{"id":1279,"date":"2009-12-18T21:24:08","date_gmt":"2009-12-18T23:24:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1279"},"modified":"2009-12-20T20:35:06","modified_gmt":"2009-12-20T22:35:06","slug":"o-iluminista-quantico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/o-iluminista-quantico","title":{"rendered":"O ILUMINISTA QU\u00c2NTICO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><em>Senhor como semente de Carta Capital: o pulo do estrategista Mino Carta<\/em><\/p>\n<p>Apesar da sua import\u00e2ncia na \u00e9poca (1981-1988), a revista Senhor, publicada pela Editora Tr\u00eas, \u00e9 um ve\u00edculo ainda pouco conhecido, mas fundamental para entender o jornalismo brasileiro na virada do autoritarismo, que partiu da distens\u00e3o para a democracia estimulada pela anistia, mas amarrada pelo continu\u00edsmo. A revista Senhor come\u00e7ou quinzenal em 1981, sob a dire\u00e7\u00e3o de Mucio Borges da Fonseca, e trazia em toda edi\u00e7\u00e3o uma entrevista de Mino Carta com personalidades do mundo da pol\u00edtica e da economia. Essa fase serviu de estrutura\u00e7\u00e3o do futuro perfil editorial que Mino iria implementar, j\u00e1 como diretor de reda\u00e7\u00e3o e sem a presen\u00e7a de M\u00facio, na Senhor semanal, que come\u00e7ou a ser editada no ano seguinte, 1982. Mino buscava aliados para seu projeto, dentro da concep\u00e7\u00e3o iluminista: escolado no esclarecimento das elites dos pa\u00edses desenvolvidos, ele procurava compor uma rede de apoio que tivesse influ\u00eancia no Pa\u00eds e comprometimento com a democracia.<\/p>\n<p>Encontrou esse apoio em parte do alto empresariado insatisfeito com o longo per\u00edodo autorit\u00e1rio e respectivo arrocho da economia, quando o estamento pol\u00edtico j\u00e1 tinha dobrado o cabo da Boa Esperan\u00e7a de tanto manipular os grandes neg\u00f3cios. Mino encontrou oposi\u00e7\u00e3o ao governo autorit\u00e1rio em muitas personalidades das finan\u00e7as e das grandes corpora\u00e7\u00f5es e escudou-se nessa base de apoio para dar o salto necess\u00e1rio para recuperar o espa\u00e7o que tinha perdido, depois de ver seu Jornal da Rep\u00fablica fechar as portas exatamente por falta de sintonia com parte desse mundo poderoso. O Jornal da Rep\u00fablica foi uma li\u00e7\u00e3o duramente aprendida por Mino, que veio para a Senhor decidido a fazer concorr\u00eancia \u00e0s revistas que ele tinha lan\u00e7ado e que desvirtuaram-se. Ele definiu suas concorrentes, no \u00faltimo s\u00e1bado, quando deu entrevista na comemora\u00e7\u00e3o do primeiro ano do programa Comunique-se, na allTV, como ve\u00edculos que se preocupam mais com a gordura do que com a mente dos seus leitores. Mino queria trabalhar com seguran\u00e7a, sem abrir m\u00e3o dos seus princ\u00edpios. Foi atr\u00e1s de quem parecia estar do outro lado, mas que revelou-se favor\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as. Foi assim que, sem negociar princ\u00edpios, Mino fez o que quis, com aplauso da (pequena) por\u00e7\u00e3o iluminista da elite brasileira.