{"id":1222,"date":"2009-12-18T20:37:16","date_gmt":"2009-12-18T22:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/o-pouso-intranquilo"},"modified":"2009-12-20T22:50:06","modified_gmt":"2009-12-21T00:50:06","slug":"o-pouso-intranquilo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-pouso-intranquilo","title":{"rendered":"O POUSO INTRANQUILO"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p><em>A Terra dos longos olhares<\/em> (Editora Holoedro), organizado pela professora Lucia Silva e Silva, da Uergs, re\u00fane contos, cr\u00f4nicas, poemas e at\u00e9 um minidicion\u00e1rio, de 30 autores de Uruguaiana, um trabalho que revela a for\u00e7a, a diversidade e o alcance da literatura gerada pelos nascidos naquela fronteira.<\/p>\n<p>LUCIDEZ &#8211; Em dois textos de apresenta\u00e7\u00e3o, um na orelha e outro no pr\u00f3logo, a professora Lucia Silva e Silva nos brinda com l\u00facida interven\u00e7\u00e3o. Diz, primeiro, que nesta \u00e9poca de desenraizamento (ela prefere o termo globaliza\u00e7\u00e3o), estamos vivendo um resgate de origens, que contraria a tend\u00eancia anterior, quando precis\u00e1vamos ganhar o mundo. Com isso justifica o lan\u00e7amento: &#8220;Juntar escritos de conterr\u00e2neos em um livro, mais do que um simples encontro, \u00e9 pactuar pela sobreviv\u00eancia de valores cujo desaparecimento nos atemoriza. \u00c9 lan\u00e7ar a pedra fundamental de um lugar aonde podemos voltar&#8221;. E, depois, ao justificar o t\u00edtulo do livro, ela nota que a campanha ga\u00facha nos leva a agu\u00e7ar o olhar, &#8220;na maioria das vezes sem interrup\u00e7\u00f5es, sem a oportunidade de pouso tranq\u00fcilo&#8221;. \u00c9 preciso destacar a radicalidade dos textos, sobre temas como sexo, humor, viol\u00eancia, destino, inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Tempo, essa trai\u00e7\u00e3o constante, \u00e9 o insumo que alimenta a f\u00e1brica da palavra no livro. O Tempo, mat\u00e9ria-prima n\u00e3o male\u00e1vel, n\u00e3o se conforma \u00e0s inten\u00e7\u00f5es dos autores, mas por interm\u00e9dio deles mostra algumas garras. O livro \u00e9 uma chance de enxergarmos o que realmente fazemos com verbo que nos foi confiado e que em nossas vidas ganhou caminhos diversos, opostos, mas que insistem em se identificar (ou se excluir) mutuamente.<\/p>\n<p>FORMA\u00c7\u00c3O &#8211; &#8220;O importante n\u00e3o \u00e9 o lugar de o\u00adnde viemos&#8221;, me disse um dia Tabajara Ruas (um dos autores do livro, com o conto <em>No Sul, h\u00e1 muito tempo<\/em>). &#8220;Mas para o\u00adnde estamos nos dirigindo&#8221;. Aparentemente, somos escritores ligados por uma forma\u00e7\u00e3o em comum, procurando exercer os valores que nos criaram, que crescem de import\u00e2ncia \u00e0 medida em que o Brasil vai sendo sucateado. O apelo dessa raiz \u00e9 forte, mas o livro aponta, felizmente, para a extrema diversidade. N\u00e3o podemos ser colocados na vala comum de uma confraria, j\u00e1 que somos agentes e v\u00edtimas da dispers\u00e3o promovida pelo Tempo. No texto que enviei para fazer parte do livro, <em>O dia de prata no meio do mato<\/em>, reconhe\u00e7o que \u00e9 imposs\u00edvel resgatar a viv\u00eancia, do menino que fui, com meu pai, que se foi. A representa\u00e7\u00e3o dessa descoberta \u00e9 o peixe que escapa para sempre, logo depois de parecer estar solenemente fisgado. T\u00ednhamos o Tempo, o Passado, nas m\u00e3os, mas ele se foi e se despediu.