{"id":1309,"date":"2009-12-18T21:43:24","date_gmt":"2009-12-18T23:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=1309"},"modified":"2009-12-21T23:14:24","modified_gmt":"2009-12-22T01:14:24","slug":"star-trek-a-soma-de-todos-os-generos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/star-trek-a-soma-de-todos-os-generos","title":{"rendered":"STAR TREK: A SOMA DE TODOS OS G\u00caNEROS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Clonar assumidamente Star Wars fez a nova vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica de Star Trek (2209), dirigida por J.J.Abrams, romper com a tradicional imobilidade da saga. As vers\u00f5es anteriores faziam dessa aventura espacial, criada nos anos 60 por Gene Roddenberry, um neg\u00f3cio quase de foro \u00edntimo, onde os personagens n\u00e3o sa\u00edam do lugar e n\u00e3o moviam uma linha do rosto. Mas chupar George Lucas em in\u00fameras cenas (no deserto, na neve, nas naves, nos lasers, nas lutas de espada) e transplantar suas solu\u00e7\u00f5es (como a m\u00fasica sinistra para o andar do vil\u00e3o) foi s\u00f3 um detalhe. A hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o artificial de buracos negros que tudo sugam \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o perfeita deste filme, que soma todos os g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos:<\/p>\n<h3>FIC\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>\u2013 O g\u00eanio do Mal que destr\u00f3i o mundo por meio de uma arma mortal, uma id\u00e9ia dos quadrinhos que migrou para o cinema desde os anos 40; a linguagem cient\u00edfica futurista que manipula desde o teletransporte at\u00e9 a viagem qu\u00e2ntica no espa\u00e7o; a viagem no tempo, em que personagens vindos do futuro interferem e modificam o destino dos protagonistas; as roupas espaciais obedecendo ao modelo clean que vem de Metr\u00f3polis de Fritz Lang e chega ao auge em 2001, de Kubrick; os extra-terrestres de todas as ra\u00e7as, uma id\u00e9ia cl\u00e1ssica de Star Wars.<\/p>\n<h3>AVENTURA<\/h3>\n<p>\u2013 Os ambientes gigantescos no fundo dos planetas que s\u00e3o destru\u00eddos obrigando, como em Indiana Jones, a fuga precipitada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 abertura na superf\u00edcie; a esgrima na plataforma inst\u00e1vel e em fogo da grande perfuradora que cria o caminho para a arma letal nos remete \u00e0s lutas de espadas a laser de Luke e seu pai Darth Wader; a queda no planeta gelado onde aparecem monstros que empurram o protagonista para o precip\u00edcio e as cavernas; a prova nos descampados de Iowa onde o garoto vocacionado para a luta espacial se entrega \u00e0 transgress\u00e3o.<\/p>\n<h3>GUERRA<\/h3>\n<p>&#8211; Os m\u00edsseis carregados em canh\u00f5es que se abrem por tr\u00e1s, como acontecia nas baterias dos navios dos filmes da Segunda Guerra Mundial; as explos\u00f5es gigantescas que destroem cen\u00e1rios; as reuni\u00f5es e batalhas da Legi\u00e3o Estelar que lembram os ex\u00e9rcitos nos campos da Europa; as decis\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es limite quando um milissegundo pode decidir a vida de todos, como acontecia nos filmes de submarinos; as condecora\u00e7\u00f5es depois das vit\u00f3rias; o encontro emocionado dos guerreiros sobreviventes, os que ficaram inteiros e os que orgulhosamente se assentam em cadeiras de rodas.<\/p>\n<h3>FAROESTE<\/h3>\n<p>&#8211; A briga coletiva de socos no bar, uma tradi\u00e7\u00e3o dos filmes de cow-boys, especialmente o maior deles, Shane, de George Stevens, em que a viol\u00eancia dos maus e o humor dos bons se batem at\u00e9 a exaust\u00e3o; a obsessiva vingan\u00e7a do vil\u00e3o que denuncia alguma perda profunda do passado e que volta para acertar contas; os ambientes hostis onde os guerreiros se defrontam; o duelo final; o estranhamento inicial dos futuros parceiros e depois a camaradagem e o reconhecimento m\u00fatuo; a mocinha como coadjuvante.