{"id":1170,"date":"2009-12-18T17:55:02","date_gmt":"2009-12-18T19:55:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1170"},"modified":"2009-12-20T21:07:12","modified_gmt":"2009-12-20T23:07:12","slug":"o-tempo-e-a-patria-do-migrante","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-tempo-e-a-patria-do-migrante","title":{"rendered":"O TEMPO \u00c9 A P\u00c1TRIA DO MIGRANTE"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>Julio Monteiro Martins, o mais importante escritor brasileiro em atividade no Exterior, abre o verbo: Tudo est\u00e1 por ser escrito. Temos poucos escritores diante da velocidade e profundidade das mudan\u00e7as. O escritor contempor\u00e2neo est\u00e1 em busca desesperada de uma nova forma de romance. A literatura \u00e9 o \u00fanico discurso com for\u00e7a suficiente para enfrentar a manipula\u00e7\u00e3o feita pela publicidade e pelos governos. Temos hoje a distor\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos fatos, mesmo os recentes, que s\u00e3o apresentados como eventos n\u00e3o ligados \u00e0 cultura, \u00e0 pol\u00edtica, e \u00e0 ideologia, como \u00e9 o caso da invas\u00e3o da Manch\u00faria feita pelos japoneses e que estava sendo ensinada para os estudantes como se fosse uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de pesquisa e n\u00e3o uma invas\u00e3o militar (manipula\u00e7\u00e3o presenciada pelo pr\u00f3prio Julio quando morou no Jap\u00e3o). A p\u00e1tria do migrante \u00e9 o tempo em que vive, \u00e9 a sua \u00e9poca. O migrante morre quando perde seu pa\u00eds e sua identidade, e vai renascer em outro lugar. Julio diz que no Brasil ele \u00e9 tratado como um escritor do passado (o que acontece com v\u00e1rias pessoas da nossa gera\u00e7\u00e3o). Sou um escritor planet\u00e1rio, diz, nessa entrevista important\u00edssima dado ao m\u00e9dico pediatra e tamb\u00e9m escritor Franco Foschi para a Associazione Scrittori Bologna<\/p>\n<p>REVOLU\u00c7\u00c3O &#8211; Toda a maravilhosa conversa de Julio est\u00e1 no endere\u00e7o http:\/\/www.arcoiris.tv\/. Optei pelo formato MP3, que carrega r\u00e1pido. O que preocupa Julio, que fala um italiano limpo e totalmente compreens\u00edvel para seus conterr\u00e2neos (gra\u00e7as ao dom\u00ednio que conquistou dessa l\u00edngua que ele refor\u00e7a ser muito amada em todo o mundo), \u00e9 que o neoconservadorismo, inaugurado por Tatcher e Reagan, j\u00e1 vai para a terceira gera\u00e7\u00e3o. O Pensamento revolucion\u00e1rio est\u00e1 morrendo junto com as pessoas que se formaram fora da hegemonia da nova direita, diz Julio. Os destaques da entrevista s\u00e3o a sua contundente an\u00e1lise sobre o que vivemos hoje e a import\u00e2ncia de nunca mais termos censura. O motivo da entrevista \u00e9 o lan\u00e7amento do seu terceiro livro escrito em italiano, Madrelingua, que \u00e9 um trabalho de experimenta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, escrito em pleno estado patrimonialista (segundo sua defini\u00e7\u00e3o) do governo Berlusconi. Madrelingua \u00e9 a hip\u00f3tese de um novo romance que possa espelhar o homem contempor\u00e2neo , diz. Ou seja, \u00e9 uma das suas in\u00fameras contribuii\u00e7\u00f5es, pois como assinalou na entrevista, na sua estr\u00e9ia como escritor no Brasil lan\u00e7ou B\u00e1rbara, que \u00e9 um conjunto de contos breves que formam um romance. O mesmo personagem costura as narrativas, com a diferen\u00e7a de que em cada uma delas est\u00e1 numa idade diferente. Essa \u00e9 uma das suas in\u00fameras experi\u00eancias, neste oficio que lhe toma todas as horas do dia.