{"id":18,"date":"2005-05-13T13:52:47","date_gmt":"2005-05-13T15:52:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/nei-wp\/wordpress\/?p=18"},"modified":"2009-12-20T22:52:53","modified_gmt":"2009-12-21T00:52:53","slug":"mario-quintana-o-flagelo-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/mario-quintana-o-flagelo-do-senhor","title":{"rendered":"M\u00e1rio Quintana: O Flagelo do senhor"},"content":{"rendered":"<p>O FLAGELO DO SENHOR<\/p>\n<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/consciencia.org\/neiduclos\/imagens\/icons\/quintana.jpg\" alt=\"caderno de cultura, Zero Hora\" \/><\/p>\n<p>A longevidade de Mario Quintana \u00e9 a sua melhor vingan\u00e7a. Ele sobreviveu aos passadistas escandalizados com o verso livre, aos modernistas que vaiavam o soneto, aos concretistas al\u00e9rgicos ao discurso, aos \u00e9picos que odiavam o lirismo, aos rom\u00e2nticos chocados com a crueza. Enfrentou tamb\u00e9m os engajados que confundiam ironia com aliena\u00e7\u00e3o, os pretensos cosmopolitas que o acusavam de provincianismo, al\u00e9m dos entendidos que procuraram segurar o anjo pelas asas, quando tentaram enquadr\u00e1-lo num xadrez historicista, estruturalista, marxista, reacion\u00e1rio ou simplesmente pedante. Ao mesmo tempo, precisou lembrar a toda hora que n\u00e3o \u00e9 &#8220;ga\u00facho&#8221;, no sentido fan\u00e1tico do termo.<\/p>\n<p>Por isso, a melhor homenagem que se pode prestar a ele \u00e9 resistir \u00e0 \u00faltima das tenta\u00e7\u00f5es: a de tentar endeus\u00e1-lo. Uma das formas de coloc\u00e1-lo no pedestal \u00e9 esgrimir uma falsa intimidade, como se fosse muito pr\u00f3ximo, o &#8220;Mario&#8221; de todos n\u00f3s, o poetinha da Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, o orgulho de nossos regionalismos mal resolvidos. Quintana parece ser sempre um bom motivo para nos derramarmos em poetices, pelo simples fato de o brasileiro, apesar das evid\u00eancias em contr\u00e1rio, pouco entender do assunto.<\/p>\n<p>O maior desafio do poeta no Brasil \u00e9, em primeiro lugar, aturar a prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edcio: todos &#8220;s\u00e3o&#8221; ou viram poetas ao longo do tempo. E o que \u00e9 pior: publicam sem parar! Em segundo lugar, \u00e9 enfrentar o sorrisinho diagonal das pessoas &#8220;pr\u00e1ticas&#8221;, os que confundem poesia com frescura. \u00c9 costume ignorar os ossos desse of\u00edcio maldito, Como depende de luzes raras e pulso firme, a cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica \u00e9 obrigatoriamente para poucos, j\u00e1 que contraria o senso comum. Como \u00e9 imposs\u00edvel enquadrar o poeta, passa-se a tranform\u00e1-lo em &#8220;prata da casa&#8221;, adere\u00e7o, bibel\u00f4. \u00c9 dif\u00edcil convencer os c\u00ednicos profissionais de que a casa da sogra fica em outro endere\u00e7o .<\/p>\n<p>Muitas hist\u00f3rias folcl\u00f3ricas que contam a respeito de Mario Quintana expressam &#8211; normalmente, de uma forma velada &#8211; repulsa ao farisa\u00edsmo e \u00e0 mesquinharia. S\u00f3 que s\u00e3o confundidas com excentricidades, &#8220;coisas de poeta&#8221;. Mas um poeta n\u00e3o \u00e9 nada do que imaginamos. Sua voz \u00e9 que est\u00e1 com a \u00faltima palavra. Para quem consegue v\u00ea-lo atrav\u00e9s dos seus disfarces, sabe que ele \u00e9 o flagelo do Senhor na forma de anjo. Sua espada veio para cortar-nos a l\u00edngua.<\/p>\n<p><em>publicado em 25 de julho de 1992,no segundo caderno da &#8220;ZERO HORA&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A longevidade de Mario Quintana \u00e9 a sua melhor vingan\u00e7a. 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