<\/p>\n<h3>A\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>&#8211; A viagem da nave Enterprise \u00e9 o confronto diante da amea\u00e7a da destrui\u00e7\u00e3o da Terra (home), representa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica. Os protagonistas fazem parte de uma linhagem de her\u00f3is que v\u00e3o dar continuidade \u00e0 a\u00e7\u00e3o de seus ancestrais e garantir a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies. Fazem parte de uma Federa\u00e7\u00e3o Universal, esp\u00e9cie de ONU das galaxias, que garante a paz no universo. O Mal \u00e9 encarnado por aquilo que Marlon Brando criou em Apocalipse Now: um rosto hediondo que emite uma fala de condena\u00e7\u00e3o. Em torno da Enterprise (foto acima), se desenrola a a\u00e7\u00e3o decisiva para que a Terra n\u00e3o seja destru\u00edda.<\/p>\n<h3>DRAMA<\/h3>\n<p>&#8211; O assassinato da m\u00e3e do Dr. Spock, na sua frente, no momento em que parecia estar salva; o beijo roubado da admiradora no rosto impass\u00edvel do cientista que perdeu as emo\u00e7\u00f5es no treinamento; a raiva que emerge quando \u00e9 desafiado; a perda do contato com a fam\u00edlia; o reencontro com as origens; o sentimento em duelo com a raz\u00e3o; o destino desafiado pelo livre arb\u00edtrio; a ruptura com os colegas e amigos; a costura de novos relacionamentos no universo hoostil.<\/p>\n<h3>SUSPENSE<\/h3>\n<p>&#8211; A fera que ataca de surpresa no momento da solid\u00e3o e do abandono; o encontro com o amigo envelhecido pela viagem no tempo; a id\u00e9ia de g\u00eanio n\u00e3o reconhecida que de repente fica no miolo do problema; o p\u00e1ra-quedas que s\u00f3 abre no \u00faltimo segundo; as m\u00e1quinas aterradoras; a tortura e o assassinato.<\/p>\n<h3>HUMOR<\/h3>\n<p>&#8211; O cientista maluco que no teletransporte acaba emergindo na tubula\u00e7\u00e3o cheia de \u00e1gua e grita desesperado para sair; as respostas malcriadas do rapaz que enfrenta for\u00e7as muito superiores e que tenta, pelo menos, se divertir, enquanto apanha sem parar; o companheiro bizarro que na decolagem da nave se esconde no alto de um compartimento; o sotaque atrapalhado do garoto russo na hora de emitir ordens de comando.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 uma soma de lugares comuns, ou melhor, de solu\u00e7\u00f5es que funcionam, para l\u00e1 de batidas e que Star Trek n\u00e3o tem nenhuma vergonha de lan\u00e7ar m\u00e3o. Mas, o surpreendente \u00e9 que o filme n\u00e3o descamba nessa grande mistura. Ao contr\u00e1rio, conseguiram dosar de maneira razo\u00e1vel a quantidade enorme de bobagens que passamos a vida vendo e gostando. Vi o filme com alguma satisfa\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de Leningrado, filme russo de 2007 com Mira Sorvino, que tamb\u00e9m mistura g\u00eaneros e acaba se perdendo. N\u00e3o chega a ser um filme de guerra, nem de suspense. \u00c9 apenas uma colagem mal feita. Bem ao contr\u00e1rio de Star Trek, em que voc\u00ea chega a saltar da cadeira, mesmo sabendo que n\u00e3o vale nada.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabemos: todo filme \u00e9 sobre cinema. Star Trek \u00e9 cinema sobre todos os g\u00eaneros de filme.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clonar assumidamente Star Wars fez a nova vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica de Star Trek (2209), dirigida por J.J.Abrams, romper com a tradicional imobilidade da saga. 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