<\/p>\n<p>\u00danico representante da Senhor quinzenal (para o\u00adnde tinha ido depois depois de um duro ex\u00edlio provocado por duas turbul\u00eancias, a ISTO\u00c9 e a Brasil21, uma provocada por incompatibilidade interna e outra pelo fechamento do ve\u00edculo), participei tamb\u00e9m das edi\u00e7\u00f5es semanais, num per\u00edodo superior a cinco anos, e acompanhei todo o processo. Era encarregado de umas vinte p\u00e1ginas, somando a se\u00e7\u00e3o de Livros (que ofereci para Mino e ele aceitou e ajudou, junto com Luiz Gonzaga Belluzzo, a transform\u00e1-la num marco do jornalismo cultural), a se\u00e7\u00e3o brasileira do Economist, as se\u00e7\u00f5es de Ci\u00eancia e Tecnologia e, por algum tempo, Cultura, al\u00e9m de cuidar de Cartas e da coluna de Pietro Maria Bardi. Era trabalho para mais de metro, confeccionada na m\u00e1quina Olivetti. Virei companheiro daquela jornada (para usar a express\u00e3o de Mino quando comentou minha pergunta no Comunique-se) que tinha um time de primeira: Wagner Carelli, Nirlando Beir\u00e3o, Carlos Drummond, H\u00e9lio Campos Mello, Jorge Wahl, Jos\u00e9 Roberto Nassar, Jos\u00e9 o\u00adnofre, M\u00e1rio Chimanovitch, Antonio Carlos Prado, Thais Rebello, Jo\u00e3o Carlos Alvarenga, Francisco Viana, Nelson Letaif, Sandra Balbi, entre muitos outros).<\/p>\n<p>Vi ent\u00e3o como eram os procedimentos. Primeiro, uma reda\u00e7\u00e3o enxuta, pois no mesmo programa Comunique-se Mino falou que escandaliza-se com o car\u00e1ter perdul\u00e1rio das administra\u00e7\u00f5es do jornalismo brasileiro, que possu\u00edam reda\u00e7\u00f5es gigantescas, inclusive sucursais que eram maiores do que reda\u00e7\u00f5es da It\u00e1lia e Fran\u00e7a. Cada jornalista editava, reportava e fechava. N\u00e3o havia a figura do &#8220;ma\u00e7aneta&#8221;, aquele que abria portas para os editores, que traziam informa\u00e7\u00e3o para o g\u00eanio do grande jornalista colocar um texto final.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, havia responsabilidade total de cada um pelo que publicava. Mino lia pouca coisa antes de sair a edi\u00e7\u00e3o, apenas tomava conhecimento do que estava sendo feito e aprofundava-se nas mat\u00e9rias principais. A grande massa de textos restantes ficavam a cargo de cada um, que arrostava as conseq\u00fc\u00eancias depois. As reuni\u00f5es de pauta eram abertas e transparentes: todos participavam e davam palpite. Quem sugeria a mat\u00e9ria, fazia. Era preciso refletir antes de falar, pois para Mino nada lhe escapa. Depois, possu\u00eda dois correspondentes, um em Bras\u00edlia, Jos\u00e9 Carlos Bardawill, e outro no Rio de Janeiro, Maur\u00edcio Dias, que com o tempo puderam contratar outros colaboradores. Lembro que n\u00e3o pass\u00e1vamos de dez pessoas na reda\u00e7\u00e3o, para uma revista semanal de 84 p\u00e1ginas. Senhor se ressentia apenas de um clima excessivamente austero, mas isso pode ser explicado pela \u00e9poca em que foi feita: a transi\u00e7\u00e3o obrigava a assumir responsabilidades gigantescas, pois n\u00e3o pod\u00edamos falhar, sob pena n\u00e3o apenas de perder um emprego gratificante numa \u00e9poca que j\u00e1 estava acordando para a crise que mais tarde estourou na comunica\u00e7\u00e3o, mas pelo fato de corrermos o risco de perder a oportunidade \u00fanica de fazer hist\u00f3ria no jornalismo. Gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a de Mino e sua estrat\u00e9gia, a revista foi vitoriosa.<\/p>\n<p>O que faltava em Senhor, est\u00e1 sob medida na Carta Capital, que mant\u00e9m &#8211; como reconheceu Mino ao responder uma pergunta minha, que pedia compara\u00e7\u00e3o entre as duas revistas &#8211; os mesmos princ\u00edpios: reda\u00e7\u00e3o enxuta, colunistas significativos, liberdade para os colaboradores, apoio log\u00edstico da parte esclarecida da elite (o evento As Empresas mais Admiradas, \u00e9, no fundo,o que pretendia o t\u00edtulo Senhor dado todos os anos, e que foi levado por Olavo Set\u00fabal, Ulisses Guimar\u00e3es, Helio Smidt, entre outros). Dar voz a Eug\u00eanio