<\/p>\n<p>O que fica dessa busca? A revela\u00e7\u00e3o brutal do Outro, que somos n\u00f3s. A morte, vel\u00f3rio e enterro de Selene, a prima que foi criada depois de ser abandonada pela m\u00e3e e entregue pelo pai, no conto premiado de Vera Ione Molina, <em>Passagem<\/em>, \u00e9 essa revela\u00e7\u00e3o da estranheza em rela\u00e7\u00e3o ao semelhante. A prima veio de outro ventre, cresceu junto \u00e0 fam\u00edlia, o\u00adnde foi exclu\u00edda pela av\u00f3, rebelou-se aos 16 anos, abriu caminho do seu jeito e agora est\u00e1 morta, diante do choro dos amigos e parentes. Quem \u00e9 essa criatura que n\u00e3o nos acostumamos a ver sempre a Mesma, mas que nos colocou diante do enigma que \u00e9 o humano fora do circo dom\u00e9stico e que \u00e9 adotada como um corpo estranho?<\/p>\n<p>TIRO &#8211; Essa cerzidura perfeita em suas min\u00facias no conto de Vera nos abre a porta para entender todo o livro. Ricardo Per\u00f3 Job publica, mais do que um conto sobre a guerra, exatamente esse olhar sobre o Mesmo que se torna o Outro. <em>O filho do bolicheiro<\/em>, t\u00e3o reconhec\u00edvel pela conviv\u00eancia na inf\u00e2ncia, hoje ser\u00e1 punido por deser\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio narrador \u00e9 escolhido para participar do desenlance. N\u00f3s somos os assassinos do que parece ser id\u00eantico a n\u00f3s, somos for\u00e7ados a ver o que nos recusamos ver e a tomar uma atitude. O que estava encoberto pela superf\u00edcie do h\u00e1bito emerge como um tiro de fuzil. Quem \u00e9 essa menina doce que descreve o desespero da av\u00f3 afastada do seu leque precioso no conto <em>Objeto de Desejo<\/em>, de Silvio Genro? Ela \u00e9 a algoz num jogo mortal com sua v\u00edtima. N\u00e3o \u00e9 uma crian\u00e7a qualquer, \u00e9 o Terror sob a capa da falsa harmonia.<\/p>\n<p>O P\u00e2nico diante do semelhante, o estranhamento levado \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, est\u00e1 em <em>Arremesso de Peso<\/em>, de T\u00falio Urach, em que o humano \u00e9 virado do avesso para revelar as v\u00edsceras.O que parecia ser um atleta \u00e9 um monstro. Situa\u00e7\u00f5es que confundem os protagonistas, como em\u00a0<em>Quente &amp; frio<\/em>, de Francisco Alves ( o\u00adnde dois assaltantes s\u00e3o ludibriados por suas certezas)\u00a0servem para revelar a fr\u00e1gil superf\u00edcie\u00a0das percep\u00e7\u00f5es viciadas. O pacto sinistro, no conto <em>Encruzilhada<\/em>, de Ricardo Duarte, e a desmistifica\u00e7\u00e3o das apar\u00eancias, em <em>Olha que coisa mais linda mais cheia de gra\u00e7a<\/em>, de Fernando Pereira a Silva, aprofundam essa pesquisa sobre os semelhantes, para detectar neles o in\u00f3spito, o inaudito, o n\u00e3o visto. O amor, em Duarte, e o tes\u00e3o, em Fernando, s\u00e3o passaportes para que a estranheza enfim aporte na cidade que parece ser sempre igual.<\/p>\n<p>\u00c2NCORA &#8211; Esse encontro no escuro, em que as cenas ficam \u00e0 mostra por alguns instantes (os momentos da leitura), n\u00e3o elimina a exist\u00eancia de algumas \u00e2ncoras. Se estamos no mesmo barco, o\u00adnde pipocam flashes sobre o inusitado, \u00e9 preciso que algu\u00e9m cuide do por\u00e3o, do remo, do combust\u00edvel. Disso se encarrega Daniel Fanti, autor de admir\u00e1vel obra sobre a Hist\u00f3ria da cidade e que nos leva pelas balsas do rio Uruguai por meio de um personagem que dedicou a vida ao jogo bruto do extrativismo e do transporte pelas \u00e1guas. Ou Lourival de Ara\u00fajo Gon\u00e7alves, com seu minidicion\u00e1rio de uruguaian\u00eas. E principalmente um outsider, Hique Gomes, filho de uruguaianense, que vai atr\u00e1s do que se escondia por tr\u00e1s de uma