{"id":2041,"date":"2010-04-06T10:45:21","date_gmt":"2010-04-06T13:45:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/?p=2041"},"modified":"2010-04-06T10:45:21","modified_gmt":"2010-04-06T13:45:21","slug":"persona","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.consciencia.org\/neiduclos\/persona","title":{"rendered":"PERSONA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nei Ducl\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Somos personagens no teatro das percep\u00e7\u00f5es mutantes e, muitas vezes, inconcili\u00e1veis com nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia. Precisamos da apar\u00eancia e seus sinais e, principalmente, de script. Ser autor do pr\u00f3prio roteiro requer f\u00f4lego e ajustes ao longo do tempo. Temos a ilus\u00e3o de que publicamos nossas in\u00fameras vers\u00f5es nos eventos principais, mas elas se definem nos detalhes. Se voc\u00ea \u00e9 visto num mau dia por algu\u00e9m influente, assim ser\u00e1 difundido para determinadas plat\u00e9ias. Por isso, dizem ser necess\u00e1rio nos preparar cada instante do dia, pois a Fortuna n\u00e3o avisa quando vai passar.<\/p>\n<p>A forte intensidade das expectativas convive hoje com possibilidades reais proporcionadas pela tecnologia disseminada na sociedade do espet\u00e1culo (que inclui bem mais do que apenas a ind\u00fastria cultural ou a do chamado entretenimento). Tudo parece estar \u00e0 m\u00e3o e nos vemos impulsionados para v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, certos de que seremos vistos conforme as m\u00e1scaras que formatamos para cada ocasi\u00e3o, todas elas, acreditamos, girando em torno de um eixo imut\u00e1vel, a personalidade que adquirimos pelo h\u00e1bito e com a idade.<\/p>\n<p>O jogo \u00e9 pesado e nos perguntamos ent\u00e3o qual \u00e9 nossa ess\u00eancia. Acredito que ela tamb\u00e9m dan\u00e7a conforme a m\u00fasica da \u00e9poca. Mudar de rosto nos anos 1960 significava sofrer o impacto de est\u00edmulos ex\u00f3genos num ambiente coletivo formatado por uma heran\u00e7a educacional conservadora. Isso aconteceu de maneira mais ou menos igual para in\u00fameras pessoas. Quando lemos os depoimentos de quem come\u00e7ou a sentir e a pensar diferente de uma hora para outra, depois de ter acesso a portas at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas do conhecimento, vemos as mesmas situa\u00e7\u00f5es replicadas constantemente. Todos, no m\u00ednimo, acreditam ter apertado a m\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Hoje, quando a prolifera\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos sobra, n\u00e3o existe mais aquela base que recebia e elaborava o choque. H\u00e1 uma banaliza\u00e7\u00e3o geral, com resultados perigosos. O aceno de uma \u201ccura\u201d piora a situa\u00e7\u00e3o. Isso nem \u00e9 visto com nitidez e uma trag\u00e9dia familiar pode destampar o caos obscurantista que permeia a vida nacional.<\/p>\n<p>Para neutraliz\u00e1-lo, nada como o bom e velho racionalismo. Temos a eternidade para sermos esp\u00edritos. Vamos aproveitar essa vida para formar uma concretude que nos falta. Precisamos ser reais, como um grande e portentoso jequitib\u00e1, e n\u00e3o enredados, como um cip\u00f3.<\/p>\n<p><em>Cr\u00f4nica publicada no dia 23 de mar\u00e7o de 2010 no caderno Variedades, do Di\u00e1rio Catarinense.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nei Ducl\u00f3s Somos personagens no teatro das percep\u00e7\u00f5es mutantes e, muitas vezes, inconcili\u00e1veis com nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia. Precisamos da apar\u00eancia e seus sinais e, principalmente, de script. Ser autor do pr\u00f3prio roteiro requer f\u00f4lego e ajustes ao longo do tempo. 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