00e1 disposto num mundo oco, fundado na mentira.<\/p>\n<p>Alice, que usa a representa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fundo, pois se exp\u00f5e no clube para sobreviver, atravessa a avenida no momento em que os carros se soltam e as pessoas est\u00e3o paralisadas, para encontrar a sua verdade, usando o verdadeiro nome. Ent\u00e3o quebra o vidro do aqu\u00e1rio com seu passo decidido, que implica risco de vida.<\/p>\n<p>CLASSES &#8211; O conflito do filme n\u00e3o releva as diferen\u00e7as de classe social. O jornalista frustrado que tenta ser escritor v\u00ea na fot\u00f3grafa bem sucedida a porta de entrada de um mundo fora da escassez e dos limites da pouca remunera\u00e7\u00e3o. A fot\u00f3grafa pergunta para Alice se seu trabalho de gar\u00e7onete \u00e9 tempor\u00e1rio, ou seja, se \u00e9 algu\u00e9m de uma classe social superior que est\u00e1 fazendo apenas um bico ou passando por uma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>No fundo, a fot\u00f3grafa concorre com Alice numa disputa de poder baseada no privil\u00e9gio. Enquanto seu trabalho \u00e9 desmascarado por Alice na vernissage, ela cede \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de voltar para Dan: eis o momento em que a riqueza se curva diante dos menos favorecidos para tirar deles seu \u00faltimo basti\u00e3o, a alma capaz de amar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conte\u00fado de um aqu\u00e1rio est\u00e1 exposto (aberto) e ao mesmo tempo fechado no seu pr\u00f3prio mundo. \u00c9 a met\u00e1fora perfeita usada pelo filme Closer, de Mike Nichols (2004). Relacionamento amoroso \u00e9 uma antiga especialidade do diretor, como podemos ver desde Carnal Knowledge (1971). Se no seu filme antigo (e t\u00e3o terrivelmente moderno na \u00e9poca), o t\u00e9dio e o vazio eram os motores da trama da troca de casais, neste \u00e9 o desespero gerado pela situa\u00e7\u00e3o limite: tudo est\u00e1 pr\u00f3ximo demais, transparente, e ao mesmo tempo fechado, inacess\u00edvel &#8211; fazendo jus assim ao t\u00edtulo em ingl\u00eas, que tem esse duplo sentido (closer \u00e9 o que est\u00e1 perto e \u00e9 aquele que fecha).<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1119"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1384,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1119\/revisions\/1384"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}