can\u00e7\u00e3o de Bebeto Alves (tamb\u00e9m presente na antologia com algumas <em>Can\u00e7\u00f5es<\/em>) e descobre o sil\u00eancio como fonte da milonga. Ou ainda Luiz Flodoardo Silva Pinto, sobre a rela\u00e7\u00e3o do missioneiro com a fronteira e Pedro Grassi, sobre visitantes ilustres<\/p>\n<p>IDENTIFICA\u00c7\u00c3O E ESTRANHAMENTO &#8211; <em>No sul, h\u00e1 muito tempo<\/em>, de Tabajara Ruas, \u00e9 exemplar do que procuro dizer sobre esta publica\u00e7\u00e3o, que nos leva, como toda fronteira, at\u00e9 o limite entre o que estamos acostumados a ver e ser e o que nos espera na dobra de uma esquina ou na curva do tempo. De que trata o conto do Taba? De uma persegui\u00e7\u00e3o. Um cavaleiro vindo de longe pergunta por um fugitivo. As pessoas consultadas despistam e ele se vai. Mas o procurado est\u00e1 no meio de quem negou a identidade do foragido. Ou seja, existe uma comunidade, gerada pela guerra, identificada como uma tropa, e situada no fim do mundo. O general a paisana chega sem ningu\u00e9m saber quem \u00e9. \u00c9 uma identidade oculta, que provoca estranhamento. Est\u00e1 buscando uma pessoa para tratar dos cavalos usados na luta. Mas essa pessoa est\u00e1 amarrada, pronta para morrer, s\u00f3 que o estranho n\u00e3o sabe quem ele \u00e9.<\/p>\n<p>O rastreador procura um \u00edndio, e o prisioneiro do posto militar \u00e9 tamb\u00e9m um \u00edndio. Os dois s\u00e3o a mesma pessoa, mas o perseguidor n\u00e3o sabe disso e acaba indo embora, deixando a v\u00edtima para ser esfolada e perdendo assim a chance de conseguir o que procura. \u00c9 um feixe de identidades ocultas, que se retorcem em cenas de estranhamento: visitante x acampados, \u00edndios x soldados, rastreador x fugitivo, militar fardado x militar a paisana. Em poucas p\u00e1ginas, Taba re\u00fane o principal conflito de uma fronteira: identifica\u00e7\u00e3o x estranhamento.<\/p>\n<p>PASSEIO &#8211; O casal de <em>Passeio no povo<\/em>, de Colmar Duarte, vai no mesmo rastro. O pe\u00e3o que ajuda a mo\u00e7a pobre e torna-se seu amante descobre que h\u00e1 um outro, que o ataca numa tocaia. Ele quer contar a verdade para o capataz e justifica-se dizendo que jamais falou mentiras. Mas quem vai ouvir sua hist\u00f3ria \u00e9 o irm\u00e3o do outro, que acabou assassinado. o\u00adnde colocar a verdade, o que fazer com a coragem, t\u00e3o familiares e que acabam se defrontando com uma situa\u00e7\u00e3o de total estranhamento? O atacante que erra p\u00eanaltis em <em>Sibila o instrumento&#8230;<\/em>, de Elder Oliveira, por ser ruim de bola, n\u00e3o faz parte da confraria do futebol. Os torcedores querem envi\u00e1-lo para jogar rugby. Em <em>O visitante ilustre<\/em>, de Genaro Alfano, o paisagista de Napole\u00e3o, Alexandre Bonpland tenta se refugiar no Brasil, mas n\u00e3o \u00e9 aceito, e acaba indo para o outro lado da fronteira. Pessoas de fora, insumo principal dos habitantes da fronteira, s\u00e3o a encarna\u00e7\u00e3o do estranhamento que chega de longe e n\u00e3o \u00e9 compreendido.<\/p>\n<p>ALEGORIAS &#8211; No poema <em>Vida<\/em>, Luis Humberto Janceski tece um lamento pela biografia n\u00e3o realizada plenamente, ou seja, pela perda da identidade (&#8220;Minha vida \u00e9 certa\/ mas est\u00e1 errada&#8221;). A vida normal, aceita, certinha, n\u00e3o serve ao poeta. Ele \u00e9 o estranho de si mesmo. A busca de uma identifica\u00e7\u00e3o encontra, em Rubens Montardo Junior, a rela\u00e7\u00e3o a dois. Para ele, todo verso \u00e9 o \u00faltimo, e o amor \u00e9 a intensidade que falta a essa vida normal. Nas