{"id":1245,"date":"2009-12-18T20:59:13","date_gmt":"2009-12-18T22:59:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1245"},"modified":"2009-12-20T23:32:59","modified_gmt":"2009-12-21T01:32:59","slug":"comedia-romantica-e-road-movies","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/comedia-romantica-e-road-movies","title":{"rendered":"COM\u00c9DIA ROM\u00c2NTICA E ROAD MOVIES"},"content":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s<\/p>\n<p>A com\u00e9dia rom\u00e2ntica \u00e9 um conflito entre pessoas d\u00edspares que procuram o Outro onde ele n\u00e3o se encontra. O enredo \u00e9 a busca desesperada de uma parceria idealizada, que acaba sempre se revelando um equ\u00edvoco. O desfecho \u00e9 quando o Destino se imp\u00f5e por obra de Cupido, o deus travesso, que arma situa\u00e7\u00f5es opostas aos impulsos originais. H\u00e1 sempre uma correria no fim do filme, sinal evidente que um dos protagonistas se d\u00e1 conta do erro e tenta remendar partindo para o ataque ao objetivo certo. O Amor sempre esteve ao lado, nos atalhos, nunca na auto-estrada. A declara\u00e7\u00e3o que sela as n\u00fapcias \u00e9 o al\u00edvio de quem estava perdido e que resgata, no embate, a pr\u00f3pria identidade. Rock Hudson e Doris Day, Tom Hanks e Meg Ryan, Andie McDowell e Gerard Depardieu s\u00e3o casais voltados para fora da rela\u00e7\u00e3o que \u00e0 primeira vista parece imposs\u00edvel, mas que no final se entrega ao inevit\u00e1vel. \u00c9 uma f\u00f3rmula eterna, que s\u00f3 perde em longevidade e carisma para o road movies, a travessia de indiv\u00edduos pelo deserto, quando descobrem, ao andar, o quanto ficaram longe de suas origens, e que, ao contr\u00e1rio da com\u00e9dia rom\u00e2ntica, implica sempre em perda, e muitas vezes em trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>BERGMAN &#8211; Nos dois tipos de filmes, a fuga (para a estrada, para o amor) \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o de quem vive situa\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis. Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman, \u00e9 o mais radical e encantador road movie da hist\u00f3ria do cinema. Um idoso viaja em busca de um pr\u00eamio e descobre a mis\u00e9ria de sua vida em seq\u00fc\u00eancias onde mem\u00f3ria e realidade t\u00eam o mesmo peso. Em Corrida contra o destino (Vanishing Point, de Richard C. Sarafian) a obra-prima americana sobre o suicida que peita as autoridades a bordo de um carro cult, representa, pela velocidade, a insurrei\u00e7\u00e3o contra a cristaliza\u00e7\u00e3o de uma sociedade fundada na tirania. A explos\u00e3o final s\u00f3 tem compara\u00e7\u00e3o em impacto das motocicletas em chamas de Easy Rider, de Denis Hopper, o marco antol\u00f3gico dessas viagens em dire\u00e7\u00e3o ao insight. &#8220;We blow it&#8221;, diz Peter Fonda quando se d\u00e1 conta da quantidade de horrores em que se meteram. N\u00f3s somos os culpados por isso, por essa radicaliza\u00e7\u00e3o que nos exclui, resposta dura ao horror supremo da falta de liberdade. O road movie \u00e9 uma descida \u00e0 dana\u00e7\u00e3o, e esta pode ser representada tanto pelo fogo quanto pelo abismo (como em Telma e Louise, de Ridley Scott). O movimento, fundamento do cinema, \u00e9 o ambiente do filme que nos leva de carro, trem, barco, a cavalo ou a p\u00e9. Embarcamos naquele sonho e torcemos por um final feliz, que nem sempre vem. A viagem a cavalo que Kirk Douglas empreende em The Last Sunset, de Robert Aldrich, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 casa que destruiu \u00e9 um aceno para a vida rom\u00e2ntica do passado, mas o caminh\u00e3o, carregado de vasos sanit\u00e1rios, se atravessa no seu caminho para destruir a viagem. A Morte espreita o road movie, que n\u00e3o faz gra\u00e7a com ningu\u00e9m. Quando tudo se resolve no final, o filme perde a identidade e pode virar uma bobagem, como Amigas para sempre, com Britney Spears, que passou na Tela Quente desta segunda-feira na Globo.<\/p>\n<p>FESTA &#8211; Charada, de Stanley Donen, com Cary Grant e Audrey Hepburn, \u00e9 a com\u00e9dia rom\u00e2ntica de a\u00e7\u00e3o em que o gal\u00e3, \u00e0 primeira vista um anti her\u00f3i, mente para salvar a mocinha e que, com esse expediente, acaba fechando todas as portas para um encontro final amoroso. A qualidade da com\u00e9dia rom\u00e2ntica vem da capacidade da trama: esta precisa nos convencer que ser\u00e1 totalmente imposs\u00edvel um the end favor\u00e1vel. Todas as ciladas se apresentam ao casal inveross\u00edmel, que assim disp\u00f5em de uma abund\u00e2ncia de oportunidades. No fundo, o roteirista responde \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o dos espectadores, que precisam ser contrariados nas suas esperan\u00e7as. Quando tudo parece perdido, algo se apresenta para resolver a quest\u00e3o. A seq\u00fc\u00eancia que define a com\u00e9dia rom\u00e2ntica acontece sempre num ambiente coletivo de confraterniza\u00e7\u00e3o: Natal, Ano Novo, A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as, parque de divers\u00f5es, desfile, festa. No meio da multid\u00e3o cheia de alegria e esperan\u00e7a, o desespero de quem viu seu amor sumir pelo ralo cruza o territ\u00f3rio da indiferen\u00e7a com o cora\u00e7\u00e3o em brasa. Billy Cristal em Harry e Sally ou Ren\u00e9e Zellweger em Di\u00e1rio de Bridget Jones podem dizer enfim: eu te amo. Quem reprimir o choro, n\u00e3o pode ser considerado humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A com\u00e9dia rom\u00e2ntica \u00e9 um conflito entre pessoas d\u00edspares que procuram o Outro onde ele n\u00e3o se encontra. O enredo \u00e9 a busca desesperada de uma parceria idealizada, que acaba sempre se revelando um equ\u00edvoco. 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