{"id":2030,"date":"2010-03-21T20:43:50","date_gmt":"2010-03-21T23:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2030"},"modified":"2010-03-21T20:43:58","modified_gmt":"2010-03-21T23:43:58","slug":"precious-a-barra-e-o-sonho-onde-esta-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/precious-a-barra-e-o-sonho-onde-esta-o-cinema","title":{"rendered":"PRECIOUS, A BARRA E O SONHO: ONDE EST\u00c1 O CINEMA?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O cinema est\u00e1 na confiss\u00e3o da m\u00e3e de <strong>Precious<\/strong>, a jovem obesa, gr\u00e1vida do pai pela segunda vez, analfabeta, soropositiva? Ou nas cenas de del\u00edrio de sucesso de uma vida alternativa sonhada por Precious, onde o professor e o enfermeiro participam como pr\u00edncipes encantados de uma biografia totalmente voltada para o espet\u00e1culo? A resposta parece ser \u00f3bvia: \u00e9 claro que est\u00e1 na hist\u00f3ria brutal filmada com a m\u00e1xima crueza por Lee Daniels a partir de um romance de Sapphire de 1987, roteirizado por Geoffrey Fletcher, que levou um Oscar pelo seu trabalho.<\/p>\n<p>Mas uma resposta mais completa seria: como est\u00e1 cada vez mais t\u00eanue a fronteira entre Hollywood e Festival Sundance (de onde saiu Precious), o cinem\u00e3o aderiu \u00e0 transgress\u00e3o conceitual alternativa e faz a cr\u00edtica de seu passado, enquanto seduz os espectadores, agora mais exigentes, com novos impactos, com uma hist\u00f3ria sobre a inclus\u00e3o de uma cidad\u00e3 marginalizada (interpretada por Gabourey Sidibe), que interage com um complicado sistema de apoio social na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>O admir\u00e1vel nos americanos, pelo menos em boa parte deles, nos \u00faltimos tempos, \u00e9 essa vis\u00e3o desassombrada sobre seus pr\u00f3prios problemas. Eles podem: contam com institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas que cercam a popula\u00e7\u00e3o de alternativas, mesmo que n\u00e3o sejam as melhores. Aqui, o abandono do Estado leva as pessoas a cometer desatinos, de querer consertar o mundo e os drogados apenas por a\u00e7\u00f5es voluntariosas, enquanto do dinheiro que deveria ir para as pr\u00e1ticas sociais vai mesmo para o ralo.<\/p>\n<p>\u00c9 tocante ver, em Precious, a professora na escola alternativa, a assistente social que quer saber sobre o caso de estupro, entre outros personagens cheios de coragem e humanidade, sem nenhum res\u00edduo de falsas boas inten\u00e7\u00f5es. S\u00e3o voca\u00e7\u00f5es adotadas pelo Estado, com uma a\u00e7\u00e3o que obedece a crit\u00e9rios e a processos bem definidos.<\/p>\n<p>Se houve um Oscar merecido em 2010, esse foi para a atriz e cantora Mo\u00b4nique, que faz o papel de Mary, a m\u00e3e de Precious. Ela est\u00e1 assustadora no seu papel dram\u00e1tico em que pressiona a filha at\u00e9 a insanidade total. A cena da confiss\u00e3o, em que narra como o marido e pai da sua filha seduziu a crian\u00e7a ao longo do tempo e estuprou-a, \u00e9 o \u00e1pice de uma performance que come\u00e7a e termina com extrema intensidade. Mary \u00e9 a parede contra a qual se bate a filha desesperada, que \u00e9 levada ao surto permanente, em que tenta escapar pelo sonho, quando s\u00f3 tem para si a barra pesada da vida no Harlem.<\/p>\n<p>Mas a garota que sonhava em ser uma estrela qualquer da sociedade do espet\u00e1culo acaba sendo a protagonista da pr\u00f3pria vida, conseguindo trabalho, avan\u00e7ando nos estudos e recuperando os filhos que antes n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de criar. O cinema glamouroso cheio de maquiagem e gestos estudantes e frases vazias cede ao impacto da c\u00e2mara frontal diante de personalidades do nosso tempo, vistos em sua inteireza. N\u00e3o tem como colocar para baixo do tapete toda a viol\u00eancia estampada no filme. E isso que a narrativa comporta apenas alguns tapas, socos e empurr\u00f5es, al\u00e9m de uma cena mais pesada, da briga definitiva entre m\u00e3e e filha.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia \u00e9 psicol\u00f3gica, \u00e9 dos conflitos sociais, \u00e9 da ignor\u00e2ncia, da promiscuidade&gt; isso Precious tem de muito forte. Mas tudo pode ser enfrentado, mesmo na baixa escala social. Isto o filme tem de mais precioso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s O cinema est\u00e1 na confiss\u00e3o da m\u00e3e de Precious, a jovem obesa, gr\u00e1vida do pai pela segunda vez, analfabeta, soropositiva? Ou nas cenas de del\u00edrio de sucesso de uma vida alternativa sonhada por Precious, onde o professor e o enfermeiro participam como pr\u00edncipes encantados de uma biografia totalmente voltada para o espet\u00e1culo? 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