can\u00e7\u00f5es de Bebeto Alves, personagens como o sambista naval ou o louco Lol\u00f3 trazem para a fronteira, territ\u00f3rio do estranhamento, as pessoas n\u00e3o codificadas pela mesmice e que batizam a terra com outras alegorias. Em Ubirajara Raffo Constant, a homenagem ao carpinteiro Al\u00edpio \u00e9 o reconhecimento da arte de um anci\u00e3o que faz ponte com a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o entre as duas pontas do tempo \u00e9 feita pela arte, um of\u00edcio \u00e0 margem, mas que forma consci\u00eancia, car\u00e1ter e inventa escritores. H\u00e1 segredos no espelho de Tukano Neto, mas eles n\u00e3o podem ser revelados. Amor, trag\u00e9dia, sonho: n\u00e3o h\u00e1 o que mencionar neste sil\u00eancio for\u00e7ado, imposto pela mesmice e contra o qual o poeta se rebela. A saudade, tanto em Tukano Neto quanto em Rafael Gomes, \u00e9 o tempo cobrando a conta da vida que se esvai na normalidade e que fustiga a emo\u00e7\u00e3o e o gosto jamais saciado da aventura.<\/p>\n<p>SOLID\u00c3O &#8211; A contri\u00e7\u00e3o de poetas urbanos, que sofrem diante da tradi\u00e7\u00e3o do movimento e da luta, faz parte desse universo confinado, dividido entre normalidade e ruptura, entre aus\u00eancia e fantasia. o\u00adn\u00e9u Prati Molina procura trazer a figura do poeta para essa vida igual em tudo, para que possa explodir. Marina Coello aposta na ternura feminina para contrapor-se a essa parede que cerca a palavra, enquanto Luiz de Miranda, que neste 2005 chega aos gloriosos 60 anos de idade, nos brinda com uma <em>Pequena elegia do abandono<\/em>, o\u00adnde prefere a solid\u00e3o \u00e0 companhia fria. Miranda quer ficar sozinho se n\u00e3o houver esperan\u00e7a de encontro. De sua coragem deixai-me que lhes diga: \u00e9 um poeta \u00fanico, que luta todos os dias por uma vida fora das garras, das correntes.<\/p>\n<p>Carlos Omar Villela Gomes, ao lembrar <em>Dos que se foram<\/em>, d\u00e1 o testemunho dos parentes mortos, e convoca a ressurrei\u00e7\u00e3o. A poesia da fronteira, assim, tece a vida paralela, a que poderia ter sido, banhada de impossibilidades, mas que alimenta o sonho par enfrentar a dura rotina di\u00e1ria. \u00c9 uma alternativa \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos e uma proposta de estranhamento por meio da palavra emocionada.<\/p>\n<p>A professora Lucia d\u00e1 o cr\u00e9dito devido a Vera Ione Molina e Ricardo Per\u00f3 Job, que al\u00e9m de fazer parte dos autores reunidos no livro, lideraram os trabalhos. Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante: as fotos da capa s\u00e3o todas de Anderson Petroceli, o fot\u00f3grafo maior da fronteira. O entardecer no pampa e no rio, e o dia claro, dividido entre rebanho e nuvem, convidam o leitor para esta viagem gratificante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Identifica\u00e7\u00e3o e estranhamento est\u00e3o no n\u00facleo da antologia &#8220;A Terra dos longos olhares&#8221; (Editora Holoedro), organizada pela professora Lucia Silva e Silva, da Uergs, que re\u00fane contos, cr\u00f4nicas, poemas e at\u00e9 um minidicion\u00e1rio, de 30 autores de Uruguaiana, um trabalho que revela a for\u00e7a, a diversidade e o alcance da literatura gerada pelos nascidos naquela fronteira.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1222"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1222"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1455,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1222\/revisions\/1455"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}