Staub e Paulo Francini fazia parte da estrat\u00e9gia bem sucedida de Mino, que assim encontrava nuances na elite, ajudava a comprometer empres\u00e1rios, banqueiros e pol\u00edticos com as bandeiras mais importantes da democracia. A revista tinha a ousadia de querer influir diretamente nos rumos do Pa\u00eds e basta dar uma passada em seus colaboradores para descobrir o quanto ela conseguiu ser o que sonhava. Seus colunistas fixos, como Raymundo Faoro, Franklin de Oliveira, Said Farhat, a presen\u00e7a de Belluzzo, presidente do Conselho Editorial da revista, e os entrevistados de todos os nichos de atividades faziam de Senhor um estu\u00e1rio de id\u00e9ias e propostas. Pessoas que na \u00e9poca eram pouco conhecidas, como Jo\u00e3o Sayad, Emir Sader e Marco Aur\u00e9lio Garcia (estes dois \u00faltimos, meus colaboradores fixos na se\u00e7\u00e3o de Livros por muitos anos) e muitos outros nomes tornaram-se importantes mais tarde. Senhor serviu de alavanca para v\u00e1rias carreiras pol\u00edticas e foi uma base de lan\u00e7amentos eficiente para definir vetores de um Brasil iluminista que, segundo Mino, deveria se beneficiar das contribui\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa antes de sonhar com o socialismo.<\/p>\n<p>Mino quer um capitalismo esclarecido para o Brasil, uma elite brilhante e respons\u00e1vel, um povo inclu\u00eddo na economia, na pol\u00edtica e na cultura. Seu encanto com Lula foi a constata\u00e7\u00e3o de que o Brasil poderia ter uma chance de ser diferente, de n\u00e3o cair sempre nas mesmas armadilhas, de superar-se. Mino mesmo \u00e9 um exemplo de auto-supera\u00e7\u00e3o. Conseguiu dar a volta por cima com a Senhor e, quando ela foi anexada \u00e0 ISTO\u00c9 e depois sumiu como por encanto, teve ainda que passar um tempo sem seu ve\u00edculo pr\u00f3prio. Voltou com Carta Capital quinzenal, como aconteceu no in\u00edcio da Senhor, e como esta, passou para semanal num salto qu\u00e2ntico que tamb\u00e9m marcou \u00e9poca. Hoje, Carta Capital \u00e9 o mais importante ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. D\u00e1 de mil nas suas concorrentes e exibe um ecletismo, efici\u00eancia e contund\u00eancia dif\u00edceis de encontrar no jornalismo brasileiro atual. Mino \u00e9 um dos fundadores de uma linhagem nobre do jornalismo e faz jus a ela todos os dias. Seguir o seu exemplo n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de bom gosto e coragem, mas de sobreviv\u00eancia. O projeto dos donos do poder \u00e9 acabar de vez com o jornalismo. Reagir a isso \u00e9 a receita do iluminista qu\u00e2ntico, o homem que veio de longe em miss\u00e3o civilizat\u00f3ria no pa\u00eds que ele adotou e que, apesar de n\u00e3o querer demonstrar em demasia, ama profundamente.<\/p>\n<p><em>Texto publicado no site Comunique-se em 17\/11\/2003, que recebeu os seguintes coment\u00e1rios:<\/em><\/p>\n<p>Delmar Marques [18\/11\/2003 &#8211; 09:20]<\/p>\n<p>(Diretor-DM Textual Editora\u00e7\u00e3o Eletr\u00f4nica &#8211; SP)<\/p>\n<p>Concordo com o Mino em letra e forma. Quando assumi no mes\u00e3o do Estad\u00e3o fiquei escandalizado com a quantidade de pessoal dispon\u00edvel e a baixa qualidade da produ\u00e7\u00e3o gerada. Como poderia ter dificuldades para fechar a primeira p\u00e1gina com aquele n\u00famero impressionante de rep\u00f3rteres e editores &#8216;a disposi\u00e7\u00e3o era algo que n\u00e3o conseguia entender. O pessoal na reda\u00e7\u00e3o de Sampa excedia em mais de tr\u00eas vezes o n\u00famero de computadores dispon\u00edveis, gerando uma