<\/p>\n<p>LAVAGEM &#8211; Vivemos hoje um processo sofisticado hegem\u00f4nico de lavagem cerebral, diz Julio. Contra o sistema imposto, a literatura oferece a ambig\u00fcidade, a manifesta\u00e7\u00e3o humana livre e ut\u00f3pica. \u00c9 preciso resgatar e aprofundar a utopia para encontrarmos uma sa\u00edda para esse impasse. A literatura est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia ao sistema. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel fazer um jornalismo alternativo( acrescento: j\u00e1 que a ditadura financeira internacional tomou conta da m\u00eddia, como j\u00e1 alertam os estudiosos). Dizer a verdade \u00e9 o canal. Por isso o escritor \u00e9 uma reserva \u00e9tica da humanidade e seu oficio deve ser estimulado e preservado. A literatura \u00e9 a consci\u00eancia, e est\u00e1 a servi\u00e7o de uma vis\u00e3o n\u00e3o pasteurizada da realidade. Trata-se de uma miss\u00e3o n\u00e3o imposta, nascida da pr\u00f3prio senso de humanidade do escritor . Por sua extraordin\u00e1ria liberdade, a literatura \u00e9 um ato perigoso. O maior risco do escritor \u00e9 o da autocensura. \u00c9 emocionante ouvir Julio falar da sua Sagarana, a melhor revista cultural o\u00adn line do mundo, consideradissima na it\u00e1lia. S\u00e3o mil e cem acessos \u00fanicos por dia, diz Julio e 48% s\u00e3o da It\u00e1lia, os outros s\u00e3o de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>PERFIS &#8211; A seguir, reproduzo os perfis do entrevistado e do entrevistador. No original, numa homenagem \u00e0 l\u00edngua de Dante.<\/p>\n<p>Julio Monteiro Martins \u00e8 nato a Niter\u00f2i in Brasile. Ha insegnato scrittura creativa in alcune prestigiose universit\u00e0 americane del nord e del sud. In Brasile ha pubblicato nove libri, tra romanzi e saggi. Avvocato, ha difeso i meninhos de rua nei processi che li riguardavano. E&#8217; uno dei fondatori del Partito Verde ambientalista brasiliano. Da anni vive in Italia, dove insegna all&#8217;Universit\u00e0 di Pisa Lingua Portoghese e Traduzione letteraria. In italia ha gi\u00e0 pubblicato tre libri di narrativa. Di assoluto interesse la sua splendida rivista o\u00adn line SAGARANA (www.sagarana.net). In questa lunga e brillantissima intervista si parla di letteratura, ma anche di politica, di globalit\u00e0 e migrazione, e di straordinaria fiducia nel futuro dell&#8217;umanit\u00e0, nonch\u00e9 dell&#8217;incessante bisogno di &#8216;resistenza&#8217;. A partire dal suo ultimo romanzo, &#8220;madrelingua&#8221;, uscito per l&#8217;editore Besa&#8221;<\/p>\n<p>Franco Foschi, pediatra e scrittore, dopo l&#8217;esordio con una sceneggiatura radiofonica e racconti su varie riviste, ha pubblicato tre romanzi, Niente \u00e8 come appare (Hobby&#038;Work, 1998, ristampa 2004), Maria e le pistole limate (EL, 2000) e Un inverno dispari (a quattro mani con Guido Leotta, Mobydick, 2003), due raccolte di racconti, Beltenebros e altre amene crudelt\u00e0 (Mobydick, 1998, premio Citt\u00e0 di Bologna) e Piccole morti senza importanza (Todaro, 2003), pi\u00f9 un paio di libri decisamente atipici, Il re dei ragni (Mobydick, 2000, con prefazione di Stefano Benni) e H (Mobydick, 2002).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julio Monteiro Martins, o mais importante escritor brasileiro em atividade no Exterior, abre o verbo: Tudo est\u00e1 por ser escrito. Temos poucos escritores diante da velocidade e profundidade das mudan\u00e7as. 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