{"id":1996,"date":"2010-03-11T22:48:10","date_gmt":"2010-03-12T01:48:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=1996"},"modified":"2010-03-11T22:48:10","modified_gmt":"2010-03-12T01:48:10","slug":"percepcao-e-fato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/percepcao-e-fato","title":{"rendered":"PERCEP\u00c7\u00c3O E FATO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO fato de existir planeta \u00e9 indiscut\u00edvel. Todos sabem que \u00e9 absolutamente normal uma criatura gigantesca, cheia de \u00e1gua, animais e gente, boiar no cosmo frio ao redor de alguma estrela contando apenas com a for\u00e7a da gravidade. O que deve se colocar em debate \u00e9 a hegemonia dessa evid\u00eancia sobre outra, a da exist\u00eancia de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Vista do alto, a terra \u00e9 um conjunto geogr\u00e1fico e n\u00e3o pol\u00edtico. Suas riquezas e recursos se espalham independente das fronteiras, tornadas reais por for\u00e7a de in\u00fameros acordos, por sua vez fruto de conflitos de longa dura\u00e7\u00e3o. Uma linha divis\u00f3ria \u00e9 a garantia de paz na diferen\u00e7a, mas hoje \u00e9 moda pregar o seu fim como sinal de ultra-modernidade. Como se o mapa-m\u00fandi, tornado obsoleto, representasse um fato que todos procuram superar.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 crise e um pa\u00eds n\u00e3o consegue resolver coisas banais como escoar \u00e1gua da enchente ou evitar milhares de mortes no tr\u00e2nsito, cresce o sentimento de universalidade. Que no fundo \u00e9 abandonar o verde-amarelo e vestir logo a camisa do Milan. \u00c9 o sonho de viver longe de monstruosidades como o assass\u00ednio frio de crian\u00e7as ou o roubo expl\u00edcito dos recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O abandono da id\u00e9ia de p\u00e1tria em fun\u00e7\u00e3o de algo maior n\u00e3o passa de instinto de sobreviv\u00eancia, quando se emigra para na\u00e7\u00f5es que exibam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais opostas \u00e0s nossas. A percep\u00e7\u00e3o ideal \u00e9 ser do planeta quando o fato \u00e9 sumir para um pa\u00eds remoto, j\u00e1 que a vizinhan\u00e7a amea\u00e7a com os mesmos problemas end\u00eamicos.<\/p>\n<p>Eliminar a id\u00e9ia de Brasil como solu\u00e7\u00e3o final faz com que o pa\u00eds seja visto como a por\u00e7\u00e3o mais generosa dessa terra de ningu\u00e9m vislumbrada pelos sat\u00e9lites. O resultado \u00e9 que It\u00e1lia e Fran\u00e7a ficam na Europa, os Estados Unidos na Am\u00e9rica do Norte, mas s\u00f3 o Brasil fica no planeta. Quando abordam nossa realidade, enxergam florestas e instintos selvagens, al\u00e9m de uma pujan\u00e7a de le\u00f5es jovens, como se nossos \u00edndices produtivos obedecessem ao impulso dos predadores das savanas.<\/p>\n<p>Numa na\u00e7\u00e3o existe o sentimento de perten\u00e7a, mesmo com as amea\u00e7as, confus\u00f5es e problemas. Ela costuma ser maior do que a emergente id\u00e9ia de fazer parte do sistema solar. A verdade \u00e9 que, mesmo quando queremos ser universais, n\u00e3o nos apresentamos como seres planet\u00e1rios, mas como cidad\u00e3os do mundo. E cidadania implica passaporte e n\u00e3o apenas lagos ou montanhas.<\/p>\n<p><em> Cr\u00f4nica publicada no dia 23 de fevereiro de 2010 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O fato de existir planeta \u00e9 indiscut\u00edvel. Todos sabem que \u00e9 absolutamente normal uma criatura gigantesca, cheia de \u00e1gua, animais e gente, boiar no cosmo frio ao redor de alguma estrela contando apenas com a for\u00e7a da gravidade. 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