incr\u00edvel dan\u00e7a das cadeiras no final da tarde. At\u00e9 o meu lugar, no fechamento, era tomado por algum rep\u00f3rter a\u00e7odado caso levantasse por alguns minutos para consultar um editor ou pegar um cafezinho. Em alguns eventos, enviados por mais de uma editoria da reda\u00e7\u00e3o competiam com outros da ag\u00eancia, do JT, da r\u00e1dio Eldorado, cada qual gerando uma notinha factual no seu ve\u00edculo. Sei que v\u00e1rias &#8220;limpas&#8221; foram feitas desde ent\u00e3o, idos de 92, mas os v\u00edcios dessa desorganiza\u00e7\u00e3o operacional persistem nas grandes reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ivanna Fabiani [17\/11\/2003 &#8211; 17:54]<\/p>\n<p>(Freelancer)<\/p>\n<p>Endossei Nei. Carta Capital leio com vontade e confian\u00e7a. N\u00e3o paro para pensar se realmente aquilo foi absorvido de algum outro ve\u00edculo, ou copiado de um document\u00e1rio do Canal fechado. E um al\u00edvio ler a Carta Capital porque n\u00e3o preciso recorrer a outros ve\u00edculos e fazer compara\u00e7\u00f5es para tirar uma m\u00e9dia do que est\u00e1 exato! Mino Carta, alem de tudo \u00e9 intuitivo ter\u00e1 sempre total permiss\u00e3o de tirar seu Tar\u00f4t para o Brasil !<\/p>\n<p>Auric\u00e9lia de Paula Rodrigues [17\/11\/2003 &#8211; 15:37]<\/p>\n<p>(Diretor-Projeto Ler &amp; Escrever &#8211; GO)<\/p>\n<p>MA_RA_VI_LHA&#8230;!! Concordo com suas palavras, Nei Ducl\u00f3s. H\u00e1 alguns meses, comentei aqui, neste site,que esta \u00e9 a \u00fanica revista (Caros Amigos tamb\u00e9m) que ainda vale a pena e d\u00e1 gosto ler. N\u00e3o precisa dizer que o seu texto \u00e9 po\u00e9tico em forma e conte\u00fado. O trecho mais marcante para mim \u00e9: &#8220;Hoje, Carta Capital \u00e9 o mais importante ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. D\u00e1 de mil nas suas concorrentes e exibe um ecletismo, efici\u00eancia e contund\u00eancia dif\u00edceis de encontrar no jornalismo brasileiro atual. Mino \u00e9 um dos fundadores de uma linhagem nobre do jornalismo e faz jus a ela todos os dias. Seguir o seu exemplo n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de bom gosto e coragem, mas de sobreviv\u00eancia. O projeto dos donos do poder \u00e9 acabar de vez com o jornalismo.&#8221; Parab\u00e9ns e escreva mais para n\u00f3s!<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Lanyi [17\/11\/2003 &#8211; 14:28]<\/p>\n<p>(Colunista \/ Comentarista \/ Cr\u00edtico-Comunique-se &#8211; RJ)<\/p>\n<p>Ta\u00ed um artigo que revolve a concep\u00e7\u00e3o e os bastidores de uma das publica\u00e7\u00f5es mais importantes da hist\u00f3ria do Pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mino Carta quer um capitalismo esclarecido para o Brasil, uma elite brilhante e respons\u00e1vel, um povo inclu\u00eddo na economia, na pol\u00edtica e na cultura. Mino mesmo \u00e9 um exemplo de auto-supera\u00e7\u00e3o. Conseguiu dar a volta por cima com a revista Senhor e, quando ela foi anexada \u00e0 Isto\u00c9 e depois sumiu como por encanto, teve ainda que passar um tempo sem seu ve\u00edculo pr\u00f3prio. Voltou com Carta Capital quinzenal, como aconteceu no in\u00edcio da Senhor, e como esta, passou para semanal num salto qu\u00e2ntico que tamb\u00e9m marcou \u00e9poca.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[10,7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1279"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1389,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1279\/revisions\/1389"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}