{"id":1196,"date":"2009-12-18T18:42:59","date_gmt":"2009-12-18T20:42:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1196"},"modified":"2011-05-22T12:40:16","modified_gmt":"2011-05-22T15:40:16","slug":"o-excesso-em-denis-arcand","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-excesso-em-denis-arcand","title":{"rendered":"O EXCESSO EM DENYS ARCAND"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p><strong>Invas\u00f5es B\u00e1rbaras<\/strong>, o filme do cineasta canadense Denys Arcand, que d\u00e1 seq\u00fc\u00eancia a <em>O Decl\u00ednio do Imp\u00e9rio Americano<\/em>, trata da sobreviv\u00eancia do esp\u00edrito humano ressecado pelo excesso de conhecimento. O transbordo da informa\u00e7\u00e3o cultural \u2013 que no fim torna-se escassa ao escoar pelo ralo numa sociedade de privil\u00e9gios &#8211; \u00e9 a desmoraliza\u00e7\u00e3o da pose acad\u00eamica e o resgate da mais cruel e gratificante verdade humana: aquela que se revela pela sinceridade e a lucidez, e alcan\u00e7a sem querer a transcend\u00eancia ao conhecer o limite imposto pela morte.<\/p>\n<p>DI\u00c1LOGOS &#8211; Se Godard \u00e9 a majestade do cinema dominado pela cultura, o para\u00edso de uma s\u00edntese genial e insuper\u00e1vel, Denis Arcand \u00e9 uma descida aos infernos dos consumidores dessa mesma cultura, quando n\u00e3o conseguem transformar-se em criadores. Ficam no limbo da superficialidade, e desenvolvem sua experi\u00eancia mais importante ao promover o jogo da verdade nos mais duros e inspirados di\u00e1logos j\u00e1 escritos para o cinema. A conversa &#8211; insumo principal do esclarecimento filos\u00f3fico &#8211; torna-se hil\u00e1ria pela quantidade gigantesca de informa\u00e7\u00f5es e piadas que jorram das in\u00fameras escolas do pensamento universit\u00e1rio. Ou melhor, da convic\u00e7\u00e3o de que nada mais pode ressurgir da desmoraliza\u00e7\u00e3o das escolas do pensamento diante da complexidade surpreendente da Hist\u00f3ria que passa pelos nossos olhos. Nos dois filmes, a realidade \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o terminal de uma sociedade por meio dos seus mais privilegiados personagens, aqueles que ganham a vida para estudar e transmitir conhecimento. Parece haver culpa nessa vida curtida com jantares grandiosos, casas de campo e viagens internacionais. Mas h\u00e1 apenas revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Folhas ao vento das tend\u00eancias e teorias, as vidas privadas dos personagens deixam-se levar pelos apelos dos projetos, para sucumbir diante dos antigos males humanos, a trai\u00e7\u00e3o, a solid\u00e3o, o desamparo, a frustra\u00e7\u00e3o e a morte. Salva-se apenas a rel\u00edquia mais preciosa: a amizade. Esse la\u00e7o profundo, que leva todos de volta ao redor da cama do amigo desenganado, abre caminho para o amor poss\u00edvel, tanto o que foi feito para durar \u2013 que sonha com fidelidade e filhos &#8211; quanto o outro que tem o perfil da aventura. Mas este, devido \u00e0s feridas acumuladas, tem menos chance de vingar. Por isso a viciada em hero\u00edna, depois de beijar o homem por quem se apaixonou &#8211; bem sucedido filho do professor que se foi &#8211; empurra-o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta da sa\u00edda. Alguma li\u00e7\u00e3o fica do terremoto: a de que, antes de empapu\u00e7ar-se de id\u00e9ias arrivistas, \u00e9 preciso cuidar de algo muito mais importante e piegas, que \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o. Ao resgatar a humanidade com esse conv\u00edvio, o grupo &#8211; ou seus descendentes \u2013 ter\u00e1 mais condi\u00e7\u00f5es de palmilhar a trilha do conhecimento sem os equ\u00edvocos que colocaram todos a perder. Essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o otimista diante de um filme que joga pesado na desesperan\u00e7a, mas que acaba se costurando por meio de uma pungente can\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Invas\u00f5es B\u00e1rbaras, o filme do cineasta canadense que d\u00e1 seq\u00fc\u00eancia a O Decl\u00ednio do Imp\u00e9rio Americano trata da sobreviv\u00eancia do esp\u00edrito humano ressecado pelo excesso de conhecimento. O transbordo da informa\u00e7\u00e3o cultural &#8211; que no fim torna-se escassa ao escoar pelo ralo numa sociedade de privil\u00e9gios &#8211; \u00e9 a desmoraliza\u00e7\u00e3o da pose acad\u00eamica e o resgate da mais cruel e gratificante verdade humana: aquela que se revela pela sinceridade e a lucidez, e alcan\u00e7a sem querer a transcend\u00eancia ao conhecer o limite imposto pela morte.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1196"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2675,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions\/2675"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}